·Álbum: A Sombra que me Acompanhava era a Mesma
do Diabo
·Gravadora: Electric Funeral Records
·Gênero:
Black Metal, Death Metal, Crossover
·Membros: João (Baixo e Voz), Gabriel Fontes
(Guitarra) e Gabriel Medeiros (Bateria)
Em uma cidade de pouco mais
de 25 mil habitantes, a pacata Miguel Pereira, cidade do interior carioca é a
morada da banda Sangue de Bode, que vêm impressionando de maneira positiva na
cena underground com sua raiva e melancolia em suas composições.
Com um vocal crossover e com
composições que passeiam entre o Death e o Black Metal, o trio formado por João
(Baixo e Voz), Gabriel Fontes (Guitarra) e Gabriel Medeiros (Bateria), lançaram
em fevereiro desse ano o álbum de estreia “A Sombra que me Acompanhava era a
Mesma do Diabo” pela gravadora Dark Funeral Records. Antes desse álbum, eles
tinham apenas um EP de uma música sombria “Comendo Lixo”, onde inclusive eles
produziram um videoclipe bem pesado!!!
E, cara...que disco foda! A
começar pela capa, totalmente sinistra de uma mina que parece ser possuída pelo
“capiroto”, no meio do mato, num dia bem sombrio. Uma capa impactante, em que a
autora da foto é a fotógrafa Clara Ribeiro (Instagram: @clararibeiroph) e a
modelo da foto é a Fernanda Ladislau (@fernanda.ladislau).
O disco merece destaque para
as faixas “Messias de Merda”, com críticas ferrenhas ao “excrementíssimo”
Presidente da República, “Jazigo”, com uma pegada mais direta, com uma letra
bem depressiva e “Pivete Executado”, uma faixa com um instrumental e uma
história de um pivete ao fundo, onde parecia ser alguma treta que ele
participava, sendo interrogado por uma espécie de policial (foi o que eu
interpretei, risos!)
Em resumo, mesmo com esse
ano maluco que estamos vivendo, somos agraciados com essa obra prima brutal e
extrema e o time Microfonia deseja vida longa a esses caras, que fazem um som
muito foda, que só faz fortalecer a cena do underground.
Depois de um período de inatividade, o Tragedy Garden ressurge, e é uma imensa satisfação falar com esses caras, parceiros de longa data, e que pude acompanhar de perto a evolução da banda e construção de várias composições que integram os três EPs lançados por eles até aqui, com sua sonoridade densa e sombria eles conquistaram notoriedade no underground e fico feliz por retornarem com novos projetos e ideias e mantendo vivo o jardim da tragédia! Falamos com o núcleo original da banda que está de volta agora e eles nos contaram um pouco do que vem por aí, confiram!
Depois de um longo tempo entre mudanças de formação e hiatos, o Tragedy Garden retorna agora com seu núcleo criativo original. Quais os fatores que os levaram à esse retorno e o que vocês têm em mente para essa nova fase da banda?
Marcio Valério: O retorno do Tragedy Garden foi algo que sempre acreditei, pois ralamos pra caralho e não seria justo que as coisas terminassem com tantas idéias à serem colocadas em prática.
Vitor Carnelossi: O Tragedy Garden tinha uma obra inacabada, acredito assim como eu, o Marcio e o Marcão tem algo totalmente pessoal com a banda.
Marcão: Todos na banda sabíamos que o retorno aconteceria, apenas não tínhamos por razões diversas o momento exato. Como o Vitor disse, algo inacabado esperava por nós.
Como tem rolado a química entre a banda durante os ensaios após a decisão desse retorno?
Marcio Valério: Além de parceiros somos grandes amigos, e isso facilita muito as coisas. Estamos muito felizes e satisfeitos com os rumos que as coisas estão tomando. Sentimos a força de como se estivéssemos começando agora.
Vitor Carnelossi: É impossível não ficar nostálgico com os ensaios. No Tragedy Garden sempre fui valorizado e tive grandes momentos no passado. Acredito que em breve possamos estar entrosados o suficiente para um show simbólico e ritualístico.
Marcão Azevedo: Logo no primeiro ensaio toda a atmosfera se fez presente. Trágica e agradável surpresa.
Tirando as composições presente em seus três EPs lançados até hoje, existe algum material que ficou de fora e vocês pretendem trabalhar e utilizar em um futuro material?
Marcão Azevedo: Sim. Temos um material inédito pronto sendo revisado , intitulado Inconditional Pain, que será dividido em dois EPs com inéditas e um cover cada um.
Vi através das redes sociais que vocês vão lançar uma edição comemorativa de dez anos do ´´Follow The Insanity´´ (2008) – vai rolar alguns extras junto desse material?
Vitor Carnelossi: Na verdade sempre achei que o ´´Follow The Insanity´´ não tinha sido amplamente divulgado por algumas questões. Em 2008/2009 foi o advento dos downloads (em nossa região pelo menos) com a popularização total dos blogs com conteúdo para baixar. Foi algo que mexeu com a galera na época. Nós éramos uma banda que tínhamos vendas e contatos por cartas. A idéia do relançamento é algo que apresentei pro Marcio e pro Marcão, pois acredito que a arte gráfica não era boa o suficiente para o conteúdo disponibilizado em ´´Follow...´´, que possui uma característica densa e obscura. Contratamos um desenhista e mantivemos a idéia do conceito do Marcão (baterista/letrista), agora correspondida plenamente e aprovada por todos na banda. Existe uma possibilidade de uma edição física, com a música In Our Lives, do primeiro EP, Silent Symphony, como bônus. Vamos analisar a viabilidade disso, e confesso que gostaria de ver a contextualização desse projeto, em se tratando do meu instrumento (guitarra), pois é o melhor material que gravei até hoje, temos ótimas composições nele.
Nesses anos que passaram, várias características na forma de consumir música mudaram, a principal foi a ascenção das plataforma s de streaming, principal canal de divulgação atualmente. Existem planos para subir o material do Tragedy Garden neste formato?
Vitor Carnelossi: Sim, devemos disponibilizar todas as possibilidades de divulgação do nosso material, inclusive nas plataformas de streaming. Follow The Insanity foi repaginado para esse propósito. Esperamos em breve estar com o conteúdo disponível para audição.
Os EP´s da banda sempre tiveram um conceito lírico bem definido, aprofundando uma temática ao decorrer das faixas, começando com Enemy Time que abordava questões sobre o tempo, seguindo depois para Follow The Insanity, que tratava sobre a insanidade. Isso se deu de forma natural ou já era intenção desde o início seguir um conceito?
Marcão Azevedo: A opção do conceitual é algo proposital. Não há nada, absolutamente nada, em todos os CDs que não tenha algum significado, desde a tonalidade das cores das capas, passando pelos encartes e letras. São significados que se completam.
Outro ponto que podemos perceber é na forma que essas abordagens foram feitas, de uma forma filosófica e bem introspectiva, poética eu diria. Existe alguma inspiração literária no momento de compor?
Marcão Azevedo: A linguagem metafórica e abstrata nos ajudam a transmitir nossa proposta, nossos sentimentos e o que pensamos. São ´´viagens´´ cada vez mais pesadas e profundas, principalmente no material que sucederá o ainda inédito Inconditional Pain.
Ainda dentro desse campo de inspirações, as marcas registradas da sonoridade da banda são os andamentos melancólicos e sombrios. De onde vieram as influências para seguir essa linha de composição e sonoridade?
Vitor Carnelossi: Recordo-me que quando a banda começou havia algumas intenções, principalmente em relação às letras tristes e profundas. Quando começamos à compor era aquele lance meio anos 90, sem aquela preocupação com padrões e velocidade. Tudo isso conspirou para flertarmos com o Doom, o Gótico e com o Heavy Metal. Todos na banda tem seu papel na sonoridade que adotamos.
Marcão Azevedo: A música que praticamos requer execução densa e sentimental. Por mais técnica que uma versão possa ser executada, soa plástica e mecânica se não tiver estas características. Esse conceito é bem apurado dentro da banda, onde nosso guitarrista Vitor Carnelossi sempre desempenhou este papel com maestria.;
Quais os próximos passos após o relançamento do ´´Follow...´´´? Veremos o Tragedy Garden em ação ao vivo novamente?
Marcão Azevedo: Sim, tocaremos ao vivo. É importante para a banda e para quem curte nosso som. A prioridade é ajustar o poder de fogo para reencontrar nosso público em alto nível, pois vocês merecem. Além da gravação dos capítulos I e II de Inconditional Pain, gravaremos um clip para a música Enemy Time; Estamos viabilizando camisetas do Enemy Time e patchs com nossa logo, e breve também camisetas com a capa comemorativa de Follow The Insanity. Nosso canal oficial está quase pronto e todas as plataformas digitais terão nosso material. Temos ainda um projeto complexo e audacioso, em absoluto sigilo, que assim que se confirmar nos comprometemos à avisá-los em primeira mão.
Mantendo nosso tradicional plágio à Roadie Crew, gostaria que listassem os cinco discos favoritos de todos os tempos:
Marcio Valério: Paradise Lost (Gothic), Sepultura (Arise), Annihilator (Alice in Hell), Slayer (South of Heaven) e Black Sabbath (Volume 04);
Vitor Carnelossi: Death (Symbolic), Dream Theater (Images and Words), Angra (Angel´s Cry), Amorphis (Tales from the Thousand Lakes), Paradise Lost (Gothic);
Marcão Azevedo: The Mist (The Hangman Tree), Pink Floyd (The Division Bell), Tristania (Widow´s Weeds), Sepultura (Arise), Angra (Angel´s Cry);
Para finalizer, reservo este espaço para que deixem suas mensagens à todos que nos acompanham. Valeu!
Marcio Valério: Obrigado Evandro pelo espaço e oportunidade. Hail!!
Vitor Carnelossi: Obrigado Evandro! Muito grato pele espaço para o Tragedy Garden.
Marcão AZEVEDO: Valeu Evandro! Vida longa ao Microfonia Underground Blog e à todos os amantes da cultura underground e do rock e suas vertentes. Tragedy Garden agradece às suas perguntas inteligentes e ao espaço que nos propicia estar perto das pessoas que curtem nosso som. Up the Tragedies!!!