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domingo, 16 de agosto de 2020

BASTTARDZ - BRASIL COM Z (2020) - REVIEW MICROFONIA

 

Não temos do que reclamar quando o assunto é hardcore/crossover aqui pela terra das palmeiras onde canta o Sabiá! Somos referência nesse gênero, grandes bandas estabelecidas ao longo dos anos e o estilo segue se renovando revelando novos nomes para a cena que seguem levantando a bandeira do roque veloz com muito conhecimento de causa e talento!

A Basttardz vem São Luís-MA, terra que tivemos a oportunidade de conhecer durante o fatídico Metal Open Air em 2012, mas isso não é o que queremos ressaltar, São Luís é uma capital bela, banhada pelo mar e que apresenta problemas que todas as capitais e regiões com maior densidade demográfica nesse país apresentam, violência, desigualdade, truculência policial, racismo estrutural, falta de oportunidades, isso não é exclusividade de lugar nenhum no Brasil, infelizmente, mas serviram de combustível para Andrezão (vocais), Francis (guitarra), Texugo (contrabaixo) e Topeira (bateria) criar as oito faixas de “Brasil com Z” lançadas em maio, que tem sangue no “zóio” de sobra!




Estava acompanhando a terceira edição do Festival Online da Roadie Crew e me deparei com os caras executando duas faixas de seu disco, “Agrotrash” (crítica ferrenha ao maquiavélico agronegócio brasileiro, tá óbvio no nome da faixa né...rs) e “Desgraça”, já me pegou de cara, sonoridade foda, primeira referência que me veio à mente foi a do D.F.C., porém é só um ponto de referência mesmo pra explicar o som, pois os caras já deixam em seu primeiro registro faixas com personalidade de quem sabe o que está fazendo.

O defeito de “Brasil com Z”, e´ que como todo bom registro de roque veloz que se prese, é curtíssimo e acaba deixando aquela sensação, quando será que a Basttardz vai lançar novos sons?

Caso vocês tenha ideias reacionárias, retrogradas, preconceituosas, apoie esse monte de merda que está no poder, esse som não é pra você, então não desperdice seu tempo e nem o nosso, sem tempo irmão! Em cima disso, vou falar qual é o destaque absoluto desse disco pra mim, “Fogo na zona sul”, dá uma aula de consciência de classe, “...fogo na zona sul, playboy é tudo pau no cu...”, simples e direto ao ponto, recado mais claro impossível! A faixa título abre o disco com responsa, mostrando que, nas palavras da própria banda, não adiantar mentir, o inferno é aqui! “Corra que a polícia vem aí” apresenta um tema óbvio, porém curti a abordagem da letra e inserção de um trecho de “Fuck Tha Police” do N.W.A. no finalzinho da faixa que ficou genial, além desses destaques as faixas já citadas que foram apresentadas no festival da Roadie Crew merecem uma audição com atenção!

Pra finalizar vamos mandar o recado de sempre, busquem ouvir coisas novas, nosso underground é riquíssimo e existe bandas produzindo materiais incríveis em todos cantos desse Brasil, saia fora do eixo, adquira materiais, não reclame da cena, faça algo por ela!




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quarta-feira, 22 de julho de 2020

ENTREVISTA CRANIAL CRUSHER

A Cranial Crusher é uma banda de Thrash metal/Crossover, formada em 2010 lá em São Bernardo do Campo-SP pelos amigos Renan Stoiani (Baixo e vocal), Lucas Aímola (Guitarra) e Guilherme Fructuoso (Bateria). Desde então se foram vários shows, singles, Eps e agora os caras se encontram em processo de composição para um novo album e nos contaram um pouco de como andam as atividades da banda e como estão lhe dando com esse momento complicado de pandemia que atravessamos, pra saber mais confiram logo menos nosso papo e não deixem de conferir o trabalho da banda que manda um som muito foda!




Fala pessoal! Satisfação em poder ter a Cranial Crusher aqui no Microfonia, lançando a máxima de que o tempo voa, lá se vão dez anos de banda, olhando pra trás agora e revivendo um pouco dessa história, que momentos vocês destacariam na trajetória da banda que ficaram marcados de alguma forma?

CRANIAL CRUSHER: Fala pessoal, primeiramente obrigado pelo espaço, é um prazer enorme poder trocar ideia aqui no Microfonia Underground!
Bom, agora é a nossa vez de usar uma máxima, porque na real parece que foi ontem que tudo começou (risos)! Começamos a banda em fevereiro de 2010 e nessa época tocávamos só uns covers de Ratos de Porão, Misfits, Metallica e Slayer com uns equipamentos muito precários.  De lá pra cá todo mundo evoluiu dentro e fora da banda, tudo tem sido bem bacana, as composições, os lançamentos, os shows e todos os amigos que fizemos ao longo dos anos.
Aos poucos fomos incrementando ideias e influências de cada um e direcionando a banda para ter nossa própria sonoridade e isso é bem daora. Pouco a pouco foram aparecendo shows aqui e ali, alguns grandes e outros nem tanto. Nosso primeiríssimo show foi no clássico “festival da escola” que o Renan e o Fruto estudavam, a gente era tudo criança e tocamos só duas músicas e valeu bastante pela experiência, então fica como um dos destaques.
Vale citar também um show que fizemos em Poços de Caldas em 2016, tocamos era umas 4h da manhã e tinha zero pessoas na casa mais ou menos. Nesse dia deu tudo errado, quebrou a bateria no meio do show, não nos pagaram o valor que tinha sido combinado e dormimos num hotel muito podre. Na época ficamos meio putos, mas hoje damos muita risada disso, foi uma aventura (risos).

Vocês mantêm a formação original da banda como os mesmos membros até aqui, a que se deve a longevidade da parceria, visto que infelizmente não é comum no meio underground a durabilidade nem de formações e nem de bandas?

CxCx: A gente já tinha uma amizade antes mesmo de formar a banda. O Renan e o Fruto estudaram juntos por vários anos e se conhecem dos tempos de escola, depois conheceram o Lucas através de amigos em comum e de lá pra cá a parceria só se fortaleceu. Vira e mexe a gente manda o outro à merda, mas esse tipo de atrito faz parte e a gente leva numa boa. A longevidade da formação se dá justamente ao fato da banda ter surgido em meio a uma amizade, então tudo acaba sendo bastante sólido. É diferente de quando você tem apenas “músicos” numa banda, vira praticamente uma relação profissional. Felizmente esse não é o nosso caso!



Quando vocês se reuniram como banda já havia um senso comum de como vocês gostariam que soassem? Quais foram as referências que vocês usaram de inspiração na hora de moldar essa questão da sonoridade?

CxCx: Na real bem no começo da banda a gente só tocava e não sabia muito onde queríamos chegar. O Lucas era de uma pegada mais metal tradicional, heavy metal e tal. Já o Fruto curtia thrash metal bem oitentista e o Renan também, mas tinha bastante influência de punk, hardcore e crossover. Essa diferença foi super positiva, fomos agregando as influências individuais à banda e com o passar dos anos nosso som foi moldado e direcionado pra algo que a gente curta.
Mesmo hoje a gente traz influências de várias escolas diferentes, então o resultado acaba sendo bem heterogêneo, com sons que vão desde uma pegada mais crust punk até uns thrash metal da velha guarda, passando pelo heavy metal, crossover e vários outros estilos.

Estou escrevendo a entrevista nesse momento ouvindo a discografia da banda e traçando uma linha do tempo, após o single de “Too many cops” em 2012, o primeiro lançamento da banda foi o Split com a Cerberus Attack, lançado em CD como “Cranial Attack”, como foi a gravação desse material, a banda já possuía experiência de estúdio? Vale observar que foi gravado ao vivo, como foi esse rolê e o que vocês fariam diferente hoje? 

CxCx: Essa gravação do split foi sensacional, pois gravamos na quebrada dos caras do Cerberus ao vivo mesmo, como você disse. Foi nossa primeira experiência em estúdio e nessa época a gente tava ensaiando demais, quase todo o fim de semana umas 5h por dia. Aí saímos de São Bernardo de ônibus, pegamos umas 3 conduções pra chegar no estúdio e tudo isso fazendo a maior farra no caminho! Então a gente só chegou lá, gravamos e fim, não tínhamos muita noção das coisas.
Na real não faríamos nada muito diferente, quer dizer, foi o que era pra ser mesmo saca? De repente só ajustar melhor os timbres, afinar os instrumentos direito (risos!), regular bem os equipamentos e tal, mas rolou legal e o split registra bem o momento. A gente chegou lá e tocou como se fosse um show e foi uma experiência bem bacana.

A banda participou do tributo ao Lobotomia, com a faixa “Faces da morte”, ficou muito foda vocês tocando esse som, como surgiu o convite pra participar desse corre? Lobotomia é uma influência no som da Cranial Crusher?

CxCx: Na época uma das bandas que ia participar da coletânea ramelou e o Edu Voodoo (Lobotomia) tava precisando de uma banda pra colocar no lugar. Aí um grande amigo nosso, o Bodão (Profundezas), que é um grande amigo do Edu, falou da gente pra ele. Inclusive tínhamos tocado no rolê que o Edu agitava (Garage Fest, em Ribeirão Pires - SP). Aliás, nesse dia a gente tocou um cover de “Nada É Como Parece” do próprio Lobotomia com o Edu no vocal, mas sem pretensão nenhuma e acabou sendo muito louco. No fim das contas o Edu curtiu a sugestão e gravamos Faces da Morte, mas a coletânea infelizmente ainda não foi lançada.

Vivemos um momento muito difícil para as bandas e músicos e cultura em geral, já que não temos ideia de quando poderemos voltar a ter shows e nem de que forma isso será feito no futuro, como vocês tem encarado essa situação e quais são as saídas que vocês acreditam que poderão ser utilizadas pra voltarmos as atividades no underground em termos de shows?

CxCx: Desde o ano passado já não vínhamos realizando muitos shows devido à gravação do novo play. Aí esse ano de 2020 veio, pandemia e tudo mais e atrapalhou muita coisa, tínhamos planos pra celebrar os 10 anos de Cranial, merchan e disco novo e várias coisas legais que infelizmente não conseguimos concretizar até o momento, mas seguimos na correria e com esperanças de tempos melhores.
Estamos aproveitando esse tempo livre pra agilizar novas composições, fazer alguns corres da banda que tinham ficado pra trás e também pra dar atenção a outras atividades pessoais que acabaram ficando de lado.
Agora o futuro é bastante incerto, não há muitas saídas seguras para a retomada de atividades a não ser esperar por uma vacina e pela redução do números de novos infectados.
Enquanto isso, da nossa parte estamos ficando ao máximo em casa e seguindo as orientações dos profissionais de saúde. Só assim pra voltarmos à normalidade o quanto antes.
Em relação aos eventos, as transmissões ao vivo estão ganhando bastante espaço, então pode ser que o esquema de shows mude um pouco, mas claro que essa é só uma suposição porque fica difícil pensar em saídas viáveis no momento. Sabemos que a situação ficou difícil pra muita gente, principalmente pra quem vivia disso, seja de uma casa de show, barzinho, loja, estúdio. Infelizmente vimos alguns picos que tocamos fecharem, é bastante triste.

Pra deixar de lado esse fator negativo da pandemia, vamos cair no ditado de que recordar é viver, quais as apresentações da Cranial Crusher que ficaram marcadas na memória da banda e que histórias vocês citariam como inesquecíveis dos momentos de estrada da banda que vale a pena compartilhar?

CxCx: Em Piracicaba-SP, em 2012, com o Bandanos e Violent Illusion, primeiro show “oficial” do Cranial: a gente tava nervoso pra caramba e foi bem louco; abertura para o Violator em São Bernardo do Campo-SP em 2013: fizemos grandes amigos nesse dia; Overload Clandestino quando tocamos na calçada do Carioca Club (SP) na porta do Overload Beer Festival, fizemos um corre absurdo pra viabilizar essa invasão, contamos com o apoio de vários amigos e deu tudo certo, foi muito foda; festival Da Rua pra Rua em São Bernardo do Campo-SP em 2017 organizado pelo Coletivo Refuse Resist, quando tocamos na carreta de um caminhão;  Tinguá Thrash também organizado pelo Coletivo Refuse Resist (exemplo de parceria e união no underground, inclusive tem vídeos muito bem produzidos deste evento e até um mini documentário que recomendo que assistam!), todas as apresentações da pista de skate de São Bernardo do Campo, todas as vezes que tocamos no Mineiro Rock Bar em Osasco-SP, todas do finado bar CPB em Cambuí-MG do nosso grande amigo Mané e por fim e não menos importante, a ve que tocamos com o Ratos de Porão em Santo André-SP.





Eu sempre falo com os amigos e parceiros de Microfonia por aqui que o Brasil é o país do Thrash metal e do crossover, produzimos bandas incríveis nesses gêneros, gostaria que vocês nos indicassem que bandas nacionais consideram seminais dentro dessa vertente?

CxCx: Securitate, Alucinator, Cerberus Attack, Suffocation of Soul, Bastardo, Damn Youth, Exorcismo, Heritage (e todas as bandas que o Rodrigo Costa já tocou. O menino é um prodígio dos riffs!) Metalizer, Criminal Mosh, Bandanos, Acid Speech, Bomb Threat, Dunkell Reiter, Hate Your Fate e por aí vai (esse tipo de lista é sempre injusta porque tem muito mais bandas que conseguimos citar...)

Em fevereiro vocês lançaram um novo som, “Tendência Suicida”, single do próximo album da banda, pretendem lançar ainda em 2020 ou os planos foram afetados por conta da pandemia?

CxCx: Como dissemos anteriormente, os planos que tínhamos pra esse ano foram muito afetados pela pandemia, mas não desanimamos. Seguimos compondo e trabalhando em material novo, mas sem data prevista para lançar nada. A única certeza que temos é que tá tudo incerto!



Ainda sobre esse vindouro novo álbum, o que poderiam nos adiantar a respeito? Quantas faixas terá? Já possui um título? Arte da capa? Como estão essas questões com relação ao novo trampo?

CxCx: Vamos lá, em primeira mão aqui hein! A ideia do disco é abordar todo o ódio que um ambiente de trabalho hostil pode gerar, como o proletariado é explorado, relações tóxicas no ambiente de trabalho e a revolução/guerra de classes. A arte inclusive já tá pronta e ficou muito foda! Foi feita pelo Ronilson Freire (Jackdevil, Electric Poison), que é também ilustrador de quadrinhos, então tá um trampo fino demais, mas que só vamos soltar mais pra frente. Também vamos lançar novas camisetas e merchan que tá dando gosto de ver. Aguardem!!!

Mantendo nosso tradicional pedido infame a todos os entrevistados, gostaria que nos dissesse quais são os cinco melhores álbuns de todos os tempos segundo a Cranial Crusher?

CxCx: Mencionar apenas cinco discos gerou muita discussão entre nós, então decidimos citar alguns poucos (dos vários) que são de extrema importância para nossa escola musical. São eles:

Beneath the Remains - Sepultura
Nada é Como Parece - Lobotomia 
Tortured Existence – Demolition Hammer
Kill ’em All - Metallica
Handle with Care – Nuclear Assault
Walls of Jericho - Helloween
Best Wishes – Cro-Mags
Lights, Camera, Revolution – Suicidal Tendencies
Brasil – Ratos de Porão
Pela Paz em Todo o Mundo - Cólera
Antes do Fim – Dorsal Atlântica
We Crush Your Mind with the Thrash Inside - Bandanos
The Legacy - Testament
Reign in Blood - Slayer
Nada Como um Dia Após o Outro Dia – Racionais MCs

Pra finalizar, gostaria de agradecer novamente por falar com a gente e reservar esse espaço pra que mandem seu salve como desejar.

CxCx: Obrigado pelo papo, foi muito bacana! Além do som, temos mensagens importantes a transmitir por meio de nossas letras, então sempre procurem lê-las e falar conosco quando quiserem. Pra nós no underground não deve existir divisão entre público e banda e o diálogo e a troca de ideias são muito importantes!
Além disso, pedimos a todos que se cuidem e tomem todas as precauções possíveis para que possamos sair dessa situação o quanto antes e da melhor forma! Até lá, tentem manter-se bem e fortaleçam laços com amigos e familiares, a união é muito importante! Apoiem os pequenos, sejam músicos, bandas, artistas e comerciantes. Valeu!
Acompanhem a gente nas redes sociais:




quarta-feira, 15 de julho de 2020

ENTREVISTA KULTIST

O Kultist é uma banda de São Paulo/São Carlos formado por Karine Profana (baixista), Yasmin Amaral (guitarrista), Letícia Figueiredo (baterista) e o vocal fica por conta de Daniel Pacheco (ex-Cursed Slaughter) que pratica um som de influências variadas dentro do metal, mas vamos usar a própria descrição da banda: : A Lovecraftian dark metal band, transformam o terror de Lovecraft em letras e riffs sombrios que podem ser conferidos em seu primeiro álbum, "The Black Goat", lançado em 2019 que traz oito faixas com temáticas totalmente voltadas para a obra do escritor americano de fantasia e ficção, mestre do terror cósmico!!! Confiram a seguir o papo que tivemos com Daniel Pacheco que nos conta um pouco mais sobre a banda!!!







Primeiramente muito obrigado por falar com o Microfonia, poderia nos contar de que maneira foi formada a Kultist, o que acabou reunindo vocês pra formar a banda?

Daniel Pacheco: Obrigado vocês pelo espaço! O Kultist nasceu lá por 2016 se não me falha a memória, eu e a Yasmin tínhamos vontade de fazer música juntos. No início éramos apenas nós dois e decidimos fazer um som voltado para o Death mais old-school, por ser um estilo que a gente escutava bastante junto. Nosso primeiro batera foi o Caio Imperato, chegamos nele por indicação de uma camarada nossa, com ele nós compusemos e gravamos a Black Swamp, nosso primeiro single. Depois disso a Karine Profana entrou no baixo, já a conhecia de outros rolês, mas como guitarrista, até que ela postou um vídeo tocando Possessed By Skate no baixo e eu fiquei doido, falei que ela precisava estar na nossa banda rsrs. Alguns bateras passaram por essa formação, todos contribuindo com linhas para algumas músicas, mas a definitiva foi a Letícia Figueiredo, que chegou por indicação da Lary Durante do High Hat Girls para a Karine, a química foi muito instantânea, no primeiro ensaio já tínhamos um rascunho de som novo e ali tivemos certeza de como a banda deveria soar e seguir.

Como surgiu essa ideia de criar músicas baseadas na literatura de HP Lovecraft e de que forma vocês condensam nas letras toda essa riqueza de mitos presentes nos contos do cara?

Daniel Pacheco:
Cara, essa parte foi um pouco da minha iniciativa lá atrás, eu já criei a banda com esse propósito na real, eu adoro escrever sobre terror, minha primeira banda (Cursed Slaughter) já falava sobre filmes de terror lá em 2009. Eu sempre li muito Lovecraft, adoro a mitologia, ai pensei que seria legal a banda ter um conceito forte, tanto visual quanto lírico, ainda bateu das outras integrantes também gostarem bastante de toda mitologia criada pelo cara. Quando eu escrevo a letra, eu procuro abordar um conto ou uma divindade e condensar os pontos mais relevantes para aquela história. Mas temos planos de abrir mais isso. Quem sabe um disco inteiro sobre o mesmo conto? São possibilidades infinitas.

Vimos em sua página que há um novo disco vindo, o que vocês podem nos contar sobre esse futuro novo registro?

Daniel Pacheco:Não muito na verdade, a quarentena tem ferrado a nossa cabeça, o primeiro disco do Kultist levou 3 anos para ser escrito, a gente é bem caprichoso com cada som e com cada riff, então praticamente tudo que a gente compõe até o final acaba sendo aproveitado. Temos uns rascunhos prontos e um tema em mente e isso é tudo que eu posso dizer rsrs.

Pra quem não conhece HP Lovecraft e quer se situar nas letras da Kultist, em que contos do autor vocês se inspiraram pra escrever as faixas de “The Black Goat”?


Daniel Pacheco:
Shub-Niggurath - “Um Sussurro nas trevas”
The Crawling Chaos - Divindade Nyarlahotep, ele aparece em diversos contos.
The Kult Of Dagon - “Sombra sobre Innsmouth”
Eternal Abyss - “Os outros Deuses”
Symphony Of Madness - “A música de Erich Zann”
Frozen Fear - “Nas Montanhas da Loucura”
Sign In Blood - “Sonhos na casa da Bruxa”
Black Swamp - “Dagon”



 

 No campo lírico sabemos qual referência da banda, mas em termos de sonoridade, quais são as influências da banda?

Daniel Pacheco: Caramba essa é bem complicado pois são muitas, muita coisa de Doom, Voivod, Discharge, Kreator, Megadeth, Possessed, Sepultura antigo, putz, acho que cada música tem uma coisa muito particular, não consigo definir bem rsrs, a gente adora a coisa mais dissonante, uns tempos mais esquisitos, então isso acaba refletindo bastante.

Como foi o processo de gravação de “The Black Goat”, poderiam nos dizer alguns detalhes a respeito? Quem foi o responsável pela produção, mixagem, etc? O resultado final é muito bom, a qualidade do registro é ótima!

Daniel Pacheco: Obrigado! Os créditos são todos do Diego Rocha do Bay Area Studios. O processo foi muito rápido, gravamos o disco em uns 4 dias, a mixagem demorou um pouco mais e ficamos bem felizes com o resultado também! Tudo fluiu muito legal, acho que o Diego conseguiu captar o que a gente queria passar, sei que para deixar a mostra tudo que queríamos não seria nada fácil rsrs o Kultist tem uma particularidade que são as linhas de baixo bem diferentes da guitarra e encaixar tudo isso numa mix, com timbragem e etc, é um trabalho bem complicado.



Qual o conceito na escolha do título “The Black Goat”, visto que não é o título de nenhuma das faixas do disco, tem algum motivo especial pra esse nome pro album?

Daniel Pacheco: A divindade Shub-Niggurath é conhecida como a cabra negra dos mil filhotes, por isso o nome The Black Goat, na letra da música a gente fala sobre isso. Além disso tem toda a coisa de ser meio que uma ovelha negra, não se adequar às normas ou padrões, que é uma coisa com a qual todos nós da banda nos identificamos.

Quem foi o responsável pela criação da arte da capa do disco e qual o conceito por trás dela?

Daniel Pacheco: Quem fez essa capa foi o Wendell Narkdemi, um artista fantástico de quem eu sou muito fã. Quando eu envio uma arte para alguém trabalhar, eu gosto de deixar a pessoa bem solta, então costumo enviar as letras e deixar a pessoa trabalhar em cima daquilo. Ele nos enviou esse cultista cercado por montanhas (que se parecem com outros cultistas) e por cima deles a sombra da Shub-Niggurath, essa arte é muito boa e dá uma condensada legal em todas as letras.

Como está sendo esse momento de pandemia para a banda? Acham que há possibilidades de um retorno as atividades culturais/shows ainda nesse ano?

Daniel Pacheco: Pessoalmente eu acredito e sinceramente espero que não haja um retorno nem esse ano e nem por uma parte do próximo, simplesmente não é seguro, nem para nós como músicos, nem para quem é público, o Covid é uma doença muito nova e ainda não temos ideia da real dimensão do seu comportamento ou reincidência (isso para não falar de dados falsos sendo divulgados pelo governo, para passar uma falsa sensação de segurança). Como músicos, estamos estudando, sei que todos nós temos investido tempo em nos aprimorar em nossos instrumentos. O Kultist é uma banda que depende muito da nossa química juntos, nós escrevemos praticamente tudo em estúdio, então temos guardado algumas boas ideias para quando for possível e seguro estarmos juntos novamente.


Pra não perder o costume de pedir listas aos nossos entrevistados, segundo a Kultist, quais os 5 melhores álbuns de todos os tempos e aproveitando o momento de quarentena, deixem uma dica de leitura pra galera também.

Daniel Pacheco:

Faith no more - The real thing

Voivod - Killing Technology

Megadeth - Killing is my Business

Possessed - Seven Churches

Iron Maiden - Powerslave

Leitura: H.P. Lovecraft - Medo Clássico Vol 1

Gostaria de agradecer por falarem com o Microfonia e reservar esse espaço pra que mandem seu recado como desejar, valeu!!!

Daniel Pacheco: Muito obrigado pelo espaço e pela paciência! Desejamos força a todos que estão encarando essa quarentena, os tempos são sombrios, mas irão passar no meio tempo, tentem ficar lúcidos e caso não consigam, declarem todo o seu amor aos deuses anciões ouvindo Kultist!







quarta-feira, 8 de julho de 2020

CÉREBRO DE GALINHA - SOCIEDADES SECRETAS (2018) REVIEW POR BETO FILHO



Ficha técnica:

·         Banda: Cérebro de Galinha

·         Origem: Brasil - Marabá-PA

·         Álbum: Sociedades Secretas

·         Gravadora: Monstro Discos

·         Gênero: Hardcore, Crossover, Thrash Metal

·         Membros: Torrada (Baixo), Cego (Vocal), Mort (Guitarra), Suco Gástrico (Bateria)


Marabá, sudoeste do Pará, capital do Carajás e terra da castanha.

Em uma cidade em que o brega, o arrocha, o forró e o sertanejo dominam as rádios de Marabá e de todo o Norte Brasileiro, os rapazes do Cérebro de Galinha, que mandam um som crossover / Thrash / HC é considerado um oásis da cena underground. O mais legal de tudo é que, apesar da banda ter como ideia central uma pegada totalmente brutal em suas composições, eles não negam suas origens e se auto intitulam uma banda Hardcore / Crossover, mas também amantes da lambada, do reggae, do brega e do forró, músicas de origem e de formação dos integrantes paraenses.

Meu primeiro contato com o trabalho da banda foi em novembro de 2019 e quem me apresentou essa desgraceira foi o Catarro, um grande camarada que hoje é uma espécie de “correspondente” lá dos confins da Áustria e é um grandioso pesquisador de bandas do mundo todo e descobriu essa pérola do Marabá!

 A história dos caras é maluca!

Tudo começou com um vídeo que viralizou nas redes sociais com eles tocando em um terreno baldio, numa casa abandonada. Sempre que podiam, eles pegavam os amplificadores, bateria e tudo que há de parafernália para tocar nesse lugar, pulando muros, andando nos brejos, até chegar nesse terreno.

Ali, com a companhia de alguns animais roedores, faziam uma espécie de “teto acústico”, cobrindo como podia com papelão um teto de zinco. Agora imagina, manos! A umidade que é o Norte, tocando num sol fortíssimo, e todo o calor ia para dentro desse lugar, devido ao teto de zinco...com uma estrutura de dar dó, só vendo para acreditar!

Como o vídeo viralizou, sem nenhuma intenção deles, muita gente ficou interessada em saber de onde eles são, inclusive oportunidades de ceder lugar melhor para eles gravarem um disco. E esse lugar, veio: Há 2.500 km de casa!

Graças ao esforço dos caras, eles viajaram até São Paulo de busão (primeira vez dos caras na cidade!), se impressionaram com a agitação e gravaram uma podrera linda, “Sociedades Secretas”.

Dou destaque para as faixas “Ameba”, “Hipócrita”, “Nova Ordem Mundial”, “Isso sim é Difícil”, “Diário de um Preguiçoso”, com uma introdução maravilhosa que lembra um pouco as famosas guitarradas paraenses e a música que conheci os caras no estúdio improvisado, “Mundo em Caos”.

Em resumo, se o Cérebro de Galinha tocar em qualquer festival na sua cidade num futuro que nem sabemos, cola no rolê bêbado e caia no mosh porque o som dos caras é para isso, para pura diversão!










"Mundo em Caos" em estúdio improvisado: https://www.youtube.com/watch?v=LOBDOEqs2NU

terça-feira, 7 de julho de 2020

STAB - Sepulchral Lullaby (2020) - REVIEW MICROFONIA


Ficha técnica:

·         Banda: Stab

·         Origem: Brasil - Piracicaba-SP

·         Álbum: Sepulchral Lullaby  

·         Gravadora: Independente

·         Gênero: Thrash metal

·         Membros: Murilo Ramos (Guitarra e Voz), João Polizel (Baixo), Leonardo Veronez (Bateria)


Confesso que quando me deparei com o nome da banda imaginei outro tipo de sonoridade, já que "Stab" é uma música do grupo carioca Planet Hemp, então logo fiz as ligações que me eram óbvias na cabeça naquele momento, um som moderno, flertes com o hip-hop, algo mais alternativo, que também acho interessante, mas o título do EP aqui já denunciava que eu estava muito enganado, Sepulchral Lullaby traz uma sonoridade calcada de forma explicita no thrash metal e como costumo brincar, todo brasileiro curte futebol, cerveja e thrash metal!!!

Aqui a proposta é simples porém certeira, como colocou a banda "Nossa proposta é de unir o peso, a agressividade e a velocidade, que são típicos do thrash metal,a uma sonoridade sombria", em primeiro plano o que me chamou a atenção foram os vocais, que conseguem imprimir essa parte sombria ao som, devido ao timbre interessante do vocalista Murilo Ramos, pra dar uma ideia do que estou falando, a referência que me veio à mente foi a de Sérgio Chaves no Chakal, fase "Death is a Lonely Business", principalmente me momentos de cadência nas faixas.

O EP que chegou as plataformas de streaming em fevereiro possui quatro faixas que foram capitadas, mixadas e masterizadas no Casarão Music Studio em Piracicaba-SP, por Franco Torrezan e possui um bônus gravado em formato ao vivo no estúdio.

O Stab é uma banda em pleno desenvolvimento, foi formada em 2017 e esse seu primeiro EP demonstra o quanto eles tem talento pra evoluir muito mais, a impressão que tive ao ouvir Sepulchral Lullaby na realidade é a de que eu gostaria de ouvir mais faixas, passa rápido e logo você está repetindo tudo de novo, estou aqui curtindo o som dos caras enquanto escrevo!

Falando da sonoridade praticada em si, a banda caminha por várias camadas diferentes dentro de seu som, flertam com o hardcore/crossover, com o heavy metal e apesar de ser um som agressivo há muita melodia nas faixas, como em "In the streets" por exemplo.

Como faixas que gostaria de destacar, indico a audição no detalhe de "Scum" que é uma porrada e as variações sonoras de "God´s Sheep", duas demonstrações do poder de fogo da cozinha coesa da banda, grata surpresa conhecer a Stab, aguardamos novidades dessa galera de Piracicaba.





Fontes de pesquisa:








segunda-feira, 6 de julho de 2020

SANGUE DE BODE - A Sombra que me Acompanhava era a Mesma do Diabo (2020) - RESENHA POR BETO FILHO



Ficha técnica:

·         Banda: Sangue de Bode

·         País: Brasil - Rio de Janeiro

·         Álbum: A Sombra que me Acompanhava era a Mesma do Diabo

·         Gravadora: Electric Funeral Records

·         Gênero: Black Metal, Death Metal, Crossover

·         Membros: João (Baixo e Voz), Gabriel Fontes (Guitarra) e Gabriel Medeiros (Bateria)



Em uma cidade de pouco mais de 25 mil habitantes, a pacata Miguel Pereira, cidade do interior carioca é a morada da banda Sangue de Bode, que vêm impressionando de maneira positiva na cena underground com sua raiva e melancolia em suas composições.

Com um vocal crossover e com composições que passeiam entre o Death e o Black Metal, o trio formado por João (Baixo e Voz), Gabriel Fontes (Guitarra) e Gabriel Medeiros (Bateria), lançaram em fevereiro desse ano o álbum de estreia “A Sombra que me Acompanhava era a Mesma do Diabo” pela gravadora Dark Funeral Records. Antes desse álbum, eles tinham apenas um EP de uma música sombria “Comendo Lixo”, onde inclusive eles produziram um videoclipe bem pesado!!!

E, cara...que disco foda! A começar pela capa, totalmente sinistra de uma mina que parece ser possuída pelo “capiroto”, no meio do mato, num dia bem sombrio. Uma capa impactante, em que a autora da foto é a fotógrafa Clara Ribeiro (Instagram: @clararibeiroph) e a modelo da foto é a Fernanda Ladislau (@fernanda.ladislau).

O disco merece destaque para as faixas “Messias de Merda”, com críticas ferrenhas ao “excrementíssimo” Presidente da República, “Jazigo”, com uma pegada mais direta, com uma letra bem depressiva e “Pivete Executado”, uma faixa com um instrumental e uma história de um pivete ao fundo, onde parecia ser alguma treta que ele participava, sendo interrogado por uma espécie de policial (foi o que eu interpretei, risos!)

Em resumo, mesmo com esse ano maluco que estamos vivendo, somos agraciados com essa obra prima brutal e extrema e o time Microfonia deseja vida longa a esses caras, que fazem um som muito foda, que só faz fortalecer a cena do underground.




Fontes de Pesquisa:

Instagram Oficial: https://www.instagram.com/sanguedebode/

Facebook Oficial: https://www.facebook.com/sanguedebode666/

YouTube Oficial: https://www.youtube.com/channel/UCMk1ZXN-yIl6v_Q8eJRKBHA

Spotify Oficial: https://open.spotify.com/artist/43ZQFpcwdGqWL5u7JSneXq

Canal Baile do Capiroto: https://www.youtube.com/channel/UCbpoIjRd89bLlzxbYEyX8FQ

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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

ENTREVISTA TURBULENCE

Aos 45 do segundo tempo viemos pra entregar nosso último trampo de 2019, entrevista com nossos conterrâneos da Turbulence, prata da casa que apesar de seu pouco tempo de existência, na ativa desde 2016, já demonstra que tem tremendo potencial, é o que podemos conferir ao ouvir o EP "Madness", que traz cinco faixas de um metal/punk de respeito, bebendo nas melhores fontes do estilo e mostrando que tem muita personalidade ao compor, além de uma produção muito boa, enfim, confiram como foi nosso papo com o Barth, baixo e vocal da banda!!!




Fala galera, obrigado por falar com o Microfonia, a Turbulence tem uma história recente, iniciou as atividades em 2016, gostaria que nos contassem como se iniciou a trajetória da banda?

Barth: Valeu Microfonia, muito obrigado a oportunidade de falar um pouco sobre a Turbulence e o som que a gente faz. Então, sim, temos uma história recente, praticamente ainda estamos engatinhando em termos de gravações e material já registrados. A Turbulence surgiu da minha inquietude de fazer um som que fosse minimalista, direto, sem frescura, inspirado em coisas como Motorhead (claro), Discharge, Inepsy, Venon, Anti-Cimex, GBH, Toxic Holocaust, Gehennah entre outros. Quando eu me mudei pra Maringá-PR, quase 5 anos atrás, já cheguei com essa idéia e procurei o Maka (batera) que já era meu amigo e eu já sabia que era um baita batera. Começamos o projeto nós dois. Alguns meses depois conheci o Léo (ex-guitarra) que completou o time e começamos a trampar nos sons e riffs que eu já tinha.

A produção do “Madness EP” ficou foda, vi que foi gravado e mixado no Estúdio Vox em Maringá, quem ficou a cargo da produção desse trampo?
Barth: Murilo Cesar Gusso Lugnani é o nome do cara. Infelizmente o estúdio Vox não existe mais. O Murilo foi obrigado a sair do local aonde ele tinha o estúdio à 10 anos por que a rede Condor (malditos apoiadores do Bozo) compraram o prédio aonde ele tinha o estúdio e expulsaram ele de lá. O Murilo fez mágica com nosso som! Toda gravação foi feita de forma orgânica, os únicos efeitos que existem no registro são alguns ecos e delays nos vocais em partes muito pontuais dos sons. O instrumental inteiro saiu conforme foi gravado sem nenhum tratamento com simuladores nem nada, tudo cru. Procure pelas bandas Desgraceria (play Ódio), Ataque de Tubarão, Comsequência (com M mesmo), são outros registros que esse cara gravou e que mostram o talento que esse mano tem atrás de uma mesa de som.

O ano de 2019 foi bem produtivo para a banda, com várias apresentações e o lançamento do EP, quais rolês vão ficar marcados na memória e onde vocês tem vontade poder levar o som do Turbulence?
Barth: Na verdade o ano de 2019 foi um ano de reestruturação da banda. Tocamos pouco esse ano, passamos quase o ano todo ensaiando e pensando sons novos. Léo, nosso antigo guitarra, foi morar em Portugal e foi quando recrutamos o Rustuk (Distanásia) pra tocar com a gente. 2017/2018 havíamos tocado muito bem... Maringá (claro), Cascavel, Londrina, Curitiba, Arapongas e Rancharia (que foi inesquecível e aonde a gente meio que apareceu na cena em meio à galera que já tem uma caminhada no underground. Acho que o show de Rancharia foi especial pra gente, foi aonde demos as caras, mesmo sem material lançado). Em 2018 lançamos o EP e isso foi um passo legal. Agora a gente só quer saber de gravar mais coisa e tocar por ai... na real é o som que vai levar a gente. Da minha parte a única ambição é tocar e

lançar as nossas idéias. 




Vocês vão disponibilizar o material no formato físico? Como fazer pra adquirir merch da Turbulence? 

Barth: O Selo Digital Yourself, do nosso amigo André Lucas (Andros) lançou o nosso EP. Ele foi uma das pessoas que conhecemos em Rancharia. Com ele você consegue nosso EP em CD, que ficou lindão, e de muitas outras bandas do underground regional. A gente chegou a fazer uma edição independente em serigrafia do EP mas saíram apenas 30 cópias e já não existe mais.

Quem foi o responsável pela arte que ilustra a capa do EP? Ficou bem legal e achei que bate com a proposta sonora da banda, merece até uma peita hein!
Barth: Foi o Léo, nosso antigo guitarra. Na real a peita existe com uma arte parecida, feita pelo Léo também, mas também já esgotou.

Em Madness vocês apresentam cinco faixas que mostram todo o poderio de fogo da banda, porém depois de acabar de ouvir as faixas já pensei na mesma hora, quando haverá novos sons da Turbulence, porque realmente o som da banda tem muita personalidade, vocês possuem planos para fazer um full no futuro?

Barth: Não sei se faremos um Full logo, temos material pronto pra gravar, músicas que a gente já toca, mas conversando com a banda acho que nossa preferência seria lançar outro EP ou um Split. Gostaríamos de achar alguma banda que pareça com a gente pra lançar um Split de próximo lançamento, quem sabe uma banda de fora pra que nosso som pudesse ser ouvido em outro canto do mundo. Gosto destes formatos em parceria, acho que agrega muita coisa pras bandas. É a cara do underground...cooperação.

De cara na descrição da banda vocês já se definem como sendo um power trio que pratica metal/punk, então gostaria dissertassem um pouco pra nós sobre quem são as fontes de inspiração e influencia para a Turbulence.

Barth: Até já falei...Motorhead é a principal com certeza, primeiro por ter nascido como um Power trio, depois pela temática e potência do som. Sempre gostei de bandas viscerais e acho que essa é uma das essências do rock n’ roll. Outras influências são Discharge, Inepsy, Venon, Gehennah, Toxic Holocaust, Whipstriker, Ant-Cimex e uma banda paulista que eu particularmente gosto muito chamada Urutu, se você não conhece procure conhecer, eles são muito bons.

Quais os temas que procuram abordar em suas letras e de que forma funciona o processo de composição da Turbulence?

Barth: Bom, não gosto muito de me apegar a esse ou aquele tema, se eu sentir que tenho que escrever sobre algo eu faço, realmente, sem me apegar à estereótipos do metal ou desse ou daquele estilo. Acho isso de temáticas muito limitado. Veja as bandas que se denominam metal/punk por aqui, todas tem um apelo sombrio, falam de coisas tipo morte, batalhas, o mal, o sobrenatural, apocalipse pós-moderno...enfim, particularmente eu gosto de escrever sobre coisas que vão desde a tríade sexo, drogas e rock n’ roll, até questionamentos existenciais. Uma coisa que eu levo muito em consideração é escrever sobre coisas que eu vivi, que eu senti, que eu experimentei, ou que estou vivendo, sentindo, experimentando. Não vou escrever sobre a espada do Odin, não faz o menor sentido pra mim (kkk até rimou, podia usar isso em alguma letra). Acredito que quando o artista fala sobre coisas pessoais isso soa mais sincero, logo, alguém vai se identificar de uma maneira verdadeira. Quando eu escrevo “Sometimes I wake in a bad way, Feeling a blow to my head, This is the warning that all can happen, I telling you but you don’t understand” eu não to falando da boca pra fora, eu realmente tenho esses impulsos que por vezes são difíceis de controlar.
Sobre o processo de composição... normalmente a gente tem idéias de riffs ou melodias, registra em casa e da uma pré-lapidada nisso. Depois a gente mostra e se falta algo vamos somando as idéias. Temos músicas que foram parcerias com amigos também, letra de um e melodia nossa, melodia de outro e letra nossa... gosto dessas coisas misturadas e com somas de influências.

Pra não perdermos o costume de pedir listas aos nossos entrevistados, gostaria que vocês nos dissessem quais são em sua opinião os cinco melhores álbuns que já ouviram.

Barth: Bah, só 5 kkk difícil...

- Ramones – It’s Alive

- Inepsy – Rock N’ Roll Babylon

- Exodus – Bonded By Blood

- Discharge – Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing

- Ratos de Porão – Ao Vivo


- Menção honrosa: Trio Parada Dura – Música doída da porra... 




Pra finalizar, deixo o espaço pra que mandem seu salve como bem entender, obrigado por falar com o Microfonia e sucesso pra Turbulence!
Barth: Antes de tudo muito obrigado pelo espaço e por curtir nosso som que é feito de forma humilde, simples mas muito verdadeira. Obrigado a todos os brothers que sempre nos apoiaram em especial ao Nick Edwards, ele sabe a importância dele, ao André da Digital Yourself, ao Joe e Raoni (Room Mate) da Ruído Records que fez todo o trampo de colocar nosso som no bandcamp e Spotify e a todos que de alguma maneira nos deram/dão suporte pra que a gente continue a tocar e a ter uma banda. Bozo é bandido e quem passa pano não é meu amigo. ANTIFA SEMPRE!



PACIFISTA ATÉ ENCONTRAR UM FASCISTA!!!!! 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #5 - DFC - O MAL QUE VEM PRA PIOR (2005)



DFC é uma entidade do roque veloz nacional, quando o assunto é hardcore, crossover, pancadaria e letras ácidas e cheias de ironia, esses caras de Brasília são reis!

Eu sempre curti hardcore, foi um dos primeiros gêneros que me identifiquei quando comecei a curtir um som, através do Raimundos num primeiro momento e a sede por algo mais agressivo sempre rolou, então recebi um choque quando conheci o DFC diretamente pelo “O mal que vem pra pior”, o capiroto na capa já me chamou a atenção logo de cara e quando ouvi os primeiros segundos de “Ciclo dos tiranos” que cita os nomes de todos os filhos da puta que nos governaram até aquele ano de 2005, percebi que estava diante de um grande disco! 





Mesmo hoje, quase quinze anos depois de lançado, não tem como não curtir hinos atemporais como “Vai se fuder no inferno”, Paranoia Satânica” e “Aqui Jazz”, no entanto estamos falando de um álbum que somadas todas as faixas tem menos de 20 minutos de gravação, não tem pausa pra respirar, não tem balada, não tem dedilhado, é riff veloz e levada insana, berros desesperados que traduzem um sentimento de urgência que há nas músicas, com reflexões bem humoradas, até com um certo humor negro eu diria, de um mundo de poucas perspectivas e que não está muito diferente hoje em tempos de terra plana. 


Citei poucas faixas pra se destacar pois pra mim  é difícil escolher algo pra eleger como o melhor desse disco, pois ele vence pelo conjunto, tudo aqui se complementa e aborda com visão ácida  assuntos que nos são comuns, como em "Terror doméstico", "Ode ao ódio" ou "Festa da carne".

Então amigos, é uma experiência necessária, ligar seu som bem alto e conhecer esses 20 minutos de destruição e massacre sonoros, outros pontos a se ressaltar são a personalidade única da banda, ao ouvir um disco do DFC, saberemos que são os caras, o vocal do Túlio é uma marca registrada, e mesmo com as inúmeras encarnações que a banda já teve, nunca deixou de destilar o mais puro hardcore podre e subversivo, aquelas músicas de assustar os mais desavisados e pra incomodar quem curte uma “estética” mais clean na música.






DFC - O MAL QUE VEM PRA PIOR - 2005

Tracklist 

1. Ciclo dos Tiranos 
2. Interrogação 
3. Hidelbrando Chainsaw Massacre 
4. Ha Males que Vem Para Pior 
5. Paranoia Satânica 
6. Jogando com o Diabo 
7. Nada Sem Valor 
8. Grandes Merda 
9. Play it Again, Tio Sam 
10. Vai se Fuder no Inferno 
11. Musica Para Ouvir Fudendo 
12. Festa da Carne 
13. Ode ao Odio 
14. A Vingança de Chorão 
15. Existência Ignóbil 
16. Aqui Jazz 
17. Corroído Pelo Ódio 2 
18. Eu Sou Sem Educação 
19. Sadomasoquismo 
20. Eu Quero Vomitar 
21. Terror Doméstico 

Formação : 
Túlio : Vocal 
Miguel : Guitarra 
Leonardo : Baixo