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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

5 DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA #6






Recentemente falamos com o Rick da Spidrax pra que nos contasse quais foram os cinco discos que mudaram sua vida, e de imediato também fizemos a pergunta ao batera da banda André Leite, e agora vamos conhecer quais foram os discos que entortaram a vida do responsável pelos tambores da Spidrax, com a palavra, André!!! Aproveitando a oportunidade, não deixem de conferir o novo EP da banda, "Evisceração", que fizemos uma resenha por aqui, só acessar os links ao final da matéria e conferir mais informações sobre a Spidrax.







 


Nirvana - Nevermind

Meu primeiro contato com o "rock" veio aos 12 anos e aqui foi o começo de tudo. Depois disso, só pensava em deixar o cabelo crescer e usar roupa preta. Acho que esse disco mudou a vida de muita gente, e comigo não foi diferente.





Slipknot - Iowa


Na adolescência quando já tinha descoberto o metal, esse já era o disco mais pesado que eu já tinha ouvido. A mistura toda de peso, groove, visual, caiu como uma luva nessa fase da vida, e é uma das poucas bandas que ainda acompanho desde aquela época. Com certeza a banda que mais me deu vontade de tocar bateria quando ainda era moleque, lembro de ficar batucando no sofá junto com as músicas tentando imitar os caras.




Cólera - Pela Paz

Clássico, né? Quando comecei a frequentar os roles de shows e underground, o Cólera sempre foi referência de som, atitude e comportamento como uma banda. Me introduziu ao melhor lado do punk, e de longe é a banda que mais vi shows na vida, e sou muito feliz de ter tido a oportunidade de tocar em algum deles, ter conhecido o Redson e poder dizer que ele realmente era um ótimo ser humano.





Descendents - Everything Sux


Bill Steverson rapidamente virou  minha referência de batera após eu conhecer esse álbum! Pra mim, mostrou que o punk rock também pode ser melódico sem ser chato. Banda clássica que me fascinei após também conhecer a história.





Blitzkid - Let Flowers Die


Aí veio o horror punk e o resto foi só caos e destruição. Esse álbum chegou em mim pela internet ,logo após eu ficar viciado em Misfitis, e precisava ouvir mais bandas que soassem assim. Ouvia a coletânea "This is horror punk" da Fiend Records  (quem lembra?) todo dia e ficava caçando as bandas que eu mais gostava. Felizmente o Blitzkid tem uma sonoridade bem própria, mesmo com toda a influência, tem melodias maravilhosas e o som rápido, com certeza uma grande influência pra Spidrax.


LINKS RELACIONADOS


http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2020/06/entrevista-spidrax.html


http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2021/09/5-discos-que-mudaram-minha-vida-5.html


https://www.instagram.com/spidraxhorror/


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terça-feira, 14 de setembro de 2021

SPIDRAX - EVISCERAÇÃO (EP) - 2021 - REVIEW MICROFONIA

 



SPIDRAX



· Atividade: 2014 - Atualmente

· Origem: Brasil - São Paulo - SP

· Album: EVISCERAÇÃO - EP (2021)

· Gravadora: INDEPENDENTE

· Gênero: HORROR PUNK


Esse EP da Spidrax já me ganhou antes mesmo do lançamento, a ideia de fazer versões de sons de grandes bandas do horror punk brasileiro, homenageando e entregando sua assinatura nas faixas já me fazia ver com bons olhos o trabalho.

O título do EP tem muito a ver com o que foi feito com as faixas das bandas escolhidas, digo isso pelo lado positivo, "Evisceração" é altamente indicado tanto para quem conhece as bandas que foram escolhidas, tanto pra quem vai ouvir tudo pela primeira de cada horda ali presente, pois a identidade que a Spidrax carimba sobre as faixas pode confundir desavisados, o vocal do Rick, o timbre da guitarra de Rafa Romanelli e as levadas precisas de André Leite se fundiram de maneira muito interessante a personalidade "original" das faixas, portanto ouçam as bandas originais caso não conheça os trabalhos pra que entendam o que digo, não são simples  covers, houve cuidado em colocar a cara da Spidrax nessas músicas.

Abrir o trabalho com a faixa "Sertão Sangrento" da banda homônima, foi sem dúvidas uma excelente escolha, curto demais a energia desse som, e a Sertão Sangrento é foda, todo o disco que acompanha essa faixa inclusive, posso dizer que curti a versão tanto quanto a original e na sequência vem "O médico e o monstro" da banda Ossos Cruzados, outra banda fudida dessa cena do horror punk brasileiro, do disco "Espectrofobia", aqui é uma ocasião em que a marca da Spidrax faz muita diferença, deu outra aura ao som. Na sequência Viborah mantem a qualidade em alta, interessante ouvir a faixa com o vocal do Rick e com outra produção, visto que a original é com um vocal feminino, Viborah Horror Punk tem seu EP disponível no Spotify que tem cinco faixas bem legais, então aproveitem e conheçam o restante do trabalho.

Partindo para as duas faixas finais, a versão para "Mata" da Zumbi Holocausto é demais, essa música tem um clima muito interessante, melódica, pesada, densa, curto a vibe desse som, e a Spidrax captou o que de melhor havia nessa música e amplificou suas qualidades melódicas, e o final ao piano é poético de uma forma fúnebre!!! "A morte comigo" da banda Pesadelo Brasileiro encerra os trabalhos desse EP com o mesmo ímpeto que começou, outra música foda, de uma banda foda, sendo executada com maestria e rendendo mais uma bela homenagem.

No resumo, a Spidrax trabalhou muito bem o lado melódico de todas as faixas, executando de forma precisa e com muito esmero na produção pela Infecta Produções do guitarrista Hebberty Taurus da Ossos Cruzados. Além disso conta com arte do Rafael Panegalli, que fez uma capa incrível que vale apreciar, deu um visual condizente ao conteúdo do EP que está disponível no formato digital na sua plataforma de streaming preferida, não percam tempo e apreciem essa obra do Horror punk brasileiro!!!





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sexta-feira, 3 de setembro de 2021

5 DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA #5

 


Fotografia: @danimoreirafotografia


Aproveitando a ocasião, já que dentro de alguns dias, pra ser mais exato em 09/09/2021 vai ao ar o novo EP da Spidrax, composto de covers que a banda escolheu a dedo, achamos que seria um bom momento pra trazer o Rick, baixista e vocalista da banda, para nos contar quais foram os "5 DISCOS QUE MUDARAM SUA VIDA", a banda tem várias novidades programadas para o segundo semestre, como um documentário retratando detalhes da gravação desse novo EP, participação numa coletânea gringa com um som inédito, uma versão de um som do Zumbis Do Espaço em um tributo e um EP com live dos principais sons de toda carreira da banda, ou seja, fiquem ligados nos próximos passos da banda e com a palavra Rick da Spidrax:


A música sempre fez parte da minha vida, das trilhas sonoras dos LPs de novelas dos anos 80 e 90, ao primeiro vinil do Kiss. Muita coisa rolou e contribuiu na minha formação musical, escolher somente cinco álbuns que mudaram minha vida será tarefa bem difícil, porém saudosa. Vamos lá?




N° 1 Secos e Molhados (1973)

Esse é um álbum fantástico, lançado em pleno regime militar, com 13 faixas repletas de protesto e críticas sociais em forma de poesia, na voz do grande mestre, Ney Matogrosso. Esse disco é atemporal e considero um pecado capital pular qualquer faixa dessa obra.




N° 2 Misfits Earth A.D (1983)

Earth A.D. é o segundo álbum da saudosa era Danzig, com 12 faixas da mais pura energia sonora do punk, mesclados à temática do horror.

Esse álbum influenciou diretamente a minha formação musical.




N° 3 Danzig 1 (1988)

Primeiro álbum da carreira solo de Glenn Danzig (ex- Misfits), é o de fato o meu favorito na face da terra. Metal, blues, flertes  satânicos e um time de músicos de primeira foi a receita ideal pra ganhar meu coração.

É o disco que eu mais escutei na minha vida e tenho certeza de que continuarei o escutando por décadas.




N° 4 Racionais MC's Sobrevivendo no Inferno (1997).

Esse foi o meu primeiro contato com o Rap nacional. Mesmo após 24 seu de lançamento, as mensagens contidas nesse álbum ainda soam atuais.

É uma obra totalmente atemporal, um trabalho magnífico que há de perpetuar na história da música brasileira.




N° 5 Eduardo Taddeo Necrotério dos Vivos (2020).

Visceral, atual, explícito. Esse álbum é um choque de realidade. Um filme de terror da vida real, onde os protagonistas são pessoas nascidas e criadas na periferia de SP, que lutam por igualdade e oportunidade, sobrevivendo à um sistema cruel, injusto e hediondo.

Essa é uma obra magnífica e com certeza e tende a ser atemporal.

É isso mano. Esses são os álbuns nos quais eu não ouso pular uma faixa sequer. São meus discos de cabeceira.


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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

SURRA - NINHO DE RATO - EP (2021) - REVIEW MICROFONIA



SURRA


· Atividade: 2012 - Atualmente


· Origem: Brasil - Santos-SP


· EP: Ninho de rato (2021)


· Gravadora: Cadeia Records/Laja Rex


· Gênero: Thrashpunk/Powerviolence/Grindcore



O Surra é uma banda que pode ser considerada como opererários do underground devido a sua tamanha produtividade e movimentação, acho que já disse isso antes, mas vale repetir. Encarando as coisas dentro deste contexto é muito bom pra quem curte e scompanha a banda, pois sempre há novidades rolando e sempre que tem um novo lançamento da banda, fica a expectativa, de como irá soar, a cada EP ou disco os caras vem aumentando o sarrafo na sua música que sempre foi rápida e pesada, mas pode ser mais, e "Ninho de rato" nos mostra isso.



Lançado dia 14/18/2021, o EP traz dez faixas inéditas e dois covers, total de 12 sons distribuidos em 10 minutos de gravação, isso por si só já é um prenuncio de como a banda está soando neste lançamento, não há mudanças drásticas de sonoridade, apenas o fato de que nuances que sempre estiveram presentes na musica dos rapazes de Santos, aqui nessas faixas estão se sobressaindo ao Thrashpunk que já estamos acostumados, portanto apesar de ser chato ficar rotulando as coisas, fica claro aqui que a pegada é na área do Fastcore, Powerviolence e Grindcore, é possível sacar doses bem aplicadas ao longo da execução.

Algo que realmente não mudou e isso é ótimo, são o conteúdo das letras, que se mantém ácido e afiado, tecendo criticas ferrenhas ao governo e toda enxurrada de desgraça que tem se abatido sobre o pobre e trabalhador neese país, sem refresco, sem piedade, cada relato vomitado é um soco no estômago de quem ainda acredita que tem algo de positivo em meio a esse inferno que tudo se tornou.

Pra citar exemplos de faixas que se destacam é até complicado, porém ouçam com atenção "Motor da História", "Acreditam em tudo", "Trabalhar até morrer" e "Roendo osso", letras sensacionais, mas sem dúvidas vale a audição de tudo nesse EP, até porque em piscar de olhos você ouviu ele três vezes seguidas e nem se deu conta.

Vale citar que a produção dos últimos trampos da banda tem sido feita pela própria banda, a cargo do Léo comandando a mesa, tá sendo bem satisfatório o resultado, e a banda lançou no canal do youtube um making of bem massa sobre a gravação do EP onde dá pra acompnhar e entender um pouco de como foi esse processo.

Por último e não menos importante vamos falar sobre esses dois covers que figuram no EP, vale citar que o formato que foi pensado esse trabalho era para ser lançado em vinil 7", porém devido a demora no prazo de entrega pelas fábricas, fez com que a banda optasse por lançar em formato de K7 esse trampo, via Cadeia Records e Laja Rex.




Sendo assim, cada lado do EP fecharia com um cover, Lado A como um cover para "Hang the pope" da Nuclear Assault e o Lado B com um cover para "Convivência" da Cruel Face", que se encaixaram nuito bem com as demais faixas se integrando muito bem como se fossem composições da Surra nesse EP e acompanham o ritmo de velocidade e brutalidade que se observa por toda audição, vale ressaltar a parte gráfica do EP que ficou a cargo do canadense Tommy Wilson, que entregou uma arte que combina demais com a proposta grindcore apresentada durante as faixas.

Enfim, ouçam a banda e adquiram os materiais dos caras pra manter o lance vivo, o underground só sobrevive através do apoio de quem estáenvolvido, sou suspeito pra falar sobre o Surra, pois é uma das minhas bandas preferidas e desde que surgiram com o "Bica na cara" lá em 2013 se não me engano, sempre me deleito com os lançamentos que vieram enfileirando desde então, curtam essa porrada!!!


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segunda-feira, 8 de março de 2021

MUZZARELAS - BEER N' DESTROY (2021) - REVIEW BY MICROFONIA




MUZZARELAS


· Atividade: 1991 - 2020

· Origem: Brasil - Campinas-SP

· Álbum: Beer N' Destroy (2021)

· Gravadora: Monstro Discos

· Gênero: Punk Rock/Hardcore



O Muzzarelas esteve em atividade desde 1991, com diversos discos incríveis lançados ao longo de sua carreira que ganha sua saideira através de "Beer n' Destroy", derradeiro álbum póstumo dessa galera de Campinas-SP que assolou o underground com suas canções sobre cerveja, monstros, filmes B, e muito punk e hardcore!

Claramente uma grande perda para o underground o Muzzarelas encerrar suas atividades, mas o legado está aí e temos esse ótimo disco para prestigiar essa história foda! O disco abre com a faixa título que foi single do disco, que dá o cartão de visitas do que virá ao longo dos 32 minutos de gravação distribuídos em 14 faixas.

Antes de começar a audição eu já dei uma passada de olhos pelos títulos das músicas e me veio aquela sensação, faixas com essas alcunhas não tem como ser ruim meus amigos, vide "Shit fight", "Rat Buerger King", "Teenage Antichristh", "Fuck you, Gimme Beer, Let's Dance", "Stage invader"...

O disco é um tributo ao produtor Caio Ribeiro, falecido em 2018, grande amigo dos caras da banda, que agora após oito discos,  e quase 30 anos de atividades nos brinda com esse último registro que honra toda sua trajetória e ao mesmo tempo nos faz lamentar por ser o encerramento de uma história muito foda!!!

O disco é muito legal por inteiro, mas sem dúvidas nas primeiras audições que fiz do mesmo, as faixas que me saltaram aos ouvidos foram "Beer n' Destroy", "Every day is a holiday", "Shit Fight" e "In the beak of the crow", a capa é mais uma obra prima do mestre E.T.E, o disco foi gravado no Stage Recs Campinas e mixado e masterizado por Eurico Tavares, está disponível apenas em formato digital na sua plataforma de streaming preferida, por enquanto, a vai ganhar versão física em CD via Monstro Discos em breve.






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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Coletânea G.R.I.T.A. (Grabaciones Revolucionarias Independientes Totalmente Autogestivas) REVIEW MICROFONIA


G.R..I.T.A. é um compilado de bandas punk e hardcore da América do Sul, idealizado pelo Cepa da banda de hardcore argentina Turba Iracunda, que conta com a participação de várias bandas fodas do underground sul-americano!

Sempre tentamos incluir bandas em nosso trabalho que viessem de outros países além do Brasil, principalmente América Latina, e é com grande satisfação que tive contato com essa iniciativa que trás bandas de Argentina, Colômbia, Chile, Bolívia, Peru, Uruguai, Venezuela, Paraguai e Brasil!

Um puta choque de culturas, unidos em torno de uma paixão, fazer música de forma independente e fomentar a atitude do Faça Você Mesmo!

Então se você tem curiosidade de conhecer bandas e a cena punk/HC dos nossos vizinhos aqui na América do Sul, esta é uma grande oportunidade de ter contato com essa galera.

Participam da coletânea as bandas Turba Iracunda (Argentina), El Sagrado (Colômbia), Boca Braba (Brasil), En Guardia (Bolívia), Atentado (Chile), 9000 (Argentina), Cervical (Brasil), Malarrabia (Peru), Cadenazzo (Uruguai), Frente de Ira (Venezuela), Pariah (Colômbia), MDMA (Paraguai) e A.S.C.A. (Brasil).

O material está disponível para audição no Youtube, deixaremos o link para audição e pra quem quiser conhecer os trabalhos de cada banda individualmente, vale muito a pena sacar o trabalho pois as faixas apresentadas dão amostras que se trata de uma galera de responsa envolvida no projeto, na descrição do vídeo é possível acessar as redes sociais de todas as bandas envolvidas e seus respectivos trabalhos.



TRACKLIST:


BANDA: TURBA IRACUNDA (ARGENTINA) TEMA: SANGRE Y DOLOR (LP MADAFAKA)

BANDA: EL SAGRADO (COLOMBIA) TEMA: SOBREVIVIENTE (LP: EL CONSUELO DE LOS CAIDOS)

BOCA BRABA (BRASIL) TEMA: BALA DE CANHÃO (RESISTIR É COMPROMISSO)

EN GUARDIA (BOLIVIA) TEMA: MATAR O MORIR (LP: DE LA CALLE)

ATENTADO (CHILE) TEMA: RECHAZA (EP RECHAZA)

9000 (ARGENTINA) TEMA: 9000 (EP: La miseria de la Humanidad)

CERVICAL (BRASIL) TEMA: FABRICA

MALARRABIA (PERU) TEMA: GLASNOST (LP: ANTICONTAMINACIÓN)

CADENAZZO (URUGUAY) TEMA: CONTROL

RENTE DE IRA (VENEZUELA) TEMA: VAMOS CON MAS

PARIAH (COLOMBIA) TEMA: PREVALECE

MDMA (PARAGUAY) TEMA: TU AGONÍA

A.S.C.A (BRASIL) TEMA: VERMES ASSASSINOS

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #6 – MUKEKA DI RATO – CARNE (2007)


Quando pensamos em grandes entidades do hardcore brasileiro não podemos deixar de citar os caras da Mukeka Di Rato, com sua identidade única e forma singular de fazer música, destilando sempre muito humor ácido e sarcasmo em suas letras e a forma escrachada com que sempre fizeram tudo, nunca se levando tão a sério mas ao mesmo tempo tecendo críticas ferrenhas e com um posicionamento claro desde sempre!

Os caras tem uma discografia de respeito e eu poderia citar outros discos nessa sessão que não fosse o “Carne”, porém alguns fatores me levaram a tal escolha, primeiramente é o disco que marca a volta do Sandro aos vocais da banda, segundo ponto que vale ressaltar é o lançamento do disco pela Deckdisc que tem uma estrutura de major, então é curioso ver o Mukeka no meio do cast da gravadora, terceiro e principal fator, conheci a banda através deste disco, após ver o clipe de “Rinha de magnata” na programação da MTV, na época já ouvia bastante coisa extrema no underground, mas a irreverencia da banda é um diferencial muito grande, é tosco, pesado, veloz e abordava as coisas de uma forma que eu ainda não tinha visto até então.


“Carne” trás em suas 14 faixas o aperfeiçoamento de uma fórmula que o próprio Mukeka já havia criado e evoluído em “Pasqualim na terra do Xupa-Cabra” (1997) e “Gaiola” (1999), que aqui ganhou uma roupagem mais bem produzida por Rafael Ramos, a gravação e a mixagem ficaram a cargo de Jorge Guerreiro no Estúdio Tambor e a masterização por Ricardo Garcia no Magic Master, ambos no Rio de Janeiro, com as ilustrações feitas pelo Ete e o projeto gráfico do disco pelo Valsa.

Basicamente depois de 13 anos do lançamento (O disco faz aniversário de lançamento em 06 de agosto), não há dúvidas de que se trata de um clássico do underground nacional e temos aqui várias faixas que já nasceram clássicas do estilo, começando pela já citada “Rinha de magnata”, seguida de “Jogo do bicho” e a melhor faixa deste disco na minha humilde opinião, “Cachaça”, que é um cartão de visita, mostre essa música para alguém que você queira resumir o que é o estilo do MdR, está tudo lá! Além dessas sem dúvidas merecem menção honrosa aqui as velozes, “Animal” e “Enxurrada” e a levada cheia de groove de “Produtos Químicos Eletrodomésticos”.

Não há dúvidas, um grande disco da galera de Vila Velha que no momento passa por um hiato, seu último lançamento foi o ep nervoso “Hitler´s Dogs, Stalin´s Rats” (2014), vamos torcer pra que o Sandro, Mozine, Brek e Paulista se reúnam pra um novo atentado o quanto antes e pra finalizar quero deixar aqui um trecho da resenha de Ricardo Tibiu feita em 2007 e que é usada como descrição do disco na loja da Läjä do próprio Mozine: “...Mukeka di Rato é hardcore, mas de um modo diferente. De palito de dente no canto da boca, não de franja e roupinha descolada. De chinelo de dedo, não de coturno. Sem dedo na cara – isso não faz o tipo deles, que estão mais para personagens folclóricos “feios” que Monteiro Lobato deixou de fora de sua obra...”.



Mukeka Di Rato - Carne (2007)

Tracklist:

 01. Frações, Refrações e Proporções

 02. Animal

 03. Rinha de Magnata

 04. Enxurrada

 05. Produtos Químicos Eletrodomésticos

 06. Borboleta Azul

 07. Voltar a Viver

 08. Você é Você!

 09. Jogo do Bicho

 10. Pedro e Alfa

 11. T. G. E

 12. Vencer na Vida

 13. Cachaça

 14. Carne


Redes sociais da banda:


Ouça em:

https://open.spotify.com/artist/2WEABapGGzYET6Dq5tmIDi?si=u0SiYh-_SzCE9R6rSUw64A

Adquira material da banda:


terça-feira, 4 de agosto de 2020

ASFIXIA SOCIAL - SISTEMA DE SOMA (2020) - REVIEW MICROFONIA



Na estrada desde 2007, a Asfixia Social é uma banda ímpar, pratica uma sonoridade que não facilita para quem gosta de colocar rótulos, são vários ritmos e estilos numa fusão que torna tudo muito interessante, coloque o hip hop, punk, hardcore, dub, reggae, jazz, ska e temos uma ideia do que é essa banda, música de quebrada, para as quebradas, como já fora dito no seu disco anterior, "Da Rua, Pra Rua", seu último full album de 2011.

Foi criada uma grande expectativa para esse novo disco dos caras, com o lançamento de vários singles que davam amostras de que eles elevariam o nível da fórmula utilizada em seu último lançamento, acentuando ainda mais a diversidade musical e cultural da banda em faixas recheadas de participações pesadas, que somaram e muito a sonoridade apresentada em "Sistema de Soma".

O título justifica muito bem a sonoridade do disco, pois todos que contribuíram enriqueceram muito a música da Asfixia, GOG, DJ Tano, Funk Buia, Karen Santana, Mao(!), etc. Vários nomes que se uniram pra entregar mais um grande lançamento desse confuso ano de 2020.

Ouço o som dos caras desde 2011 e é uma imensa satisfação poder conhecer suas novas composições e perceber que mantiveram a pegada de sua veia criativa, soltando mais disco sensacional, com faixas que marcam de cara em sua primeira audição, sempre recomendo que se ouça um disco por completo, pra se ter uma visão do trabalho como obra única, mas sem dúvidas, desde o seu lançamento como single eu já destacaria a incrível "A cara do inimigo", que desde o seu lançamento já está na nossa playlist no Spotify, Raízes Fortes também dá as caras mostrando toda diversidade sonora da banda de uma pegada cadenciada de dub/reggae pra uma pegada hardcore, "A quebrada constrói" não nada mais e nem menos que uma música sensacional, com sua levada hipnotizante e mudança de ritmo que se encaixa com precisão, nem vou me estender mais porque poderia dizer algo positivo sobre o disco todo!

Basicamente já entra pesado como um dos integrantes de minha lista de melhores discos de 2020, vale ressaltar que será realizado em Setembro o lançamento do Livro + CD "Sistema de Soma" em sua versão física, já disponível pra venda no site da banda, contribuam para o desenvolvimento do underground adquiram lá pra fortalecer esse trampo sensacional!




SITE OFICIAL/LOJA


BANDCAMP


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quinta-feira, 23 de julho de 2020

DEAD LIVE (MANAUS-AM)



Sempre válido observar que num país de dimensões continentais existe uma diversidade cultural imensa e que as coisas não acontecem somente no eixo Sul-Sudeste, por isso temos diversas cenas produtivas e cheias de bandas foda.

Vou um pouco mais além, o norte e o nordeste do Brasil quando se fala de underground são hoje referências, o tempo todo surgem novas bandas com trabalhos incríveis vindas dessas regiões!

 Hoje gostaria de falar sobre uma banda de um gênero que aprecio muito, que é o Horror Punk, que tem uma cena fortíssima com bandas espalhadas por todo país, mas vamos focar especificamente em uma banda de Manaus-AM, a Dead Live.

Formada no começo de 2015, a Dead Live é composta por Jefferson Carneiro (Vocal e Guitarra), Benediction Açougueiro (Baixo), Dirley Velinho (Bateria) e Cristian Oliveira (Guitarra), os caras vem com a proposta de fazer um som totalmente voltado ao horror punk e suas temáticas convencionais, que possuem uma fonte inesgotável de temas que quem é fã do gênero se amarra, violência gore, zumbis, apocalipse, muito sangue e vísceras pra embalar as composições!


A banda possui três discos de estúdio e um ao vivo lançados até aqui, "Mortos Vivos" (2016), "Bar from Hell" (2017), "Manicômio" (2018) e o ao vivo gravado no Garage Sounds lançado também em 2018, todos discos de estúdio gravados, mixados e masterizados pelo guitarrista e vocalista Jefferson Carneiro, que manda muito bem no trabalho de produção dos albuns, as artes das capas dos discos ficaram a cargo de um cara que acredito que quem é da cena conheça muito bem, Daniel Ete (Muzzarelas), que é perito em entregar artes que ilustram muito bem o universo do Horror Punk.




Falando um pouco mais sobre o som dos caras, vale observar que principalmente no seu último lançamento, "Manicômio" há um flerte com o metal, perceptível na rifferama que os caras despejaram nas composições, até mesmo a sonoridade desse disco me chamou a atenção pelo peso, destaque para a cozinha brutal dos caras, impondo muito mais peso a sonoridade e fazendo a camada de base para as guitarras da banda, o vocal de Jefferson Carneiro é outro ponto muito legal, um timbre diferente, canta de uma forma única e bem particular que se fundiu muito bem com a sonoridade.

Enfim, conheçam os sons dos manauaras da Dead Live, eles estão em todas plataformas de streaming e com certeza o som dos caras irá acertá-los em cheio!!! Abaixo seguem os links onde será possível acessar o trabalho da banda, sigam, curtam e compartilhem os trabalhos das bandas e se puder comprem os materiais, assim poderemos dar o suporte para a cena e as bandas sobreviverem em meio a esse caos!!!


 FACEBOOK:https://www.facebook.com/DeadLiveHorrorPunk/

INSTAGRAM: https://www.instagram.com/deadliveoficial/

BANDCAMP: https://deadlive.bandcamp.com/

SPOTIFY: https://open.spotify.com/artist/74glFGD5ZD7Aja6DgxuZeL?si=gterRy-DSDuETHZqIyKsaQ

 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

QUARENTENA MICROFONIA - 5 DICAS DE DOCS SOBRE MÚSICA

Atravessamos um difícil momento em que essa pandemia nos força a permanecer em nossas casas pelo bem do coletivo, testando nossa sanidade mental e capacidade de nos entreter com algo sem sair pra qualquer lugar, pra isso, temos um grande auxilio da internet, já que existe uma vasta gama de conteúdos a serem explorados, nem tudo obviamente é interessante ou oferece algo positivo, porém, há sim uma grande quantidade de coisas boas pra conhecer e disseminar, então hoje o Microfonia gostaria de trazer algumas dicas de documentários sobre a rica cena underground brasileira que valem a pena ser assistidos! A jogada aqui é que de certa forma essas dicas tem alguma ligação entre si, o principal fator de ligação, o movimento punk brasileiro! Então espero que curtam!


VIVA VIVA - BRASIL PUNK

Documentário dirigido pela Carolina Pfister, de novembro de 2014, traz uma visão da cena punk de SP, apresentando um choque de gerações, com depoimentos de músicos que participaram do ínicio do movimento em meio a ditadura até o surgimento e popularização do Straigh Edge na década de 90, expondo os vários pontos de vista de atores dessa cena, desde o movimento dentro da periferia e todas a dificuldades e limitações, passando pela visão feminina do negócio, que foi bastante excluída na construção do movimento, e com bandas mais contemporâneas do movimento.
Aparecem no documentário Ratos de Porão, Inocentes, Dominatrix, Ruína, Invasores de Cérebro, No Violence, Restos de Nada, The Dealers, Fato Expressivo, Pátria Odiada, Infect, I Shot Cyrus, Point of No Return, Constrito entre outros.





BOTINADA (A ORIGEM DO PUNK NO BRASIL) 

Dirigido pelo grande Gastão Moreira, esse é o mais completo documento sobre a cena punk brasileira, traz um relato histórico, contado pelas pessoas que construíram o negócio desde o seu inicio, vai fundo nos primórdios do movimento e basicamente nos entrega uma página da história da música brasileira, a bagagem musical do diretor desse doc já fala por si só, então não vou me aprofundar muito pra explicar que esse é o retrato mais completo que você poderá ver sobre o tema e deixo a frase de Chico Buarque que dá início ao vídeo: "Se punk é o lixo, a miséria e a violência, então não precisamos importá-lo da Europa, pois já somos a vanguarda do punk em todo mundo"






Que Esse Grito Não Seja em Vão! Tributo ao Cólera


Dirigido por Raphael Ericshen e Tiago Berbare, esse na realidade é um tributo ao grande Redson Pozzi, é inegável a importância do cara como um dos pilares da criação e solidificação do movimento punk em seu início, o Cólera é como a gênese de tudo, um cara que sempre esteve a frente de seu tempo, primeira banda a levantar uma bandeira, sobre pacifismo, sobre preservação do meio ambiente, então aqui nesse mini-doc, é uma homenagem ao grande ícone que acabou nos deixando precocemente, em setembro de 2011 aos 49 anos, com depoimentos de Clemente (Inocentes), João Gordo e Jão (Ratos de Porão), Nenê Altro (Dance of Days), Antônio Bivar entre outros, prestando tributo e resgatando lembranças e opiniões sobre a banda, sobre a figura icônica que foi o líder do Cólera!






GUIDABLE - A VERDADEIRA HISTÓRIA DO RATOS DE PORÃO

Ao lado de Cólera, Restos de Nada e Inocentes, o Ratos de Porão é uma das mais importantes bandas do movimento punk brasileiro e também mundial, é inegável a contribuição e participação que a banda teve na criação e consolidação até mesmo de outros generos, como o hardcore e o crossover, sendo taxada até de traidores do movimento por terem flertado com o metal que na época não se misturava com o punk, aqui temos os próprios integrantes contando a história da trajetória do grupo ao longo de seus até então 25 anos de carreira.
Descontraído e com depoimentos muito divertidos ao londo das 2 horas de vídeo, os diretores Fernando Rick e Marcelo Apezzato conseguiram compilar nesse documentário um dos melhores e mais completos registros desse formato, sendo você fã ou não da banda, vale como uma forma de ver como a história da banda se confunde com a história do movimento punk brasileiro num primeiro momento e como mais tarde os caras se envolvem com a galera de Minas que vinha fazendo acontecer outra história que não cabe aqui mas que se entrelaça devido a amizade com o Sepultura.
A versão física do material é em DVD duplo, logo esse video traz as duas horas de doc, mas no outro DVD há mais de seis horas de extras, item de colecionador, e um pedaço da história do underground nacional!






30 ANOS CRUCIFICADOS PELO SISTEMA

Conversando com nossa penúltima dica de doc, aqui temos o registro dos 30 anos de Crucificados pelo sistema, primeiro álbum completo de uma banda de hardcore na América Latina, faixas que se mantém clássicas e atuais ao mesmo tempo, esse disco tem uma enorme importância histórica, sem dúvidas, sempre citado quando falamos dos primórdios do punk brasileiro e sul-americano, aqui há os depoimentos e reunião de todos os integrantes originais da banda, Jão, Mingau, Gordo e Jabá, responsáveis pelo registro do álbum e explicam o cenário e as condições em que tudo foi concebido, além de outros ícones do punk que fizeram parte disso, como o Ariel, Redson Pozzi, Fábio Olho Seco, Clemente dos Inocentes, entre outros, o Ratos fez alguns shows comemorativos com a formação desse disco para comemorar as três décadas desse petardo, vale demais ouvir cada depoimento e como abordei de início, com esses documentários, dá pra ter um grande panorama do movimento, aproveitem o isolamento social e enriqueçam o HD de vocês!!!







*BÔNUS (SHOW COMEMORATIVO 30 ANOS DE RATOS DE PORÃO)

Como combinado foi entregue nossas cinco dicas de docs sobre música pra melhorar a sua quarentena nessa maldita pandemia, no entanto gostaria de deixar esse registro que tem tudo a ver com nossas últimas dicas, esse show trás todos os membros que fizeram parte do Ratos ao longo de sua história, executando em ordem cronológica músicas de toda a carreira da banda com seus integrantes originais, show antológico que fica como dica bônus amigos!!! Não é documentário, mas um show que apresenta todas as fases da banda em forma de música, ou seja, é a história do RDP tocada por que a escreveu, foda demais!!!





segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

ENTREVISTA LEANDRO FRANCO (ASTEROIDES TRIO)

Hoje nosso papo é com o Leandro Franco, batera e vocal na Asteroides Trio, cartunista e arquiteto, com traço de estilo próprio, não é difícil localizar algum trabalho do cara por aí, já realizou trampos para Nervochaos, Supla, Ossos Cruzados, Punkzilla, entre outros nomes da cena e aqui nos conta um pouco de sua trajetória entre palcos e estúdio de animação, confiram!!!





Fala Leandro, obrigado por falar com Microfonia, primeiramente gostaria de saber como se iniciou sua trajetória como cartunista?

Trabalhei durante muitos anos no Diário de Guarulhos, desde a década de 90 faço charges. Passando pelo governo, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer e agora Bolsonaro. Fiz charges para a Folha de Cianorte no Paraná também. No começo dos anos 2000 fazia quadrinhos para a revista Buttman. Atualmente estou mais focado em animações.

Você tem um estilo bem particular, quando vejo animações de clipes que você fez por exemplo já dá pra sacar que é você a pessoa por trás do projeto, quais foram suas principais influências no desenho?
Daniel Azulay, Laerte, Angeli, Glauco, Robert Crumb, Matt Groening,Tex Avery, Daniel E.T. entre outros.

A música e os cartoons tem tudo a ver, é sempre bacana ver as bandas lançando clipes em desenho, quais clipes nesse formato que você considera indispensáveis pra quem curte a junção dessas artes?
Acho fantástico :
- Ghost of Stephen Foster - Squirrel Nut Zippers
-About To Crack - Vitamine X

Como foi a participação no Anima Mundi em 2018 e como você recebeu a notícia de que seu trabalho com Stereo Bago Team, “Baseado”, havia sido selecionado para participar do festival?
Fiquei muito contente em ter um dos meus trabalhos escolhidos. Haviam muitas produtoras e animadores renomados no Brasil e internacionalmente. Serviu como estímulo para conquistar outros prêmios.

Poderia nos contar como foi desenvolvimento do trabalho de “Deixe em paz o jumento”, de Eline Bélier e Maga Lee, que foi premiado no festival Green Nation?
Trabalho em parceria com a Eline Bélier já faz um tempo. Devo ter feito uns 5 clipes para ela, todos em prol da causa animal. Geralmente ela me passava um roteiro pré-definido do clipe, mas nesse pedi para ela me deixar mais por minha conta, inclusive a parte estética que foi inspirada em literatura de cordel. No decorrer do processo, ela também participou do roteiro. Ficamos muito felizes com o resultado e com a premiação. Levamos dois prêmios, votação pelo júri oficial e pelo público.

O trabalho mais recente que você desenvolveu de que tive conhecimento foi com a banda Ossos Cruzados, produzindo o clip-e da faixa de “Palhaços Assassinos do espaço sideral”, como foi que rolou essa parceria com o pessoal de Taboão da Serra?
Conheço o vocalista André Honorato já faz alguns anos, inclusive já tocamos juntos em algumas ocasiões. Estou sempre fazendo trabalhos com o Ossos Cruzados, clipes, animações. Fico feliz em fazer parte da história da banda, que vem se destacando cada vez mais.

Seu trabalho com a música vai além dos clipes para os mais diversos artistas, você é baterista e compositor na Asteróides Trio, poderia nos contar um pouco mais sobre a banda? E como surgiu a paixão pelo Rockabilly?
Começamos com o Asteroides em 2006 na cidade de Arujá. Antes disso, já tocávamos em banda de punk rock nos anos 90. Mas tocávamos somente na região do Alto do Tietê, raramente íamos ao centro de SP. Na época que montamos a banda eu frequentava um fórum na internet chamado “Fórum Psychobilly”, onde participavam pessoas do Brasil inteiro ligadas ao psychobilly e rockabilly. Ali conheci coisas como Catalépticos, Ovos Presley, Crazy Legs, Big Trep, etc. Comecei a frequentar as festas e conhecer a galera das antigas, tipo o Ivan, o Éric Von Zipper, aí tomamos gosto pela coisa. Mas nunca abandonamos o punk rock.

E quantas andam os tralhados com a Asteroides Trio neste momento? Existe algum projeto em andamento pra novos sons, um novo disco?
O último trabalho registrado em CD e nas plataformas digitais é o Geração Drosophila Melanogaster, que conta com a participação do Gabriel Thomaz do Autoramas. Temos novidades para 2020, mas ainda estamos no processo de composições de novas músicas.



Gostaria que nos contasse mais sobre a música “Não a intolerância (Larissa)”, parceria com General Sade que trata sobre o drama da trans Larissa Rodrigues, 21 anos, morta a pauladas na Zona Sul de São Paulo. Antes é claro gostaria de parabenizar a banda pela inciativa em combater a intolerância e o preconceito e incentivar a diversidade.
Eu tenho ficado muito triste com os rumos que o Brasil está tomando. O mal sempre existiu, mas agora temos uma pessoas na cadeira de presidente que emana essa energia ruim aos seus seguidores. A música eu fiz após ler a notícia do assassinato. Eu fiquei realmente muito mal e queria colocar aquilo para fora de alguma forma. Então tive a ideia de chamar o General Sade para participar conosco, por ser um artista performático e talentoso.

Quais são as principais inspirações para o Leandro Franco quando o assunto é música?
No começo da banda eu me inspirava muito em histórias em quadrinhos. Hoje em dia, a hora é de falar dos problemas sociais. Atualmente nos inspiramos muito mais no punk. Na parte instrumental, nossas influências vão desde Chuck Berry, Restos de Nada à Hank Willians.

Asteroides Trio vai tocar no Psycho Carnival 2020 em CWB, ao lado de várias bandas fodas de todo o país, como estão as expectativas pra esse rolê?
É sempre um prazer ter a oportunidade de participar desse festival. Já temos um história em comum com essa galera. Tem muita gente legal no Paraná, nem todo mundo lá é Sérgio Moro. Tenho muitos amigos de bandas pro lá. O Vlad Urban, Neri, Bruno do Psycho Daime, entre outros. Muita gente legal, bandas nacionais e internacionais. Recomendo para todos. 



Mudando um pouco de assunto, você é um cara de diversas facetas e também é arquiteto, ainda exerce a profissão? E o que você curte mais entre todos esses trampos? Ou qual a melhor e a pior parte da cada uma dessas atividades?
Atualmente estou vivendo da minha arte, trabalhando em vários projetos de animação, ilustrações e tocando aos finais de semana. Quando a coisa aperta, corro para os escritórios de arquitetura. Tenho muito amigos na área. Atualmente o mercado está uma merda, os motivos não preciso nem comentar. Já trabalhei em diversos escritórios, desenvolvendo projetos residenciais, comerciais, paisagismo. Meu último trabalho temporário foi num hospital fazendo parte de “as built” de hidráulica e elétrica. Enfim, eu topo qualquer coisa para pagar as contas, menos tentar passar a perna nos outros. O que eu gosto mais da arquitetura é sobre a sua história, os estilos arquitetônicos. Mas sou mais um profissional de mercado.

Leandro, gostaria de agradecer pelo cedido pra falar com a gente e reservar este espaço pra mandar o seu salve como bem entender! Valeu!!!
Muito obrigado pela oportunidade! Sigam os Asteroides!