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terça-feira, 5 de outubro de 2021

VOMIT BAG SQUAD - TALES FROM THE BAG (2021) - REVIEW MICROFONIA


 

VOMIT BAG SQUAD


· Atividade: 2021 - Atualmente


· Origem: Brasil - São Paulo 


· Album: TALES FROM THE BAG


· Gravadora: INDEPENDENTE


· Gênero: Thrash metal/Horror Thrash


Vou começar esse review mando a máxima, brasileiro gosta mesmo é de thrash metal! E se essa banda manda um horror thrash carregado de letras que fazem referência ao puro sumo dos filmes de horror podrões que amamos, somando a isso uma sonoridade cheia de riffs cortantes, paradas mortais, bateria em altos bpm's e um vocal que devo dizer, Daniel Pacheco nasceu para cantar em bandas de trhash/crossover, curto o trampo do cara desde a Cursed Slaughter e Kultist, que já figuraram por aqui inclusive.

Agora vamos abrir um parenteses aqui para o trabalho de Jhon França, o mano é um multi-instrumentista e toca em bandas tão maravilhosas quanro a Vomit Bag Squad, como Blasthrash, Cerberus Attack e Eskröta e aqui nesse play o cara toca todos os instrumentos e destruiu em todos, contruindo uma massa sonora pra atropelar os desavisados, o bom gosto de Jhon é notável, passagens cadenciadas muito bem encaixadas, partes melodiosas em meio ao caos e belissimos solos que me fazem colocar a V.B.S. como uma das melhores coisas que ouvi nesse ano e já está na minha lista de melhores do ano sem dúvidas.

Desde o lançamento do primeiro single de "Soulmates beyond the flesh" em abril que fiquei no hype para o lançamento de um full desses caras, que música meus amigos, single certeiro para dar o cartão de visitas do que estava por vir, e não há ressalvas, temos um grande trabalho aqui, os outros dois sons que saíram também seguem no mesmo nível, "Tomatoes of death" e "Beware the moon", poderiam ser citadas como destaques deste disco facilmente, porém não dá pra resumir "Tales from the bag" apenas nessas faixas, o disco inteiro é lindo e destila petardo atrás de petardo!

A abertura do disco com "Acid for blood" eleva as expectativas e não decepciona na sequência, mas vamos colocar aqui as faixas que já podem ser emolduradas, pois são obras de arte do roque veloz, pessoal, "Fear the Chainsaw" é o tipo de música que te coloca pra pogar no meio da sala, da vontade de quebrar tudo, e de cara já saí cantando junto o refrão! Os singles já citados acima devem ser ouvidos com atenção pois são o suprasumo do Thrash flertando com as histórias mais fodas de terror que conhecemos, Tarantino figura nesse disco através de "Satanico Pandemonium", clima do som casou perfeitamente com a cena de "Um drink no inferno", poderia tocar no filme ou na série que faria todo sentido pra mim, vale ressaltar que aqui rola a participação do Robson da Toxic Carnage, "Anck-su Namum" se não estou com ouvido ruim tem a participação nos vocais de Ya Exodus (Eskröta), achei essa faixa incrível e essa dobradinha no vocal deu ainda mais classe no som, quem mais soma no disco é Marcelo Araújo com o solo da faixa "What a piece".

Por fim temos um cover para "Stick in a hole" do The Accüsed, que encerra os trabalhos em "Tales from the bag" em grande estilo, logo mais vai rolar o lançamento físico desse trampo, então fiquem ligados e adquiram o trabalho dos caras, prestem apoio ao underground e de quebra adicione um grande disco de thrash metal em sua coleção!



LINKS RELACIONADOS


https://www.facebook.com/vomitbagsquad/

https://open.spotify.com/album/1kwWVuVI6wku19ohQiaP2x?si=urkujW31Q8GITNtdlMZmBQ&dl_branch=1

https://vomitbagsquad.bandcamp.com/



sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

MELHORES DE 2020 - MICROFONIA UNDERGROUND

 MELHORES LANÇAMENTOS DESSE MALDITO 2020 SEGUNDO O MICROFONIA UNDERGROUND BLOG

Estamos quase no fim de um ano que foi um caos declarado, pandemia, governo genocida, saúde mental afetada, isolamento social, medo, falta de esperança...mas como sempre, um dos refúgios mais procurados, sempre será a música, e essa classe foi talvez a que mais sofreu com todas as restrições causadas pela pandemia e ainda assim, continuaram a criar, compor e impressionar a nós amantes de som de qualidade, essa lista é na realidade um apanhado de discos que foram chegando a nós ao longo do ano e não é um ranking e sim uma forma de relembrar aqueles lançamentos que nos fizeram sentir orgulho de como é incrível o underground brasileiro, talvez nessa lista possa entrar algo internacional, mas sinceramente, a maior parte do que consumo em termos musicais é prata da casa e vamos combinar, estamos muito bem servidos por aqui, apesar de todas as dificuldades que a galera passa pra levar seus trabalhos em frente. Sem mais rodeios vamos ao que interessa!



SANGUE DE BODE - A SOMBRA QUE ME ACOMPANHAVA ERA MESMO A DO DIABO



Aqui não há dúvidas, um dos lançamentos mais incríveis desse ano! Black metal, grind. crossover, letras em português, uma aura maldita envolta em cada faixa, uma capa memorável, tudo nesse disco soa diferenciado, a Sangue de Bode é uma banda que esperamos ver muito mais materiais, pois o potencial aqui parece ser absurdo, estreia sensacional!

BONG BRIGADE - FUCK ARMAGEDDON...THIS IS BONG BRIGADE



Outro disco de estreia aqui em nossa lista, trampo que envolve o Daniel E.T.E. (Muzzrelas, Drakula), e traz uma sonoridade skate punk, descompromissada e com letras cheias de humor ácido e ótimas sacadas, apesar de ser triste saber que o Muzzarelas acabou, temos aqui uma banda que deve seguir com o legado, não fazendo o mesmo, mas fazendo um som que você aperta o play e não consegue parar de ouvir o disco até acabar!


MADDIBA - SANTO ANDRÉ



Primeiro full da Maddiba, sucessor do EP de três faixas "Ayanda" de 2017, foi um dos lançamentos que mais aguardei, pois toda vez que ia curtir o som dos caras e só havia três faixas disponíveis batia uma bad. A espera compensou e esse ano eles jogaram na pra "Santo André", com 11 faixas que me fazem crer que essa é uma das melhores bandas que conheci nos últimos anos, mistura incrível de hardcore, metal, ska, hip hop e ritmos brasileiros, não perca tempo, se não conhece o som desse power trio, corra conferir!!! 


SPIDRAX - OBITUÁRIO



Um dos subgêneros que mais curto é o horror punk, por ser a junção de duas paixões que carrego, punk rock e temáticas de filmes de horror/trash, acho uma combinação foda, e nessas andanças pelos streamings tive oportunidade de me deparar com "Obituário", segundo full dos caras da Spidrax, que na minha opinião é o melhor lançamento deles, sem desmerecer o restante da discografia é óbvio.


ESKRÖTA - CENAS BRUTAIS



Trabalho após trabalho a Eskröta sempre seguiu uma crescente, um trampo melhor que o outro e Cenas Brutais é o ápice de toda essa escalada, um disco que merece todo destaque, fizemos uma resenha do mesmo aqui no blog que vocês podem conferir no link abaixo, mas o importante é que você ouça as 11 faixas apresentadas aqui com atenção, sonoridade está incrível, produção impecável, agressividade pura e letras com criticas certeiras!


MÖRBIDEZ - SOB O SIGNO DE BELIAL



"Música satânica para tempos infernais", a melhor descrição possível para este disco, uma one man band, sob a tutela de Adriano Simões que nos entregou um dos melhores discos em nossa opinião, desse maldito ano de 2020, o título já entrega a temática e a sonoridade metal punk do lance coroa o trabalho foda que curti por inteiro e que em breve vai ganhar formato físico que certamente fará parte de minha coleção!!!


EDUARDO TADDEO - O NECROTÉRIO DOS VIVOS



Talvez alguém se pergunte a razão de um disco de rap estar figurando por aqui, porém é impossível passar indiferente pelo trabalho de Eduardo Taddeo, desde o Facção Central já acompanhava com atenção a agressividade e realismo pesado de suas letras, com uma consciência de classe ímpar e críticas certeiras, atitude total, muito mais até do que muitos punks por aí, então caso tenha a mente aberta a outros gêneros recomendo demais esse disco aqui, rap pesado e direto ao ponto, vida longa ao Eduardo!!! 

BASTTARDZ - BRASIL COM Z



Esse quarteto maranhense de hardcore/crossover não traz uma nova roupagem ao estilo ou algum experimentalismo que os diferencie dentro do estilo, no entanto aprecio a fúria e a honestidade desse registro e é o tipo de som que não me canso de escutar, portanto dentro daquilo que a Basttardz se propôs a fazer, realmente o trabalho é irretocável e vale demais a audição!

SÖMBRIO - FOGO, PODER E DESTRUIÇÃO



Se tem algo que eu curto aos montes é essa combinação do metal com o punk, bandas que evocam esse espirito de Venom, Discharge, Anti-Cimex, etc. Então eu não poderia passar a salvo por esse disco da Sömbrio que me cativou e já faz parte da coleção, saído diretamente de um túnel obscuro de algum inferno desconhecido, aqui temos uma obra de arte pra quem curte muita sujeira, distorção e é fã das bandas citadas no inicio do texto, não percam a oportunidade de se divertir com som foda desses caras!!!


VAZIO - ETERNO AEON OBSCURO



Impossível não citar o Vazio em seja qual for a lista de melhores discos que seja feita, não sou o maior apreciador de black metal que há, mas não pude permanecer indiferente ao trabalho dessa banda e nem poderia esquecer da apresentação fodástica dos caras no Scena, mostrando todo seu poder fogo ao vivo, realmente impressionante a consistência dessa formação, brutal, obscuro e avassalador!!!


BONUS TRACKS (EP'S AND SINGLES)


BLACK PANTERA - CAPÍTULO NEGRO



Ep com três faixas que trazem releituras de músicas que fogem da zona de conforto desse power trio mineiro, que é pura representatividade numa cena que adora passar pano pra racista. As faixas são Identidade de Jorge Aragão, Todo camburão tem um pouco de navio negreiro do O Rappa e A carne de Elza Soares, simplesmente ficaram sensacionais na execução furiosa da banda e ainda tem o trampo audiovisual que acompanha o EP, deem uma sacada no youtube, foda demais!!!


NERVOSA - GUIDED BY EVIL & PERPETUAL CHAOS


Pra quem estava curioso em como iria soar a nova formação da Nervosa, elas lançaram dois singles de seu vindouro album, "Perpetual Chaos", que deve ganhar as ruas em janeiro de 2021. As faixas são "Guided by evil" e a faixa que dará nome ao album e podemos afirmar que esse novo formato de quarteto ficou matador, os vocais de Diva Satanica são brutais e vale destacar o trabalho de bateria de Eleni Nota, aguardemos o novo trampo agora!


SURRA - THRASHPUNK TELEPORT: SUBMUNDO 2121




Aos 45 do segundo tempo o Surra chega de surpresa e solta seu terceiro trabalho em 2020, os caras realmente são operários do underground, o EP "Thrashpunk Teleport: Submundo 2121" possui cinco faixas que trazem a essência da sonoridade que já conhecemos da banda, porém que vem se tornando cada vez mais brutal, recheado de peso e passagens de blast beats na bateria, as letras com muita crítica social e sobre um mundo pós-apocalíptico que é retratado no gibi que acompanha o EP e foi desenhado pelo Lobo Ramirez.

MOLHO NEGRO - ANTES DE FICAR ESTRANHO




O Molho Negro é uma das minhas bandas preferidas, todos os discos lançados pelos caras são legais, é uma banda irreverente, com um som que te captura de cara e te faz cantar junto o refrão, e nesse EP aqui não é diferente, são três faixas, sendo uma inédita, "Antes de ficar estranho", que já dá uma amostra de como deve soar seu próximo disco e duas releituras de faixas já lançadas pela banda em discos anteriores, "Mania de perseguição" e "Bad's" que ficaram sensacionais, uma nova cara para velhos sons! Agora resta aguardar os próximos passos da banda pra poder curtir mais músicas foda!

IMMINENT DOOM - ATAQUE!




Se o Surra lançou um EP aos 45 do segundo, a Imminet Doom soltou esse aos 50, fazendo eu crer que esse ano de 2020 trouxe realmente grandes lançamentos de black metal e suas vertentes, o som apresentado aqui em "Ataque!" é de uma brutalidade ímpar, um soco na cara digno de nota, mal dá pra respirar entre uma pedrada e outra, black thrash insano, realmente as três faixas presentes aqui me cativaram! Temáticas líricas antifas pra fazer frente a esse momento lixo da história que vivemos e altamente indicado a apreciadores de um bom roque veloz! Que venha um album dessa galera o quanto antes, porque essa amostra infernal me deixou instigado pelo que pode vir!!!


OUÇA OS DISCOS! APOIE AS BANDAS!


https://imminentdoomattack.bandcamp.com/album/ataque
https://sanguedebode.bandcamp.com/album/a-sombra-que-me-acompanhava-era-a-mesma-do-diabo
https://surrathrashpunk.bandcamp.com/album/thrashpunk-teleport-submundo-2121
https://maddiba.bandcamp.com/album/santo-andr
https://open.spotify.com/album/7jjoQJ4XZjpvpB2alhiSvV?si=FyC-hMnqTUuWw1Z3_D9SNQ
https://open.spotify.com/album/5SJ6PCmKTz4l3f4SEn07Gt?si=bfMjcoZjRQ2pMBZlpa6-gA
https://nervosa-brazil.bandcamp.com/album/perpetual-chaos
https://vazio.bandcamp.com/album/eterno-aeon-obscuro
https://basttardz.bandcamp.com/album/brasil-com-z
https://sombriometalpunx.bandcamp.com/album/fogo-poder-e-destrui-o
https://open.spotify.com/album/1DRzr5uh0Uf5Wry87LUsDz?si=RPAFSOLYTdWg5d2eNXJtWQ
https://morbidez.bandcamp.com/album/sob-o-signo-de-belial
https://spidrax.bandcamp.com/album/obitu-rio
https://open.spotify.com/album/6c1uj0sxExXWv427KUXrkc?si=jwoqmxwtRbiSmTG8tE-jAQ
https://open.spotify.com/album/1BZpNC2MOh9FJrcwlVDe3N?si=Vm-ZikBtSiSofm2zdO-dBg










 




quarta-feira, 15 de julho de 2020

ENTREVISTA KULTIST

O Kultist é uma banda de São Paulo/São Carlos formado por Karine Profana (baixista), Yasmin Amaral (guitarrista), Letícia Figueiredo (baterista) e o vocal fica por conta de Daniel Pacheco (ex-Cursed Slaughter) que pratica um som de influências variadas dentro do metal, mas vamos usar a própria descrição da banda: : A Lovecraftian dark metal band, transformam o terror de Lovecraft em letras e riffs sombrios que podem ser conferidos em seu primeiro álbum, "The Black Goat", lançado em 2019 que traz oito faixas com temáticas totalmente voltadas para a obra do escritor americano de fantasia e ficção, mestre do terror cósmico!!! Confiram a seguir o papo que tivemos com Daniel Pacheco que nos conta um pouco mais sobre a banda!!!







Primeiramente muito obrigado por falar com o Microfonia, poderia nos contar de que maneira foi formada a Kultist, o que acabou reunindo vocês pra formar a banda?

Daniel Pacheco: Obrigado vocês pelo espaço! O Kultist nasceu lá por 2016 se não me falha a memória, eu e a Yasmin tínhamos vontade de fazer música juntos. No início éramos apenas nós dois e decidimos fazer um som voltado para o Death mais old-school, por ser um estilo que a gente escutava bastante junto. Nosso primeiro batera foi o Caio Imperato, chegamos nele por indicação de uma camarada nossa, com ele nós compusemos e gravamos a Black Swamp, nosso primeiro single. Depois disso a Karine Profana entrou no baixo, já a conhecia de outros rolês, mas como guitarrista, até que ela postou um vídeo tocando Possessed By Skate no baixo e eu fiquei doido, falei que ela precisava estar na nossa banda rsrs. Alguns bateras passaram por essa formação, todos contribuindo com linhas para algumas músicas, mas a definitiva foi a Letícia Figueiredo, que chegou por indicação da Lary Durante do High Hat Girls para a Karine, a química foi muito instantânea, no primeiro ensaio já tínhamos um rascunho de som novo e ali tivemos certeza de como a banda deveria soar e seguir.

Como surgiu essa ideia de criar músicas baseadas na literatura de HP Lovecraft e de que forma vocês condensam nas letras toda essa riqueza de mitos presentes nos contos do cara?

Daniel Pacheco:
Cara, essa parte foi um pouco da minha iniciativa lá atrás, eu já criei a banda com esse propósito na real, eu adoro escrever sobre terror, minha primeira banda (Cursed Slaughter) já falava sobre filmes de terror lá em 2009. Eu sempre li muito Lovecraft, adoro a mitologia, ai pensei que seria legal a banda ter um conceito forte, tanto visual quanto lírico, ainda bateu das outras integrantes também gostarem bastante de toda mitologia criada pelo cara. Quando eu escrevo a letra, eu procuro abordar um conto ou uma divindade e condensar os pontos mais relevantes para aquela história. Mas temos planos de abrir mais isso. Quem sabe um disco inteiro sobre o mesmo conto? São possibilidades infinitas.

Vimos em sua página que há um novo disco vindo, o que vocês podem nos contar sobre esse futuro novo registro?

Daniel Pacheco:Não muito na verdade, a quarentena tem ferrado a nossa cabeça, o primeiro disco do Kultist levou 3 anos para ser escrito, a gente é bem caprichoso com cada som e com cada riff, então praticamente tudo que a gente compõe até o final acaba sendo aproveitado. Temos uns rascunhos prontos e um tema em mente e isso é tudo que eu posso dizer rsrs.

Pra quem não conhece HP Lovecraft e quer se situar nas letras da Kultist, em que contos do autor vocês se inspiraram pra escrever as faixas de “The Black Goat”?


Daniel Pacheco:
Shub-Niggurath - “Um Sussurro nas trevas”
The Crawling Chaos - Divindade Nyarlahotep, ele aparece em diversos contos.
The Kult Of Dagon - “Sombra sobre Innsmouth”
Eternal Abyss - “Os outros Deuses”
Symphony Of Madness - “A música de Erich Zann”
Frozen Fear - “Nas Montanhas da Loucura”
Sign In Blood - “Sonhos na casa da Bruxa”
Black Swamp - “Dagon”



 

 No campo lírico sabemos qual referência da banda, mas em termos de sonoridade, quais são as influências da banda?

Daniel Pacheco: Caramba essa é bem complicado pois são muitas, muita coisa de Doom, Voivod, Discharge, Kreator, Megadeth, Possessed, Sepultura antigo, putz, acho que cada música tem uma coisa muito particular, não consigo definir bem rsrs, a gente adora a coisa mais dissonante, uns tempos mais esquisitos, então isso acaba refletindo bastante.

Como foi o processo de gravação de “The Black Goat”, poderiam nos dizer alguns detalhes a respeito? Quem foi o responsável pela produção, mixagem, etc? O resultado final é muito bom, a qualidade do registro é ótima!

Daniel Pacheco: Obrigado! Os créditos são todos do Diego Rocha do Bay Area Studios. O processo foi muito rápido, gravamos o disco em uns 4 dias, a mixagem demorou um pouco mais e ficamos bem felizes com o resultado também! Tudo fluiu muito legal, acho que o Diego conseguiu captar o que a gente queria passar, sei que para deixar a mostra tudo que queríamos não seria nada fácil rsrs o Kultist tem uma particularidade que são as linhas de baixo bem diferentes da guitarra e encaixar tudo isso numa mix, com timbragem e etc, é um trabalho bem complicado.



Qual o conceito na escolha do título “The Black Goat”, visto que não é o título de nenhuma das faixas do disco, tem algum motivo especial pra esse nome pro album?

Daniel Pacheco: A divindade Shub-Niggurath é conhecida como a cabra negra dos mil filhotes, por isso o nome The Black Goat, na letra da música a gente fala sobre isso. Além disso tem toda a coisa de ser meio que uma ovelha negra, não se adequar às normas ou padrões, que é uma coisa com a qual todos nós da banda nos identificamos.

Quem foi o responsável pela criação da arte da capa do disco e qual o conceito por trás dela?

Daniel Pacheco: Quem fez essa capa foi o Wendell Narkdemi, um artista fantástico de quem eu sou muito fã. Quando eu envio uma arte para alguém trabalhar, eu gosto de deixar a pessoa bem solta, então costumo enviar as letras e deixar a pessoa trabalhar em cima daquilo. Ele nos enviou esse cultista cercado por montanhas (que se parecem com outros cultistas) e por cima deles a sombra da Shub-Niggurath, essa arte é muito boa e dá uma condensada legal em todas as letras.

Como está sendo esse momento de pandemia para a banda? Acham que há possibilidades de um retorno as atividades culturais/shows ainda nesse ano?

Daniel Pacheco: Pessoalmente eu acredito e sinceramente espero que não haja um retorno nem esse ano e nem por uma parte do próximo, simplesmente não é seguro, nem para nós como músicos, nem para quem é público, o Covid é uma doença muito nova e ainda não temos ideia da real dimensão do seu comportamento ou reincidência (isso para não falar de dados falsos sendo divulgados pelo governo, para passar uma falsa sensação de segurança). Como músicos, estamos estudando, sei que todos nós temos investido tempo em nos aprimorar em nossos instrumentos. O Kultist é uma banda que depende muito da nossa química juntos, nós escrevemos praticamente tudo em estúdio, então temos guardado algumas boas ideias para quando for possível e seguro estarmos juntos novamente.


Pra não perder o costume de pedir listas aos nossos entrevistados, segundo a Kultist, quais os 5 melhores álbuns de todos os tempos e aproveitando o momento de quarentena, deixem uma dica de leitura pra galera também.

Daniel Pacheco:

Faith no more - The real thing

Voivod - Killing Technology

Megadeth - Killing is my Business

Possessed - Seven Churches

Iron Maiden - Powerslave

Leitura: H.P. Lovecraft - Medo Clássico Vol 1

Gostaria de agradecer por falarem com o Microfonia e reservar esse espaço pra que mandem seu recado como desejar, valeu!!!

Daniel Pacheco: Muito obrigado pelo espaço e pela paciência! Desejamos força a todos que estão encarando essa quarentena, os tempos são sombrios, mas irão passar no meio tempo, tentem ficar lúcidos e caso não consigam, declarem todo o seu amor aos deuses anciões ouvindo Kultist!







quinta-feira, 9 de abril de 2020

ESKRÖTA - CENAS BRUTAIS (2020) - REVIEW MICROFONIA






Ficha técnica:

• Banda: Eskröta

• País: Brasil - (Rio Claro-SP/ São Carlos-SP)

• Atividade: 2017- presente

• Álbum: Cenas Brutais

• Gravadora: Independente

• Produção, mixagem e masterização: Martin Furia

• Co-Produção: Prika Amaral (Nervosa)

• Gênero: Crossover

• Membros: Ya Amaral - Vocal e guitarra, Tamy Leopoldo - Baixo e back vocals, Jhon França - Bateria



Cenas brutais é o primeiro full da Eskröta, o antecedem o EP "Eticamente questionável" e o  Split com a Afronta, "Ultriz", são onze faixas produzidas pelo Martin Furia e com co-produção da Prika Amaral, guitarrista da Nervosa, possui várias participações que somaram positivamente as faixas em questão, que citaremos logo menos!
"Cenas Brutais" é fruto de um financiamento coletivo, que inclusive ultrapassou a meta proposta, mostrando a força da banda no underground que vem lançamento após lançamento ganhando destaque na cena e sem dúvidas tem muita representatividade.
O disco inicia com a faixa "Grita" e dá a tônica do que é o "Cenas brutais", sucessivos retratos de situações cotidianas, sobre violência contra mulher, injustiças sociais, repressão policial, que infelizmente são comuns no dia a dia de milhões de pessoas. 
Aqui já temos uma amostra do que vai ser a marca registrada ao longo das onze faixas, o trampo de guitarra é excepcional, uma enxurrada de riffs é despejada com autoridade, impossível não se contagiar com a força de cada faixa, que são certeiras e brutais!
"Tribunal popular" trata sobre a incursão policial na favela de Paraisópolis que acabou em tragédia devido a ação truculenta da policia, tem uma pegada até mais hardcore em alguns momentos e variações pra um momento de cadência que é simplesmente um convite pra quebrar o pescoço!!!
"Vai se arrepender" traz a primeira participação do disco, Mayara Undead Puertas, do Torture Squad, uma música sobre vingança! Um thrash metal fudido, rifferama e velocidade, e os vocais de Mayara imprimem ainda mais agressividade na faixa!
Na sequencia vem "Cárcere", outra faixa abordando de forma certeira e inteligente o tema violência contra mulher, que sem dúvidas é uma epidemia no Brasil, sobre uma mulher que precisa matar o marido em legitima defesa, pois é matar ou morrer, levando sempre a uma reflexão.
"Cruzamento maldito" não dá refresco algum, segue a pancadaria é riff em cima de riff, uma letra que trata de injustiça social, sobre pessoas invisíveis que tem que se humilhar nos semáforos em troca de alguns trocados pra sobreviver e são ignorados diariamente.
"Condenados" é outra faixa que retrata a violência policial nas comunidades carentes e é muito foda, tanto a letra quanto a música em si, muito bem construídas!
"Não vale nada" fala sobre os crimes da Vale em Brumadinho e Mariana que vitimaram centenas de famílias e seguem impunes até hoje.
"Massacre" retrata a invasão das terras e extermínio dos povos indígenas  e tem uma letra bem forte e incisiva nesse sentido, retratando um caso real.
"Follow the money" é um retrato do país atualmente, fala sobre a corrupção e o sucateamento do SUS e o povo sendo jogado na miséria a mercê da própria sorte! 
"Refugees" fala sobre a postura xenófoba de parte das pessoas com os refugiados, como se fossemos donos dessa terra e traz a participação foda da Fernanda Lira, vocal e baixo na Nervosa, um crossover mais que oportuno entre Eskröta e Nervosa que rendeu essa faixa extremamente agressiva!
Fechando o disco temos "Filha do Satanás", que retrata em sua letra a conhecida história de Carrie, a estranha, de Stephen King, que ficou muito foda na abordagem aqui feita, com a participação de Hugo Golon da Cemitério fazendo o duo vocal pra contar essa história de vingança telecinética!
Juntando todas as onze faixas nesse último comentário sobre o disco, podemos observar que a produção ficou impecável, captou todo o peso e agressividade da banda, sujeira na medida certa e Jhon França se encaixou muito bem na bateria da banda, trouxe um novo vigor, o cara tem uma pegada perfeita para o que foi proposto no disco e não poderia deixar de citar a arte que embala tudo isso, Alcides Burn entregou uma capa foda pra caralho que dialoga muito bem com o título do disco, é isso! Ouçam "Cenas Brutais", comprem merch da banda e apoie o underground, principalmente nesse momento de pandemia em que está todo mundo parado e dependemos de nos unir pra que todos se mantenham nessa parada obrigatória, valeu!!!


TRACKLIST

1- Grita
2- Tribunal Popular
3- Vai Se Arrepender
4- Cárcere
5- Cruzamento Maldito
6- Condenados
7- Não Vale Nada
8- Massacre
9- Follow The Money
10- Refugees
11- Filha Do Satanás 




segunda-feira, 9 de abril de 2018

ENTREVISTA ESKRÖTA

Muito bom poder ver as mulheres participando fortemente na cena e chutando todos os preconceitos e machismo existente em nosso meio, a Eskröta, formada exclusivamente por mulheres é uma dessas bandas que representam bem o que estamos falando, próximo de lançar seu primeiro EP e configurada agora no formato de power trio elas chegam ao Microfonia pra mandar o seu recado, leiam!!!




Olá pessoal, vocês postaram recentemente que a banda passou por uma mudança na formação, a saída de sua vocalista Mars Martins, a ideia agora é permanecer como um power trio?


Yasmin: Após a saída da Mars, fizemos um show com a Letícia (vocalista do SUC) e curtimos muito. Porém, devido à outras datas que tínhamos marcado, gravação de EP e outros compromissos, decidimos que no momento seria mais viável permanecer nós três e sentir como o público vai responder.

Com relação ao lançamento do material da banda, vocês podem nos ceder alguns detalhes, quantas faixas pretendem incluir e onde pretendem gravar?

Yasmin: Serão 7 músicas em um EP, que foi gravado junto ao estúdio Warzone em Santos/SP, com produção do Léo (vocal e guitarrista do Surra) e do Jurema. Vocês podem esperar várias referências diferentes, dentro do thrash/crossover.

Quais são as ideias que vocês expõem em suas letras, vocês seguem uma temática ou falam sobre coisas variadas? Em que vocês buscam suas inspirações na hora de compor?

Yasmin: Nós procuramos falar de assuntos variados, mas sempre com foco em problemas sociais, empoderamento feminino, entre outros. Para nós é importante que as pessoas saibam o que estamos falando, por isto escrevemos em português. Inspirações para compor letras e métricas de voz, creio que Ratos de Porão, Sepultura, Dorsal Atlântica, Nervosa, estas brasileiras que mandam muito bem.

Que desafios vocês encontram na vivência da cena underground por ser uma banda só com mulheres na formação?

Yasmin: Principalmente ter que colocar a prova nosso conhecimento musical. Passamos muito por "mansplaining", ou seja, os caras querem dar aula pra gente, explicar como o som ficaria melhor, como regular o amplificador, a bateria, entre outras situações desagradáveis principalmente em comentários pela internet, mas de forma geral o público têm sido bastante respeitoso ao vivo. 




O que motivou cada uma de vocês a querer ter uma banda e que mensagem vocês mandariam para outras minas que tem vontade de tocar um instrumento e formar suas bandas?

Yasmin: Eu tinha muita vontade de ser como Lita Ford (The Runaways) ou Donita Sparks (L7), minha família não gostou da ideia, mas eu tinha amigas como eu, que gostavam de heavy metal e queriam tocar. Isso foi um privilégio pra mim, porque na minha cidade já tinham meninas que tocavam/cantavam, os meninos não queriam uma mina na banda, a não ser que ela fosse como a Amy Lee (Evanescence). Então continuamos, até mesmo pra provar que a gente podia ter uma banda muito melhor do que a desses caras. Só posso dizer por mim, mas a Tamy e a Miriam também tocam desde cego e continuam perseguindo esse sonho junto comigo.

Quais as influências da Eskröta, acredito que cada uma de vocês tem suas preferências, uma diferente da outra, mas de que forma definiram a sonoridade da banda quando se uniram pra tocar?

Yasmin: É difícil dizer por todas, mas a Miriam curte muito jazz, a Tamy gosta de muita coisa e eu também. Apesar de estarmos dedicadas ao metal isso não nos impede de enxergar a qualidade de outros estilos musicais.

Vocês passaram recentemente aqui pelo PR e por SC para algumas datas, como foram essas apresentações e quais são os próximos compromissos ao vivo da banda?

Yasmin: A tour por Florianópolis, Blumenau e Curitiba foi sensacional. Muitas bandas fodas tocaram com a gente e eu fiz questão de anotar para acompanhar, é muito massa dividir palco com a galera de diferentes lugares. Sobre os próximos shows, não poderíamos estar mais felizes... Estaremos em Goiânia e Brasília em maio (2018) e isto é um daqueles sonhos que se concretiza. Sabe? Esperamos conhecer cada vez mais lugares.

Mantendo nosso tradicional vício chato por listas, quais são os 5 álbuns favoritos de vocês, discos que consideram essenciais na formação de seu gosto musical?

Yasmin: É difícil listar, mas gosto estou ouvindo muito Suicidal Tendencies - How will I laught tomorrow, Nervosa - Victim of Yourself, Kreator - Violent Revolution, Imminent Attack - Welcome to My Funeral e L7 - Bricks Are Heavy.

Pra finalizar, gostaria de deixar o meu muito obrigado pela atenção em falar conosco e reservar este espaço pra que deixe sua mensagem como bem entender a todos que nos acompanham.

Yasmin: Espero que todas as minas que estejam lendo esta entrevista, que estão nos nossos shows, que participam do underground de alguma forma, sintam-se motivadas em continuar indo em eventos, que cantem ou toquem, porque a gente tem que fazer a diferença. E aos caras que estão lendo, que respeitem o espaço das mulheres nesta luta!