G.R..I.T.A. é um compilado de bandas punk e hardcore da América do Sul, idealizado pelo Cepa da banda de hardcore argentina Turba Iracunda, que conta com a participação de várias bandas fodas do underground sul-americano!
Sempre tentamos incluir bandas em nosso trabalho que viessem de outros países além do Brasil, principalmente América Latina, e é com grande satisfação que tive contato com essa iniciativa que trás bandas de Argentina, Colômbia, Chile, Bolívia, Peru, Uruguai, Venezuela, Paraguai e Brasil!
Um puta choque de culturas, unidos em torno de uma paixão, fazer música de forma independente e fomentar a atitude do Faça Você Mesmo!
Então se você tem curiosidade de conhecer bandas e a cena punk/HC dos nossos vizinhos aqui na América do Sul, esta é uma grande oportunidade de ter contato com essa galera.
Participam da coletânea as bandas Turba Iracunda (Argentina), El Sagrado (Colômbia), Boca Braba (Brasil), En Guardia (Bolívia), Atentado (Chile), 9000 (Argentina), Cervical (Brasil), Malarrabia (Peru), Cadenazzo (Uruguai), Frente de Ira (Venezuela), Pariah (Colômbia), MDMA (Paraguai) e A.S.C.A. (Brasil).
O material está disponível para audição no Youtube, deixaremos o link para audição e pra quem quiser conhecer os trabalhos de cada banda individualmente, vale muito a pena sacar o trabalho pois as faixas apresentadas dão amostras que se trata de uma galera de responsa envolvida no projeto, na descrição do vídeo é possível acessar as redes sociais de todas as bandas envolvidas e seus respectivos trabalhos.
TRACKLIST:
BANDA: TURBA IRACUNDA (ARGENTINA)
TEMA: SANGRE Y DOLOR (LP MADAFAKA)
BANDA: EL SAGRADO (COLOMBIA)
TEMA: SOBREVIVIENTE (LP: EL CONSUELO DE LOS CAIDOS)
BOCA BRABA (BRASIL)
TEMA: BALA DE CANHÃO (RESISTIR É COMPROMISSO)
EN GUARDIA (BOLIVIA)
TEMA: MATAR O MORIR (LP: DE LA CALLE)
ATENTADO (CHILE)
TEMA: RECHAZA (EP RECHAZA)
9000 (ARGENTINA)
TEMA: 9000 (EP: La miseria de la Humanidad)
Fala pessoal, o papo de hoje é com o Caio Augusttus, vocalista da banda de Death/Grind Desalmado, que já entrevistamos por aqui, mas hoje o tema da nossa conversa será respeito de sua outra empreitada, o Canal Scena, que envolve uma galera super empenhada em entregar conteúdo de qualidade e cem por cento underground, trazendo bandas que não são fáceis de se achar um vídeo ao vivo de qualidade na rede e ainda com quadros que falam sobre música underground de forma leve e inteligente, é como bater aquele papo com os amigos sobre som, uma boa forma de se informar e conhecer novos sons, visto que sempre rolam dicas muito legais, acompanhem o canal e apoiem iniciativas como essas, pois o trabalho é duro amigos e precisamos que canais assim permaneçam vivos e produzindo material, pois temos poucas pessoas produzindo algo de qualidade como o Scena, então lembrem-se também de colar no apoia.se e dar aquela força pra manter a parada ativa, no mais, se liguem na ideia e valeu Caio pelo papo daora!!!
Fala Caio, obrigado por falar conosco, gostaria de saber
como surgiu a ideia para a produção do Canal Scena?
Caio Augusttus: Por circular muito com o Desalmado nos últimos anos, notei
uma esquizofrenia no cenário e também a falta de renovação do publico, depois
olhei para os blogs e vi que muita gente tinha desistido, os canais do youtube
eram poucos, foi então que tomei a decisão junto do Estevam de fazer algo
usando o estúdio e criar conteúdo que pudesse divulgar as bandas locais. Tinha
visto essa experiência fora do país, no áudiotree, então a ideia era fazer algo
nos mesmos moldes, que resgatasse parcialmente a MTV, emissora que teve grande
importância em boa parte da formação musical da minha geração. Aconteceu que
tinha desistido, mas graças a João, Natália, Otávio e Estevam, conseguimos
formar um coletivo de pessoas e dar sequencia na ideia.
Quem são as pessoas envolvidas nesse projeto que fazem a
parada acontecer junto contigo Caio?
Caio Augusttus:João Lucas, Otavio Rosseto, Natalia, Ed Chavez, Matheus,
Adriessa e Estevam, depois chegaram o Léo pra ajudar, mas teve também o Davi, o
Hugo e outras pessoas ajudando um pouco. Como se trata de um coletivo estamos
querendo expandir um pouco pra ver se fica mais suave para as principais partes
envolvidas, que é de edição de vídeo e som, mas é uma tarefa complicada.
De que maneira vocês desenharam o formato de produção dos
vídeos, como funciona a criação dos quadros, escolhas dos temas, etc.?
Caio Augusttus:Cara, a parte dos quadros foi uma elaboração minha, da
Natalia e do Estevam, as pautas são minhas, quem tira ideia do nada sou eu e
vou lá gravar, ou chamo alguém, mas agora estamos pensando 2020 de forma mais
programada, incluindo até reunião de pauta, até porque não precisa ficar tudo
na minha cabeça porque não é muito produtivo e corremos o risco de ficar se
repetindo.
Como tem sido a recepção ao conteúdo produzido pelo Scena?
Visto que vocês produzem vídeos com uma qualidade incrível e bandas que não são
tão fáceis de encontrar um material de qualidade ao vivo no youtube?
Caio Augusttus:O pessoal tem elogiado muito, por onde passo com o Desalmado
sou cumprimentado pelo canal, o mesmo acontece com todas as pessoas envolvidas.
Tem sido bem foda nesse sentido, com relação a qualidade acho que deu certo de
encontrarmos as pessoas certas e que tem um bom gosto, a gente se cobra muito
pra sair algo legal, particularmente também me cobro e acho que tem espaço pra
evoluir mais.
Sou muito fã do Shuffle, Listão e do Falatório, sempre ouço
as dicas que vocês trazem, como funciona a produção desses quadros do canal?
Caio Augusttus: Olha, os temas normalmente são meus, mas a gente tem um
banco de assunto. É algo simples mesmo, Shuffle a gente procura apresentar
bandas novas e a prioridade é sempre banda brasileira, já o listão tem a pegada
de esclarecer duvidas e propor dicas simples pro pessoal envolvido no
underground, é como se fosse compartilhamento de experiências, achamos isso
válido demais. Sobre o Falatório, é o caso mais inusitado, particularmente não
achava que iria dar certo, mas deu, o povo gosta muito e existe a possibilidade
de diversificar o papo pra além das situações do underground. A gente quer
colocar alguns quadros novos, vamos ver como será isso.
O canal possui uma conta no apoia.se pra angariar fundos pra
bancar as produções, como funciona pra quem quiser colaborar com o canal?
Caio Augusttus: Tem de se inscrever no apoia-se e contribuir com um valor
mínimo, a gente popularizou, então 10 paus por mês já ajuda demais, o teto são
30 reais. A ideia é ganhar na quantidade, até porque entendemos que a maioria
tá sem grana, todo mundo fudido por conta da crise econômica, mas quem pode
ajudar, com pouco colabora muito mesmo.
Que dificuldades vocês consideram como grandes empecilhos na
produção de conteúdo underground no país? Visto que as redes sociais ajudam,
porém os algoritmos do negócio limitam a visibilidade do negócio?
Caio Augusttus: A gente não tem como disputar com os medalhões que eram da
MTV ou até dos canais mais tradicionais, tipo o Show Livre, não temos verba pra
colocar em publicidade para consequentemente, conseguir maior adesão de
inscritos no canal. Nossa estratégia é trilhar pelo caminho do alcance
orgânico, intercalando bandas mais consagradas com as mais desconhecidas, uma
puxa a outra no canal. A gente sabe que esses algoritmos estão prontos para
minar nossa iniciativa e priorizar quem bota dinheiro.
Quais os projetos do canal para 2020, tem alguma novidade
que gostaria de nos adiantar sobre o canal que vai rolar nos próximos meses?
Caio Augusttus: A gente vai lançar o quadro dedicado a debater discos
específicos, a tendência é tratar a musica com ainda mais prioridade,
obviamente que temos a particularidade de sermos mais críticos do ponto de
vista politico, não escondemos isso de ninguém, mas em 2020 queremos fazer a
musica prevalecer, até porque é um canal de musica.
Como você avalia o desempenho do canal até aqui, produzindo
conteúdo underground de qualidade e falando sobre assuntos que curtem, porque
creio que seja prazeroso entregar conteúdos que tratam sobre paradas que
curtimos, tem algo que vocês buscam em termos de alcance com o canal?
Caio Augusttus: Surpreendente. Não achei que iriamos alcançar 7 mil
inscritos, não achei que teríamos uma média de 1,5k views em quadros sem banda,
já considero uma puta vitória tudo isso.
Caio, gostaria de agradecer pelo tempo concedido pra falar
conosco, desejar muito sucesso ao Canal Scena e ao Desalmado e reservar este
espaço pra mandar seu salve como preferir, obrigado!!!
Caio Augusttus: Quero agradecer em nome de todos que participam e
participaram do Scena, incluindo você que ajuda a divulgar o canal e o
underground. Precisamos fortalecer nossa cultura e esses espaços são
fundamentais. Valeu demais a todos que assistem o canal.
Prestigie o trabalho do Canal Scena no Youtube CLICA AÍ E VAI
Fala juventude perdida brasileira!!! Falamos com os caras da Asfixia Social, que lançou recentemente um single de seu vindouro novo play, sucessor de "Da Rua Pra Rua", que deve ganhar as ruas no segundo semestre desse conturbado 2018, batemos um papo sobre esse novo trampo, sobre o festival que os caras organizam e mais outras paradas que vocês podem conferir a seguir!!!
Fala pessoal, obrigado por falar com a gente, indo direto ao ponto, que detalhes vocês poderiam nos adiantar a respeito de seu novo trabalho, “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”?
Banda: Salve mano! O novo álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói” sai no segundo semestre de 2018 em formato de Livro-Disco, com várias participações especiais. É um trabalho que valoriza muito poesias e melodias que criamos nos últimos 3 e que foi ilustrado por alunos de 10 escolas da rede pública de São Paulo. Você pode esperar muito groove, muito peso e a essência do Da Rua pra Rua num disco que gradativamente apresenta esses diversos ritmos da banda.
Desde “Da rua pra rua” (2011), já são sete anos, disco excepcional e que ainda me soa muito bem, atual e empolgante, vocês mudaram o direcionamento de alguma forma para este vindouro novo trampo?
Banda: O direcionamento é o mesmo, música sem fronteiras e uma poesia crítica, buscando fortalecer o pensamento coletivo e a caminhada do dia a dia das pessoas. Mas são 7 anos dos quais estamos trabalhando desde 2013 nas composições, arranjos, etc, então naturalmente a gente espera corresponder a todas as expectativas e fazer um disco à altura do “Da Rua pra Rua”!
É impossível não criar altas expectativas com este novo trampo, a começar pelas participações que vocês têm divulgado, confesso que estou muito curioso pra conferir o resultado dessa mistura, poderiam nos dizer como escolheram os convidados presentes em “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”?
Banda: Estamos felizes com as participações que aconteceram, pois convidamos gente que estava bem próxima da banda ao longo dos últimos anos. Por exemplo no primeiro single lançado agora em março: “Sistema de Som(a)” (confira o videoclipe no youtube!), com Petróleo, um mano nosso do samba de milianos, DJ Tano Z'África Brasil, que é amigo da banda há muito tempo e gravou no Da Rua pra Rua em algumas faixas, assim como o trombonista Bocato e o trompetista italiano Gabriel Rosati, que são nomes importantes da música e que tocam pra caramba. Esses participaram da música “Sistema de Som(a)”, e tem outras 9 canções aí que vamos lançar até o segundo semestre!
Em 2015 vocês lançaram “Cuba Punk”, DVD que retrata sua tour pelo país, como foram as trocas de experiencias que rolaram por lá, e de que forma surgiu o projeto de documentar este rolê que vocês fizeram?
Banda: Tínhamos estado lá 2014 com um grupo de teatro (XPTO), tocando também, e conhecemos muita gente. Nossa música ficou por lá e muita gente curtiu e compartilhou isso na ilha, então ao ganharmos o Prêmio da Cultura Hip Hop (Funarte, 2014) tivemos condições de participar de alguns festivais importantes lá, como a Bienal de Arte de Havana, na Fábrica de Arte Cubano (FAC). Tocamos numa programação recheada de artistas internacionais e fomos prestigiados por muita gente legal. Daí, desse show, emendamos a tour pro lado underground, foram 10 shows cabulosos em vários picos como a Casa de Cultura de Trinidad e um cinema abandonado da década de 60!
Ainda sobre “Cuba Punk”, é interessante vocês escolherem um destino incomum para as bandas brasileiras do underground, sempre se fala em tocar na Europa e nos vizinhos da América do sul, e o Asfixia mais uma vez foge do comum ao partir pra um destino diferente, que bagagem vocês consideram ter trazido no fim das contas de toda essa experiencia?
Banda: A gente trouxe de volta várias amizades e aprendizados com relação a um país muito diferente no que diz respeito à lidar com as questões sociais. Não há violência praticamente em Cuba, e apesar dos perrengues, existe muito respeito interpessoal, muita ajuda entre as pessoas e condições mínimas para um povo muito alegre! Foi uma experiência que levar pra vida e com certeza acreditamos muito no lado humano dessa vivência coletiva! Queremos voltar e também trazer muito mais rum na bagagem!
Outra inciativa que sempre vale a pena ressaltar, e que espero um dia poder participar, é o Festival Da Rua pra Rua, como vocês viabilizam um corre louco desses com mais de 50 bandas participando? E já tem planos pra edição 2018?
Banda: O Festival Da Rua pra Rua vem da ideia de, quando em 2009, a gente lançou a nossa primeira demo e fazíamos shows na rua, convidando artistas do punk/hardcore, do reggae e do hiphop de vários cantos pra tocar com a gente. Em 2013, fizemos o festival no aniversário de 6 anos da banda, e foi surpreendente a participação de vários amigos no corre, vimos a possibilidade de organizar uma parada cada vez mais profissional. Tanto que ganhamos o prêmio da Cultura Hip Hop da Funarte também em função do DVD que gravamos naquele ano (DVD Asfixia Social – Da Rua pra Rua). De lá pra cá a coisa cresceu e criamos o Coletivo Da Rua pra Rua pra fazer a curadoria e organização do festival. Estamos planejando o festival de 2018 pra setembro, nossa sexta edição!
A banda está aí há mais de dez anos na estrada, o que numa cena underground e na base do trabalho independente é bastante coisa, como vocês avaliam a trajetória até aqui? Preparados para mais dez anos?
Banda: Há dez anos temos aprendido muito e também nos divertido pra caramba. Amamos fazer isso e acreditamos demais que a mensagem possa tocar em várias quebradas e motivar muitos na caminhada! Nossa caminhada é uma só! Enquanto tiver uma caixa de som ali, a gente vai tocar mano!
Vivemos um momento de intensa polarização politica no país, com muito ódio sendo destilado nas redes e muita gente entrando em conflito por posicionamentos a esquerda ou a direita, o que vocês acham de todo esse movimento, da onda de conservadorismo, de fascistas e racistas aproveitando o “escudo” da internet para dar as caras?
Banda: É triste ver que muita gente fala o que não sabe, sem nenhuma noção. Acho que o “entretenimento” tem afastado as pessoas demais, e parece que a dor do outro não dói. Precisamos discutir mais sobre políticas públicas, projetos políticos, estudar mais, principalmente a história, porque muitos dos erros que estão sendo cometidos não aconteceriam se a gente tivesse um pouco mais de conhecimento e contato real com as necessidades de outros lugares, de outras pessoas que vivem de maneira diferente da nossa. Acho que é um momento triste da história, e o trabalhador tem que abrir o olho, ser mais crítico, analisar quem usa de todo esse ódio pra manipular a opinião pública.
Devido a movimentação da organização do festival, vocês devem ter contato com muitas bandas novas na cena, quem vocês destacariam no cenário atual que merece uma audição mais atenta por parte do público?
Banda: São inúmeras bandas boas que tem surgido, mas muitas também são desconhecidas do público e estão aí há mais tempo que o próprio Asfixia Social. Por exemplo, acabamos de organizar a Frente Popular dos Artistas pela Luta em Movimentos Sociais – FALEMOS – e tem várias bandas do Coletivo Da Rua pra Rua (tem uma lista no www.daruaprarua.com.br). Fora isso, fiquem ligados aí nas bandas autorais que sempre tocam com a gente em outros eventos e no próprio festival. São inúmeras e muito diferentes umas das outras, vale a pena ouvir um pouco de cada uma!
Mantendo o tradicional plágio da Roadie Crew, e aproveitando que estamos falando sobre bandas que merecem a nossa atenção, poderiam nos listar cinco discos essenciais para a Asfixia Social?
Banda: São inúmeros discos, mas acho que podemos citar aqui Macka B com o álbum “Word, Sound & Power” (2004), Black Sabbath em “Reunion” (1998), Suicidal Tendencies em “How will I laugh Tomorrow”, Skatalites em “African Roots” (1978) e Black Flag em “Nervous Breakdown” (1979). Se você perguntar isso de novo, provavelmente a gente vai mudar todas as respostas. Essa foi a pergunta mais demorada pra gente responder, porque tem muita referência de bandas brasileiras e gringas, doidera!
Pra finalizar, novamente muito obrigado por falar com a gente e o espaço é todo seu para suas considerações finais.
Banda: Agradecemos demais pela força e atenção! Espero que possam curtir o álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”. São anos de dedicação a este trampo, que já começa a estar disponível pelo www.asfixiasocial.com.br ! Acessa lá e fala diretamente com a gente família, satisfação!