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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #6 – MUKEKA DI RATO – CARNE (2007)


Quando pensamos em grandes entidades do hardcore brasileiro não podemos deixar de citar os caras da Mukeka Di Rato, com sua identidade única e forma singular de fazer música, destilando sempre muito humor ácido e sarcasmo em suas letras e a forma escrachada com que sempre fizeram tudo, nunca se levando tão a sério mas ao mesmo tempo tecendo críticas ferrenhas e com um posicionamento claro desde sempre!

Os caras tem uma discografia de respeito e eu poderia citar outros discos nessa sessão que não fosse o “Carne”, porém alguns fatores me levaram a tal escolha, primeiramente é o disco que marca a volta do Sandro aos vocais da banda, segundo ponto que vale ressaltar é o lançamento do disco pela Deckdisc que tem uma estrutura de major, então é curioso ver o Mukeka no meio do cast da gravadora, terceiro e principal fator, conheci a banda através deste disco, após ver o clipe de “Rinha de magnata” na programação da MTV, na época já ouvia bastante coisa extrema no underground, mas a irreverencia da banda é um diferencial muito grande, é tosco, pesado, veloz e abordava as coisas de uma forma que eu ainda não tinha visto até então.


“Carne” trás em suas 14 faixas o aperfeiçoamento de uma fórmula que o próprio Mukeka já havia criado e evoluído em “Pasqualim na terra do Xupa-Cabra” (1997) e “Gaiola” (1999), que aqui ganhou uma roupagem mais bem produzida por Rafael Ramos, a gravação e a mixagem ficaram a cargo de Jorge Guerreiro no Estúdio Tambor e a masterização por Ricardo Garcia no Magic Master, ambos no Rio de Janeiro, com as ilustrações feitas pelo Ete e o projeto gráfico do disco pelo Valsa.

Basicamente depois de 13 anos do lançamento (O disco faz aniversário de lançamento em 06 de agosto), não há dúvidas de que se trata de um clássico do underground nacional e temos aqui várias faixas que já nasceram clássicas do estilo, começando pela já citada “Rinha de magnata”, seguida de “Jogo do bicho” e a melhor faixa deste disco na minha humilde opinião, “Cachaça”, que é um cartão de visita, mostre essa música para alguém que você queira resumir o que é o estilo do MdR, está tudo lá! Além dessas sem dúvidas merecem menção honrosa aqui as velozes, “Animal” e “Enxurrada” e a levada cheia de groove de “Produtos Químicos Eletrodomésticos”.

Não há dúvidas, um grande disco da galera de Vila Velha que no momento passa por um hiato, seu último lançamento foi o ep nervoso “Hitler´s Dogs, Stalin´s Rats” (2014), vamos torcer pra que o Sandro, Mozine, Brek e Paulista se reúnam pra um novo atentado o quanto antes e pra finalizar quero deixar aqui um trecho da resenha de Ricardo Tibiu feita em 2007 e que é usada como descrição do disco na loja da Läjä do próprio Mozine: “...Mukeka di Rato é hardcore, mas de um modo diferente. De palito de dente no canto da boca, não de franja e roupinha descolada. De chinelo de dedo, não de coturno. Sem dedo na cara – isso não faz o tipo deles, que estão mais para personagens folclóricos “feios” que Monteiro Lobato deixou de fora de sua obra...”.



Mukeka Di Rato - Carne (2007)

Tracklist:

 01. Frações, Refrações e Proporções

 02. Animal

 03. Rinha de Magnata

 04. Enxurrada

 05. Produtos Químicos Eletrodomésticos

 06. Borboleta Azul

 07. Voltar a Viver

 08. Você é Você!

 09. Jogo do Bicho

 10. Pedro e Alfa

 11. T. G. E

 12. Vencer na Vida

 13. Cachaça

 14. Carne


Redes sociais da banda:


Ouça em:

https://open.spotify.com/artist/2WEABapGGzYET6Dq5tmIDi?si=u0SiYh-_SzCE9R6rSUw64A

Adquira material da banda:


sábado, 26 de maio de 2018

ENTREVISTA APTO VULGAR

É incrível a quantidade de bandas foda que surgem no Brasil em todos os seguimentos do underground, e nosso trampo aqui é claro, falamos sobre essas minas e caras que renovam e revigoram a cena e nos brindam com novos sons, esse papo de que o cenário tá fraco é balela, basta uma pequena pesquisa pra sacar uma dezena de bandas talentosas, e é bem esse caso que rola com a Apto Vulgar, com um full na praça e prestes a lançar um EP de inéditas, temos aqui mais um exemplo do nosso relato acima, conheçam novas bandas e movimentem a cena, não seja aquele cara cusão que fica falando merda de braços cruzados, cole nos rolês, consuma material independente e mantenha vivo o barulho que tanto amamos!! Com a palavra, Apto Vulgar!!!


Vocês estão na estrada desde 2012, poderia nos contar um pouco de sua trajetória, como surgiu a Apto Vulgar? 

Eu tinha uma banda chamada C.O.D. Ficamos sem guitarrista e o Giu(baixista na ėpoca) apareceu com o Dorg(guitarra) pra tocar com a gente. Depois de algum tempo, a banda acabou e eu fui convidado pra tocar na banda do Dorg, a Hellishness, que também tinha o Rafael(Mortão) baixista do Apto hoje! Apos alguns ensaios ja decidimoa que a direção que iamos seguir seria o Hardcore e com letras em português! Ai veio o nome Apto Vulgar

Todos na banda desde o inicio tinham a intenção de que a sonoridade a seguir seria o hardcore? Quais as bandas que serviram de referência pra que vocês quisessem tomar esse rumo?

Sim! O Hardcore sempre foi nosso estilo em comum! Nossas influências vieram de varias partes! Bandas de Hardcore/Punk como Black Flag, Cro-Mags, Dead Kennedys e do Metal como Anthrax, Megadeth e claro, as bandas nacionais como Ratos de Porão, Coléra, Claustrofobia, Paura entre outras 



O fator localização influencia na hora de arrumar eventos pra tocar, mas existe uma ótima cena no interior de SP, e além de ótimas bandas, ótimas iniciativas também, como os eventos da Soco na Fuça, que vocês vão participar em julho, poderiam nos falar um pouco a respeito disso?

Sim! Várias bandas fodas! Orgasmo de Porco, Hemattoma, Discorde!, Manger Cadavre, Corujas de Gotham, Brutal Disruption, Qi A Menos, Mitral HC e varias outras! Em julho vamos tocar pela primeira vez no Soco Na Fuça, com o Surra e Desalmado. Duas bandas que são referência pra nós! Além do pessoal do Soco Na Fuça que movimenta bastanta a cena aqui no vale, tem o Vale Punk, que também mantem o circuito de shows a bastante tempo aqui na região

A Apto Vulgar está em processo de gravação de um novo EP, que detalhes vocês poderiam nos adiantar sobre as faixas que estarão presentes nesse novo trampo?

Serão 4 músicas inéditas que vamos lançar ainda esse ano! As músicas continuam agressivas, mas diferentes das que estão no nosso primeiro disco. Gravamos no Estudio Toth com o Dan(Bullet Bane) e foi demais!!! Ficamos a vontade pra fazer as coisas como queriamos e isso foi importante pra que chegassemos satisfeitos ao resultado final! A Faixa A Cruz, vai ter o Dorg(Guitarra) no vocal.

Hoje temos várias bandas e coletivos no underground fazendo as coisas rolarem no faça você mesmo, através de parcerias e muito trampo, vocês acham que o senso de coletividade existente no meio punk/hc torna as coisas mais viáveis, uma vez que não rola aquele lance de concorrência e as bandas procuram se ajudar?

Com certeza facilita! Essa coletividade é a forma das bandas levarem seus ideiais em todo lugar! Isso vem crescendo e ganhando força, assim como os selos independentes, que vem dando suporte para que as bandas possam lançar o seu material. Nosso primeiro disco foi lançado pelo Bigorna Discos e hoje também temos o suporte do selo Helena Discos.

Falando um pouco sobre seu último lançamento, “Sistema não operacional”, como foi o trabalho de divulgação e como vocês enxergam os resultados alcançados com esse trampo?

Foi bom! O disco foi lançado em agosto do ano passado! Fizemos umas mini tour de lançamento! Foram shows fodas! Divulgamos bastante o trabalho, tocamos com varias bandas, conhecemos pessoas. Então foi tudo divertido! E isso automaticamente fez com que as pessoas notassem mais a banda. E os shows ainda estão rolando.



Sempre curto sacar as artes das capas dos discos que ouço e acho importante destacar a parte gráfica e os artistas que as projetaram, quem foi o responsável pela arte da capa do disco?

A arte foi desenvolvida pelo nosso amigo Pow(Powtergaist). Deixamos ele ouvir o disco, sugerimos algumas ideias e ele foi desenvolvendo. Pow acompanha a banda de perto faz tempo! Ficamos satisfeitos com trampo! Ele manda muito bem! Também contamos com o Matheus Soriano pra digitalizar a arte e montar todo o cd.



Vocês fizeram um clipe para uma das faixas de “Sistema não operacional”, “Euforia”, como foi gravar o primeiro clipe da banda e quem foi responsável pela produção e filmagem desse vídeo?


Foi muito foda e divertido! Euforia ė nosso primeiro clipe! A letra fala de drogas, de como o vicio ė atormentador pra quem ta dentro disso! Quem produziu o clipe foi o Danilo Ramos. Cara foda! Ele também ja era amigo da banda e abraçou essa ideia de Euforia. Esse clipe superou nossas expectativas! Ja estamos concluindo mais um video e em breve vamos lançar 



Sobre o novo EP, vocês incorporaram algum novo elemento a sua música, seguirá a mesma linha do full, o que vocês buscaram apresentar nessas novas faixas que vem por aí?


Estamos mais a vontade pra fazer coisas novas. As músicas estão mais trampadas, mais definidas,mas continuam agressivas! Buscamos influência de outras coisas que nós ouvimos, mas o hardcore ainda ta ali....mais vivo, rápido e barulhento!!! 

Seguindo nosso infame transtorno por listas, poderiam nos dizer quais os cinco melhores discos que já ouviram na vida?

Damage - Black Flag

Século Sinistro - Ratos de Porão

Vulgar Display of Power - Pantera

Claustrofobia - Peste

Stranger Than Fiction - Bad Religion

Pra finalizar, obrigado por falar com o Microfonia e deixo este espaço pra que deixe seu recado a todos que nos acompanham.

Gostaríamos de agradecer pelo espaço e apoio que o Microfonia tem dado a todos os artista que são do underground! E a todos que fazem a cena continuar viva cada vez mais!!! 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

ENTREVISTA ASFIXIA SOCIAL

Fala juventude perdida brasileira!!! Falamos com os caras da Asfixia Social, que lançou recentemente um single de seu vindouro novo play, sucessor de "Da Rua Pra Rua", que deve ganhar as ruas no segundo semestre desse conturbado 2018, batemos um papo sobre esse novo trampo, sobre o festival que os caras organizam e mais outras paradas que vocês podem conferir a seguir!!! 




Fala pessoal, obrigado por falar com a gente, indo direto ao ponto, que detalhes vocês poderiam nos adiantar a respeito de seu novo trabalho, “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”? 

Banda: Salve mano! O novo álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói” sai no segundo semestre de 2018 em formato de Livro-Disco, com várias participações especiais. É um trabalho que valoriza muito poesias e melodias que criamos nos últimos 3 e que foi ilustrado por alunos de 10 escolas da rede pública de São Paulo. Você pode esperar muito groove, muito peso e a essência do Da Rua pra Rua num disco que gradativamente apresenta esses diversos ritmos da banda. 



Desde “Da rua pra rua” (2011), já são sete anos, disco excepcional e que ainda me soa muito bem, atual e empolgante, vocês mudaram o direcionamento de alguma forma para este vindouro novo trampo?

Banda: O direcionamento é o mesmo, música sem fronteiras e uma poesia crítica, buscando fortalecer o pensamento coletivo e a caminhada do dia a dia das pessoas. Mas são 7 anos dos quais estamos trabalhando desde 2013 nas composições, arranjos, etc, então naturalmente a gente espera corresponder a todas as expectativas e fazer um disco à altura do “Da Rua pra Rua”! 


É impossível não criar altas expectativas com este novo trampo, a começar pelas participações que vocês têm divulgado, confesso que estou muito curioso pra conferir o resultado dessa mistura, poderiam nos dizer como escolheram os convidados presentes em “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”? 


Banda: Estamos felizes com as participações que aconteceram, pois convidamos gente que estava bem próxima da banda ao longo dos últimos anos. Por exemplo no primeiro single lançado agora em março: “Sistema de Som(a)” (confira o videoclipe no youtube!), com Petróleo, um mano nosso do samba de milianos, DJ Tano Z'África Brasil, que é amigo da banda há muito tempo e gravou no Da Rua pra Rua em algumas faixas, assim como o trombonista Bocato e o trompetista italiano Gabriel Rosati, que são nomes importantes da música e que tocam pra caramba. Esses participaram da música “Sistema de Som(a)”, e tem outras 9 canções aí que vamos lançar até o segundo semestre! 





Em 2015 vocês lançaram “Cuba Punk”, DVD que retrata sua tour pelo país, como foram as trocas de experiencias que rolaram por lá, e de que forma surgiu o projeto de documentar este rolê que vocês fizeram?

Banda: Tínhamos estado lá 2014 com um grupo de teatro (XPTO), tocando também, e conhecemos muita gente. Nossa música ficou por lá e muita gente curtiu e compartilhou isso na ilha, então ao ganharmos o Prêmio da Cultura Hip Hop (Funarte, 2014) tivemos condições de participar de alguns festivais importantes lá, como a Bienal de Arte de Havana, na Fábrica de Arte Cubano (FAC). Tocamos numa programação recheada de artistas internacionais e fomos prestigiados por muita gente legal. Daí, desse show, emendamos a tour pro lado underground, foram 10 shows cabulosos em vários picos como a Casa de Cultura de Trinidad e um cinema abandonado da década de 60!






Ainda sobre “Cuba Punk”, é interessante vocês escolherem um destino incomum para as bandas brasileiras do underground, sempre se fala em tocar na Europa e nos vizinhos da América do sul, e o Asfixia mais uma vez foge do comum ao partir pra um destino diferente, que bagagem vocês consideram ter trazido no fim das contas de toda essa experiencia?

Banda: A gente trouxe de volta várias amizades e aprendizados com relação a um país muito diferente no que diz respeito à lidar com as questões sociais. Não há violência praticamente em Cuba, e apesar dos perrengues, existe muito respeito interpessoal, muita ajuda entre as pessoas e condições mínimas para um povo muito alegre! Foi uma experiência que levar pra vida e com certeza acreditamos muito no lado humano dessa vivência coletiva! Queremos voltar e também trazer muito mais rum na bagagem!

Outra inciativa que sempre vale a pena ressaltar, e que espero um dia poder participar, é o Festival Da Rua pra Rua, como vocês viabilizam um corre louco desses com mais de 50 bandas participando? E já tem planos pra edição 2018?

Banda: O Festival Da Rua pra Rua vem da ideia de, quando em 2009, a gente lançou a nossa primeira demo e fazíamos shows na rua, convidando artistas do punk/hardcore, do reggae e do hiphop de vários cantos pra tocar com a gente. Em 2013, fizemos o festival no aniversário de 6 anos da banda, e foi surpreendente a participação de vários amigos no corre, vimos a possibilidade de organizar uma parada cada vez mais profissional. Tanto que ganhamos o prêmio da Cultura Hip Hop da Funarte também em função do DVD que gravamos naquele ano (DVD Asfixia Social – Da Rua pra Rua). De lá pra cá a coisa cresceu e criamos o Coletivo Da Rua pra Rua pra fazer a curadoria e organização do festival. Estamos planejando o festival de 2018 pra setembro, nossa sexta edição!




A banda está aí há mais de dez anos na estrada, o que numa cena underground e na base do trabalho independente é bastante coisa, como vocês avaliam a trajetória até aqui? Preparados para mais dez anos?

Banda: Há dez anos temos aprendido muito e também nos divertido pra caramba. Amamos fazer isso e acreditamos demais que a mensagem possa tocar em várias quebradas e motivar muitos na caminhada! Nossa caminhada é uma só! Enquanto tiver uma caixa de som ali, a gente vai tocar mano!

Vivemos um momento de intensa polarização politica no país, com muito ódio sendo destilado nas redes e muita gente entrando em conflito por posicionamentos a esquerda ou a direita, o que vocês acham de todo esse movimento, da onda de conservadorismo, de fascistas e racistas aproveitando o “escudo” da internet para dar as caras?

Banda: É triste ver que muita gente fala o que não sabe, sem nenhuma noção. Acho que o “entretenimento” tem afastado as pessoas demais, e parece que a dor do outro não dói. Precisamos discutir mais sobre políticas públicas, projetos políticos, estudar mais, principalmente a história, porque muitos dos erros que estão sendo cometidos não aconteceriam se a gente tivesse um pouco mais de conhecimento e contato real com as necessidades de outros lugares, de outras pessoas que vivem de maneira diferente da nossa. Acho que é um momento triste da história, e o trabalhador tem que abrir o olho, ser mais crítico, analisar quem usa de todo esse ódio pra manipular a opinião pública.




Devido a movimentação da organização do festival, vocês devem ter contato com muitas bandas novas na cena, quem vocês destacariam no cenário atual que merece uma audição mais atenta por parte do público?

Banda: São inúmeras bandas boas que tem surgido, mas muitas também são desconhecidas do público e estão aí há mais tempo que o próprio Asfixia Social. Por exemplo, acabamos de organizar a Frente Popular dos Artistas pela Luta em Movimentos Sociais – FALEMOS – e tem várias bandas do Coletivo Da Rua pra Rua (tem uma lista no www.daruaprarua.com.br). Fora isso, fiquem ligados aí nas bandas autorais que sempre tocam com a gente em outros eventos e no próprio festival. São inúmeras e muito diferentes umas das outras, vale a pena ouvir um pouco de cada uma! 


Mantendo o tradicional plágio da Roadie Crew, e aproveitando que estamos falando sobre bandas que merecem a nossa atenção, poderiam nos listar cinco discos essenciais para a Asfixia Social?

Banda: São inúmeros discos, mas acho que podemos citar aqui Macka B com o álbum “Word, Sound & Power” (2004), Black Sabbath em “Reunion” (1998), Suicidal Tendencies em “How will I laugh Tomorrow”, Skatalites em “African Roots” (1978) e Black Flag em “Nervous Breakdown” (1979). Se você perguntar isso de novo, provavelmente a gente vai mudar todas as respostas. Essa foi a pergunta mais demorada pra gente responder, porque tem muita referência de bandas brasileiras e gringas, doidera!

Pra finalizar, novamente muito obrigado por falar com a gente e o espaço é todo seu para suas considerações finais.

Banda: Agradecemos demais pela força e atenção! Espero que possam curtir o álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”. São anos de dedicação a este trampo, que já começa a estar disponível pelo www.asfixiasocial.com.br ! Acessa lá e fala diretamente com a gente família, satisfação!


quinta-feira, 22 de março de 2018

ENTREVISTA DJALMA MAIA (PHU) MACAKONGS 2099, SATAN'S PRAY, EX-DFC

Salve amantes da podreira e do rock veloz, aqui estamos nós novamente pra trazer o que há de melhor em termos de barulho do underground deste decadente país! Hoje nosso papo é com um cara que está no rolê a tempos, membro fundador do DFC, e já a 20 anos a frente do Macakongs 2099, e ainda tem o Satan's Pray, ou seja, o cara tem muita história pra contar e continua a escrever sua trajetória como vocês poderão conferir a seguir! Com a palavra, Djalma "PHU" Maia!!!




Primeiramente muito obrigado por estar falado com o Microfonia, antes de tudo gostaria que nos contasse como se envolveu com a cena hardcore, com a música em geral, como foi o início, como você decidiu que era esse tipo de som que você queria fazer, o começo de tudo para você na cena de BSB.
PHU: Cara o prazer é meu, legal ser lembrado pelas coisas que fiz, pelas coisas que faço, muito agradecido mesmo. Bem, eu era muito molequinho e aqui no Guará a gente só aproveitava os finais de semana que tinha uns que a gente chamava de lazer, que nada mais era os caras que botavam umas caixas, eram como se fosse Dj, mas nem era Dj, nem tinha isso, e ficam tocando os balanços da época, uns reggae, e as coisas eram muito assim, aqui no Guará as coisas eram muito ligadas ao balaço e ao reggae, não tinha tradição de tocar rock e eu gostava muito disso, era aqueles molequinho que gostava de Michael Jackson, e aí eu comecei ouvir outras coisas, começaram a rolar as coisas da new wave, tinha 13 anos e daí comecei a ouvir umas coisas que na época era esquisito, tipo rock, as coisas de Brasília mesmo, que eram Legião Urbana, gravando seu primeiro disco, tinha também o Ultraje a Rigor lançando seu primeiro disco, Titãs lançando o primeiro disco também, e comecei a ouvir essas coisas por osmose, mas no punk mesmo foi quando eu comecei a ouvir Camisa de Vênus, depois ouvi Garotos Podres, esse foi o meu Ramones, foi quando eles lançaram o primeiro álbum e eu já comprei a primeira edição, aí eu falei, caralho, isso é muito foda! O Garotos Podres mudou a minha vida, só fico meio triste de ter trocados os meus discos de balanço que tinha na época, África Bambata, troquei tudo pelo disco do Garotos, poderia ter comprado o do Garotos e ficado com os outros discos, eu ia ficar muito mais feliz, mas aí eu ouvi o Garotos Podres e falei, caralho, é isso o que eu quero, isso é fudido! Mas quando eu ouvi o RDP, Crucificados pelo sistema, caralho, aquilo ali, ali eu fiquei muito fudido, eu fiquei isso é muito foda, é isso que eu quero, e estamos aí de lá para cá.
Continuando nessa pegada de contar sua história dentro da música, você foi um dos membros fundadores do DFC e antes disse você faz parte de outras bandas, que bandas foram essas onde você iniciou seu envolvimento com a música e como foi esse início do DFC, e como é para você ter feito parte da história de uma banda com tanta representatividade no underground?
PHU:Então, meio que se confunde as duas coisas, quando a gente era muito moleque mesmo a gente não tendo nenhum equipamento e não sabendo tocar porra nenhuma, a gente ficava, ah, vamos ter uma banda, era a grande vontade desde moleque, eu lembro cara, que nesse esquema a gente já arrumou um nome, acho que foi a primeira coisa antes de ter a banda, o Lixo que era um cara da época aqui, falou que ele ia cantar e ele criou o logotipo do DFC, isso foi em 87, por aí, 87, 88, daí ele criou esse logo e falou, vamos fazer uma banda chamada DFCaos, que é o logotipo que é usado até hoje do DFC, é a mesma coisa, aí nós começamos a fazer as nossas coisa aqui, ensaiando no quarto, batendo na cama, até que arrumasse alguma coisa próxima de uma bateria, caixa, sei lá velho, umas coisas assim muito esquisitas, esquisito não, coisa que não existia, até que um comprou um contrabaixo e começou a fazer, daí a gente tinha o nosso projetinho, em 87, quando a gente começou a tocar e daí já tinha demorado um ano, até que a gente comprasse tudo e começasse a ensaiar, foi a primeira que nós tentamos, a gente tinha um nome, tinha umas músicas e ficamos tentando fazer uns shows, a coisa era muito difícil na época, e aí quando deu 89 a gente resolveu abreviar o nome de DFCaos para DFC, e meio que ficou uma banda de brincadeira da gente, sabe, de tocar na casa dos amigos e acabou, quando deu 92/93 uma camarada meu que era o Juninho aqui, que até foi ele que fez Molecada 666, ele juntou uma galera e falou, cara vamos voltar com a banda aí, vamos começar uma banda, só ele gostava do nome DFC, e aí a gente resolveu fazer umas músicas, usar alguma coisa que tinha antiga, e aí em 92/93 a gente começou com essa parada de ter a banda mesmo, com esse DFC aí, não deu certo com ele nem com o Podrinho e d´no esquema foi eu né, chamei o Túlio, e o Túlio chamou o Miguel que tinha uma banda chamada Swankers, e o Túlio também chamou o Renzo, que era o batera, que era do DFTA, e dessa minha DFC assim, só sobrou eu e o Ralf que toca no Os Cabeloduro, foi isso aí,  e eu tive uma outra banda também, que eu tentava tocar bateria quando eu era bem moleque que se chamava MR4 ou MR8, nem lembro véio, MR alguma coisa.
Uma das marcas registradas, tanto do DFC como do Macakonks, são as letras cheias de ironia e humor negro, as vezes até incompreendidas, de que forma vocês decidiram seguir essa linha na hora de fazer as letras das músicas, mesmo abordando temas sérios, mas sempre se utilizando do bom humor com ótimas sacadas?
PHU:No DFC na real, eu não sei se de repente pela nossa formação, tipo de ouvir coisas irônicas, tipo SOD, Sex Pistols, que tinha o God save the queen, o Dead Kennedys com Kill the poor, o Camisa de Vênus com Bota pra fuder e Silvia sua piranha, era outra linha que tava se desenvolvendo no Brasil, o Raimundos teve isso também, não sei se de repente a nossa geração, o jeito que a gente vivia, então o sarcasmo, essa contestação, vem do punk rock, do hardcore, do Sex Pistols, do Dead Kennedys, então é uma coisa da nossa escola que a gente ouviu né, e das pessoas entenderem ou não entenderem a gente tá cagando um monte, no DFC tinha palavrão, palavrão pra caralho, uma coisa não era muito usada, já no Macakongs não tem nenhuma música dos quatro ou cinco álbuns, o quinto a gente tá gravando, que não tenha nenhum palavrão, no Satan´s Pray tem palavrão, e é voltado bastante pra parada de contestação religiosa, esse tipo de coisa assim, ironia com religião, com o cristianismo principalmente, mas de ironia a minha vida é assim também, apesar de não ser eu, de repente foram as bandas que forma me moldando pra ficar mais irônico, ou sei lá, mas acho que é minha vida que é mais pra esse lado irônico, essa é mais ou menos a onda.



Aproveitando que você citou o processo de gravação do novo álbum do Macakongs, como está o processo de criação desse novo trampo, vocês já possuem uma previsão de lançamento e o que a galera pode esperar desse trabalho, vai seguir a linha dos anteriores, vocês pretendem incorporar algum novo elemento ao som, que detalhes você poderia dar a respeito disso?
PHU:Esse álbum já era pra ter saído tem muitos anos, é uma longa história, que a gente gravou esse álbum com uma outra formação, e foi perdendo as coisas, perdendo os áudios, a gente já tinha gravado batera, e aí putz, com a troca de formação, foi perdendo, mas bem, aí gravamos as guitarras, e era pra lançar esse ano mesmo, a previsão era pra esse ano, que a gente tá fazendo 19 anos, e outro no ano que vem que a gente vai estar fazendo 20, o que a gente fez, seguramos, pegamos o disco e estamos agora na fase de mixagem, eu vou mandar com exclusividade uma música, mas não vai ser mixada, vai ser gravada de celular, pra vocês, que vai ser uma pré-mix, sem a parte de edição, são nove músicas, o nome do álbum é "Amor", tem muita coisa baseada no som em algo de Catharsis, e tem alguma coisa de No Mercy, que é uma banda que a gente gosta muito, o Michel do Lethal Charge fez seis letras, então é fudido cara, é muito carregado, tem participação do Dino Black, do Cigano Igor, que foi o vocalista dos três primeiros álbuns, cantou uma música no Tropicanalia e não poderia deixar de cantar uma música nesse, participação do Felipe Chehuan do Confronto/Norte Cartel, ele sai ano que vem, em janeiro, pra comemorar os 20 anos, a gente quer lançar muita coisa, um DVD documentário da banda, quer filmar um DVD mesmo que não lance, ou lance até dezembro, tentar fazer uma turnê brasileira legal, se não der a gente tenta uma turnê europeia curta, de 15 dias, além desse álbum a gente quer lançar um EP com essa nova formação, com uma outra linha de som que a gente tá desenvolvendo.




Esse ano o Macakongs completa 20 anos de existência, além do disco de inéditas, que vocês tiraram da gaveta, existe a possibilidade do relançamento do catálogo da banda, já que seria interessante com o novo disco saindo, caso as pessoas procurem por materiais anteriores, até mesmo por uma questão pessoal, já que quero adquirir esse material...rs
PHU:Vou te dar uma boa notícia e pra quem gosta de material físico, como é meu caso, número um, eu tenho ainda disponível o Bonitos, Ricos...e tenho o Ultimate, esses eu tenho em catalogo, eles não saíram, o primeiro saiu, o Biquínis, agora o Tropicanalia eu tenho ainda algumas peças, porque ele saiu em parceria com outros três selos, eu tenho, não sei se os outros selos tem ainda algum material, eu ainda disponibilizo, então só pra recapitular, segundo álbum, o Ultimate Hot, Bonitos, Ricos...,e o Tropicanalia, ainda estão em catalogo, o que não está mais em catalogo, o primeiro que é o Bikinis, mas vou te dar uma informação em primeira mão, eu vou disponibiliza-lo em comemoração aos seus 20 anos de lançamento, de bônus track no próximo álbum do Macakongs, que é o “Amor”, como o disco esgotou, conversei com a banda e vou disponibilizar pra galera pra comemorar os 20 anos da banda.
Com relação ao Satan’s Pray, desculpe a falta de conhecimento, mas vocês possuem algum outro material lançado além do Satan is love? Quais são os planos para o SP, existe algum projeto de novo álbum, ou o foco é total no Macakongs?
PHU:Então cara, o Satan’s Pray desde o início é um projeto maluco, não tem nada pra esse ano, tem a Ray que canta na banda e a gente depende muito do esquema dela, o Podrinho que era o primeiro vocalista que gravou o disco, tava afim de fazer um som, nós conversamos com a Ray, justamente para ter os dois cantando, mas acaba que os dois são muito enrolados, então a gente não tem um planejamento para 2018 igual a que tem do Macakongs, se acontecer vai ser legal, já tem um batera novo que era do Macakongs, que é o Fred Van, eu, tem a Ray, a história do Podrinho de repente vir cantar com ela, agora vai depender deles, porque eu estou focado nos 20 anos do Macakongs, é isso que eu vou me dedicar, disco, EP, DVD, turnê, Lyric vídeo mensal, shows trazendo uma galera pra Brasília, indo tocar, então é dedicação total a isso, se acontecer eu vou gostar muito. Sobre o material só tem o Satan is love mesmo, nós começamos a compor, umas cinco ou seis músicas, mas não virou.

OUÇA "SATAN IS LOVE":





Falando um pouco sobre a cena de Brasília, quem você destaca atualmente no underground local que merece uma audição mais atenta de nossos leitores?
PHU:Vou falar alguns novos nomes e outros nem tão novos, vou tentar evitar falar de bandas mais antigas, mas da cena mais antiga tem o Mais que palavras, muito legal, o Caos Lúdico, banda nova, Caligo, Darkrazor, Colizzor.
Cara, agora nossa pergunta de praxe, cite cinco discos essenciais da cena nacional na sua opinião, que você considere essenciais para a cena ou para sua formação como músico.

PHU:Então, é meio difícil essa parada, mas eu vou tentar fazer o seguinte vou botar assim, historicamente, Garotos Podres marcou minha vida, o primeiro álbum, Mais podres que nunca, aquilo foi foda, a capa, gravação, atitude, letra, rebeldia, época, final do regime militar, foi foda! Segundo, Ratos de Porão, Crucificados pelo sistema que ouvi na sequência, que eu falei, caralho, isso aqui é fudido, incrível, em terceiro, tem álbum aqui local, que se chama Rumores, que é underground e é de rock, ele tem o Detrito Federal de punk rock, ele tem o Elite sofisticada, tem o Arte no Escuro e tem o FinisAfrica, não é que gosto pra caralho mas ele tem uma importância enorme aqui pra cena de Brasília. O Sub foi muito foda, tem uma importância cabulosa, nem tanto pelo som, mas pela história, e o Ataque Sonoro, duas músicas cada banda, dez bandas, era incrível isso, hoje em dia não pega mais assim, mas pela história e pelo registro, tá aí.

Para finalizar, obrigado por falar com o Microfonia, foi uma honra poder trocar uma ideia com você e retratar sua trajetória, reservo esse espaço para que deixe seu salve para todos leitores do blog e fãs do Macakongs e Satan’s Pray, o espaço é todo seu!

PHU:Grato a você pelo carinho e atenção, muito bom ter esse reconhecimento, muito amor e saúde para os nossos e sabotagem para os inimigos...kkkkk



OUÇA A DISCOGRAFIA DO MACAKONGS 2099:




REDES SOCIAIS:

quarta-feira, 14 de março de 2018

ENTREVISTA FABIO MOZINE (MUKEKA DI RATO, OS PEDRERO, MERDA, LAJA REX)

Olá pequenos seres malignos roquistas, nosso papo hoje é com um cara bem conhecido da cena hardcore brasileira, quem curte um som tosco e veloz ou os flertes com a música brega, com certeza é fã desse cara, que toca no Merda, Mukeka di Rato e Os Pedrero, CEO da Laja Rex e em breve pelo que conversamos, vai rolar o híbrido do Merda com o Facada, o Merdada, aguardem!!! Com vocês, Mozine, diretamente de Vila Velha-ES!!!



Fala Fábio, primeiramente muito obrigado por falar com o Microfonia, aproveitando essa recente apresentação no Garage Sounds em Fortaleza, como rolou essa fusão do Merda + Facada, como foi a apresentação e essa parceria pode render mais frutos adiante?

Fábio Mozine: As coisas foram acontecendo e acabaram dando nisso. O pessoal do Garage sondou o Merda, mas estamos sem baterista, aí sondei o D’Ângelo, botamos o James e depois o Danyel na roda, virou o Merdada. Estamos encantados com o que aconteceu, gostamos muito de ensaiar, somos amigos, já temos alguns outros shows engatilhados e vamos gravar um disco.

Falando em Merda, o “Descarga Adrenérgica” é um disco muito foda, despejando todas as características que a gente espera, curti muito a sonoridade e letras, porém estava acompanhando uma resenha do play e a galera da direita invadiu os comentários cuspindo várias ofensas no site em questão, creio que vocês obtiveram êxito ao passar suas ideias nas letras não é mesmo?

Mozine: Rapaz... nem vi essa agressão vinda da galera da direita, mas me sinto um super vitorioso, na verdade a galera da esquerda de vez em quando bate na gente também, então foda-se, tamo todo fudido mesmo.



Quem o acompanha nas redes sociais saca seu gosto pelo brega, e uns tempos atrás vi em uma entrevista em que você falava a respeito de um projeto de uma banda para fazer um som nessa linha, creio que o nome do lance era Tenébrio Peixoto, a quantas anda essa ideia?

Mozine: Eu ainda componho músicas para o Ténebrio Peixoto. Uma delas, que era uma demo, que gravei e produzi com um musico local chamado Fe Paschoal acabou de entrar num curta metragem do irmão do japonês do Merda. A música se chama Tristeza Infinita. Outra foi gravada pelo Figueroas em seu primeiro álbum, a música Gatinha Gatinha. Uma outra foi gravada por um cantor capixaba chamado Lord, a música se chama Copos de Bebida. E por aí vai, vou fazendo, mostrando para os outros, e as vezes acaba rolando. Não tenho intenção de tocar, por vários motivos, incluindo que meu vocal é ruim, eu estou com preguiça de tocar, de viajar, etc.

Uma das bandas que integra, Os Pedrero, lançou recentemente um disco, “Deu um treco no teco teco”, que em breve deve ser lançado em formato físico, correto? Como você faz para compor material para suas diferentes bandas, de que forma você decide isso, agora vou compor para um disco d’Os Pedrero, por exemplo, ou você faz o som e depois decide onde melhor se encaixa?

Mozine: Já fizemos as músicas pensando n’Os Pedrero, que são bases mais harmônicas e letras mais bregas, foi fácil de fazer.



A Laja Rex já possui 20 anos de existência, quando você começou lá em 98, imaginava que esse trampo teria tanta longevidade e que vocês lançariam tantas bandas e produtos diferentes?

Mozine: Não imaginava que conseguiria viver apenas dela como vivo hoje. Imaginei que seria um trampo contínuo sim, porque minha vida é isso, mas achei que seria um eterno hobby e que minhas contas seriam pagas por um emprego normal, tipo na Vale do Rio Doce, etc.

Para comemorar os 20 anos de Laja, você bolou o Laja Festival, como foi o saldo dessa empreitada, pelo que pude ler a respeito na época, foi muito legal essa gig, o que você nos diz? Pretende fazer mais edições?

Mozine: Pretendo fazer uma nova edição esse ano, ainda não sei o mês. Como não tive apoio esse ano, devo fazer uma versão bem enxuta.

Parece que vai rolar um novo disco do Mukeka Di Rato, isso procede? Tem algo rolando já, ensaios? Novos sons? Realmente vocês não vão fazer shows esse ano?

Mozine: Ainda nada rolando, estamos com muita preguiça para ser sincero, eu pelo menos estou, mas acho que deve acontecer algo em breve. Ninguém se encontrou nem começou a fazer nada ainda.




Aproveitando a deixa sobre os shows, ano passado vimos um dos principais palcos do underground brasileiro, encerrando suas atividades, o Hangar 110, inclusive o Mukeka fez a sua última apresentação por lá, como foi esse rolê, e qual a sua impressão sobre o fim de palco tão representativo?

Mozine: O hangar sempre foi um lugar muito querido pra gente, mas acho que tudo te m seu ciclo. Nosso último show lá foi emocionante pois Tb sentíamos que a banda ia parar em breve.

Quanto ao Merda e Os Pedrero, veremos apresentações ao vivo destas bandas este ano?

Mozine: Pode ser que o MERDADA toque pelo Nordeste, até mesmo porque queremos gravar um disco, e possivelmente o será feito em Fortaleza. Os Pedrero e Mukeka não vão tocar.

Aproveitando que estamos falando com o Ceo da Laja Rex, Fábio, quais bandas você tem ouvido ultimamente e que recomendaria a audição aos nossos leitores?

Mozine: Sonido Chuli e Damn Youth.

Para finalizar, novamente meu muito obrigado pela atenção e deixo o espaço em aberto para suas considerações finais, valeu!!!

Mozine: Valeu pelo espaço e pela entrevista! Abraço!!





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quinta-feira, 1 de março de 2018

ROTTEN FLIES: NOVO CLIPE E DISCO DE INÉDITAS EM BREVE





Formada no inicio da década de 90 na cidade de João Pessoa, a Rotten Flies segue sua saga dentro da cena punk/hardcore lançando trabalhos relevantes e representando muito bem a rica cena underground nordestina.
Os caras seguem em estúdio gravando o sucessor de "Saco de gilete" (2014) e quarto full de sua discografia, que deve ganhar ás ruas ainda esse ano.
Porém sem perder a pegada, os caras lançaram hoje o vídeo clipe para a faixa "Canjiquinha", presente nos recentes albuns, 3 ways to conspiracy e Sight Disaster, a serem lançados ainda este ano na Alemanha e EUA respectivamente, o clipe foi feito em animação e toda concepção de arte ficou a cargo do Leandro Franco, que além de cartunista e arquiteto, é também vocalista na banda Asteroides Trio, confira uma palhinha do trampo no teaser a seguir:



O vídeo completo pra quem quiser curtir estará disponível á partir das 14 horas no youtube e você pode acessar através do link abaixo:

VÍDEO COMPLETO AQUI


Rotten Flies conta em sua formação com Fracisquinho no vocal, Cecílio no baixo, Adriano na guitarra e Beto na Bateria, informações e contato em:

rottenflies@gmail.com
jornalmicrofonia@gmail.com

terça-feira, 31 de outubro de 2017

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #3

GRITANDO HC - GRITANDO HC (1997)



Esse ano um dos discos mais fodas do hardcore nacional completa 20 anos de lançamento, tem um sabor especial pra mim falar sobre esse registro, pois o Debut do Gritando HC figura entre as primeiras bandas com as quais comecei a curtir um som lá atrás.

Então temos aqui uma ótima combinação pra se tornar tema da nossa série dos Clássicos recentes do underground nacional, pois tem 20 anos redondo de lançamento e é lembrado com saudosismo por muitos que foram contemporâneos ao mesmo.

Um disco de estreia sensacional, 28 minutos de hardcore punk de primeira, divididos em 17 faixas, entre as quais figuram hits do underground instantâneos, digo isso sem medo, afinal quem de vocês nunca ouviu "Velho Punk"? Tudo isso aliado ao vocal enérgico do saudoso Donald que casava perfeitamente na sonoridade da banda.

Aqui encontramos vários sons que se tornaram clássicos, de cara a primeira faixa que é extremamente contagiante, um hino, "Punks não morreram", impossível ouvir sem sentir vontade de sair pogando pela sala, seguida de "Aéreo na piscina" pra quem curte dropar no skate com trilha sonora e a homanagem ao mostro verde da Marvel, "Hulk"!!!



Depois disso seguimos com a balada (?) punk, "Quero ser punk com você", percebam que citei as qutro primeiras faixas em sequência aqui, diífcil eleger destaques, disco inteiro é muito daora, mas pra não citar o track list inteiro, daqui em diante vou citar faixas que acredito que vocês precisam escutar e vou colocar minha visão pessoal aqui, logo, talvez alguns não concordem mas é indispensável colocar como destaques a pesada "Eu protesto", faixa insana, convidativa a moshs violentos, o hino máximo do Gritando HC que já falamos aqui, "Velho Punk" (estamos caminhando pra isso né), a ode ao goró acustica, "Hino do alccol" e pra finalizar com as próprias palavras da banda , a singela homenagem a maior banda de punk rock do mundo, "Quero meu ingresso pro show do Ramones".

Enfim, aproveite que essa beleza está fazendo aniversário e ouça novamente, conheça, redescubra, seja como for, com certeza vai deixar seu dia melhor ouvir um bom disco de hardcore e Gritando HC sempre será uma boa recomendação pra quem queira conhecer esse estilo musical que tanto amamos aqui no Microfonia!

Abraço e até a próxima!!!


TRACKLIST


01. Punks Não Morreram
02. Aéreo Na Piscina 
03. Hulk 
04. Quero Ser Punk Com Você 
05. Eu Odeio O Sistema 
06. Libertar Nossas Correntes 
07. Nunca Se Humilhar 
08. Pra Que Cadeia? 
09. Levante O Moicano 
10. Kaos 
11. Quero Meu Ingresso Pro Show Do Ramones 
12. Gritando HC 
13. Eu Protesto 
14. Terra Da Garoa 
15. Skate Punk
16. Velho Punk 
17. Hino Do Álcool 





OUÇA GRITANDO HC EM:

http://www.deezer.com/artist/4352689

https://open.spotify.com/artist/19XpD8usAYOdO3hwmQ06i4




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Matéria by Microfonia Underground Blog

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

ENTREVISTA GUERRILHA 13

E aí galera, iniciamos os trabalhos no mês de outubro com essa entrevista com os manos da Guerrilha 13, banda de de punk/hardcore de Arapongas-PR, em atividade desde 2012 os caras estão sempre no corre, seja organizando eventos como o Punk Rock Animal, seja nos preparativos para o lançamento de seu EP que deve acontecer dentro de algum tempo e que nós obviamente iremos conferir, mas se quer saber mais sobre os caras, confiram o bate papo a seguir que realizamos com a banda e compartilhe o trabalho pra fortalecer!!!


Fala pessoal, começando aí pelas apresentações, quem são as cabeças por trás da Guerrilha13?

A banda Guerrilha13 já passou por algumas várias mudanças na formação desde seu início. Atualmente a formação da banda conta com William Lopes no vocal, Felipe Molina no baixo, Wesley Kelson na bateria e Jhefferson Alexandre na guitarra. Essa formação tem sido a mais forte e engajada com as idéias que a banda busca reproduzir em suas músicas e apresentações.

Como vocês se juntaram pra tocar e como se deu a escolha por praticar nosso amado punk/hardcore?

Os integrantes William Lopes e Felipe Molina tocam juntos desde de 2009, os dois tinham uma banda de punk rock que teve seu fim em 2011, com a saída do baixista e do baterista. Em 2012 os dois sentiam que não dava pra ficar parado e então criaram o Guerrilha13, com o intuito de tocar um punk rápido, agressivo e sem frescuras. Sendo assim, Wesley Kelson foi convidado para tocar bateria e Alan para tocar baixo. Com a saída do baixista, ouve uma reformulação na banda. Felipe assumiu o baixo e Thiago Guimarães entrou para assumir a guitarra. Essa formação durou dois anos, e agora com a saída do Thiago Guimarães, entrou em seu lugar o Jhefferson Alexendre. A reformulação não foi só na formação, mas também nas ideais. Temas libertários e de protesto passaram a ser mais freqüentes nas letras escritas pela banda. Músicas como “Fascistas Maldtitos Não Passaram” “Vá a Luta”e “Mancha de Sangue” passaram a fazer parte do novo repertorio da banda.
Escolhemos tocar punk/hardcore por ser um estilo de música agressivo e ao mesmo tempo simples, no qual traz diversos ideais que admiramos, como o “faça você mesmo”e liberdade de expressão. Atualmente acreditamos que o punk é uma ótima ferramenta libertária para esmagar fascistas e de conscientização dentro da cena underground.



O que vocês podem nos contar sobre a cena underground de Arapongas?

Existem muitas bandas ótimas dentro da cidade. Acredito que a palavra que possa definir a cena aqui seja “resistência”, por muitos anos a cena underground de Arapongas não foi muito bem valorizada, as bandas sempre estiveram num corre constante para organizar seus próprios eventos por conta própria, dificilmente aparecia uma ajuda para a cultura da cidade. Quando o Old Box surgiu uma nova esperança nasceu, dando espaço para as bandas locais tocarem e ensaiarem, diversas bandas passaram a surgir também. Agora as coisas estão mudando um pouco, com os incentivos culturais que estão acontecendo dentro da cidade. Esse ano surgiu o Espaço G1 que era um galpão que estava parado, e que foi reativado pela prefeitura através do Tadeu (Humorista), nesse espaço todo artista e músico tem a chance de poder realizar seus eventos com apoio da prefeitura. A cena vem crescendo cada vez mais nessa cidade, nós do Guerrilha13 estamos muito contentes em fazer parte dessa cena e de toda a sua trajetória.

Acompanho algumas bandas daí e vejo que sempre rola um evento, “Rock no Parque”, quem é responsável pela organização do mesmo e com qual frequência rola essa gig?

Esse evento tem 3 anos, e foi idealizado pela prefeitura de Arapongas, com o intuito de realizar um festival de bandas que duram dois dias no Parque dos Pássaros. Lá todas as bandas de rock da cidade podem se apresentar e mostrar seu trabalho para o publico de Arapongas e região. O evento é sempre realizado de 1 em 1 ano.

Vivemos um momento tenso politicamente, com muita gente se mostrando a favor de idéias absurdas, passando pano pra faxos, racistas, homofóbicos, inclusive gente da própria cena, qual a visão de vocês a respeito disso e como vocês acreditam que essa situação possa ser combatida.

Toda essa situação absurda que vem acontecendo pode ser combatida através de muita conscientização na cena e em nossas casas também. Nada se resolve com extremismos e conservadorismo, Tentamos fazer essa conscientização através de nossas músicas e de nossas posições no dia-a-dia, acreditamos que essa luta deve ser diária e não somente nos palcos. Não tem sido fácil, alguns torcem o nariz para esses temas que buscamos tratar nas nossas músicas, mas temos tido uma boa recepção do público. Nós do Guerrilha13 não iremos fraquejar diante de todo esse absurdo que vem acontecendo mundo afora. A nossa voz e nossos instrumentos são as nossas armas nessa batalha, e sempre bateremos de frente contra fachos, racistas, homofóbicos e sexistas.

Quais bandas vocês consideram essenciais no punk rock nacional, que são obrigatórias pra qualquer um que queira conhecer o que foi e o que é esse movimento no país hoje?

Essa está na ponta da língua... Cólera.. Tudo nessa banda nos fascina. É uma banda que começou simples e hoje é umas das mais importantes no cenário punk nacional. Foi através dela que conseguimos entender o que é ter uma atitude punk. Graças a essa banda entendemos que ser punk vai além de apenas ficar chapado, de ficar arrumando briga desnecessária. Cólera nos ensinou que punk é militância, é buscar por uma cena mais consciente, lutar contra qualquer forma de opressão e fazer um som que fale sobre coisas importantes para a cena, fazer som punk só pra se aparece na cena falando qualquer merda não faz o menor sentido pra gente.


Falando um pouco mais sobre a cena em sua cidade, vocês fazem parte de mais alguma banda além da Guerrilha, algum outro projeto?

Nosso baixista Felipe Molina e nosso baterista Wesley Kelson tocam juntos na banda de reggae “Familia Da Raiz”. O vocalista William Lopes segue com projetos como escritor, com poemas e contos e também segue militando pela causa antifascista e anarquista na cena local.

A Guerrilha 13 investe em música autoral? Tem algum material que vocês pretendem lançar num futuro próximo?

Valorizamos muito o som autoral desde o inicio, pois é exatamente isso o que faz a banda ter uma identidade própria. Temos muitas músicas autorais no repertorio. Muitas delas o publico já conhece e canta e poga muito durante os eventos, e isso nós enche de felicidade e forças. 
Pretendemos lançar um ep em breve, com as músicas: “Igreja Universal do Reino da Exploração”, “Guerra Nuclear”, “Verdades e Mentiras”, “Mito é o Caralho”e “Fascistas Malditos Não Passaram”, dentre outros sons.


Gostaria que vocês nos dessem detalhes sobre o evento “Punk Rock Animal”, aproveitar e elogiar a causa nobre com a qual colaborarão e saber como surgiu a idéia pra esse rolê e se pretendem estender pra mais edições?
Obrigado pelas palavras! Estamos bem contentes com a repercussão do evento, muitas pessoas estão falando sobre, é o primeiro evento assim na cidade. A idéia surgiu através do William Lopes (vocalista) e Eduardo Zandomeghi, junto de uma equipe formada por Amanda, Charlotte, Bruno Punk, Michael (tatuador) e também com ajuda de outros amigos que formam a cena punk local. Não posso deixar de falar do grande apoio que o Tadeu (humorista) tem nos dado liberando o espaço G1 para realizar este evento.
Tudo surgiu com o objetivo de ajudar a ONG Opaa que faz um grande trabalho na cidade de Arapongas dando abrigo e assistência a cães abandonados. A ONG vem passando por algumas dificuldades, então focamos em ajudar-la com a ração que conseguirmos arrecadar no Punk Rock Animal. A gig também visa dar espaço para outros artistas punks e simpatizantes do movimento que trabalham com arte de rua, artesanato, poemas, zines, malabares.
O outro objetivo que tentaremos alcançar é o de conscientizar a cena punk e underground abordando temas libertários que irão estar presentes durante a realização do evento.



Obrigado aí por falar conosco, e deixo a palavra final com vocês pra que mandem seu recado como bem entender!
Nós do Guerrilha13 é que agradecemos por nos convidar para essa entrevista. Temos total admiração pelo trabalho que o “Microfonia Underground Blog” tem realizado trazendo informações sobre a cena underground e dando voz e apoio às bandas da cena local. Parabéns ao blog pelo trabalho que vem sendo realizado!
Nossa palavra final vai para todos que estão nessa guerrilha que é o meio underground: Não desistam, não baixem a cabeça, criem suas bandas, apoie sua cena underground, busquem conhecimento e lutem por uma cena mais consciente e livre de qualquer preconceito e opressão.













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Entrevista by Microfonia Underground Blog
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