Sempre
válido observar que num país de dimensões continentais existe uma diversidade
cultural imensa e que as coisas não acontecem somente no eixo Sul-Sudeste, por
isso temos diversas cenas produtivas e cheias de bandas foda.
Vou um
pouco mais além, o norte e o nordeste do Brasil quando se fala de underground
são hoje referências, o tempo todo surgem novas bandas com trabalhos incríveis
vindas dessas regiões!
Hoje
gostaria de falar sobre uma banda de um gênero que aprecio muito, que é o
Horror Punk, que tem uma cena fortíssima com bandas espalhadas por todo país,
mas vamos focar especificamente em uma banda de Manaus-AM, a Dead Live.
Formada
no começo de 2015, a Dead Live é composta por Jefferson Carneiro (Vocal e
Guitarra), Benediction Açougueiro (Baixo), Dirley Velinho (Bateria) e Cristian
Oliveira (Guitarra), os caras vem com a proposta de fazer um som totalmente
voltado ao horror punk e suas temáticas convencionais, que possuem uma fonte
inesgotável de temas que quem é fã do gênero se amarra, violência gore, zumbis,
apocalipse, muito sangue e vísceras pra embalar as composições!
A banda
possui três discos de estúdio e um ao vivo lançados até aqui, "Mortos
Vivos" (2016), "Bar from Hell" (2017), "Manicômio"
(2018) e o ao vivo gravado no Garage Sounds lançado também em 2018, todos
discos de estúdio gravados, mixados e masterizados pelo guitarrista e vocalista
Jefferson Carneiro, que manda muito bem no trabalho de produção dos albuns, as
artes das capas dos discos ficaram a cargo de um cara que acredito que quem é
da cena conheça muito bem, Daniel Ete (Muzzarelas), que é perito em entregar
artes que ilustram muito bem o universo do Horror Punk.
Falando
um pouco mais sobre o som dos caras, vale observar que principalmente no seu
último lançamento, "Manicômio" há um flerte com o metal, perceptível
na rifferama que os caras despejaram nas composições, até mesmo a sonoridade
desse disco me chamou a atenção pelo peso, destaque para a cozinha brutal dos
caras, impondo muito mais peso a sonoridade e fazendo a camada de base para as
guitarras da banda, o vocal de Jefferson Carneiro é outro ponto muito legal, um
timbre diferente, canta de uma forma única e bem particular que se fundiu muito
bem com a sonoridade.
Enfim,
conheçam os sons dos manauaras da Dead Live, eles estão em todas plataformas de
streaming e com certeza o som dos caras irá acertá-los em cheio!!! Abaixo seguem os links onde será possível acessar o trabalho da banda, sigam, curtam e compartilhem os trabalhos das bandas e se puder comprem os materiais, assim poderemos dar o suporte para a cena e as bandas sobreviverem em meio a esse caos!!!
· Membros: Gustavo Milani (bateria), Otávio Augusto (baixo), Gustavo Prates (guitarra), Jamil Miranda (vocal) e Antônio Fagundes (guitarra)
A Wargore é uma banda paranaense de death metal com uma pegada old school que remete a bandas como Death e Pestilence em seus primórdios, em atividade desde 2016 eles possuem um EP que precede este album, o "Between Evil and Death" lançado em 2017 que já dava as credenciais de que o poderio da banda é pesado e entregam nesse primeiro registro seis faixas brutais com a classe de quem sabe muito bem como produzir um som extremo de qualidade!
Mas estamos aqui pra falar de "Cursed Existence", lançado em 12 de junho nas plataformas digitais, o material foi gravado no estúdio Tonimusic sob a tutela de João Paschoarelli e Toninho Acuña, responsáveis pela captação da desgraceira sonora e a mixagem e a masterização ficaram por conta de Léo Mesquita (Surra) e o resultado que foi entregue é muito foda, apesar do peso e brutalidade da sonoridade da banda, o instrumental está límpido no sentido de compreendermos a execução das faixas mas com tradicional sujeira que o estilo pede na medida!!!
São nove faixas que apresentam um trabalho conjunto primoroso dos integrantes, bases e solos velozes a cargo da dupla Gustavo e Antônio, tudo muito bem amparado na cozinha de reponsa entregue por Otávio no baixo e Gustavo na bateria, em cima da massa sonora Jamil Miranda vocifera seu vocal que nos lembra uma mistura de Chuck Schuldiner no começo do Death e John Tardy do Obituary, combinando perfeitamente com a pegada old school do negócio.
Pra deixar nossas alegações finais aqui, mais um grande disco lançado nesse ano de 2020, apesar do cenário desgraçado de instabilidade politica e pandemia, ao menos temos fontes de inspirações pra galera soltar toda sua fúria na música e nos brindar com excelentes lançamentos, finalizando, díficil destacar alguma faixa no disco, mas fico com a track que abre os trabalhos "Cursing the existence" que já motiva a gente a continuar prestando atenção na pancadaria toda que vem a seguir, grande trabalho!
·Membros: Torrada (Baixo), Cego (Vocal), Mort
(Guitarra), Suco Gástrico (Bateria)
Marabá,
sudoeste do Pará, capital do Carajás e terra da castanha.
Em
uma cidade em que o brega, o arrocha, o forró e o sertanejo dominam as rádios
de Marabá e de todo o Norte Brasileiro, os rapazes do Cérebro de Galinha, que
mandam um som crossover / Thrash / HC é considerado um oásis da cena
underground. O mais legal de tudo é que, apesar da banda ter como ideia central
uma pegada totalmente brutal em suas composições, eles não negam suas origens e
se auto intitulam uma banda Hardcore / Crossover, mas também amantes da
lambada, do reggae, do brega e do forró, músicas de origem e de formação dos
integrantes paraenses.
Meu primeiro
contato com o trabalho da banda foi em novembro de 2019 e quem me apresentou
essa desgraceira foi o Catarro, um grande camarada que hoje é uma espécie de “correspondente”
lá dos confins da Áustria e é um grandioso pesquisador de bandas do mundo todo
e descobriu essa pérola do Marabá!
A
história dos caras é maluca!
Tudo
começou com um vídeo que viralizou nas redes sociais com eles tocando em um
terreno baldio, numa casa abandonada. Sempre que podiam, eles pegavam os
amplificadores, bateria e tudo que há de parafernália para tocar nesse lugar,
pulando muros, andando nos brejos, até chegar nesse terreno.
Ali,
com a companhia de alguns animais roedores, faziam uma espécie de “teto
acústico”, cobrindo como podia com papelão um teto de zinco. Agora imagina,
manos! A umidade que é o Norte, tocando num sol fortíssimo, e todo o calor ia
para dentro desse lugar, devido ao teto de zinco...com uma estrutura de dar dó,
só vendo para acreditar!
Como
o vídeo viralizou, sem nenhuma intenção deles, muita gente ficou interessada em
saber de onde eles são, inclusive oportunidades de ceder lugar melhor para eles
gravarem um disco. E esse lugar, veio: Há 2.500 km de casa!
Graças
ao esforço dos caras, eles viajaram até São Paulo de busão (primeira vez dos
caras na cidade!), se impressionaram com a agitação e gravaram uma podrera
linda, “Sociedades Secretas”.
Dou
destaque para as faixas “Ameba”, “Hipócrita”, “Nova Ordem Mundial”, “Isso sim é
Difícil”, “Diário de um Preguiçoso”, com uma introdução maravilhosa que lembra
um pouco as famosas guitarradas paraenses e a música que conheci os caras no
estúdio improvisado, “Mundo em Caos”.
Em
resumo, se o Cérebro de Galinha tocar em qualquer festival na sua cidade num
futuro que nem sabemos, cola no rolê bêbado e caia no mosh porque o som dos
caras é para isso, para pura diversão!
Nesse segundo round da sessão "5 Discos que mudaram minha vida" quem participa é meu amigo de longa data Vitor Carnelossi, talentoso guitarrista de Colorado-PR, integrante da banda de doom/heavy metal Tragedy Garden que tem longa trajetória no underground paranaense e ótimos trabalhos lançados, também foi o fundador do já extinto Guilhotina HC, formação de hardcore/crossover que deixou sua marca na memória da galera e demonstra a enorme versatilidade do cara pra compor em diferentes gêneros e fundador do blog underground Colorado Heavy Metal na ativa desde 2013, também existem outros projetos em que está envolvido mas isso é papo pra um outro momento, agora confiram os discos que marcaram a trajetória desse grande amigo e músico!!!
Theatre Of Fate – Viper
Aqui começou minha admiração pelo Heavy Metal Nacional, e também pelo saudoso e inesquecível André Matos. Fiquei admirado com um material tão bem construído, belas composições, arte espetacular e um vocal acima da média. Foi uma emoção emprestar esse vinil na época, gravei em K7 sempre sonhando em um dia tê-lo original. Escuta-lo até hoje em LP é um ritual que consumo fazer tal como uma ocasião especial!
Gothic – Paradise Lost
Mais uma “bolacha” que emprestei, essa do amigo Marcão (Tragedy Garden), essa audição talvez tenha sido a mais importante para meu “enraizamento” dentro da cena underground. Costumo dizer que “Gothic” me capturou para novas perspectivas. Tudo nesse play é absurdamente triste, lúgubre e muito belo! A condensação de sentimentos tão profundos e melancólicos dentro de um som pesado me chamou a atenção para algo importante, a dramaticidade vai além do cinema!
Angra – Angels Cry
Hoje em dia o pessoal é meio que gosta de não misturar os gêneros, eu sempre curtir todas as ramificações do Heavy Metal. Seguindo o interesse pela excelente experiência de escutar o VIPER, foi natural chegar ao soberbo Angels Cry. De início a capa do disco já impressionava, quando pus “pra rodar” tive certeza que ali se encontrava um clássico que cada vez é mais reverenciado. Uma criação genial de Matos & Bittencourt que marcou o Heavy Metal Nacional e me fez ser sempre apoiador dos trabalhos posteriores do André.
Sepultura - Beneath Remains
Com a minha idade, é impossível não prestar um tributo ao passado glorioso do grande SEPULTURA em sua formação clássica e em uma fase ”matadora”! Esse play, pode ser que para muitos não represente o auge da banda em si, mais para mim é o símbolo de uma ascensão e uma atitude explosiva! Beneath Remains para mim é antagonista ao material melódico que eu escutava, daqui bebi muito da fonte em projetos musicais que participei (Guilhotina HC) e também foi a porta de entrada para conhecer a cena punk Hardcore do Brasil!
Ratos de Porão – “ao vivo 1992”
Geralmente a galera começa curtindo metal nos clássicos do Iron Maiden, Metallica e afins.... Para mim foi ao contrário, quando entrei de cabeça no som pesado, me emprestaram tudo que era mais podre e inacessível para o momento. Assim conheci o RDP – “ao vivo 1992” que é um registro caótico e ácido que vinha de encontro com o que eu procurava no momento. Tantos outros discos eu poderia ter posto aqui, mais por tudo que vivi dentro do underground esse disco merece uma menção neste breve release!
Lembro da sensação depois de ouvir “Grosso”, EP de 2014 dos caras do Tonelada, peso absurdo, agressividade ilimitada, brutal, os caras tinham uma proposta clara ali, som direto, visceral e sem firulas, sonoridade ignorante! No final de 2019 eles retornam com o selo que define a sonoridade da banda, como título de seu album, a proposta permaneceu intacta, em “Ignorante” e em suas 10 faixas e pouco mais de 30 minutos me trouxeram duas constatações, a primeira é a de que estamos diante de uma banda que tem personalidade e demonstrou crescimento e evolução em suas composições sem perder a essência daquilo que querem apresentar em seu som e a segunda é de que precisamos olhar mais para o que acontece fora do eixo sul – sudeste e sacar o que nossos amigos tem a oferecer, o underground BR é muito talentoso e todos os cantos dessa terra maltratada por essa gente escrota que detém o poder tem grandes bandas, discos e eventos a nos oferecer!
Vamos ao disco, nível aqui é alto senhores, execução redondinha e produção na medida pra mostrar todo o peso que essa máquina é capaz de criar, e é muito peso envolvido, riffs brutais, cozinha certeira somados ao vocal insano, fazem a combinação que tornam a audição prazerosa pra quem curte porradaria sonora de qualidade!
Faixas como “Você nasceu aqui (Fudeu)”, “Inimputáveis” e “Cilada” que tem a participação de Thiago Queiroz do Inherence dão o tom do tamanho da paulada que vocês irão encontrar aqui, sem sombra de dúvidas um dos grandes lançamentos do ano, merece menção honrosa na nossa lista de melhores de 2019 que acabou saindo antes do lançamento do disco aqui citado, mas o Tonelada tem muita lenha pra queimar e com certeza esse trampo ainda vai trazes grandes resultados para a banda, já que demonstra que os meninos do MS estão com a faca nos dentes e prontos pra tomar geral de assalto com toda a brutalidade de “Ignorante”
Aos 45 do segundo tempo viemos pra entregar nosso último trampo de 2019, entrevista com nossos conterrâneos da Turbulence, prata da casa que apesar de seu pouco tempo de existência, na ativa desde 2016, já demonstra que tem tremendo potencial, é o que podemos conferir ao ouvir o EP "Madness", que traz cinco faixas de um metal/punk de respeito, bebendo nas melhores fontes do estilo e mostrando que tem muita personalidade ao compor, além de uma produção muito boa, enfim, confiram como foi nosso papo com o Barth, baixo e vocal da banda!!!
Fala galera, obrigado por falar com o Microfonia, a Turbulence tem uma história recente, iniciou as atividades em 2016, gostaria que nos contassem como se iniciou a trajetória da banda?
Barth: Valeu Microfonia, muito obrigado a oportunidade de falar um pouco sobre a Turbulence e o som que a gente faz. Então, sim, temos uma história recente, praticamente ainda estamos engatinhando em termos de gravações e material já registrados. A Turbulence surgiu da minha inquietude de fazer um som que fosse minimalista, direto, sem frescura, inspirado em coisas como Motorhead (claro), Discharge, Inepsy, Venon, Anti-Cimex, GBH, Toxic Holocaust, Gehennah entre outros. Quando eu me mudei pra Maringá-PR, quase 5 anos atrás, já cheguei com essa idéia e procurei o Maka (batera) que já era meu amigo e eu já sabia que era um baita batera. Começamos o projeto nós dois. Alguns meses depois conheci o Léo (ex-guitarra) que completou o time e começamos a trampar nos sons e riffs que eu já tinha.
A produção do “Madness EP” ficou foda, vi que foi gravado e mixado no Estúdio Vox em Maringá, quem ficou a cargo da produção desse trampo? Barth: Murilo Cesar Gusso Lugnani é o nome do cara. Infelizmente o estúdio Vox não existe mais. O Murilo foi obrigado a sair do local aonde ele tinha o estúdio à 10 anos por que a rede Condor (malditos apoiadores do Bozo) compraram o prédio aonde ele tinha o estúdio e expulsaram ele de lá. O Murilo fez mágica com nosso som! Toda gravação foi feita de forma orgânica, os únicos efeitos que existem no registro são alguns ecos e delays nos vocais em partes muito pontuais dos sons. O instrumental inteiro saiu conforme foi gravado sem nenhum tratamento com simuladores nem nada, tudo cru. Procure pelas bandas Desgraceria (play Ódio), Ataque de Tubarão, Comsequência (com M mesmo), são outros registros que esse cara gravou e que mostram o talento que esse mano tem atrás de uma mesa de som.
O ano de 2019 foi bem produtivo para a banda, com várias apresentações e o lançamento do EP, quais rolês vão ficar marcados na memória e onde vocês tem vontade poder levar o som do Turbulence? Barth: Na verdade o ano de 2019 foi um ano de reestruturação da banda. Tocamos pouco esse ano, passamos quase o ano todo ensaiando e pensando sons novos. Léo, nosso antigo guitarra, foi morar em Portugal e foi quando recrutamos o Rustuk (Distanásia) pra tocar com a gente. 2017/2018 havíamos tocado muito bem... Maringá (claro), Cascavel, Londrina, Curitiba, Arapongas e Rancharia (que foi inesquecível e aonde a gente meio que apareceu na cena em meio à galera que já tem uma caminhada no underground. Acho que o show de Rancharia foi especial pra gente, foi aonde demos as caras, mesmo sem material lançado). Em 2018 lançamos o EP e isso foi um passo legal. Agora a gente só quer saber de gravar mais coisa e tocar por ai... na real é o som que vai levar a gente. Da minha parte a única ambição é tocar e
lançar as nossas idéias.
Vocês vão disponibilizar o material no formato físico? Como fazer pra adquirir merch da Turbulence?
Barth: O Selo Digital Yourself, do nosso amigo André Lucas (Andros) lançou o nosso EP. Ele foi uma das pessoas que conhecemos em Rancharia. Com ele você consegue nosso EP em CD, que ficou lindão, e de muitas outras bandas do underground regional. A gente chegou a fazer uma edição independente em serigrafia do EP mas saíram apenas 30 cópias e já não existe mais.
Quem foi o responsável pela arte que ilustra a capa do EP? Ficou bem legal e achei que bate com a proposta sonora da banda, merece até uma peita hein! Barth: Foi o Léo, nosso antigo guitarra. Na real a peita existe com uma arte parecida, feita pelo Léo também, mas também já esgotou.
Em Madness vocês apresentam cinco faixas que mostram todo o poderio de fogo da banda, porém depois de acabar de ouvir as faixas já pensei na mesma hora, quando haverá novos sons da Turbulence, porque realmente o som da banda tem muita personalidade, vocês possuem planos para fazer um full no futuro?
Barth: Não sei se faremos um Full logo, temos material pronto pra gravar, músicas que a gente já toca, mas conversando com a banda acho que nossa preferência seria lançar outro EP ou um Split. Gostaríamos de achar alguma banda que pareça com a gente pra lançar um Split de próximo lançamento, quem sabe uma banda de fora pra que nosso som pudesse ser ouvido em outro canto do mundo. Gosto destes formatos em parceria, acho que agrega muita coisa pras bandas. É a cara do underground...cooperação.
De cara na descrição da banda vocês já se definem como sendo um power trio que pratica metal/punk, então gostaria dissertassem um pouco pra nós sobre quem são as fontes de inspiração e influencia para a Turbulence.
Barth: Até já falei...Motorhead é a principal com certeza, primeiro por ter nascido como um Power trio, depois pela temática e potência do som. Sempre gostei de bandas viscerais e acho que essa é uma das essências do rock n’ roll. Outras influências são Discharge, Inepsy, Venon, Gehennah, Toxic Holocaust, Whipstriker, Ant-Cimex e uma banda paulista que eu particularmente gosto muito chamada Urutu, se você não conhece procure conhecer, eles são muito bons.
Quais os temas que procuram abordar em suas letras e de que forma funciona o processo de composição da Turbulence?
Barth: Bom, não gosto muito de me apegar a esse ou aquele tema, se eu sentir que tenho que escrever sobre algo eu faço, realmente, sem me apegar à estereótipos do metal ou desse ou daquele estilo. Acho isso de temáticas muito limitado. Veja as bandas que se denominam metal/punk por aqui, todas tem um apelo sombrio, falam de coisas tipo morte, batalhas, o mal, o sobrenatural, apocalipse pós-moderno...enfim, particularmente eu gosto de escrever sobre coisas que vão desde a tríade sexo, drogas e rock n’ roll, até questionamentos existenciais. Uma coisa que eu levo muito em consideração é escrever sobre coisas que eu vivi, que eu senti, que eu experimentei, ou que estou vivendo, sentindo, experimentando. Não vou escrever sobre a espada do Odin, não faz o menor sentido pra mim (kkk até rimou, podia usar isso em alguma letra). Acredito que quando o artista fala sobre coisas pessoais isso soa mais sincero, logo, alguém vai se identificar de uma maneira verdadeira. Quando eu escrevo “Sometimes I wake in a bad way, Feeling a blow to my head, This is the warning that all can happen, I telling you but you don’t understand” eu não to falando da boca pra fora, eu realmente tenho esses impulsos que por vezes são difíceis de controlar. Sobre o processo de composição... normalmente a gente tem idéias de riffs ou melodias, registra em casa e da uma pré-lapidada nisso. Depois a gente mostra e se falta algo vamos somando as idéias. Temos músicas que foram parcerias com amigos também, letra de um e melodia nossa, melodia de outro e letra nossa... gosto dessas coisas misturadas e com somas de influências.
Pra não perdermos o costume de pedir listas aos nossos entrevistados, gostaria que vocês nos dissessem quais são em sua opinião os cinco melhores álbuns que já ouviram.
Barth: Bah, só 5 kkk difícil...
- Ramones – It’s Alive
- Inepsy – Rock N’ Roll Babylon
- Exodus – Bonded By Blood
- Discharge – Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing
- Ratos de Porão – Ao Vivo
- Menção honrosa: Trio Parada Dura – Música doída da porra...
Pra finalizar, deixo o espaço pra que mandem seu salve como bem entender, obrigado por falar com o Microfonia e sucesso pra Turbulence! Barth: Antes de tudo muito obrigado pelo espaço e por curtir nosso som que é feito de forma humilde, simples mas muito verdadeira. Obrigado a todos os brothers que sempre nos apoiaram em especial ao Nick Edwards, ele sabe a importância dele, ao André da Digital Yourself, ao Joe e Raoni (Room Mate) da Ruído Records que fez todo o trampo de colocar nosso som no bandcamp e Spotify e a todos que de alguma maneira nos deram/dão suporte pra que a gente continue a tocar e a ter uma banda. Bozo é bandido e quem passa pano não é meu amigo. ANTIFA SEMPRE!
Fala pessoal, o papo de hoje é com o Caio Augusttus, vocalista da banda de Death/Grind Desalmado, que já entrevistamos por aqui, mas hoje o tema da nossa conversa será respeito de sua outra empreitada, o Canal Scena, que envolve uma galera super empenhada em entregar conteúdo de qualidade e cem por cento underground, trazendo bandas que não são fáceis de se achar um vídeo ao vivo de qualidade na rede e ainda com quadros que falam sobre música underground de forma leve e inteligente, é como bater aquele papo com os amigos sobre som, uma boa forma de se informar e conhecer novos sons, visto que sempre rolam dicas muito legais, acompanhem o canal e apoiem iniciativas como essas, pois o trabalho é duro amigos e precisamos que canais assim permaneçam vivos e produzindo material, pois temos poucas pessoas produzindo algo de qualidade como o Scena, então lembrem-se também de colar no apoia.se e dar aquela força pra manter a parada ativa, no mais, se liguem na ideia e valeu Caio pelo papo daora!!!
Fala Caio, obrigado por falar conosco, gostaria de saber
como surgiu a ideia para a produção do Canal Scena?
Caio Augusttus: Por circular muito com o Desalmado nos últimos anos, notei
uma esquizofrenia no cenário e também a falta de renovação do publico, depois
olhei para os blogs e vi que muita gente tinha desistido, os canais do youtube
eram poucos, foi então que tomei a decisão junto do Estevam de fazer algo
usando o estúdio e criar conteúdo que pudesse divulgar as bandas locais. Tinha
visto essa experiência fora do país, no áudiotree, então a ideia era fazer algo
nos mesmos moldes, que resgatasse parcialmente a MTV, emissora que teve grande
importância em boa parte da formação musical da minha geração. Aconteceu que
tinha desistido, mas graças a João, Natália, Otávio e Estevam, conseguimos
formar um coletivo de pessoas e dar sequencia na ideia.
Quem são as pessoas envolvidas nesse projeto que fazem a
parada acontecer junto contigo Caio?
Caio Augusttus:João Lucas, Otavio Rosseto, Natalia, Ed Chavez, Matheus,
Adriessa e Estevam, depois chegaram o Léo pra ajudar, mas teve também o Davi, o
Hugo e outras pessoas ajudando um pouco. Como se trata de um coletivo estamos
querendo expandir um pouco pra ver se fica mais suave para as principais partes
envolvidas, que é de edição de vídeo e som, mas é uma tarefa complicada.
De que maneira vocês desenharam o formato de produção dos
vídeos, como funciona a criação dos quadros, escolhas dos temas, etc.?
Caio Augusttus:Cara, a parte dos quadros foi uma elaboração minha, da
Natalia e do Estevam, as pautas são minhas, quem tira ideia do nada sou eu e
vou lá gravar, ou chamo alguém, mas agora estamos pensando 2020 de forma mais
programada, incluindo até reunião de pauta, até porque não precisa ficar tudo
na minha cabeça porque não é muito produtivo e corremos o risco de ficar se
repetindo.
Como tem sido a recepção ao conteúdo produzido pelo Scena?
Visto que vocês produzem vídeos com uma qualidade incrível e bandas que não são
tão fáceis de encontrar um material de qualidade ao vivo no youtube?
Caio Augusttus:O pessoal tem elogiado muito, por onde passo com o Desalmado
sou cumprimentado pelo canal, o mesmo acontece com todas as pessoas envolvidas.
Tem sido bem foda nesse sentido, com relação a qualidade acho que deu certo de
encontrarmos as pessoas certas e que tem um bom gosto, a gente se cobra muito
pra sair algo legal, particularmente também me cobro e acho que tem espaço pra
evoluir mais.
Sou muito fã do Shuffle, Listão e do Falatório, sempre ouço
as dicas que vocês trazem, como funciona a produção desses quadros do canal?
Caio Augusttus: Olha, os temas normalmente são meus, mas a gente tem um
banco de assunto. É algo simples mesmo, Shuffle a gente procura apresentar
bandas novas e a prioridade é sempre banda brasileira, já o listão tem a pegada
de esclarecer duvidas e propor dicas simples pro pessoal envolvido no
underground, é como se fosse compartilhamento de experiências, achamos isso
válido demais. Sobre o Falatório, é o caso mais inusitado, particularmente não
achava que iria dar certo, mas deu, o povo gosta muito e existe a possibilidade
de diversificar o papo pra além das situações do underground. A gente quer
colocar alguns quadros novos, vamos ver como será isso.
O canal possui uma conta no apoia.se pra angariar fundos pra
bancar as produções, como funciona pra quem quiser colaborar com o canal?
Caio Augusttus: Tem de se inscrever no apoia-se e contribuir com um valor
mínimo, a gente popularizou, então 10 paus por mês já ajuda demais, o teto são
30 reais. A ideia é ganhar na quantidade, até porque entendemos que a maioria
tá sem grana, todo mundo fudido por conta da crise econômica, mas quem pode
ajudar, com pouco colabora muito mesmo.
Que dificuldades vocês consideram como grandes empecilhos na
produção de conteúdo underground no país? Visto que as redes sociais ajudam,
porém os algoritmos do negócio limitam a visibilidade do negócio?
Caio Augusttus: A gente não tem como disputar com os medalhões que eram da
MTV ou até dos canais mais tradicionais, tipo o Show Livre, não temos verba pra
colocar em publicidade para consequentemente, conseguir maior adesão de
inscritos no canal. Nossa estratégia é trilhar pelo caminho do alcance
orgânico, intercalando bandas mais consagradas com as mais desconhecidas, uma
puxa a outra no canal. A gente sabe que esses algoritmos estão prontos para
minar nossa iniciativa e priorizar quem bota dinheiro.
Quais os projetos do canal para 2020, tem alguma novidade
que gostaria de nos adiantar sobre o canal que vai rolar nos próximos meses?
Caio Augusttus: A gente vai lançar o quadro dedicado a debater discos
específicos, a tendência é tratar a musica com ainda mais prioridade,
obviamente que temos a particularidade de sermos mais críticos do ponto de
vista politico, não escondemos isso de ninguém, mas em 2020 queremos fazer a
musica prevalecer, até porque é um canal de musica.
Como você avalia o desempenho do canal até aqui, produzindo
conteúdo underground de qualidade e falando sobre assuntos que curtem, porque
creio que seja prazeroso entregar conteúdos que tratam sobre paradas que
curtimos, tem algo que vocês buscam em termos de alcance com o canal?
Caio Augusttus: Surpreendente. Não achei que iriamos alcançar 7 mil
inscritos, não achei que teríamos uma média de 1,5k views em quadros sem banda,
já considero uma puta vitória tudo isso.
Caio, gostaria de agradecer pelo tempo concedido pra falar
conosco, desejar muito sucesso ao Canal Scena e ao Desalmado e reservar este
espaço pra mandar seu salve como preferir, obrigado!!!
Caio Augusttus: Quero agradecer em nome de todos que participam e
participaram do Scena, incluindo você que ajuda a divulgar o canal e o
underground. Precisamos fortalecer nossa cultura e esses espaços são
fundamentais. Valeu demais a todos que assistem o canal.
Prestigie o trabalho do Canal Scena no Youtube CLICA AÍ E VAI
O Deceivers já possui uma trajetória longa no underground nacional, em atividade desde de 1994, os caras possuem muita bagagem e historia pra contar, em plena atividade de divulgação de seu novo disco "Poisoning", lançado recentemente e disponível pra audição nas plataformas digitais de streaming e no Youtube, os caras seguem a todo vapor e vão realizar o show de lançamento do album em alguns dias, esse e mais vários detalhes a respeito do trampo dos caras vocês podem conferir a seguir na entrevista que realizamos com a banda, respondida pelo vocalista da banda, Gregório Salles! Confiram!
Com uma trajetória que nos remete a 1994, gostaria que vocês resumissem um pouco dessa história nos dizendo quem é o Deceivers hoje e o que mudou para vocês em termos de sonoridade nesses tantos anos de estrada?
Realmente são muito e muitos anos...tudo mudou, a qualidade das bandas de hoje, as gravações e toda a pulverização que dá para fazer no digital. Vivemos essa transição toda e acredito que todas as bandas precisam se atualizar nessa nova realidade, onde “divulgação” virou algo muito maior e mais desafiador.
Podemos considerar que vocês são pioneiros no país ao executar essa sonoridade mais moderna, mesclando thrash, hardcore, hip hop, em que artistas vocês se inspiraram quando decidiram montar o Deceivers?
Cara ouvíamos muito Suicidal, Sepultura, Machine Head do começo, DFC, Restless, Os Cabeloduro, Pantera, e até Korn (lá de 96) .... Pra se ter uma ideia trocávamos ideia com os caras do System of a Down quando eles tinham apenas uma demo iniciando na gravadora... olha só.
Vocês lançaram recentemente Poisoning, novo álbum de inéditas depois de um bom tempo, qual tem sido a reação da galera a esses novos sons?
Estamos muito animados! Excelentes comentários e aparições em sites de peso. Há pouco estivemos na lista da Alternative Press, entre as “10 bandas do Brasil que você precisa ouvir”. Sabemos que o disco ainda tem que chegar mais longe e esperamos fazer isso nesse ano e no outro.
A produção de seu novo disco ficou a cargo do renomado produtor dinamarquês Jacob Hansen, como vocês chegaram a essa escolha para produção e de que forma foi que rolou o processo?
Na verdade, o Jacob fez a masterização e finalização dos áudios, um processo próximo a uma mix final; ficamos muito felizes com o trampo dele! A produção mesmo e a mixagem ficou a cargo de Marcos Pagani conosco. Só frisando que o Pagani tem no currículo bandas como Violator e DFC, ou seja, no Brasil não vemos mão mais importante para nos dar a sonoridade que precisamos.
Essa não foi a primeira vez que vocês trabalharam com um produtor gringo, seu EP Paralytic foi masterizado por Justin Shturtz, o que vocês acharam do produto final, soou como esperavam, falando pela banda no caso, para minha audição ficou realmente foda...rs.
Valeu demais! Aquele EP tinha que soar daquela forma, era uma transição mesmo! Também gosto daquele resultado, uma sonoridade mais orgânica...
Mantendo o foco em Poisoning, que temáticas vocês abordam nas letras de seu novo álbum?
Em Poisoning as letras vão para um lado mais pesado, metafórico e protestante. Nossa sociedade está envenenada, cheia de preconceito, e vivendo a violência do terrorismo. Em outra mão, existe a esperança, gente voltada para fazer o bem. O disco traz essa dualidade no som e nas letras, temos certeza que deve trazer a reflexão!
Com todo esse tempo de estrada vocês devem vir acompanhando diversas mudanças no mercado da música, vocês consideram positivas essas novas formas de consumir música que nos são oferecidas atualmente, como as plataformas de streaming por exemplo?
Muito! É um desafio ser uma banda independente e conseguir estar no digital... nos demanda tempo e muito trabalho. Buscamos fazer isso, lançando o disco de forma digital inicialmente, e trazendo muitas plataformas para apoiar isso. Em www.deceivers.com.br tudo isso pode ser visto!
A cena de Brasília tem muitas bandas legais, tendo crescido junto da mesma e ainda vivenciando o dia a dia do underground por aí, que bandas vocês destacariam no cenário atualmente?
Cara, das mais novas destaco o Slow Bleeding, Mais que Palavras, What I Want, Kankra, Extinction Remains e o Shotgun Killa. Das mais antigas temos Terror Revolucionário, DFC, Macakongs, Miasthenia, ARD, Totem, entre muitas outras. Não existe lugar como nossa cidade para parir bandas de qualidade!
Quais são os próximos compromisso da banda, para quem quiser sacar os shows da banda?
Temos o show de lançamento agora no dia 30/09, com DFC, Slow Bleeding e Kankra. Todos os esforços voltados para essa data.
Em tempos complicados como os atuais, como é para vocês viver próximo ao epicentro do turbilhão político que vive o país? Isso influencia de alguma forma suas composições, vocês transmitem essa vivência de sua realidade diária em suas músicas?
Muito. Acredito que vivemos o momento mais apolítico do Brasil, ainda bem. Isso precisa continuar com força total.... Em junho de 2013 tivemos nas ruas a expressão mais importante de um povo que não aguenta mais tanta patifaria no comando do país e suas instituições, aquilo marcou muito e ajudou a compor letras para o novo álbum com certeza.
Olhando para sua trajetória ao longo dos anos, que fatos vocês destacariam como marcantes na história da banda?
Primeiro show com DFC no Garagem do SESC, lançamento da primeira demo e toda a repercussão, show com Sepultura no Porão do Rock, a viagem e moradia em Los Angeles nos EUA, e claro, o novo disco Poisoning!
Mantendo o velho costume de fazer perguntas difíceis, gostaríamos que vocês listassem aí um top Five de álbuns que vocês consideram seminais em toda história.
Segue os meus:
Sepultura – Chaos AD Machine Head – Burn my Eyes Meshuggah – Obzen Biohazard – State of the world address Pantera – Far Beyond Driven
Para finalizar gostaria de agradecer pela atenção e reservar este espaço para que deixem sua mensagem para a galera que os acompanha e para os leitores do Microfonia.
Agradecemos muito a oportunidade! Peço desculpas pela demora nas respostas... estávamos na correria do disco novo. Esperamos todos vocês no nosso show de lançamento, e não parem de apoiar a cena local e as bandas independentes daqui, especialmente as que fazem música marginal e subversiva, as que não se curvam para agradar nada e nem ninguém, as que estão preocupadas em passar uma mensagem qualquer.
Hoje vamos inaugurar uma sessão inédita aqui no Microfonia, a proposta desse trampo é falar sobre discos de 2000 pra cá, com menos de 20 anos de lançamento que consideramos já clássicos na cena underground, creio que pra começar temos uma escolha certeira, o Violator!
Em meio ao revival do thrash que rolou na década passada sempre achei que muitos vieram com mais do mesmo, mas certamente não é o caso que aqui tratamos, o EP Violent Mosh é uma credencial de respeito pra dar o pontapé numa discografia sólida, lembro de estar na casa do meu amigo Jdulley em Manaus-AM, estávamos fazendo uma troca de figurinha sobre novas bandas de metal e ele me mostrou esse EP, fiquei incrédulo ao saber que se tratava de uma banda estreante.
Naquele mesmo ano e na mesma cidade fui a um show dos caras, e o que no player já se mostrava agressivo, foi elevado ao extremo numa apresentação inesquecível pra mim, muitos hematomas no dia seguinte e a lembrança de um dos melhores shows que eu já tive a oportunidade de comparecer.
Mas vamos ao que interessa, o disco! A capa já entrega um pouco do conteúdo, uma arte até mesmo clichê do estilo, sabemos que o que vai rolar é thrash metal, e pra quem curte esse gênero do metal já é motivo suficiente pra escutar, mas a sonoridade é supreeendente, cru, rápido e agressivo, começando com Let the violation begin, despejando uma chuva de riffs e palhetadas, aquelas paradinhas mortais seguidas daquele berro e da pancadaria desenfreada, nada de novo e realmente essa descrição é bem genérica, poderia estar falando de qualquer banda de thrash, mas aqui de cara percebe-se que os caras sabem bem o que estão fazendo e o fazem com muita habilidade.
O lance é que aqui o melhor sempre está por vir, e a trinca que segue é destruidora, com o hino Thrash maniacs, a sensacional Artillery Attack e minha faixa preferida da banda até hoje, The plague never dies, simplesmente destruidora!
E daqui em diante os caras emendam dois torpedos de puro thrash metal, e que finalizam o EP em alta velocidade, The Shadow of death e Killer Instinct, esse último som tem um título que justifica bem a vocação da banda, que toca numa sede e vontade absurda!
Enfim, com o Violent Mosh o Violator não reinventou a roda, no entanto injetou uma nova dose de energia nesse estilo que tanto amamos e aqui me fez concordar que havia um revival do movimento naquele momento, portanto não deixe de adquirir este item obrigatório na coleção de qualquer banger!!!
Parei pra ouvir este disco por recomendação do Vitor
Carnelossi do blog Colorado Heavy Metal, e devo agradecer pela grata surpresa
que tive, o Kadabra com seu “Devastation’s songs” faz valer o título que batiza
o álbum!
Depois de uma intro bem thrasher que indica um caminho diferente
do que vamos encontrar adiante os caras soltam na sequência de faixas um
heavy/thrash de responsa, executado com autoridade de quem sabe o que faz, uma
estreia de respeito, dado o conhecimento de causa com que é executado o som
deste power trio de Vinhedo-SP.
Se fosse citar uma referência para o som diria que é algo
como Anthrax e Death Angel em seus primeiros discos, porém com o som bem mais
inclinado ao heavy metal tradicional, devido ao som mais cadenciado e os solos
e vocais melódicos, mas essa é só uma forma de dar um norte ao leitor, ouvindo
o disco vocês poderão descobrir do que falo, a alternância entre os vocais
melódicos e agressivos dão um tempero legal nas faixas e a cozinha coesa e na
cara durante os solos segura muito bem a bronca preenchendo os espaços na falta
de uma segunda guitarra que nem faz falta pra falar a verdade, pois a produção
deixou tudo muito bem encorpado e no lugar!
Pra finalizar, um comentário sobre a capa que por alguma
razão me lembrou o Keepers do Helloween, uma arte sugestiva, que não entrega o
conteúdo do que vamos conferir ao ouvir o disco, vida longa ao Kadabra e que
vocês lancem mais discos assim, para o deleite de quem curte essa pegada old
school!