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terça-feira, 20 de julho de 2021

ENTREVISTA COM VITOR CARNELOSSI - LONELINESS OBSERVATORY

Loneliness Observatory é mais nova empreitada do guitarrista e compositor de mão cheia, Vitor Carnelossi, há anos envolvido em bandas underground e produzindo música autoral, ele sempre entregou grandes músicas dentro dos projetos que integrou, porém aqui ele se juntou a alguns parceiros diferentes do usual, fora de seu nicho de costume pra dar vida a composições que rompem barreiras de tudo aquilo que ele vinha produzindo até então, dando um salto em termos de qualidade de produção e trazendo um ar mais contemporâneo ao tipo de sonoridade que conhecemos em suas composições no Tragedy Garden por exemplo. O que quero dizer com isso é que acho um projeto melhor ou pior? Jamais! Curto demais o trabalho do Tragedy, mas achei bastante empolgante conhecer outra faceta musical do Vitor como Guitarrista e admirável como as composições se diferenciam de seus outros trabalhos apesar de caminharem por universos próximos. Quem pode dar mais detalhes sobre tudo isso é o próprio e em breve todos que quiserem poderão conferir os sons em sua plataforma de streaming preferida, já que a previsão é de que o single "Dark Horizon" vá ao ar no dia 25/07/2021, fiquem ligados, prestigiem o underground, apoiem o metal nacional!   




Vitor, acho que não existe outra forma de começar essa entrevista sem que a gente olhe para o passado e pra tudo que já foi feito com uma gigantesca contribuição de sua parte para o underground do interior, onde não há espaços e nem visibilidade e mesmo assim ao longo de tantos anos você sempre optou pelo árduo caminho de produzir música autoral nas mais variadas vertentes e rompendo barreiras mesmo com poucos recursos, o quanto isso te moldou e o amadureceu pra chegar até esse momento de estar prestes a divulgar um trabalho feito com parcerias mas que foi inteiramente pensado e produzido aos seus moldes?

Vitor Carnelossi: Evandro, primeiramente obrigado pelas palavras! Eu acredito que o underground é movido pela paixão de se fazer parte de algo, de expressar-se! Acho que assim como eu, a maioria das pessoas que se colocam a fazer música autoral buscam satisfazer-se artisticamente, compartilhar sua música! Toda minha vivencia no “underground” serviu para me mostrar que é possível fazer música, basta ter foco e organização! A experiência deste Single foi interessante, pois começar algo totalmente do zero e definir um padrão de influencias sempre é complicado. Fazia muito tempo que planejava fazer algo assim, mais dessa vez houve um alinhamento que contribuiu para que tudo saísse do papel!

Um parceiro importante na concepção deste EP, foi o Fábio Andrey (Lost in the Storm), como você conheceu o Fábio e de que forma a amizade de vocês evoluiu culminando nessa parceria musical que vamos poder conferir nas faixas de “Dark Horizon”?

Vitor Carnelossi: Eu conheci o Fábio há alguns anos atrás através de uma matéria que fiz para o Blog COLORADO HEAVY METAL falando sobre o THE MIST, banda que influenciou muito a galera daqui! Ele leu a matéria e entrou em contato, pois tocou na banda em determinada época, desde então sempre mantivemos contatos. Quando fiz a pré produção com o Wesley (Over Drive Music Studio), notei que as músicas deram uma modificada na sonoridade, pois o Wesley levou a ideia inicial para um padrão bem mais profissional e atual. Após um ajuste inicial, mandei as faixas para o Fábio e ele acreditou nas composições e se colocou à disposição para assumir os vocais!

Algo que chama a atenção nas faixas de “Dark Horizon”, é a qualidade da produção que traz um ar de modernidade ao som, com destaques ao seu trampo de guitarra primoroso que sem dúvidas são os fios condutores, como foi o trabalho de gravação e produção, uma vez que pela primeira vez você estava fazendo isso sem uma banda em si envolvida no processo, e qual a sua sensação em relação ao resultado final?

Vitor Carnelossi: Eu havia começado a compor duas músicas em casa, mais a ideia inicial quando entrei em contato com o Wesley, (Over Drive Music Studio) logo na primeira conversa já combinamos a gravação para um prazo de duas semanas... ou seja, não tinha nenhuma música pronta, só um rabisco do que iria a ser a “Drowning in Tears” e outra mais avançada na composição, porém não curti a sonoridade para esse projeto e arquivei.... Tive que pegar uma música mais antiga que eu tinha composto lá por 2013 para fazer parte do Single e corri contra o tempo para deixá-las no jeito para gravar, foram duas semanas todas as noites no quarto da minha filha com um metrônomo insistente no ouvido (rsrsrs). Gravamos os sons em três sábados à tarde, ajustamos as guitarras, baixo e bateria... ainda foram gastos horas a mais para os teclados, vocais e mixagem. O Detalhe é que o Fabio e a Flávia moram na França. Tudo foi um exercício de logística e também de conversação, pois todo mundo tem o gênio forte rsrsrs... O Resultado final me agradou muito pra um single de estreia, posso dizer que foi dado o máximo que eu poderia para isso!

Outro ponto que não posso deixar passar desapercebido, é a inserção de elementos que você sempre quis utilizar em outros projetos e não teve a oportunidade e aqui você incluiu de forma notória, que são os teclados e o vocal feminino, que ficou a cargo de Flávia Americano, isso trouxe o Loneliness Observatory pra um outro nível sonoramente falando, e ainda diferencia totalmente de seus outros trabalhos, uma vez que ao ouvir as faixas temos a impressão de estar ouvindo uma produção de metal europeu, digo isso de forma elogiosa, pois realmente surpreende pela aura diferenciada das músicas, como você pensou essas mudanças?

Vitor Carnelossi: Há muito tempo eu flertava com os teclados e os vocais femininos, isso até então não tinha sido utilizado em nenhuma outra banda que faço ou fiz parte.  Sem dúvidas quem me conhece, vai traçar paralelos entre o LONELINESS OBSERTATORY com o TRAGEDY GARDEN, isso é até natural, até pelas referencias góticas que ambas têm. Porém, acredito firmemente que consegui coloca-las bem distantes na intenção de sua música, e na sonoridade também... Isso também acontece no caso do LOST IN THE STORM que é a banda do Fábio e a Flavia, não tem conflitos neste single, as intenções são completamente diferentes. Isso é o interessante, fazer o que não se faz em outras bandas! Ainda destaco os vocais de meus parceiros, o Fábio com seus vocais fortes e abrangentes, uma grande extensão vocal em seus guturais! A Flavia tem um timbre maravilhoso, me arrepiei quando escutei ela pela primeira vez nas composições. Realmente os vocalistas deram uma qualidade além de minhas intenções! O Padrão Europeu, é muita culpa dos “amplis” que o Wesley escolheu, o cara foi meticuloso com a timbragem dos instrumentos e buscou esmerar o máximo na gravação! Eu estava meio fora de forma, e fiquei até intimidado com o padrão de exigência durante a capitação dos instrumentos mais o cara sabia muito bem o que estava fazendo, grande profissional!



Voltando um pouco no tempo e caindo mais a fundo no processo criativo, o fato de estar isolado durante essa pandemia contribuiu no sentido de criar algo nesse formato mais individual, e como surgiram pra vocês os riffs e melodias das faixas de “Dark Horizon”, como é seu processo de composição Vitor?

Vitor Carnelossi: Bom, as bandas pararam de ensaiar, tudo estacionou, decidi que iria fazer algo sozinho. Então antes de compor algo fiquei muito tempo organizando meus pensamentos e ideias sobre isso. Comentei até com algumas pessoas (elas sabem quem são) que gostaria de arriscar algo meu. Criei o nome rabisquei muitas ideias e praticamente, como falei anteriormente organizei as músicas em duas semanas rsrsrsrs... Quando o pessoal do Lost In The Storm deram carta verde para participar no “Loneliness” decidi deixar as letras com o Fábio, pois queria que o sentimento dele fluísse nas composições, além da métrica e interpretação. “Drowning in Tears” é algo realmente novo, criei de maneira bem natural e isso me orgulha, pois fazia muito tempo que não gravava algo com minhas referências atuais! Agora a “Hopeless” é uma composição que fiz há muito tempo e não deu certo de ser utilizada em projetos passados, readaptei ela para o LONELINESS OBSERVATORY e acho que ela coube muito bem neste single!!!

Sei que você é um músico que bebe nas mais variadas referências e escuta todo tipo de música, mas quais seriam as referências musicais da Loneliness Observatory, como faltam alguns dias para o lançamento do EP, que bandas o inspiraram nessa sonoridade?

Vitor Carnelossi: Evandro, especificamente acredito que a música que fizemos neste Single tem como referência bandas como Paradise Lost e Moonspell. Há algumas outras referências ali no meio, eu gosto muito de Opeth, Tristania (Antigo), há algo até do metal tradicional, mais é uma incógnita o que as pessoas que escutarem vão achar, já comentei contigo que isso pra mim é incerto rsrsrsrs... Ainda é importante dizer que; apesar do projeto ter sido arquitetado por mim, as participações do Wesley, Fabio Andrey e Flávia somaram de maneira imprescindível para o resultado final. 


Nesse projeto você está unido duas habilidade suas, como guitarrista e como fotografo, a capa do EP será aquela divulgada nas redes sociais da banda, que é uma imagem capturada por você, como você pensou o conceito de imagem para este projeto e o quanto você acha importante um bom aparato gráfico para divulgar o conceito de uma música?

Vitor Carnelossi: Cara, curiosamente o Fábio Andrey comentou essa foto quando postei há algum tempo atrás, antes de ter relação com o LONELINESS OBSERVATORY, ele falou que dava uma capa de disco! Eu tinha feito outra arte para o single, mais após as letras serem escritas, achei que não estava havendo uma dramaticidade suficientemente forte para entregar o conteúdo. Falei com o Fábio para mudarmos a arte e ele me sugeriu essa foto! Fiquei satisfeito, por que é uma foto que tem significado pra mim e foi escolhida pelo vocalista que se identificou com a imagem!



Vitor, gostaria de agradecer por falar conosco, desejar sucesso neste novo projeto e reservar este espeço pra que deixe suas considerações como desejar.

Vitor Carnelossi: Cara, agradeço imensamente você e ao seu Blog, minha esposa Priscila pelo apoio incondicional para esse projeto. Aos músicos que fizeram parte deste single. Agradeço de forma especial ao Fabio Andrey que passou por períodos difíceis, pois perdeu o seu pai e sua tia por causa do COVID e mesmo com o coração partido manteve nosso projeto em andamento, um guerreiro! Enfim, agradeço a todos com que comentei sobre este projeto e me incentivaram a seguir em frente, espero que nossa música chegue até vocês!

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

5 DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA #4


Como havíamos prometido, o capítulo 4 de nossa sessão "5 discos que mudaram minha vida" chegou, e nossa convidada de hoje é Fabrina Valverde, vocalista da banda de Stoner/doom metal, Weedevil! Quem quiser conhecer mais do trabalho dela como vocalista pode conferir a entrevita que fizemos recentemente, deixaremos o link no final da matéria, mas hoje ela veio até aqui pra falar pra vocês quais foram alguns dos discos que marcaram sua trajetória até aqui, parafraseando o que ela mesma disse, são cinco discos que ela acha foda, pois é realmente muito difícil listar só cinco, mas o desafio é realmente este (hehehe)! Sem mais delongas, vamos conhecer quais foram as escolhas de Fabrina logo menos! Obs: atenção pois, é uma lista, mas não está na ordem, porque aqui Caos é Ordem! (Palavras da criadora desta lista)




1- Worship Music- Anthrax, não tem uma música ruim nesse álbum, é daqueles de se ouvir repetidas vezes, "The Devil You Know" é a minha nº. 1 dele.




2- Sabbath Bloody Sabbath- Black Sabbath- meu álbum favorito de todos os tempos, embora Melvins seja minha banda do coração, esse do Sabbath está numa posição de destaque, não é à toa que suas letras começaram a ser escritas em um castelo rs, sem dúvida ele foi estruturado com um peso extra, já característico da banda, que acrescentou sons de sintetizadores que deram um tom um tanto progressivo para algumas das músicas. Ficou na medida.




3- Grand Funk Railroad - E Pluribus Funk- Mark Farner, é sem dúvida meu vocalista favorito da vida, minha maior inspiração, que voz!! eu amo essa mistura de blues, funk e rock !!




4- In Rock- Deep Purple- atenção a Child in time, que teclado foda!!, ação e reação é a sua fala? esse álbum fala muito disso em suas letras, eu admiro muito o Ian Gillan, seja a sua voz seja a sua interpretação, posicionamento no palco que estava no auge da psicodelia 70s, é um clássico e bem viajado. 


5- Houdini- The Melvins- pra quem curte um som cru, sem retoques, daqueles que tu coloca pra tocar nos dias de ódio puro, Melvins é assim bate e volta, cada música um soco na cara, além das capas que sem dúvida são bem características, excêntricas.


ENTREVISTA WEEDEVIL



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quarta-feira, 29 de abril de 2020

5 DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA #2

Nesse segundo round da sessão "5 Discos que mudaram minha vida" quem participa é meu amigo de longa data Vitor Carnelossi, talentoso guitarrista de Colorado-PR, integrante da banda de doom/heavy metal Tragedy Garden que tem longa trajetória no underground paranaense e ótimos trabalhos lançados, também foi o fundador do já extinto Guilhotina HC, formação de hardcore/crossover que deixou sua marca na memória da galera e demonstra a enorme versatilidade do cara pra compor em diferentes gêneros e fundador do blog underground Colorado Heavy Metal na ativa desde 2013, também existem outros projetos em que está envolvido mas isso é papo pra um outro momento, agora confiram os discos que marcaram a trajetória desse grande amigo e músico!!!




Theatre Of Fate – Viper



Aqui começou minha admiração pelo Heavy Metal Nacional, e também pelo saudoso e inesquecível André Matos. Fiquei admirado com um material tão bem construído, belas composições, arte espetacular e um vocal acima da média. Foi uma emoção emprestar esse vinil na época, gravei em K7 sempre sonhando em um dia tê-lo original.  Escuta-lo até hoje em LP é um ritual que consumo fazer tal como uma ocasião especial!

Gothic – Paradise Lost



Mais uma “bolacha” que emprestei, essa do amigo Marcão (Tragedy Garden), essa audição talvez tenha sido a mais importante para meu “enraizamento” dentro da cena underground. Costumo dizer que “Gothic” me capturou para novas perspectivas. Tudo nesse play é absurdamente triste, lúgubre e muito belo! A condensação de sentimentos tão profundos e melancólicos dentro de um som pesado me chamou a atenção para algo importante, a dramaticidade vai além do cinema!

Angra – Angels Cry




Hoje em dia o pessoal é meio que gosta de não misturar os gêneros, eu sempre curtir todas as ramificações do Heavy Metal. Seguindo o interesse pela excelente experiência de escutar o VIPER, foi natural chegar ao soberbo Angels Cry. De início a capa do disco já impressionava, quando pus “pra rodar” tive certeza que ali se encontrava um clássico que cada vez é mais reverenciado. Uma criação genial de Matos & Bittencourt que marcou o Heavy Metal Nacional e me fez ser sempre apoiador dos trabalhos posteriores do André.

Sepultura - Beneath Remains




Com a minha idade, é impossível não prestar um tributo ao passado glorioso do grande SEPULTURA em sua formação clássica e em uma fase ”matadora”! Esse play, pode ser que para muitos não represente o auge da banda em si, mais para mim é o símbolo de uma ascensão e uma atitude explosiva!  Beneath Remains para mim é antagonista ao material melódico que eu escutava, daqui bebi muito da fonte em projetos musicais que participei (Guilhotina HC) e também foi a porta de entrada para conhecer a cena punk Hardcore do Brasil!

Ratos de Porão – “ao vivo 1992”



 Geralmente a galera começa curtindo metal nos clássicos do Iron Maiden, Metallica e afins.... Para mim foi ao contrário, quando entrei de cabeça no som pesado, me emprestaram tudo que era mais podre e inacessível para o momento. Assim conheci o RDP – “ao vivo 1992” que é um registro caótico e ácido que vinha de encontro com o que eu procurava no momento. Tantos outros discos eu poderia ter posto aqui, mais por tudo que vivi dentro do underground esse disco merece uma menção neste breve release! 








segunda-feira, 21 de maio de 2018

ENTREVISTA TRAGEDY GARDEN

Depois de um período de inatividade, o Tragedy Garden ressurge, e é uma imensa satisfação falar com esses caras, parceiros de longa data, e que pude acompanhar de perto a evolução da banda e construção de várias composições que integram os três EPs lançados por eles até aqui, com sua sonoridade densa e sombria eles conquistaram notoriedade no underground e fico feliz por retornarem com novos projetos e ideias e mantendo vivo o jardim da tragédia! Falamos com o núcleo original da banda que está de volta agora e eles nos contaram um pouco do que vem por aí, confiram!




Depois de um longo tempo entre mudanças de formação e hiatos, o Tragedy Garden retorna agora com seu núcleo criativo original. Quais os fatores que os levaram à esse retorno e o que vocês têm em mente para essa nova fase da banda?

Marcio Valério:
O retorno do Tragedy Garden foi algo que sempre acreditei, pois ralamos pra caralho e não seria justo que as coisas terminassem com tantas idéias à serem colocadas em prática.

Vitor Carnelossi: O Tragedy Garden tinha uma obra inacabada, acredito assim como eu, o Marcio e o Marcão tem algo totalmente pessoal com a banda.

Marcão: Todos na banda sabíamos que o retorno aconteceria, apenas não tínhamos por razões diversas o momento exato. Como o Vitor disse, algo inacabado esperava por nós.



Como tem rolado a química entre a banda durante os ensaios após a decisão desse retorno?

Marcio Valério: Além de parceiros somos grandes amigos, e isso facilita muito as coisas. Estamos muito felizes e satisfeitos com os rumos que as coisas estão tomando. Sentimos a força de como se estivéssemos começando agora.

Vitor Carnelossi: É impossível não ficar nostálgico com os ensaios. No Tragedy Garden sempre fui valorizado e tive grandes momentos no passado. Acredito que em breve possamos estar entrosados o suficiente para um show simbólico e ritualístico.

Marcão Azevedo: Logo no primeiro ensaio toda a atmosfera se fez presente. Trágica e agradável surpresa.


Tirando as composições presente em seus três EPs lançados até hoje, existe algum material que ficou de fora e vocês pretendem trabalhar e utilizar em um futuro material?

Marcão Azevedo: Sim. Temos um material inédito pronto sendo revisado , intitulado Inconditional Pain, que será dividido em dois EPs com inéditas e um cover cada um. 




Vi através das redes sociais que vocês vão lançar uma edição comemorativa de dez anos do ´´Follow The Insanity´´ (2008) – vai rolar alguns extras junto desse material?

Vitor Carnelossi: Na verdade sempre achei que o ´´Follow The Insanity´´ não tinha sido amplamente divulgado por algumas questões. Em 2008/2009 foi o advento dos downloads (em nossa região pelo menos) com a popularização total dos blogs com conteúdo para baixar. Foi algo que mexeu com a galera na época. Nós éramos uma banda que tínhamos vendas e contatos por cartas. A idéia do relançamento é algo que apresentei pro Marcio e pro Marcão, pois acredito que a arte gráfica não era boa o suficiente para o conteúdo disponibilizado em ´´Follow...´´, que possui uma característica densa e obscura. Contratamos um desenhista e mantivemos a idéia do conceito do Marcão (baterista/letrista), agora correspondida plenamente e aprovada por todos na banda. Existe uma possibilidade de uma edição física, com a música In Our Lives, do primeiro EP, Silent Symphony, como bônus. Vamos analisar a viabilidade disso, e confesso que gostaria de ver a contextualização desse projeto, em se tratando do meu instrumento (guitarra), pois é o melhor material que gravei até hoje, temos ótimas composições nele.


Nesses anos que passaram, várias características na forma de consumir música mudaram, a principal foi a ascenção das plataforma s de streaming, principal canal de divulgação atualmente. Existem planos para subir o material do Tragedy Garden neste formato?

Vitor Carnelossi: Sim, devemos disponibilizar todas as possibilidades de divulgação do nosso material, inclusive nas plataformas de streaming. Follow The Insanity foi repaginado para esse propósito. Esperamos em breve estar com o conteúdo disponível para audição. 




Os EP´s da banda sempre tiveram um conceito lírico bem definido, aprofundando uma temática ao decorrer das faixas, começando com Enemy Time que abordava questões sobre o tempo, seguindo depois para Follow The Insanity, que tratava sobre a insanidade. Isso se deu de forma natural ou já era intenção desde o início seguir um conceito?

Marcão Azevedo: A opção do conceitual é algo proposital. Não há nada, absolutamente nada, em todos os CDs que não tenha algum significado, desde a tonalidade das cores das capas, passando pelos encartes e letras. São significados que se completam.


Outro ponto que podemos perceber é na forma que essas abordagens foram feitas, de uma forma filosófica e bem introspectiva, poética eu diria. Existe alguma inspiração literária no momento de compor?

Marcão Azevedo: A linguagem metafórica e abstrata nos ajudam a transmitir nossa proposta, nossos sentimentos e o que pensamos. São ´´viagens´´ cada vez mais pesadas e profundas, principalmente no material que sucederá o ainda inédito Inconditional Pain.


Ainda dentro desse campo de inspirações, as marcas registradas da sonoridade da banda são os andamentos melancólicos e sombrios. De onde vieram as influências para seguir essa linha de composição e sonoridade?

Vitor Carnelossi: Recordo-me que quando a banda começou havia algumas intenções, principalmente em relação às letras tristes e profundas. Quando começamos à compor era aquele lance meio anos 90, sem aquela preocupação com padrões e velocidade. Tudo isso conspirou para flertarmos com o Doom, o Gótico e com o Heavy Metal. Todos na banda tem seu papel na sonoridade que adotamos.

Marcão Azevedo: A música que praticamos requer execução densa e sentimental. Por mais técnica que uma versão possa ser executada, soa plástica e mecânica se não tiver estas características. Esse conceito é bem apurado dentro da banda, onde nosso guitarrista Vitor Carnelossi sempre desempenhou este papel com maestria.;


Quais os próximos passos após o relançamento do ´´Follow...´´´? Veremos o Tragedy Garden em ação ao vivo novamente?

Marcão Azevedo: Sim, tocaremos ao vivo. É importante para a banda e para quem curte nosso som. A prioridade é ajustar o poder de fogo para reencontrar nosso público em alto nível, pois vocês merecem. Além da gravação dos capítulos I e II de Inconditional Pain, gravaremos um clip para a música Enemy Time; Estamos viabilizando camisetas do Enemy Time e patchs com nossa logo, e breve também camisetas com a capa comemorativa de Follow The Insanity. Nosso canal oficial está quase pronto e todas as plataformas digitais terão nosso material. Temos ainda um projeto complexo e audacioso, em absoluto sigilo, que assim que se confirmar nos comprometemos à avisá-los em primeira mão.


Mantendo nosso tradicional plágio à Roadie Crew, gostaria que listassem os cinco discos favoritos de todos os tempos:

Marcio Valério: Paradise Lost (Gothic), Sepultura (Arise), Annihilator (Alice in Hell), Slayer (South of Heaven) e Black Sabbath (Volume 04);

Vitor Carnelossi: Death (Symbolic), Dream Theater (Images and Words), Angra (Angel´s Cry), Amorphis (Tales from the Thousand Lakes), Paradise Lost (Gothic);

Marcão Azevedo: The Mist (The Hangman Tree), Pink Floyd (The Division Bell), Tristania (Widow´s Weeds), Sepultura (Arise), Angra (Angel´s Cry); 




Para finalizer, reservo este espaço para que deixem suas mensagens à todos que nos acompanham. Valeu!

Marcio Valério: Obrigado Evandro pelo espaço e oportunidade. Hail!!

Vitor Carnelossi: Obrigado Evandro! Muito grato pele espaço para o Tragedy Garden.

Marcão AZEVEDO: Valeu Evandro! Vida longa ao Microfonia Underground Blog e à todos os amantes da cultura underground e do rock e suas vertentes. Tragedy Garden agradece às suas perguntas inteligentes e ao espaço que nos propicia estar perto das pessoas que curtem nosso som. Up the Tragedies!!!