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terça-feira, 14 de setembro de 2021

SPIDRAX - EVISCERAÇÃO (EP) - 2021 - REVIEW MICROFONIA

 



SPIDRAX



· Atividade: 2014 - Atualmente

· Origem: Brasil - São Paulo - SP

· Album: EVISCERAÇÃO - EP (2021)

· Gravadora: INDEPENDENTE

· Gênero: HORROR PUNK


Esse EP da Spidrax já me ganhou antes mesmo do lançamento, a ideia de fazer versões de sons de grandes bandas do horror punk brasileiro, homenageando e entregando sua assinatura nas faixas já me fazia ver com bons olhos o trabalho.

O título do EP tem muito a ver com o que foi feito com as faixas das bandas escolhidas, digo isso pelo lado positivo, "Evisceração" é altamente indicado tanto para quem conhece as bandas que foram escolhidas, tanto pra quem vai ouvir tudo pela primeira de cada horda ali presente, pois a identidade que a Spidrax carimba sobre as faixas pode confundir desavisados, o vocal do Rick, o timbre da guitarra de Rafa Romanelli e as levadas precisas de André Leite se fundiram de maneira muito interessante a personalidade "original" das faixas, portanto ouçam as bandas originais caso não conheça os trabalhos pra que entendam o que digo, não são simples  covers, houve cuidado em colocar a cara da Spidrax nessas músicas.

Abrir o trabalho com a faixa "Sertão Sangrento" da banda homônima, foi sem dúvidas uma excelente escolha, curto demais a energia desse som, e a Sertão Sangrento é foda, todo o disco que acompanha essa faixa inclusive, posso dizer que curti a versão tanto quanto a original e na sequência vem "O médico e o monstro" da banda Ossos Cruzados, outra banda fudida dessa cena do horror punk brasileiro, do disco "Espectrofobia", aqui é uma ocasião em que a marca da Spidrax faz muita diferença, deu outra aura ao som. Na sequência Viborah mantem a qualidade em alta, interessante ouvir a faixa com o vocal do Rick e com outra produção, visto que a original é com um vocal feminino, Viborah Horror Punk tem seu EP disponível no Spotify que tem cinco faixas bem legais, então aproveitem e conheçam o restante do trabalho.

Partindo para as duas faixas finais, a versão para "Mata" da Zumbi Holocausto é demais, essa música tem um clima muito interessante, melódica, pesada, densa, curto a vibe desse som, e a Spidrax captou o que de melhor havia nessa música e amplificou suas qualidades melódicas, e o final ao piano é poético de uma forma fúnebre!!! "A morte comigo" da banda Pesadelo Brasileiro encerra os trabalhos desse EP com o mesmo ímpeto que começou, outra música foda, de uma banda foda, sendo executada com maestria e rendendo mais uma bela homenagem.

No resumo, a Spidrax trabalhou muito bem o lado melódico de todas as faixas, executando de forma precisa e com muito esmero na produção pela Infecta Produções do guitarrista Hebberty Taurus da Ossos Cruzados. Além disso conta com arte do Rafael Panegalli, que fez uma capa incrível que vale apreciar, deu um visual condizente ao conteúdo do EP que está disponível no formato digital na sua plataforma de streaming preferida, não percam tempo e apreciem essa obra do Horror punk brasileiro!!!





LINKS RELACIONADOS


https://www.facebook.com/spidraxband

https://open.spotify.com/album/7qNvqPFLGhRAsArajQPUKW?si=i0Ow-9tIS6Cd_gYx2r3JRg&dl_branch=1

https://www.instagram.com/spidraxhorror/

http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2021/09/5-discos-que-mudaram-minha-vida-5.html

http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2020/06/entrevista-spidrax.html



segunda-feira, 30 de agosto de 2021

SURRA - NINHO DE RATO - EP (2021) - REVIEW MICROFONIA



SURRA


· Atividade: 2012 - Atualmente


· Origem: Brasil - Santos-SP


· EP: Ninho de rato (2021)


· Gravadora: Cadeia Records/Laja Rex


· Gênero: Thrashpunk/Powerviolence/Grindcore



O Surra é uma banda que pode ser considerada como opererários do underground devido a sua tamanha produtividade e movimentação, acho que já disse isso antes, mas vale repetir. Encarando as coisas dentro deste contexto é muito bom pra quem curte e scompanha a banda, pois sempre há novidades rolando e sempre que tem um novo lançamento da banda, fica a expectativa, de como irá soar, a cada EP ou disco os caras vem aumentando o sarrafo na sua música que sempre foi rápida e pesada, mas pode ser mais, e "Ninho de rato" nos mostra isso.



Lançado dia 14/18/2021, o EP traz dez faixas inéditas e dois covers, total de 12 sons distribuidos em 10 minutos de gravação, isso por si só já é um prenuncio de como a banda está soando neste lançamento, não há mudanças drásticas de sonoridade, apenas o fato de que nuances que sempre estiveram presentes na musica dos rapazes de Santos, aqui nessas faixas estão se sobressaindo ao Thrashpunk que já estamos acostumados, portanto apesar de ser chato ficar rotulando as coisas, fica claro aqui que a pegada é na área do Fastcore, Powerviolence e Grindcore, é possível sacar doses bem aplicadas ao longo da execução.

Algo que realmente não mudou e isso é ótimo, são o conteúdo das letras, que se mantém ácido e afiado, tecendo criticas ferrenhas ao governo e toda enxurrada de desgraça que tem se abatido sobre o pobre e trabalhador neese país, sem refresco, sem piedade, cada relato vomitado é um soco no estômago de quem ainda acredita que tem algo de positivo em meio a esse inferno que tudo se tornou.

Pra citar exemplos de faixas que se destacam é até complicado, porém ouçam com atenção "Motor da História", "Acreditam em tudo", "Trabalhar até morrer" e "Roendo osso", letras sensacionais, mas sem dúvidas vale a audição de tudo nesse EP, até porque em piscar de olhos você ouviu ele três vezes seguidas e nem se deu conta.

Vale citar que a produção dos últimos trampos da banda tem sido feita pela própria banda, a cargo do Léo comandando a mesa, tá sendo bem satisfatório o resultado, e a banda lançou no canal do youtube um making of bem massa sobre a gravação do EP onde dá pra acompnhar e entender um pouco de como foi esse processo.

Por último e não menos importante vamos falar sobre esses dois covers que figuram no EP, vale citar que o formato que foi pensado esse trabalho era para ser lançado em vinil 7", porém devido a demora no prazo de entrega pelas fábricas, fez com que a banda optasse por lançar em formato de K7 esse trampo, via Cadeia Records e Laja Rex.




Sendo assim, cada lado do EP fecharia com um cover, Lado A como um cover para "Hang the pope" da Nuclear Assault e o Lado B com um cover para "Convivência" da Cruel Face", que se encaixaram nuito bem com as demais faixas se integrando muito bem como se fossem composições da Surra nesse EP e acompanham o ritmo de velocidade e brutalidade que se observa por toda audição, vale ressaltar a parte gráfica do EP que ficou a cargo do canadense Tommy Wilson, que entregou uma arte que combina demais com a proposta grindcore apresentada durante as faixas.

Enfim, ouçam a banda e adquiram os materiais dos caras pra manter o lance vivo, o underground só sobrevive através do apoio de quem estáenvolvido, sou suspeito pra falar sobre o Surra, pois é uma das minhas bandas preferidas e desde que surgiram com o "Bica na cara" lá em 2013 se não me engano, sempre me deleito com os lançamentos que vieram enfileirando desde então, curtam essa porrada!!!


LINKS RELACIONADOS


https://surrathrashpunk.bandcamp.com/

https://www.facebook.com/surrathrashpunk

https://www.youtube.com/channel/UCmq3ZBaKJtvzw3f3TgT9fyQ

https://www.instagram.com/surrathrashpunk/

http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2019/10/surra-escorrendo-pelo-ralo-2019-review.html

http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2017/04/entrevista-surra.html

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

BASTTARDZ - 2021: UMA ODISSEIA NO INFERNO EP (2021) - MICROFONIA REVIEW

 

BASTTARDZ


· Atividade: 2019 - Atualmente


· Origem: Brasil -  São Luís - MA


· EP: 2021: Uma Odisseia no Inferno


· Gravadora: Evil Rites Records


· Gênero: Thrash metal/Hardcore/Crossover





"2021: Uma odisseia no inferno", é o mais novo trampo da banda maranhense de thrash/crossover Basttardz, consite em duas faixas que ficaram de fora do primeiro album da banda, o "Brazil com Z", "Chupacabra" e "Babilonia em chamas".


 


 Agora vamos deixar uma questão bem clara por aqui, não se tratam de sobras, são duas faixas fudidas e que fazem frente a tudo o que já conhecemos da banda e felizmente acrescentam mais munição ao já poderoso repertório da banda.

As duas faixas forma produzidas no mesmo estudio onde o "Brazil com Z" foi gravado, KM4 Produções, e apresentam o mesmo nível dos registros anteriores, produção equilibrada, tudo encaixado no lugar, porém com sujeira no nível certo e intrumentos e vocal bem na cara, tudo bem audível, trazendo aquela sensação de a banda estar executando o som ali na sua frente.

 


 Aproveitando o corre pra atualizar os movimentos da banda, o "Brazil com Z" foi disponibilizado em formato físico e  está a venda na Galeria do Rock na Die Hard Records e em breve na loja virtual da banda, também vai rolar um ao vivo da banda no Canal Scena que com certeza vai ser fudido como todos os materias gravados no Family Mob, portanto não deixem de prestigiar todas as novidades da banda!!!

Outra parada que vale conferir, é o clipe de "Fogo na Zona Sul", lançado a algum tempo, mas já surfando nas onda das novidades vejam o clipe deste já clássico hino anti burguês safado!!!




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CÉREBRO DE GALINHA - NORTE EM CHAMAS - EP (2021) - REVIEW MICROFONIA


CÉREBRO DE GALINHA

· Atividade: 2014 - Atualmente

· Origem: Brasil -  Marabá-PA

· EP: Norte em Chamas (2021)

· Gravadora: Lei de apoio a cultura

· Gênero: Hardcore/Crossover

A Cérebro de Galinha é a cara do underground real, vive as mazelas de ser brasileiro na pele diariamente, formada por uma galera que mete a cara pra manter o corre vivo, aprecia um goró maroto pra curtir e toca o som que ama e acredita, junta-se a isso tudo muita raiva de tudo o que acontece a sua volta e toda essa mistura de zueira, amizade, bebida, revolta, vontade fudida de tocar e temos um som visceral, sem firulas, sujo e agressivo!

O EP "Norte em Chamas" é o sucessor de seu álbum de estreia "Sociedades Secretas" de 2018 e mantém a pegada de um punk hardcore/crossover brutal e raivoso, com seus espasmos de humor ácido, que nesse caso poderíamos descatar a genial "Pororoka", porém, ao longo das oito faixas desse EP vai ser possível encontrar tudo aquilo que já conhecemos da banda, mas aprimorado e soando natural como sempre, não precisam forçar pra fazer um som fudido que nos cativa de cara.

Esse EP foi um projeto aprovado na Lei Aldir Blanc Pará, a arte da capa ficou a cargo de Rique Bentes, a gravação foi realizada no Legacy Studio Marabá, e a mix/master ficou a cargo de Jörn Michutta do Mike Utah’s Audio Ranch .



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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

5 DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA #4


Como havíamos prometido, o capítulo 4 de nossa sessão "5 discos que mudaram minha vida" chegou, e nossa convidada de hoje é Fabrina Valverde, vocalista da banda de Stoner/doom metal, Weedevil! Quem quiser conhecer mais do trabalho dela como vocalista pode conferir a entrevita que fizemos recentemente, deixaremos o link no final da matéria, mas hoje ela veio até aqui pra falar pra vocês quais foram alguns dos discos que marcaram sua trajetória até aqui, parafraseando o que ela mesma disse, são cinco discos que ela acha foda, pois é realmente muito difícil listar só cinco, mas o desafio é realmente este (hehehe)! Sem mais delongas, vamos conhecer quais foram as escolhas de Fabrina logo menos! Obs: atenção pois, é uma lista, mas não está na ordem, porque aqui Caos é Ordem! (Palavras da criadora desta lista)




1- Worship Music- Anthrax, não tem uma música ruim nesse álbum, é daqueles de se ouvir repetidas vezes, "The Devil You Know" é a minha nº. 1 dele.




2- Sabbath Bloody Sabbath- Black Sabbath- meu álbum favorito de todos os tempos, embora Melvins seja minha banda do coração, esse do Sabbath está numa posição de destaque, não é à toa que suas letras começaram a ser escritas em um castelo rs, sem dúvida ele foi estruturado com um peso extra, já característico da banda, que acrescentou sons de sintetizadores que deram um tom um tanto progressivo para algumas das músicas. Ficou na medida.




3- Grand Funk Railroad - E Pluribus Funk- Mark Farner, é sem dúvida meu vocalista favorito da vida, minha maior inspiração, que voz!! eu amo essa mistura de blues, funk e rock !!




4- In Rock- Deep Purple- atenção a Child in time, que teclado foda!!, ação e reação é a sua fala? esse álbum fala muito disso em suas letras, eu admiro muito o Ian Gillan, seja a sua voz seja a sua interpretação, posicionamento no palco que estava no auge da psicodelia 70s, é um clássico e bem viajado. 


5- Houdini- The Melvins- pra quem curte um som cru, sem retoques, daqueles que tu coloca pra tocar nos dias de ódio puro, Melvins é assim bate e volta, cada música um soco na cara, além das capas que sem dúvida são bem características, excêntricas.


ENTREVISTA WEEDEVIL



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quarta-feira, 22 de julho de 2020

ENTREVISTA CRANIAL CRUSHER

A Cranial Crusher é uma banda de Thrash metal/Crossover, formada em 2010 lá em São Bernardo do Campo-SP pelos amigos Renan Stoiani (Baixo e vocal), Lucas Aímola (Guitarra) e Guilherme Fructuoso (Bateria). Desde então se foram vários shows, singles, Eps e agora os caras se encontram em processo de composição para um novo album e nos contaram um pouco de como andam as atividades da banda e como estão lhe dando com esse momento complicado de pandemia que atravessamos, pra saber mais confiram logo menos nosso papo e não deixem de conferir o trabalho da banda que manda um som muito foda!




Fala pessoal! Satisfação em poder ter a Cranial Crusher aqui no Microfonia, lançando a máxima de que o tempo voa, lá se vão dez anos de banda, olhando pra trás agora e revivendo um pouco dessa história, que momentos vocês destacariam na trajetória da banda que ficaram marcados de alguma forma?

CRANIAL CRUSHER: Fala pessoal, primeiramente obrigado pelo espaço, é um prazer enorme poder trocar ideia aqui no Microfonia Underground!
Bom, agora é a nossa vez de usar uma máxima, porque na real parece que foi ontem que tudo começou (risos)! Começamos a banda em fevereiro de 2010 e nessa época tocávamos só uns covers de Ratos de Porão, Misfits, Metallica e Slayer com uns equipamentos muito precários.  De lá pra cá todo mundo evoluiu dentro e fora da banda, tudo tem sido bem bacana, as composições, os lançamentos, os shows e todos os amigos que fizemos ao longo dos anos.
Aos poucos fomos incrementando ideias e influências de cada um e direcionando a banda para ter nossa própria sonoridade e isso é bem daora. Pouco a pouco foram aparecendo shows aqui e ali, alguns grandes e outros nem tanto. Nosso primeiríssimo show foi no clássico “festival da escola” que o Renan e o Fruto estudavam, a gente era tudo criança e tocamos só duas músicas e valeu bastante pela experiência, então fica como um dos destaques.
Vale citar também um show que fizemos em Poços de Caldas em 2016, tocamos era umas 4h da manhã e tinha zero pessoas na casa mais ou menos. Nesse dia deu tudo errado, quebrou a bateria no meio do show, não nos pagaram o valor que tinha sido combinado e dormimos num hotel muito podre. Na época ficamos meio putos, mas hoje damos muita risada disso, foi uma aventura (risos).

Vocês mantêm a formação original da banda como os mesmos membros até aqui, a que se deve a longevidade da parceria, visto que infelizmente não é comum no meio underground a durabilidade nem de formações e nem de bandas?

CxCx: A gente já tinha uma amizade antes mesmo de formar a banda. O Renan e o Fruto estudaram juntos por vários anos e se conhecem dos tempos de escola, depois conheceram o Lucas através de amigos em comum e de lá pra cá a parceria só se fortaleceu. Vira e mexe a gente manda o outro à merda, mas esse tipo de atrito faz parte e a gente leva numa boa. A longevidade da formação se dá justamente ao fato da banda ter surgido em meio a uma amizade, então tudo acaba sendo bastante sólido. É diferente de quando você tem apenas “músicos” numa banda, vira praticamente uma relação profissional. Felizmente esse não é o nosso caso!



Quando vocês se reuniram como banda já havia um senso comum de como vocês gostariam que soassem? Quais foram as referências que vocês usaram de inspiração na hora de moldar essa questão da sonoridade?

CxCx: Na real bem no começo da banda a gente só tocava e não sabia muito onde queríamos chegar. O Lucas era de uma pegada mais metal tradicional, heavy metal e tal. Já o Fruto curtia thrash metal bem oitentista e o Renan também, mas tinha bastante influência de punk, hardcore e crossover. Essa diferença foi super positiva, fomos agregando as influências individuais à banda e com o passar dos anos nosso som foi moldado e direcionado pra algo que a gente curta.
Mesmo hoje a gente traz influências de várias escolas diferentes, então o resultado acaba sendo bem heterogêneo, com sons que vão desde uma pegada mais crust punk até uns thrash metal da velha guarda, passando pelo heavy metal, crossover e vários outros estilos.

Estou escrevendo a entrevista nesse momento ouvindo a discografia da banda e traçando uma linha do tempo, após o single de “Too many cops” em 2012, o primeiro lançamento da banda foi o Split com a Cerberus Attack, lançado em CD como “Cranial Attack”, como foi a gravação desse material, a banda já possuía experiência de estúdio? Vale observar que foi gravado ao vivo, como foi esse rolê e o que vocês fariam diferente hoje? 

CxCx: Essa gravação do split foi sensacional, pois gravamos na quebrada dos caras do Cerberus ao vivo mesmo, como você disse. Foi nossa primeira experiência em estúdio e nessa época a gente tava ensaiando demais, quase todo o fim de semana umas 5h por dia. Aí saímos de São Bernardo de ônibus, pegamos umas 3 conduções pra chegar no estúdio e tudo isso fazendo a maior farra no caminho! Então a gente só chegou lá, gravamos e fim, não tínhamos muita noção das coisas.
Na real não faríamos nada muito diferente, quer dizer, foi o que era pra ser mesmo saca? De repente só ajustar melhor os timbres, afinar os instrumentos direito (risos!), regular bem os equipamentos e tal, mas rolou legal e o split registra bem o momento. A gente chegou lá e tocou como se fosse um show e foi uma experiência bem bacana.

A banda participou do tributo ao Lobotomia, com a faixa “Faces da morte”, ficou muito foda vocês tocando esse som, como surgiu o convite pra participar desse corre? Lobotomia é uma influência no som da Cranial Crusher?

CxCx: Na época uma das bandas que ia participar da coletânea ramelou e o Edu Voodoo (Lobotomia) tava precisando de uma banda pra colocar no lugar. Aí um grande amigo nosso, o Bodão (Profundezas), que é um grande amigo do Edu, falou da gente pra ele. Inclusive tínhamos tocado no rolê que o Edu agitava (Garage Fest, em Ribeirão Pires - SP). Aliás, nesse dia a gente tocou um cover de “Nada É Como Parece” do próprio Lobotomia com o Edu no vocal, mas sem pretensão nenhuma e acabou sendo muito louco. No fim das contas o Edu curtiu a sugestão e gravamos Faces da Morte, mas a coletânea infelizmente ainda não foi lançada.

Vivemos um momento muito difícil para as bandas e músicos e cultura em geral, já que não temos ideia de quando poderemos voltar a ter shows e nem de que forma isso será feito no futuro, como vocês tem encarado essa situação e quais são as saídas que vocês acreditam que poderão ser utilizadas pra voltarmos as atividades no underground em termos de shows?

CxCx: Desde o ano passado já não vínhamos realizando muitos shows devido à gravação do novo play. Aí esse ano de 2020 veio, pandemia e tudo mais e atrapalhou muita coisa, tínhamos planos pra celebrar os 10 anos de Cranial, merchan e disco novo e várias coisas legais que infelizmente não conseguimos concretizar até o momento, mas seguimos na correria e com esperanças de tempos melhores.
Estamos aproveitando esse tempo livre pra agilizar novas composições, fazer alguns corres da banda que tinham ficado pra trás e também pra dar atenção a outras atividades pessoais que acabaram ficando de lado.
Agora o futuro é bastante incerto, não há muitas saídas seguras para a retomada de atividades a não ser esperar por uma vacina e pela redução do números de novos infectados.
Enquanto isso, da nossa parte estamos ficando ao máximo em casa e seguindo as orientações dos profissionais de saúde. Só assim pra voltarmos à normalidade o quanto antes.
Em relação aos eventos, as transmissões ao vivo estão ganhando bastante espaço, então pode ser que o esquema de shows mude um pouco, mas claro que essa é só uma suposição porque fica difícil pensar em saídas viáveis no momento. Sabemos que a situação ficou difícil pra muita gente, principalmente pra quem vivia disso, seja de uma casa de show, barzinho, loja, estúdio. Infelizmente vimos alguns picos que tocamos fecharem, é bastante triste.

Pra deixar de lado esse fator negativo da pandemia, vamos cair no ditado de que recordar é viver, quais as apresentações da Cranial Crusher que ficaram marcadas na memória da banda e que histórias vocês citariam como inesquecíveis dos momentos de estrada da banda que vale a pena compartilhar?

CxCx: Em Piracicaba-SP, em 2012, com o Bandanos e Violent Illusion, primeiro show “oficial” do Cranial: a gente tava nervoso pra caramba e foi bem louco; abertura para o Violator em São Bernardo do Campo-SP em 2013: fizemos grandes amigos nesse dia; Overload Clandestino quando tocamos na calçada do Carioca Club (SP) na porta do Overload Beer Festival, fizemos um corre absurdo pra viabilizar essa invasão, contamos com o apoio de vários amigos e deu tudo certo, foi muito foda; festival Da Rua pra Rua em São Bernardo do Campo-SP em 2017 organizado pelo Coletivo Refuse Resist, quando tocamos na carreta de um caminhão;  Tinguá Thrash também organizado pelo Coletivo Refuse Resist (exemplo de parceria e união no underground, inclusive tem vídeos muito bem produzidos deste evento e até um mini documentário que recomendo que assistam!), todas as apresentações da pista de skate de São Bernardo do Campo, todas as vezes que tocamos no Mineiro Rock Bar em Osasco-SP, todas do finado bar CPB em Cambuí-MG do nosso grande amigo Mané e por fim e não menos importante, a ve que tocamos com o Ratos de Porão em Santo André-SP.





Eu sempre falo com os amigos e parceiros de Microfonia por aqui que o Brasil é o país do Thrash metal e do crossover, produzimos bandas incríveis nesses gêneros, gostaria que vocês nos indicassem que bandas nacionais consideram seminais dentro dessa vertente?

CxCx: Securitate, Alucinator, Cerberus Attack, Suffocation of Soul, Bastardo, Damn Youth, Exorcismo, Heritage (e todas as bandas que o Rodrigo Costa já tocou. O menino é um prodígio dos riffs!) Metalizer, Criminal Mosh, Bandanos, Acid Speech, Bomb Threat, Dunkell Reiter, Hate Your Fate e por aí vai (esse tipo de lista é sempre injusta porque tem muito mais bandas que conseguimos citar...)

Em fevereiro vocês lançaram um novo som, “Tendência Suicida”, single do próximo album da banda, pretendem lançar ainda em 2020 ou os planos foram afetados por conta da pandemia?

CxCx: Como dissemos anteriormente, os planos que tínhamos pra esse ano foram muito afetados pela pandemia, mas não desanimamos. Seguimos compondo e trabalhando em material novo, mas sem data prevista para lançar nada. A única certeza que temos é que tá tudo incerto!



Ainda sobre esse vindouro novo álbum, o que poderiam nos adiantar a respeito? Quantas faixas terá? Já possui um título? Arte da capa? Como estão essas questões com relação ao novo trampo?

CxCx: Vamos lá, em primeira mão aqui hein! A ideia do disco é abordar todo o ódio que um ambiente de trabalho hostil pode gerar, como o proletariado é explorado, relações tóxicas no ambiente de trabalho e a revolução/guerra de classes. A arte inclusive já tá pronta e ficou muito foda! Foi feita pelo Ronilson Freire (Jackdevil, Electric Poison), que é também ilustrador de quadrinhos, então tá um trampo fino demais, mas que só vamos soltar mais pra frente. Também vamos lançar novas camisetas e merchan que tá dando gosto de ver. Aguardem!!!

Mantendo nosso tradicional pedido infame a todos os entrevistados, gostaria que nos dissesse quais são os cinco melhores álbuns de todos os tempos segundo a Cranial Crusher?

CxCx: Mencionar apenas cinco discos gerou muita discussão entre nós, então decidimos citar alguns poucos (dos vários) que são de extrema importância para nossa escola musical. São eles:

Beneath the Remains - Sepultura
Nada é Como Parece - Lobotomia 
Tortured Existence – Demolition Hammer
Kill ’em All - Metallica
Handle with Care – Nuclear Assault
Walls of Jericho - Helloween
Best Wishes – Cro-Mags
Lights, Camera, Revolution – Suicidal Tendencies
Brasil – Ratos de Porão
Pela Paz em Todo o Mundo - Cólera
Antes do Fim – Dorsal Atlântica
We Crush Your Mind with the Thrash Inside - Bandanos
The Legacy - Testament
Reign in Blood - Slayer
Nada Como um Dia Após o Outro Dia – Racionais MCs

Pra finalizar, gostaria de agradecer novamente por falar com a gente e reservar esse espaço pra que mandem seu salve como desejar.

CxCx: Obrigado pelo papo, foi muito bacana! Além do som, temos mensagens importantes a transmitir por meio de nossas letras, então sempre procurem lê-las e falar conosco quando quiserem. Pra nós no underground não deve existir divisão entre público e banda e o diálogo e a troca de ideias são muito importantes!
Além disso, pedimos a todos que se cuidem e tomem todas as precauções possíveis para que possamos sair dessa situação o quanto antes e da melhor forma! Até lá, tentem manter-se bem e fortaleçam laços com amigos e familiares, a união é muito importante! Apoiem os pequenos, sejam músicos, bandas, artistas e comerciantes. Valeu!
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terça-feira, 7 de julho de 2020

STAB - Sepulchral Lullaby (2020) - REVIEW MICROFONIA


Ficha técnica:

·         Banda: Stab

·         Origem: Brasil - Piracicaba-SP

·         Álbum: Sepulchral Lullaby  

·         Gravadora: Independente

·         Gênero: Thrash metal

·         Membros: Murilo Ramos (Guitarra e Voz), João Polizel (Baixo), Leonardo Veronez (Bateria)


Confesso que quando me deparei com o nome da banda imaginei outro tipo de sonoridade, já que "Stab" é uma música do grupo carioca Planet Hemp, então logo fiz as ligações que me eram óbvias na cabeça naquele momento, um som moderno, flertes com o hip-hop, algo mais alternativo, que também acho interessante, mas o título do EP aqui já denunciava que eu estava muito enganado, Sepulchral Lullaby traz uma sonoridade calcada de forma explicita no thrash metal e como costumo brincar, todo brasileiro curte futebol, cerveja e thrash metal!!!

Aqui a proposta é simples porém certeira, como colocou a banda "Nossa proposta é de unir o peso, a agressividade e a velocidade, que são típicos do thrash metal,a uma sonoridade sombria", em primeiro plano o que me chamou a atenção foram os vocais, que conseguem imprimir essa parte sombria ao som, devido ao timbre interessante do vocalista Murilo Ramos, pra dar uma ideia do que estou falando, a referência que me veio à mente foi a de Sérgio Chaves no Chakal, fase "Death is a Lonely Business", principalmente me momentos de cadência nas faixas.

O EP que chegou as plataformas de streaming em fevereiro possui quatro faixas que foram capitadas, mixadas e masterizadas no Casarão Music Studio em Piracicaba-SP, por Franco Torrezan e possui um bônus gravado em formato ao vivo no estúdio.

O Stab é uma banda em pleno desenvolvimento, foi formada em 2017 e esse seu primeiro EP demonstra o quanto eles tem talento pra evoluir muito mais, a impressão que tive ao ouvir Sepulchral Lullaby na realidade é a de que eu gostaria de ouvir mais faixas, passa rápido e logo você está repetindo tudo de novo, estou aqui curtindo o som dos caras enquanto escrevo!

Falando da sonoridade praticada em si, a banda caminha por várias camadas diferentes dentro de seu som, flertam com o hardcore/crossover, com o heavy metal e apesar de ser um som agressivo há muita melodia nas faixas, como em "In the streets" por exemplo.

Como faixas que gostaria de destacar, indico a audição no detalhe de "Scum" que é uma porrada e as variações sonoras de "God´s Sheep", duas demonstrações do poder de fogo da cozinha coesa da banda, grata surpresa conhecer a Stab, aguardamos novidades dessa galera de Piracicaba.





Fontes de pesquisa:








quinta-feira, 15 de março de 2018

BLACKSLUG - OLD HABITS DIE HARD - EP (2018) - REVIEW




Uma impressão imediata que tive ao ouvir este novo EP da Blackslug sem dúvidas foi, algo está diferente.
O som dos caras está mais encorpado, a produção das três faixas presentes no EP, também contribuem para a experiencia dessa audição, que ficou a cargo da banda e de Igor Comério da Voadora Studios, que também foi responsável pela mix e pela masterização.
Não que o full lançado anteriormente não seja legal, curti bastante o “Scumbag Messiah”(2014), no entanto devo dizer que aqui em “Old Habits die hard”, a banda se encontrou de fato e acertou a mão em todas as faixas, o material está disponível apenas em formato digital no Bandcamp da banda, mas espero que se torne físico, seja como um EP, ou em novo full com mais faixas desse calibre, já que temos aí quatro anos que passaram desde o último lançamento dos caras.
Enfim, nesse EP a Blackslug apresenta a sua melhor versão, com músicas que prendem a nossa atenção e se você é fã de uma sonoridade stoner rock, curte dar uma viajada ouvindo um som, vá de olhos fechados de encontro a este lançamento, pois não vai se arrepender!

Destaque absoluto para “Hole in the sun”, ouvi umas dez vezes seguidas, mas sem dúvidas “The Riddle” e Mad dog” compõe a trindade muito bem, mas o melhor a se fazer é, ouçam o que uma banda brasileira é capaz de fazer, somos muito sortudos por termos tantos músicos e compositores talentosos na nossa cena, devemos parar de buscar lá fora, o que temos em nosso próprio quintal, parabéns aos envolvidos e logo abaixo mete o clique e ouça esse excelente EP da Blackslug.