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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

5 DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA #4


Como havíamos prometido, o capítulo 4 de nossa sessão "5 discos que mudaram minha vida" chegou, e nossa convidada de hoje é Fabrina Valverde, vocalista da banda de Stoner/doom metal, Weedevil! Quem quiser conhecer mais do trabalho dela como vocalista pode conferir a entrevita que fizemos recentemente, deixaremos o link no final da matéria, mas hoje ela veio até aqui pra falar pra vocês quais foram alguns dos discos que marcaram sua trajetória até aqui, parafraseando o que ela mesma disse, são cinco discos que ela acha foda, pois é realmente muito difícil listar só cinco, mas o desafio é realmente este (hehehe)! Sem mais delongas, vamos conhecer quais foram as escolhas de Fabrina logo menos! Obs: atenção pois, é uma lista, mas não está na ordem, porque aqui Caos é Ordem! (Palavras da criadora desta lista)




1- Worship Music- Anthrax, não tem uma música ruim nesse álbum, é daqueles de se ouvir repetidas vezes, "The Devil You Know" é a minha nº. 1 dele.




2- Sabbath Bloody Sabbath- Black Sabbath- meu álbum favorito de todos os tempos, embora Melvins seja minha banda do coração, esse do Sabbath está numa posição de destaque, não é à toa que suas letras começaram a ser escritas em um castelo rs, sem dúvida ele foi estruturado com um peso extra, já característico da banda, que acrescentou sons de sintetizadores que deram um tom um tanto progressivo para algumas das músicas. Ficou na medida.




3- Grand Funk Railroad - E Pluribus Funk- Mark Farner, é sem dúvida meu vocalista favorito da vida, minha maior inspiração, que voz!! eu amo essa mistura de blues, funk e rock !!




4- In Rock- Deep Purple- atenção a Child in time, que teclado foda!!, ação e reação é a sua fala? esse álbum fala muito disso em suas letras, eu admiro muito o Ian Gillan, seja a sua voz seja a sua interpretação, posicionamento no palco que estava no auge da psicodelia 70s, é um clássico e bem viajado. 


5- Houdini- The Melvins- pra quem curte um som cru, sem retoques, daqueles que tu coloca pra tocar nos dias de ódio puro, Melvins é assim bate e volta, cada música um soco na cara, além das capas que sem dúvida são bem características, excêntricas.


ENTREVISTA WEEDEVIL



OUÇA A WEEDEVIL



CURTA E SIGA A WEEDEVIL


terça-feira, 4 de agosto de 2020

ASFIXIA SOCIAL - SISTEMA DE SOMA (2020) - REVIEW MICROFONIA



Na estrada desde 2007, a Asfixia Social é uma banda ímpar, pratica uma sonoridade que não facilita para quem gosta de colocar rótulos, são vários ritmos e estilos numa fusão que torna tudo muito interessante, coloque o hip hop, punk, hardcore, dub, reggae, jazz, ska e temos uma ideia do que é essa banda, música de quebrada, para as quebradas, como já fora dito no seu disco anterior, "Da Rua, Pra Rua", seu último full album de 2011.

Foi criada uma grande expectativa para esse novo disco dos caras, com o lançamento de vários singles que davam amostras de que eles elevariam o nível da fórmula utilizada em seu último lançamento, acentuando ainda mais a diversidade musical e cultural da banda em faixas recheadas de participações pesadas, que somaram e muito a sonoridade apresentada em "Sistema de Soma".

O título justifica muito bem a sonoridade do disco, pois todos que contribuíram enriqueceram muito a música da Asfixia, GOG, DJ Tano, Funk Buia, Karen Santana, Mao(!), etc. Vários nomes que se uniram pra entregar mais um grande lançamento desse confuso ano de 2020.

Ouço o som dos caras desde 2011 e é uma imensa satisfação poder conhecer suas novas composições e perceber que mantiveram a pegada de sua veia criativa, soltando mais disco sensacional, com faixas que marcam de cara em sua primeira audição, sempre recomendo que se ouça um disco por completo, pra se ter uma visão do trabalho como obra única, mas sem dúvidas, desde o seu lançamento como single eu já destacaria a incrível "A cara do inimigo", que desde o seu lançamento já está na nossa playlist no Spotify, Raízes Fortes também dá as caras mostrando toda diversidade sonora da banda de uma pegada cadenciada de dub/reggae pra uma pegada hardcore, "A quebrada constrói" não nada mais e nem menos que uma música sensacional, com sua levada hipnotizante e mudança de ritmo que se encaixa com precisão, nem vou me estender mais porque poderia dizer algo positivo sobre o disco todo!

Basicamente já entra pesado como um dos integrantes de minha lista de melhores discos de 2020, vale ressaltar que será realizado em Setembro o lançamento do Livro + CD "Sistema de Soma" em sua versão física, já disponível pra venda no site da banda, contribuam para o desenvolvimento do underground adquiram lá pra fortalecer esse trampo sensacional!




SITE OFICIAL/LOJA


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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

ENTREVISTA MADDIBA

Maddiba foi formada em 2016 com a intenção de fazer um som que mesclasse rap, hardcore e thrash metal, com influências de Beastie Boys, N.W.A, Hatebreed e Suicidal Tendencies os caras jogaram na praça em 2017 o EP "Ayanada" com três faixas sensacionais, se mostrando uma banda criativa e de muita personalidade, som pesado e cheio de groove e que agita a gente de cara! Agora em 2020 os caras estão prestes a lançar o single de seu novo disco, "City of SA", que vai pro ar em todas plataformas amanhã e vocês podem sacar um pouco mais sobre tudo isso na entrevista que fizemos com os caras a seguir!!!



Fala galera, obrigado por falar com o Microfonia, gostaria de começar falando sobre o futuro, visto que dentro de alguns dias vocês vão lançar o primeiro single de seu novo disco que vem aí, o que a galera que acompanha o trabalho da banda pode esperar da sonoridade deste novo trabalho?

Maddiba: Primeiramente obrigado a vocês pelo convite. Referente ao novo trabalho, podemos falar que é o nosso primeiro Full Álbum (com 11 músicas) a ser lançado após o nosso EP de 2017 Ayanda, estamos muito ansiosos para esse lançamento e a galera pode esperar que a banda, além de misturar Rap com Hardcore, também “viajamos” um pouco e fomos buscar influências em sons de Reggae, SKA e até sons do Nordeste Brasileiro, para somar com o peso do hardcore.

O single vai se chamar “City de S.A.” em alusão a cidade em que cresceram, Santo André-SP, vocês continuarão com as letras em inglês nesse single e nos demais sons que virão no novo disco? Porque razão optaram por compor nessa língua? Pretendem fazer algo em português? 

Maddiba:Sim, nesse nosso novo trabalho todas as letras são em Inglês. Um dos principais motivos foram as bandas que nos influenciaram, principalmente o Beastie Boys. E, antes da Maddiba nascer, nós já tocávamos em bandas que as composições eram em Inglês, então nesse momento a nossa fórmula de composição acaba sendo nessa língua. 
Mas temos sim a pretensão de fazer algo em português futuramente. Até lá, vamos fazer alguns experimentos nos ensaios. 



O título do disco será “Santo André”, além das razões óbvias pra esse título que já foram ditas, existe algum conceito a mais nas composições que os levaram a esse nome para o trabalho?

Maddiba:O single City of S.A. é uma homenagem, junto com o nome do álbum, a cidade de Santo André. Na letra são destacados pontos falando da sua história, da sua natureza, dos moradores e principalmente do quanto gostamos dessa cidade.
Mas analisando o álbum Santo André no geral, em cada uma das letras nós abordamos situações que acontecem no mundo ou até situações pessoais, tentando passar alguma mensagem positiva para as pessoas acreditarem que, por pior que seja a situação que você está passando, sempre existe uma saída para o lado do bem.

Cristiano Suarez foi o responsável por fazer a arte da capa do single, ele fará a capa do disco novo também?

MaddibaNós já gostávamos muito do trabalho do Cristiano e ter uma arte dele foi uma experiência incrível. De início aquela seria a capa do álbum, porém quando finalizamos o clipe de City of S.A, nós gostamos tanto que acabamos optando por aquela ser a arte da capa deste single, pois a referência para o desenho foi tirada de um frame do Clipe (SPOILER rsrs). Para os outros singles que serão lançados e também para o álbum, teremos o trabalho de outros grandes artistas que vão ser revelados em breve.

De que forma rolou o processo de composição deste novo trampo e como a pandemia afetou ou até mesmo influenciou nessas faixas que estarão nesse disco novo?

MaddibaTodas as músicas deste novo álbum, com exceção de Save Yourself e City of S.A, já estavam 70% prontas desde o lançamento do EP Ayanda em 2017. Mas foi só no início de 2019 que decidimos criar as 2 músicas citadas para somar no disco e então depois focar 100% da gravação desse play.
Podemos falar que a pandemia serviu para focarmos totalmente no processo de mixagem e masterização do Santo André, mas também resultou em novas composições nesse tempo que ficamos trancados em casa. Já temos algumas ideias prontas para um próximo disco que serão executas em estúdio muito em breve.

Junto ao lançamento do single, será lançado também o videoclipe da faixa, quem produziu o vídeo e como funcionou essa produção?

MaddibaO clipe foi produzido e dirigido pelo Samuel Dias (Jinga Produtora) juntamente com a banda. Nós já havíamos trabalhado com ele no nosso primeiro clipe “Against You All” e gostamos muito do resultado final.
No clipe de City of S.A. decidimos mostrar a nossa cidade, então podemos ver trechos urbanos, o centro da cidade, alguns locais marcantes, junto com momentos de área verde da região de Paranapiacaba por exemplo. 
Para as cenas em que aparecemos tocando, conseguimos realizar as filmagens no topo de um prédio localizado próximo ao centro da cidade. Fizemos vários takes legais, inclusive utilizando Drone.  Vale lembrar que deu um trabalho enorme subir com os equipamentos lá em cima rsrs.

Vamos falar um pouco sobre a história da banda? Como foi que vocês se reuniram pra formar a Maddiba, de que forma chegaram a esse nome pra batizar a banda e como foi que rolou a construção dessa sonoridade ímpar de suas músicas?

MaddibaAntes de montarmos a banda, nós já éramos amigos. O Tchel (vocal e Guitarra) e o Lucas (DJ e Baixo) tocavam em uma banda de Thrash que ensaiava no Rising Power Estúdios em Santo André. Nessa época o Pigmew (Bateria) trabalhava e morava neste estúdio. Então com o passar do tempo, o Tchel decidiu sair desta banda e teve a ideia de montar um projeto de Rap. Essa vontade foi alinhada com o Lucas que também já era muito fã do estilo, foi então que depois de muita conversa, decidiram montar um grupo que misturasse o Rap com Thrash/Hardcore. Como já eram muito amigos do Pigmew decidiram convida-lo para batera.
O nome foi algo muito difícil de ser decidido, pensamos em várias coisas, mas nada que agradasse a todos. Então no início de 2017, o Tchel teve a oportunidade de conhecer a África do Sul, nessa viagem ele visitou os museus que contam a história do Apartheid e foi até a casa onde morou Nelson Mandela. Estando lá e vivendo tudo aquilo, ele foi tomado por uma energia incrível, e viu que gostaria muito que o nome da banda fosse ligado a algo que lutasse contra todo o tipo de discriminação Racial, ou qualquer tipo de preconceito, então um morador local comentou com ele que chamavam o Nelson Mandela de Madiba por lá. Sendo assim, quando retornou para o Brasil, ele nos contou toda essa experiência incrível e todos toparam de cara que o nome da banda fosse Madiba, porém incluindo um “D” a mais para não ter problemas de diretos autorais.
Nas composições foi feito algo planejado, decidimos que não iriamos fazer a parte do RAP junto com as guitarras e a bateria, queríamos algo literalmente separado. Então, todas as músicas tem o momento em que a banda para e fica somente o Lucas soltando os Beats do Rap e os 3 cantando. Mas na mesma música, em um momento estratégico, a banda entra na parte hardcore com guitarra, baixo e bateria. Essa é a fórmula básica do nosso estilo de compor.

Se tivesse que explicar a sonoridade da Maddiba citando apenas as referências e influências da banda, vocês diriam que são a mistura de que?

MaddibaBom, é um pouco complicado por que literalmente ouvimos de tudo. Mas no geral creio que podemos definir que somos uma mistura de Beastie Boys com Suicidal Tendencies versão Santo André rsrs.

Com o lançamento do novo disco, como vocês pretendem realizar a divulgação do trabalho sem shows? Existe de uma possibilidade de uma live executando essas faixas?

MaddibaSim, cremos que nesse momento estão todos muito antenados mais do que nunca nas redes sociais, então vamos trabalhar o lançamento ONLINE de todo o material (singles, clipe e álbum) visando trazer a galera para nosso mundo e também despertando a curiosidade de verem como a banda funciona ao vivo, para que quando voltar a rolar os shows, a gente possa sair em turnê divulgando esse trabalho. Mas enquanto isso, estamos sim estudando a possibilidade de realizar uma Live executando o álbum na integra.

Mantendo nosso tradicional pedido nas entrevistas, quais seriam os cinco maiores álbuns de todos os tempos segundo a Maddiba?

Maddiba:
Check Your Head – Beastie Boys
Brasil – Ratos de Porão
Sobrevivendo no Inferno – Racionais MC’s
Split Image – Excel
Non Ducor Duco - Kamau

Pra finalizar gostaria de deixar esse espaço pra que mandem seu salve como desejar, obrigado pela entrevista e muito sucesso pra vocês!

MaddibaMais uma vez gostaríamos de agradecer vocês pelo espaço e pela oportunidade de contarmos um pouco sobre a nossa banda. Também agradecer a todas as pessoas que estão ajudando a divulgar nosso trabalho e desejamos que todos fiquem bem nesse período difícil que estamos passando. Se cuidem! Em breve nos vemos nos shows! Um grande abraço e tudo de bom a todos. Nós somos o Maddiba, de Santo André!





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sábado, 1 de agosto de 2020

ENTREVISTA MÖRBIDEZ

Uma das gratas surpresas que tive nesse ano de 2020, foi esse lançamento da Mörbidez. "Sob o signo de Belial" é o debut desta one man band de Vitória-ES, que nos brinda com uma sonoridade que parece ter sido retirada de uma antiga tumba e ofertada a nós amantes de metal sujo e blasfemo. Surgida sem grandes pretensões a Möbidez chamou atenção pela forma que fez a divulgação do trabalho em suas redes sociais dando uma aura maldita ao lançamento que se confirma durante sua audição, falamos com o homem por trás de todo o conceito apresentado e abaixo você confere o que ele tem a dizer!



Primeiramente gostaria de agradecer por falar com o Microfonia, e pra começar saber, quem é a mente por trás da Mörbidez e como começou seu envolvimento com o metal?

Adriano Simões: Essa pergunta deve ser feita à minha psiquiatra…estamos ainda tentando entender essa mente! Brincadeiras à parte, não sei bem como responder isso, então vou focar na questão do metal. Acredito que minha primeira memória relacionada ao rock e metal foi quando ouvi na infância o School’s Out, do Alice Cooper. Eu não entendia ainda o que eram os instrumentos, nem que aquele som era de uma guitarra distorcida, então foi o estímulo mais puro que pude sentir com música. A partir dali, muito criança e sem entender o que era aquilo, cresci buscando aquela sensação de novo em outras músicas, até ter idade suficiente para perceber e distinguir o que era aquilo. Então vieram Metallica, Judas Priest, Accept, e na adolescência começaram a aparecer as bandas mais extremas, Autopsy, Benediction, Slayer e Celtic Frost. Nesse período veio a atração pelo lado mais escuro da coisa, que ajuda a questionar o mundo que foi colocado à sua frente, e a partir dali foi ladeira abaixo!

Como surgiu a ideia do projeto? Você já esteve presente em outras bandas? E como foi que definiu a sonoridade que gostaria de apresentar na banda? 

Adriano Simões:A ideia veio depois que tive que pausar um outro projeto que comecei a participar no ano passado, a banda Red Prototype. Estávamos em fase de pré-produção de material quando fomos surpreendidos pela pandemia. Estando já nesse ritmo foi inevitável que eu gravasse alguma coisa. Estar na Red Prototype despertou um resgate da excitação de tocar de novo, de fazer som pesado, então creio que isso se refletiu imediatamente na Mörbidez. Sem pensar muito, acabei criando um material que me remete aos primeiros contatos que tive com música mais extrema, com um som que estava naquele limiar entre o metal e o punk, e à atração pelo lado escuro da coisa, com aquele sabor de uma certa ingenuidade adolescente nas letras. 

No material de divulgação não há muitas informações sobre a banda, isso é intencional pra poder aumentar essa aura maldita que tem no disco?

Adriano Simões:Gostei de saber que você captou uma aura maldita! Mas não, essa não era a ideia. Não foi intencional, na verdade comecei a divulgar sem muita pretensão, mas fui recebendo uma resposta positiva, e aos poucos estou inserindo mais informações. Acho que foi preguiça mesmo. Cheguei até a pensar em usar uma máscara, fazer aquele mistério, mas não quis ter ainda mais um aspecto a me dar trabalho. 

Por qual razão optou por realizar o projeto como uma one man band? Quais as dificuldades e quais as vantagens de se produzir um disco dessa forma?

Adriano Simões:Acho que não foi uma questão de decisão, foi algo natural. Desde sempre quis fazer assim. Sou uma pessoa meio reclusa, e com música gosto de ter o controle. Sem nenhuma dúvida digo que não houve dificuldade, só vantagens! Não precisei esperar a decisão de ninguém, ou tempo, etc. Toquei tudo do jeito que eu queria, escrevi tudo como eu quis. Aquela história de escrever pra você mesmo é real, fiz um disco que eu gostei de ouvir. 




Curti bastante o slogan: “Música satânica para tempos infernais”. Poderia desenvolver um pouco mais sobre a parte lírica da Mörbidez, o satanismo explicito é uma filosofia? Confrontamento a essa ditadura religiosa que vem se formando?

Adriano Simões: Defini o conceito de acordo com o som que eu estava desenterrando. A empolgação me fez retomar aquela energia de quando comecei a ouvir música mais extrema, e o tema mais recorrente era relacionado a satanismo, mas sempre ficou claro que isso era um recurso literário. Sem dúvida sinto atração pela ideia, mas a utilização do satanismo na temática da Mörbidez tem caráter metafórico mesmo. Em primeira instância é aquela coisa de falar profanidades para ver se sua mãe vem lavar sua boca com sabão, é uma ato desafiador. Depois, em uma camada mais funda, é uma paleta de cores para pintar ideias sobre enfrentamento, liberdade, independência, e reação a essa bizarra tentativa de retomada de padrões religiosos, como você disse. Quando algo chega ao extremo, a reação acaba extrema também…então acho que o satanismo autodeclarado aqui vem bem a calhar. 

A sonoridade de “Sob o signo de Belial” nos remete aos primórdios do black metal e flerta bastante com o thrash em suas origens, basicamente até a produção soa bem old school, era esse o resultado esperado para o disco?  

Adriano Simões: Sem dúvidas. Fico feliz que tenha notado. Gosto de pensar que essa sensação vem da abordagem que utilizei para timbrar os instrumentos e às estruturas das músicas. Fiz questão de deixar uma ambiência na produção, que é algo que o metal mais moderno não faz, geralmente. Acredito que isso seja o maior fator que deixou o disco com esse ar úmido e cheiro de mofo!



Nos últimos anos parece estar rolando um resgate muito legal do metal praticado nos anos 80, a sonoridade de bandas como Venom, Motorhead, Discharge, Anti Cimex, etc. Vem sendo mesclada e revisitada por várias bandas, quais formações que praticam essa pegada Black thrash, metal punk, você curte e indicaria pra quem quer sacar mais desse tipo som?

Adriano Simões: Nifelheim, Aura Noir, Midnight seriam bons pontos de partida. E qualquer coisa do Darkthrone a partir do album The Cult is Alive. Ali você vai encontrar tudo misturado! 

Mantendo nosso papo no campo das referências musicais, quais foram as fontes de inspiração musicais na hora de compor os sons da Mörbidez?

Adriano Simões: Para esse primeiro álbum tentei pensar como uma banda proto-black metal, com a cabeça cheia de Motörhead, NWOBHM, Crust Punk e Satanás. Isso e muito Celtic Frost, que é a banda que sempre estou ouvindo, e me identifico  muito com a abordagem. 

Existe a possibilidade de rolar o lançamento físico desse material? Pretende expandir o lançamento para outras plataformas além do Bandcamp?

Adriano Simões: Quero muito conseguir um lançamento físico, inclusive já recebi mensagens de interessados em comprar. Mas não acho que conseguiria fazer esse lançamento de forma independente, teria que acontecer um esquema com algum selo interessado. Estou aberto a propostas! Tenho um interesse especial em lançar em cassete, gosto do formato. Quanto às outras plataformas, coincidentemente ao receber seu convite para a entrevista, o álbum entrou em outros serviços de streaming, como Spotify, Amazon Music, Youtube Music e Deezer. 

Além do material disponível, quem optar por adquirir o disco digital no Bandcamp terá disponibilizado o EP de covers “Limbo”, quais faixas há nesse EP e como escolheu as faixas pra realização desses covers?

Adriano Simões: Sim, isso mesmo. Foram faixas que gravei quando estava desenvolvendo o desejo de fazer a Mörbidez, e ainda estava trabalhando no material da Red Prototype. Pode ser considerado um estudo/ensaio para o que viria! As músicas são Black Metal do Venom, Forever my Queen do Pentagram, e Into The Crypts of Rays do Celtic Frost. Foram escolhidas para que eu pudesse experimentar e desenvolver a sonoridade do disco, e fiquei satisfeito com elas. Eu diria que elas complementam o ciclo do primeiro álbum, são um bom material para quem curtir o disco e quiser se aprofundar. 

O disco foi gravado e produzido no estúdio Casa da bruxa em Vitória-ES pelo que foi colocado no Bandcamp, você mora em Vitória? Como é a cena do metal no Espirito Santo? Pergunto isso pois há uma cena hardcore bem conhecida no estado, poderia nos contar um pouco mais sobre a cena metal daí?

Adriano Simões: Sim, moro em Vitória-ES, e o estúdio Casa da Bruxa é na verdade meu home studio. Tenho conhecimento básico sobre a cena hardcore aqui, mas sou a pessoa errada para informar sobre qualquer cena local. Um dos motivos de ser uma one man band é que não frequento a cena local, como disse, sou meio recluso. Há um tempo atrás, pelo menos uns dez anos, cheguei a tocar com algumas bandas, mas é cansativo, exige muita interação e socialização, e digamos que tenho problemas com isso. 

Como nunca podemos deixar faltar nosso tradicional pedido, gostaria que você nos dissesse quais são os cinco melhores álbuns de todos os tempos segundo a Mörbidez?

Adriano Simões: Me amarro em listas! Se eu fosse escolher segundo minhas preferências pessoais seria quase impossível, gosto de coisas muito diversas, por isso fico grato que você tenha facilitado meu trabalho pedindo para escolher baseado no universo Mörbidez. Minhas listas costumam oscilar com o tempo, mas hoje essas são as escolhas:

Morbid Tales - Celtic Frost
A Blaze in the Northern Sky - Darkthrone
Reign in Blood - Slayer
Mental Funeral - Autopsy
De Mysteriis Dom Sathanas - Mayhem

Pra finalizar, gratidão aí por nos conceder essa entrevista e reservo este espaço pra que deixe suas considerações finais.

Adriano Simões: O agradecimento é meu! Saiba que seu trabalho é de imenso valor para manter a música rolando. Trabalho de apreciador para apreciador. 
Espero que todos estejam seguros e que se mantenham saudáveis, e vamos juntos manter a chama do inferno acesa contra essa onda de falso moralismo.





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quinta-feira, 23 de julho de 2020

DEAD LIVE (MANAUS-AM)



Sempre válido observar que num país de dimensões continentais existe uma diversidade cultural imensa e que as coisas não acontecem somente no eixo Sul-Sudeste, por isso temos diversas cenas produtivas e cheias de bandas foda.

Vou um pouco mais além, o norte e o nordeste do Brasil quando se fala de underground são hoje referências, o tempo todo surgem novas bandas com trabalhos incríveis vindas dessas regiões!

 Hoje gostaria de falar sobre uma banda de um gênero que aprecio muito, que é o Horror Punk, que tem uma cena fortíssima com bandas espalhadas por todo país, mas vamos focar especificamente em uma banda de Manaus-AM, a Dead Live.

Formada no começo de 2015, a Dead Live é composta por Jefferson Carneiro (Vocal e Guitarra), Benediction Açougueiro (Baixo), Dirley Velinho (Bateria) e Cristian Oliveira (Guitarra), os caras vem com a proposta de fazer um som totalmente voltado ao horror punk e suas temáticas convencionais, que possuem uma fonte inesgotável de temas que quem é fã do gênero se amarra, violência gore, zumbis, apocalipse, muito sangue e vísceras pra embalar as composições!


A banda possui três discos de estúdio e um ao vivo lançados até aqui, "Mortos Vivos" (2016), "Bar from Hell" (2017), "Manicômio" (2018) e o ao vivo gravado no Garage Sounds lançado também em 2018, todos discos de estúdio gravados, mixados e masterizados pelo guitarrista e vocalista Jefferson Carneiro, que manda muito bem no trabalho de produção dos albuns, as artes das capas dos discos ficaram a cargo de um cara que acredito que quem é da cena conheça muito bem, Daniel Ete (Muzzarelas), que é perito em entregar artes que ilustram muito bem o universo do Horror Punk.




Falando um pouco mais sobre o som dos caras, vale observar que principalmente no seu último lançamento, "Manicômio" há um flerte com o metal, perceptível na rifferama que os caras despejaram nas composições, até mesmo a sonoridade desse disco me chamou a atenção pelo peso, destaque para a cozinha brutal dos caras, impondo muito mais peso a sonoridade e fazendo a camada de base para as guitarras da banda, o vocal de Jefferson Carneiro é outro ponto muito legal, um timbre diferente, canta de uma forma única e bem particular que se fundiu muito bem com a sonoridade.

Enfim, conheçam os sons dos manauaras da Dead Live, eles estão em todas plataformas de streaming e com certeza o som dos caras irá acertá-los em cheio!!! Abaixo seguem os links onde será possível acessar o trabalho da banda, sigam, curtam e compartilhem os trabalhos das bandas e se puder comprem os materiais, assim poderemos dar o suporte para a cena e as bandas sobreviverem em meio a esse caos!!!


 FACEBOOK:https://www.facebook.com/DeadLiveHorrorPunk/

INSTAGRAM: https://www.instagram.com/deadliveoficial/

BANDCAMP: https://deadlive.bandcamp.com/

SPOTIFY: https://open.spotify.com/artist/74glFGD5ZD7Aja6DgxuZeL?si=gterRy-DSDuETHZqIyKsaQ

 

terça-feira, 21 de julho de 2020

TEU PAI JÁ SABE? - (CURITIBA, BRASIL)



Banda: Teu Pai Já Sabe?

País: Brasil (Curitiba)

Atividade: Desde 2008

Gênero: Punk / Hardcore / Queerpunk

Integrantes: Carlos Mamá (Vocal), Felipe (Baixo), Hugo (Bateria) e Sete Metros (Guitarra).


Antes de iniciar, nosso pequeno toque pra galera: que bandas desse estilo sejam encaradas na cena sempre de forma natural, como qualquer outra banda!

O Teu Pai Já Sabe é uma banda de Curitiba formada em 2008 e já possui dois discos lançados: o primeiro álbum “Blasfêmia Pouca é Bobagem - 2009” e “Agora Sabe - 2013”.

Ficaram num hiato e voltaram com tudo em 2018 e estão em estúdio gravando um novo disco ainda sem nome a ser lançado pela Läjä Records.

Criativos, irreverentes e originais, os arranjos são muito bem calcados no punk rock oitentista, com letras de defendem a inclusão do movimento LGBTQIA+ no movimento, tanto que a banda é defensora ferrenha da bandeira “queer punk”, seja em suas composições ou nos shows.

Todos os integrantes da banda são gays e bissexuais e se reafirmam a cada dia, mostrando que o punk tem espaço para todxs.


Nós do Microfonia Underground Blog estamos ansiosos pelo novo trabalho do TPJS. O som é muito foda e tem um propósito nas ruas, com o objetivo de unir mais não só a comunidade LGBTQIA+, mas todas as minorias que curtem a cena pesada underground.

Parafraseando uma de suas músicas, Punk Rock Também é pra Viado!!!

Vida longa ao TPJS...a cena só ganha com a volta de vocês!

Logo a seguir, vamos disponibilizar o show que eles fizeram em São Paulo, no ano de 2018 no Espaço Som e também seus canais oficiais para todxs conhecerem mais o trabalho do TPJS.



Instagram: @teupaijasabe

Facebook: @teupaijasabe

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCqlYPesS3lFvywIp0Sg2UPw/featured

Spotify: https://open.spotify.com/artist/4G74TJKjOngYTLHre9UznJ

Bandcamp: https://teupaijasabe.bandcamp.com/


segunda-feira, 20 de julho de 2020

ENTREVISTA SÖMBRIÖ

Hoje nosso papo é com os malucos da banda de Metal Punk Sömbriö, os caras são de Floripa/Goiânia e lançaram no início desse ano seu primeiro full, "Fogo, Poder e Destruição", que além de sons inéditos, conta com nova formação e destilam toda a aura maldita em um som que caminha por vertentes que agradam em cheio quem curte um metal cru e sem firulas, mais um grande lançamento de 2020 sem dúvidas, pra saber mais sobre esse disco e como andam as atividades da banda em meio a esse cenário de morte e pandemia que está varrendo o país,  se liguem logo menos nas ideias que os caras mandaram!!!



A história da Sömbriö começa em 2018, apesar de breve já rolou muita coisa até chegar no primeiro album “Fogo, Poder e Destruição”, como vocês resumiriam a trajetória da banda até aqui?

Paulin: Começamos em janeiro de 2018 só querendo fazer um som cru e livre que pudesse ser o que a gente quisesse que fosse, se soasse thrash ou punk tanto faz, o feeling que ditava. Ensaiamos algumas semanas e gravamos a demo "Cortejo Fúnebre". Começamos como um duo mas já na intenção de arrumar um baixista. Logo nos primeiros shows conhecemos o Guilhotina, que já participou da nossa primeira tour pelo Sul no mesmo ano. Desde então até a gravação do álbum tivemos bons momentos com shows locais e com uma tour pelo Centro Oeste e outra pelo Sul em 2019 que fizemos as datas junto ao Whipstriker(RJ). Nesse tempo amadurecemos muitos quanto ao som, referências e o modo de compor. Houveram brigas, farra, curtição, conhecemos gente nova e cidades novas. Acho que isso resume o período antes do álbum hehehe 



Pra gravação do primeiro album da banda vocês contaram com uma nova formação, poderiam nos falar um pouco sobre como está funcionando as coisas na banda e como foi o processo de gravação?

 Paulin: Atualmente mesmo tá caótico, com essa situação da pandemia não estamos conseguindo nos reunir direito. Mas na teoria era pra estar funcionando em quarteto: Antifernando na guitarra, Urbano na batera, Guilhotina no baixo e eu nos vocais/guitarra. Essa era a formação que ia pra tour em São Paulo, que era pra ter acontecido em abril se não fosse a pandemia. Agora quanto o processo de gravação do álbum foi bem rápido. Começou depois da tour em julho de 2019 com o Whipstriker, eu estava morando em Floripa na época e já estava compondo novos riffs com o Guilhotina que também mora lá. Mas pra gravar precisávamos da banda completa, daí que chamei o Antifernando e Urbano em Goiânia pra entrar nessa. Não tinha nenhuma música feita, parti pra Goiânia só com as ideias. Infelizmente o Guilhotina não conseguiu viajar, então ensaiamos eu, Antifernando e Urbano exatamente 1 mês compondo e praticando pra gravar o mais rápido possível enquanto estava em Goiânia. Deu certo, fomos ao estúdio de manhã e pela noite já tínhamos gravado tudo.

Como rolou a química dessa nova formação ao vivo e quando rolou a estreia da banda com os novos membros?

Paulin: Essa nova formação já tinha se reunido antes do Sömbriö existir na Desastre(GO), banda das antigas de Goiânia que nos últimos anos só havia restado o Wilton de membro original. E pro retorno da Desastre coincidentemente (nem tão coincidência assim, já rolava uns contatinhos na cena) o Wil me chamou pra assumir a guitarra, Urbano na batera e o Antifernando no baixo. Então a química já existia entre a gente. Conseguimos tocar apenas uma vez com a formação do álbum no final de 2019 antes de lançá-lo. Mas oficialmente não conseguimos lançar o álbum estreando tocá-lo ao vivo, pois assim que íamos fazer a tour de lançamento em 2020 tudo veio por água abaixo com a pandemia.

O disco foi lançado em janeiro, como vocês sentiram a recepção da galera ao novos sons e qual diferença que vocês apontariam desse novo disco para os materiais anteriores lançados até então?

Paulin: Acho que houve uma certa surpresa porque esse álbum já é bem diferente do que havíamos feito. Talvez mais metal que punk, mas nunca só um ou outro. Mas embora diferente, o retorno que tivemos desse material foi super positivo. Mesmo lançando ele em 2020 que é um ano atípico para as bandas, no qual não podemos nos apresentar ao vivo, vendemos por correio muitas camisetas e CD's. Também fizemos muitos contatos novos através desse material, pessoas que conheceram a gente através dele. 



Vimos várias definições para o som da banda, metal punk, D-beat, Black thrash, etc. Sei que esse lance de rótulos é meio chato, mas como vocês definiriam o som da banda pra alguém que não teve acesso ao mesmo?

Paulin: É difícil ter uma definição pois tem tudo isso que disse misturado se analisar em partes hehehe mas se for pra escolher só um eu diria que podem nos definir como Metalpunk. É um termo abrangente, pode ser thrash, heavy, black thrash, punk/d-beat que tá tudo incluso dentro disso.

Em que fontes vocês costumam beber pra ter inspiração na hora de criar os sons da Sömbriö?

 Paulin: Maconha, álcool e psicodélicos hehehehe brincadeira (nem tanto). A gente curte muita coisa diferente, as vezes nos enrolamos com post-punk, as vezes grind, as vezes death metal... Acaba que temos uma biblioteca musical bem variada, daí uma vez que temos um beck legal pra descontrair entre nós, um riff, umas ideias e sentimentos confusos botamos em prática e tudo sai natural.

Um lance muito interessante na sonoridade do disco, é a maneira como soa orgânico e na cara o som, dando uma aura ainda mais maldita nas músicas, era isso que vocês buscavam durante a gravação? PS Vale ressaltar que fica aqui registrado os parabéns pelo puta som foda que conseguiram captar pra pôr no disco, a produção atingiu o que acredito ser o ponto certo para o tipo sonoridade que a banda pratica! 

Paulin: Pô, satisfação total em ouvir isso! Era exatamente essa vibe que buscávamos. Pra esse material queríamos que a gravação fosse bem próxima do que fazemos ao vivo, tanto é que não existe metrônomo algum nesse álbum, é tudo louco e no tempo que quisermos heheh fizemos a gravação dos instrumentos com todo mundo tocando junto, com fones individuais e tudo microfonado, cubos de guitarra/baixo isolados em salas separadas. Gravamos com o Gustavo Vasquez, que já estávamos planejando pois sabíamos que o cara saberia gravar como a gente queria. Ele já teve banda de thrash, já gravou muita banda de som pesado e é doido como a gente, então ele era a melhor opção pra essa sonoridade que buscamos e ficamos muito satisfeitos.

A capa de “Fogo, Poder e Destruição” é muito foda, combinou demais com o conteúdo musical, como foi concebida a ideia e de quem é a arte?

Paulin: A ideia da capa foi minha, pensei muito em como poderia ser uma capa que combinasse com os sons e tudo. Queria muito algo na pegada anos 80 também. Mas nunca teria se materializado dessa forma se não fosse o Lucas(Evilcult). Ele além de tocar na Evilcult é um super artista gráfico e depois de explicar a ideia da capa ele facilmente já conseguiu fazer tudo e ficou muito bom. O perfil dos trabalhos dele é o @fromhellarts, vale a pena conferir.

De que forma a banda tem lhe dado com a questão dessa pandemia maldita, vocês tiveram muitas datas canceladas devido a isso? E de que forma isso impactou o lançamento do disco, visto que dois meses depois tudo começou a fechar?

 Paulin: Tem sido foda... muitos planos que íamos pôr em prática foram adiados. Era pra lançarmos o disco em uma tour por SP em abril como tinha dito acima. Parcelamos o merchan todo, fizemos camiseta, CD's. A notícia da pandemia foi um choque, pois o melhor jeito de vender material pra pegar o dinheiro de volta é tocando ao vivo. Mas fomos tentando nos adaptar, passamos a divulgar a venda pelos correios e acabou que nos ajudou bastante a pagar as dívidas que havíamos feito esperando esses shows. Além da tour de SP tínhamos muitos planos de ir pra lugares que ainda não fomos como o Norte/Nordeste. Mas se tudo der certo continuamos isso em 2021!

Quais são os planos da banda nesse momento? Vocês continuam ensaiando ou compondo? Tem material inédito? 

Paulin: Por enquanto queremos fazer o que tá no nosso alcance, já que não podemos fazer show temos alguns planos de gravar clipes de algumas músicas desse álbum novo, fazer uma live ainda e continuar vendendo os materiais pelo correio. Continuamos compondo sim, apesar dos ensaios estarem em um ritmo na medida do possível teremos muitas novidades até o fim do ano e em 2021. Pro próximo ano além de tocar esse álbum que não conseguimos estrear ao vivo ainda, já vamos deixar um álbum novo no gatilho pro meio de 2021.

Mantendo o tradicional pedido de todas as nossas entrevistas, gostaria que vocês nos dissessem quais são os cinco melhores discos de todos os tempos segundo a Sömbriö? 

Paulin: Dei uma interrogada no pessoal e o nosso top 5 por enquanto seria esse:
1° - Anti Cimex - Absolut Country of Sweden
2° - Broken Bones - F.O.A.D
3° - Black Uniforms - Splatter Punx on Acid
4° - Napalm Death - Harmony Corruption
5° - Celtic Frost - To Mega Therion

Pra finalizar, gostaria de agradecer por falar com o Microfonia e reservar esse espaço pra que deixem suas considerações finais!!! Obrigado!!!

Paulin: Primeiramente agradecer ao Evandro pelo espaço, muito obrigado por manter essa rede de informações e entretenimento sobre o nosso querido underground! E que mantenham vivo e apoiem os blogs/zines que dão essa voz para as bandas. Valeu quem acompanhou até aqui, se mantenham seguros durante essa pandemia e foda se o presidente!!!


SPOTIFY: https://open.spotify.com/album/5mneWosZXBdiOwGMqdYRWs?si=XUrbSx-HTAOLg5aYD3-BSA

quarta-feira, 15 de julho de 2020

WARGORE - CURSED EXISTENCE (2020) - REVIEW MICROFONIA





WARGORE

· Atividade: 2016 - atualmente 

· Origem: Brasil - Cascavel-PR 

· Álbum: Cursed Existence (2020)

· Gravadora: Mindscrape Music

· Gênero: Death Metal Old School

· Membros: Gustavo Milani (bateria), Otávio Augusto (baixo), Gustavo Prates (guitarra), Jamil Miranda (vocal) e Antônio Fagundes (guitarra)

A Wargore é uma banda paranaense de death metal com uma pegada old school que remete a bandas como Death e Pestilence em seus primórdios, em atividade desde 2016 eles possuem um EP que precede este album, o "Between Evil and Death" lançado em 2017 que já dava as credenciais de que o poderio da banda é pesado e entregam nesse primeiro registro seis faixas brutais com a classe de quem sabe muito bem como produzir um som extremo de qualidade!

Mas estamos aqui pra falar de "Cursed Existence", lançado em 12 de junho nas plataformas digitais, o material foi gravado no estúdio Tonimusic sob a tutela de João Paschoarelli e Toninho Acuña, responsáveis pela captação da desgraceira sonora e a mixagem e a masterização ficaram por conta de Léo Mesquita (Surra) e o resultado que foi entregue é muito foda, apesar do peso e brutalidade da sonoridade da banda, o instrumental está límpido no sentido de compreendermos a execução das faixas mas com tradicional sujeira que o estilo pede na medida!!!

São nove faixas que apresentam um trabalho conjunto primoroso dos integrantes, bases e solos velozes a cargo da dupla Gustavo e Antônio, tudo muito bem amparado na cozinha de reponsa entregue por Otávio no baixo e Gustavo na bateria, em cima da massa sonora Jamil Miranda vocifera seu vocal que nos lembra uma mistura de Chuck Schuldiner no começo do Death e John Tardy do Obituary, combinando perfeitamente com a pegada old school do negócio.

Pra deixar nossas alegações finais aqui, mais um grande disco lançado nesse ano de 2020, apesar do cenário desgraçado de instabilidade politica e pandemia, ao menos temos fontes de inspirações pra galera soltar toda sua fúria na música e nos brindar com excelentes lançamentos, finalizando, díficil destacar alguma faixa no disco, mas fico com a track que abre os trabalhos "Cursing the existence" que já motiva a gente a continuar prestando atenção na pancadaria toda que vem a seguir, grande trabalho!



ENTREVISTA KULTIST

O Kultist é uma banda de São Paulo/São Carlos formado por Karine Profana (baixista), Yasmin Amaral (guitarrista), Letícia Figueiredo (baterista) e o vocal fica por conta de Daniel Pacheco (ex-Cursed Slaughter) que pratica um som de influências variadas dentro do metal, mas vamos usar a própria descrição da banda: : A Lovecraftian dark metal band, transformam o terror de Lovecraft em letras e riffs sombrios que podem ser conferidos em seu primeiro álbum, "The Black Goat", lançado em 2019 que traz oito faixas com temáticas totalmente voltadas para a obra do escritor americano de fantasia e ficção, mestre do terror cósmico!!! Confiram a seguir o papo que tivemos com Daniel Pacheco que nos conta um pouco mais sobre a banda!!!







Primeiramente muito obrigado por falar com o Microfonia, poderia nos contar de que maneira foi formada a Kultist, o que acabou reunindo vocês pra formar a banda?

Daniel Pacheco: Obrigado vocês pelo espaço! O Kultist nasceu lá por 2016 se não me falha a memória, eu e a Yasmin tínhamos vontade de fazer música juntos. No início éramos apenas nós dois e decidimos fazer um som voltado para o Death mais old-school, por ser um estilo que a gente escutava bastante junto. Nosso primeiro batera foi o Caio Imperato, chegamos nele por indicação de uma camarada nossa, com ele nós compusemos e gravamos a Black Swamp, nosso primeiro single. Depois disso a Karine Profana entrou no baixo, já a conhecia de outros rolês, mas como guitarrista, até que ela postou um vídeo tocando Possessed By Skate no baixo e eu fiquei doido, falei que ela precisava estar na nossa banda rsrs. Alguns bateras passaram por essa formação, todos contribuindo com linhas para algumas músicas, mas a definitiva foi a Letícia Figueiredo, que chegou por indicação da Lary Durante do High Hat Girls para a Karine, a química foi muito instantânea, no primeiro ensaio já tínhamos um rascunho de som novo e ali tivemos certeza de como a banda deveria soar e seguir.

Como surgiu essa ideia de criar músicas baseadas na literatura de HP Lovecraft e de que forma vocês condensam nas letras toda essa riqueza de mitos presentes nos contos do cara?

Daniel Pacheco:
Cara, essa parte foi um pouco da minha iniciativa lá atrás, eu já criei a banda com esse propósito na real, eu adoro escrever sobre terror, minha primeira banda (Cursed Slaughter) já falava sobre filmes de terror lá em 2009. Eu sempre li muito Lovecraft, adoro a mitologia, ai pensei que seria legal a banda ter um conceito forte, tanto visual quanto lírico, ainda bateu das outras integrantes também gostarem bastante de toda mitologia criada pelo cara. Quando eu escrevo a letra, eu procuro abordar um conto ou uma divindade e condensar os pontos mais relevantes para aquela história. Mas temos planos de abrir mais isso. Quem sabe um disco inteiro sobre o mesmo conto? São possibilidades infinitas.

Vimos em sua página que há um novo disco vindo, o que vocês podem nos contar sobre esse futuro novo registro?

Daniel Pacheco:Não muito na verdade, a quarentena tem ferrado a nossa cabeça, o primeiro disco do Kultist levou 3 anos para ser escrito, a gente é bem caprichoso com cada som e com cada riff, então praticamente tudo que a gente compõe até o final acaba sendo aproveitado. Temos uns rascunhos prontos e um tema em mente e isso é tudo que eu posso dizer rsrs.

Pra quem não conhece HP Lovecraft e quer se situar nas letras da Kultist, em que contos do autor vocês se inspiraram pra escrever as faixas de “The Black Goat”?


Daniel Pacheco:
Shub-Niggurath - “Um Sussurro nas trevas”
The Crawling Chaos - Divindade Nyarlahotep, ele aparece em diversos contos.
The Kult Of Dagon - “Sombra sobre Innsmouth”
Eternal Abyss - “Os outros Deuses”
Symphony Of Madness - “A música de Erich Zann”
Frozen Fear - “Nas Montanhas da Loucura”
Sign In Blood - “Sonhos na casa da Bruxa”
Black Swamp - “Dagon”



 

 No campo lírico sabemos qual referência da banda, mas em termos de sonoridade, quais são as influências da banda?

Daniel Pacheco: Caramba essa é bem complicado pois são muitas, muita coisa de Doom, Voivod, Discharge, Kreator, Megadeth, Possessed, Sepultura antigo, putz, acho que cada música tem uma coisa muito particular, não consigo definir bem rsrs, a gente adora a coisa mais dissonante, uns tempos mais esquisitos, então isso acaba refletindo bastante.

Como foi o processo de gravação de “The Black Goat”, poderiam nos dizer alguns detalhes a respeito? Quem foi o responsável pela produção, mixagem, etc? O resultado final é muito bom, a qualidade do registro é ótima!

Daniel Pacheco: Obrigado! Os créditos são todos do Diego Rocha do Bay Area Studios. O processo foi muito rápido, gravamos o disco em uns 4 dias, a mixagem demorou um pouco mais e ficamos bem felizes com o resultado também! Tudo fluiu muito legal, acho que o Diego conseguiu captar o que a gente queria passar, sei que para deixar a mostra tudo que queríamos não seria nada fácil rsrs o Kultist tem uma particularidade que são as linhas de baixo bem diferentes da guitarra e encaixar tudo isso numa mix, com timbragem e etc, é um trabalho bem complicado.



Qual o conceito na escolha do título “The Black Goat”, visto que não é o título de nenhuma das faixas do disco, tem algum motivo especial pra esse nome pro album?

Daniel Pacheco: A divindade Shub-Niggurath é conhecida como a cabra negra dos mil filhotes, por isso o nome The Black Goat, na letra da música a gente fala sobre isso. Além disso tem toda a coisa de ser meio que uma ovelha negra, não se adequar às normas ou padrões, que é uma coisa com a qual todos nós da banda nos identificamos.

Quem foi o responsável pela criação da arte da capa do disco e qual o conceito por trás dela?

Daniel Pacheco: Quem fez essa capa foi o Wendell Narkdemi, um artista fantástico de quem eu sou muito fã. Quando eu envio uma arte para alguém trabalhar, eu gosto de deixar a pessoa bem solta, então costumo enviar as letras e deixar a pessoa trabalhar em cima daquilo. Ele nos enviou esse cultista cercado por montanhas (que se parecem com outros cultistas) e por cima deles a sombra da Shub-Niggurath, essa arte é muito boa e dá uma condensada legal em todas as letras.

Como está sendo esse momento de pandemia para a banda? Acham que há possibilidades de um retorno as atividades culturais/shows ainda nesse ano?

Daniel Pacheco: Pessoalmente eu acredito e sinceramente espero que não haja um retorno nem esse ano e nem por uma parte do próximo, simplesmente não é seguro, nem para nós como músicos, nem para quem é público, o Covid é uma doença muito nova e ainda não temos ideia da real dimensão do seu comportamento ou reincidência (isso para não falar de dados falsos sendo divulgados pelo governo, para passar uma falsa sensação de segurança). Como músicos, estamos estudando, sei que todos nós temos investido tempo em nos aprimorar em nossos instrumentos. O Kultist é uma banda que depende muito da nossa química juntos, nós escrevemos praticamente tudo em estúdio, então temos guardado algumas boas ideias para quando for possível e seguro estarmos juntos novamente.


Pra não perder o costume de pedir listas aos nossos entrevistados, segundo a Kultist, quais os 5 melhores álbuns de todos os tempos e aproveitando o momento de quarentena, deixem uma dica de leitura pra galera também.

Daniel Pacheco:

Faith no more - The real thing

Voivod - Killing Technology

Megadeth - Killing is my Business

Possessed - Seven Churches

Iron Maiden - Powerslave

Leitura: H.P. Lovecraft - Medo Clássico Vol 1

Gostaria de agradecer por falarem com o Microfonia e reservar esse espaço pra que mandem seu recado como desejar, valeu!!!

Daniel Pacheco: Muito obrigado pelo espaço e pela paciência! Desejamos força a todos que estão encarando essa quarentena, os tempos são sombrios, mas irão passar no meio tempo, tentem ficar lúcidos e caso não consigam, declarem todo o seu amor aos deuses anciões ouvindo Kultist!