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terça-feira, 20 de julho de 2021

ENTREVISTA COM VITOR CARNELOSSI - LONELINESS OBSERVATORY

Loneliness Observatory é mais nova empreitada do guitarrista e compositor de mão cheia, Vitor Carnelossi, há anos envolvido em bandas underground e produzindo música autoral, ele sempre entregou grandes músicas dentro dos projetos que integrou, porém aqui ele se juntou a alguns parceiros diferentes do usual, fora de seu nicho de costume pra dar vida a composições que rompem barreiras de tudo aquilo que ele vinha produzindo até então, dando um salto em termos de qualidade de produção e trazendo um ar mais contemporâneo ao tipo de sonoridade que conhecemos em suas composições no Tragedy Garden por exemplo. O que quero dizer com isso é que acho um projeto melhor ou pior? Jamais! Curto demais o trabalho do Tragedy, mas achei bastante empolgante conhecer outra faceta musical do Vitor como Guitarrista e admirável como as composições se diferenciam de seus outros trabalhos apesar de caminharem por universos próximos. Quem pode dar mais detalhes sobre tudo isso é o próprio e em breve todos que quiserem poderão conferir os sons em sua plataforma de streaming preferida, já que a previsão é de que o single "Dark Horizon" vá ao ar no dia 25/07/2021, fiquem ligados, prestigiem o underground, apoiem o metal nacional!   




Vitor, acho que não existe outra forma de começar essa entrevista sem que a gente olhe para o passado e pra tudo que já foi feito com uma gigantesca contribuição de sua parte para o underground do interior, onde não há espaços e nem visibilidade e mesmo assim ao longo de tantos anos você sempre optou pelo árduo caminho de produzir música autoral nas mais variadas vertentes e rompendo barreiras mesmo com poucos recursos, o quanto isso te moldou e o amadureceu pra chegar até esse momento de estar prestes a divulgar um trabalho feito com parcerias mas que foi inteiramente pensado e produzido aos seus moldes?

Vitor Carnelossi: Evandro, primeiramente obrigado pelas palavras! Eu acredito que o underground é movido pela paixão de se fazer parte de algo, de expressar-se! Acho que assim como eu, a maioria das pessoas que se colocam a fazer música autoral buscam satisfazer-se artisticamente, compartilhar sua música! Toda minha vivencia no “underground” serviu para me mostrar que é possível fazer música, basta ter foco e organização! A experiência deste Single foi interessante, pois começar algo totalmente do zero e definir um padrão de influencias sempre é complicado. Fazia muito tempo que planejava fazer algo assim, mais dessa vez houve um alinhamento que contribuiu para que tudo saísse do papel!

Um parceiro importante na concepção deste EP, foi o Fábio Andrey (Lost in the Storm), como você conheceu o Fábio e de que forma a amizade de vocês evoluiu culminando nessa parceria musical que vamos poder conferir nas faixas de “Dark Horizon”?

Vitor Carnelossi: Eu conheci o Fábio há alguns anos atrás através de uma matéria que fiz para o Blog COLORADO HEAVY METAL falando sobre o THE MIST, banda que influenciou muito a galera daqui! Ele leu a matéria e entrou em contato, pois tocou na banda em determinada época, desde então sempre mantivemos contatos. Quando fiz a pré produção com o Wesley (Over Drive Music Studio), notei que as músicas deram uma modificada na sonoridade, pois o Wesley levou a ideia inicial para um padrão bem mais profissional e atual. Após um ajuste inicial, mandei as faixas para o Fábio e ele acreditou nas composições e se colocou à disposição para assumir os vocais!

Algo que chama a atenção nas faixas de “Dark Horizon”, é a qualidade da produção que traz um ar de modernidade ao som, com destaques ao seu trampo de guitarra primoroso que sem dúvidas são os fios condutores, como foi o trabalho de gravação e produção, uma vez que pela primeira vez você estava fazendo isso sem uma banda em si envolvida no processo, e qual a sua sensação em relação ao resultado final?

Vitor Carnelossi: Eu havia começado a compor duas músicas em casa, mais a ideia inicial quando entrei em contato com o Wesley, (Over Drive Music Studio) logo na primeira conversa já combinamos a gravação para um prazo de duas semanas... ou seja, não tinha nenhuma música pronta, só um rabisco do que iria a ser a “Drowning in Tears” e outra mais avançada na composição, porém não curti a sonoridade para esse projeto e arquivei.... Tive que pegar uma música mais antiga que eu tinha composto lá por 2013 para fazer parte do Single e corri contra o tempo para deixá-las no jeito para gravar, foram duas semanas todas as noites no quarto da minha filha com um metrônomo insistente no ouvido (rsrsrs). Gravamos os sons em três sábados à tarde, ajustamos as guitarras, baixo e bateria... ainda foram gastos horas a mais para os teclados, vocais e mixagem. O Detalhe é que o Fabio e a Flávia moram na França. Tudo foi um exercício de logística e também de conversação, pois todo mundo tem o gênio forte rsrsrs... O Resultado final me agradou muito pra um single de estreia, posso dizer que foi dado o máximo que eu poderia para isso!

Outro ponto que não posso deixar passar desapercebido, é a inserção de elementos que você sempre quis utilizar em outros projetos e não teve a oportunidade e aqui você incluiu de forma notória, que são os teclados e o vocal feminino, que ficou a cargo de Flávia Americano, isso trouxe o Loneliness Observatory pra um outro nível sonoramente falando, e ainda diferencia totalmente de seus outros trabalhos, uma vez que ao ouvir as faixas temos a impressão de estar ouvindo uma produção de metal europeu, digo isso de forma elogiosa, pois realmente surpreende pela aura diferenciada das músicas, como você pensou essas mudanças?

Vitor Carnelossi: Há muito tempo eu flertava com os teclados e os vocais femininos, isso até então não tinha sido utilizado em nenhuma outra banda que faço ou fiz parte.  Sem dúvidas quem me conhece, vai traçar paralelos entre o LONELINESS OBSERTATORY com o TRAGEDY GARDEN, isso é até natural, até pelas referencias góticas que ambas têm. Porém, acredito firmemente que consegui coloca-las bem distantes na intenção de sua música, e na sonoridade também... Isso também acontece no caso do LOST IN THE STORM que é a banda do Fábio e a Flavia, não tem conflitos neste single, as intenções são completamente diferentes. Isso é o interessante, fazer o que não se faz em outras bandas! Ainda destaco os vocais de meus parceiros, o Fábio com seus vocais fortes e abrangentes, uma grande extensão vocal em seus guturais! A Flavia tem um timbre maravilhoso, me arrepiei quando escutei ela pela primeira vez nas composições. Realmente os vocalistas deram uma qualidade além de minhas intenções! O Padrão Europeu, é muita culpa dos “amplis” que o Wesley escolheu, o cara foi meticuloso com a timbragem dos instrumentos e buscou esmerar o máximo na gravação! Eu estava meio fora de forma, e fiquei até intimidado com o padrão de exigência durante a capitação dos instrumentos mais o cara sabia muito bem o que estava fazendo, grande profissional!



Voltando um pouco no tempo e caindo mais a fundo no processo criativo, o fato de estar isolado durante essa pandemia contribuiu no sentido de criar algo nesse formato mais individual, e como surgiram pra vocês os riffs e melodias das faixas de “Dark Horizon”, como é seu processo de composição Vitor?

Vitor Carnelossi: Bom, as bandas pararam de ensaiar, tudo estacionou, decidi que iria fazer algo sozinho. Então antes de compor algo fiquei muito tempo organizando meus pensamentos e ideias sobre isso. Comentei até com algumas pessoas (elas sabem quem são) que gostaria de arriscar algo meu. Criei o nome rabisquei muitas ideias e praticamente, como falei anteriormente organizei as músicas em duas semanas rsrsrsrs... Quando o pessoal do Lost In The Storm deram carta verde para participar no “Loneliness” decidi deixar as letras com o Fábio, pois queria que o sentimento dele fluísse nas composições, além da métrica e interpretação. “Drowning in Tears” é algo realmente novo, criei de maneira bem natural e isso me orgulha, pois fazia muito tempo que não gravava algo com minhas referências atuais! Agora a “Hopeless” é uma composição que fiz há muito tempo e não deu certo de ser utilizada em projetos passados, readaptei ela para o LONELINESS OBSERVATORY e acho que ela coube muito bem neste single!!!

Sei que você é um músico que bebe nas mais variadas referências e escuta todo tipo de música, mas quais seriam as referências musicais da Loneliness Observatory, como faltam alguns dias para o lançamento do EP, que bandas o inspiraram nessa sonoridade?

Vitor Carnelossi: Evandro, especificamente acredito que a música que fizemos neste Single tem como referência bandas como Paradise Lost e Moonspell. Há algumas outras referências ali no meio, eu gosto muito de Opeth, Tristania (Antigo), há algo até do metal tradicional, mais é uma incógnita o que as pessoas que escutarem vão achar, já comentei contigo que isso pra mim é incerto rsrsrsrs... Ainda é importante dizer que; apesar do projeto ter sido arquitetado por mim, as participações do Wesley, Fabio Andrey e Flávia somaram de maneira imprescindível para o resultado final. 


Nesse projeto você está unido duas habilidade suas, como guitarrista e como fotografo, a capa do EP será aquela divulgada nas redes sociais da banda, que é uma imagem capturada por você, como você pensou o conceito de imagem para este projeto e o quanto você acha importante um bom aparato gráfico para divulgar o conceito de uma música?

Vitor Carnelossi: Cara, curiosamente o Fábio Andrey comentou essa foto quando postei há algum tempo atrás, antes de ter relação com o LONELINESS OBSERVATORY, ele falou que dava uma capa de disco! Eu tinha feito outra arte para o single, mais após as letras serem escritas, achei que não estava havendo uma dramaticidade suficientemente forte para entregar o conteúdo. Falei com o Fábio para mudarmos a arte e ele me sugeriu essa foto! Fiquei satisfeito, por que é uma foto que tem significado pra mim e foi escolhida pelo vocalista que se identificou com a imagem!



Vitor, gostaria de agradecer por falar conosco, desejar sucesso neste novo projeto e reservar este espeço pra que deixe suas considerações como desejar.

Vitor Carnelossi: Cara, agradeço imensamente você e ao seu Blog, minha esposa Priscila pelo apoio incondicional para esse projeto. Aos músicos que fizeram parte deste single. Agradeço de forma especial ao Fabio Andrey que passou por períodos difíceis, pois perdeu o seu pai e sua tia por causa do COVID e mesmo com o coração partido manteve nosso projeto em andamento, um guerreiro! Enfim, agradeço a todos com que comentei sobre este projeto e me incentivaram a seguir em frente, espero que nossa música chegue até vocês!

 

quinta-feira, 23 de julho de 2020

DEAD LIVE (MANAUS-AM)



Sempre válido observar que num país de dimensões continentais existe uma diversidade cultural imensa e que as coisas não acontecem somente no eixo Sul-Sudeste, por isso temos diversas cenas produtivas e cheias de bandas foda.

Vou um pouco mais além, o norte e o nordeste do Brasil quando se fala de underground são hoje referências, o tempo todo surgem novas bandas com trabalhos incríveis vindas dessas regiões!

 Hoje gostaria de falar sobre uma banda de um gênero que aprecio muito, que é o Horror Punk, que tem uma cena fortíssima com bandas espalhadas por todo país, mas vamos focar especificamente em uma banda de Manaus-AM, a Dead Live.

Formada no começo de 2015, a Dead Live é composta por Jefferson Carneiro (Vocal e Guitarra), Benediction Açougueiro (Baixo), Dirley Velinho (Bateria) e Cristian Oliveira (Guitarra), os caras vem com a proposta de fazer um som totalmente voltado ao horror punk e suas temáticas convencionais, que possuem uma fonte inesgotável de temas que quem é fã do gênero se amarra, violência gore, zumbis, apocalipse, muito sangue e vísceras pra embalar as composições!


A banda possui três discos de estúdio e um ao vivo lançados até aqui, "Mortos Vivos" (2016), "Bar from Hell" (2017), "Manicômio" (2018) e o ao vivo gravado no Garage Sounds lançado também em 2018, todos discos de estúdio gravados, mixados e masterizados pelo guitarrista e vocalista Jefferson Carneiro, que manda muito bem no trabalho de produção dos albuns, as artes das capas dos discos ficaram a cargo de um cara que acredito que quem é da cena conheça muito bem, Daniel Ete (Muzzarelas), que é perito em entregar artes que ilustram muito bem o universo do Horror Punk.




Falando um pouco mais sobre o som dos caras, vale observar que principalmente no seu último lançamento, "Manicômio" há um flerte com o metal, perceptível na rifferama que os caras despejaram nas composições, até mesmo a sonoridade desse disco me chamou a atenção pelo peso, destaque para a cozinha brutal dos caras, impondo muito mais peso a sonoridade e fazendo a camada de base para as guitarras da banda, o vocal de Jefferson Carneiro é outro ponto muito legal, um timbre diferente, canta de uma forma única e bem particular que se fundiu muito bem com a sonoridade.

Enfim, conheçam os sons dos manauaras da Dead Live, eles estão em todas plataformas de streaming e com certeza o som dos caras irá acertá-los em cheio!!! Abaixo seguem os links onde será possível acessar o trabalho da banda, sigam, curtam e compartilhem os trabalhos das bandas e se puder comprem os materiais, assim poderemos dar o suporte para a cena e as bandas sobreviverem em meio a esse caos!!!


 FACEBOOK:https://www.facebook.com/DeadLiveHorrorPunk/

INSTAGRAM: https://www.instagram.com/deadliveoficial/

BANDCAMP: https://deadlive.bandcamp.com/

SPOTIFY: https://open.spotify.com/artist/74glFGD5ZD7Aja6DgxuZeL?si=gterRy-DSDuETHZqIyKsaQ

 

quarta-feira, 15 de julho de 2020

ENTREVISTA KULTIST

O Kultist é uma banda de São Paulo/São Carlos formado por Karine Profana (baixista), Yasmin Amaral (guitarrista), Letícia Figueiredo (baterista) e o vocal fica por conta de Daniel Pacheco (ex-Cursed Slaughter) que pratica um som de influências variadas dentro do metal, mas vamos usar a própria descrição da banda: : A Lovecraftian dark metal band, transformam o terror de Lovecraft em letras e riffs sombrios que podem ser conferidos em seu primeiro álbum, "The Black Goat", lançado em 2019 que traz oito faixas com temáticas totalmente voltadas para a obra do escritor americano de fantasia e ficção, mestre do terror cósmico!!! Confiram a seguir o papo que tivemos com Daniel Pacheco que nos conta um pouco mais sobre a banda!!!







Primeiramente muito obrigado por falar com o Microfonia, poderia nos contar de que maneira foi formada a Kultist, o que acabou reunindo vocês pra formar a banda?

Daniel Pacheco: Obrigado vocês pelo espaço! O Kultist nasceu lá por 2016 se não me falha a memória, eu e a Yasmin tínhamos vontade de fazer música juntos. No início éramos apenas nós dois e decidimos fazer um som voltado para o Death mais old-school, por ser um estilo que a gente escutava bastante junto. Nosso primeiro batera foi o Caio Imperato, chegamos nele por indicação de uma camarada nossa, com ele nós compusemos e gravamos a Black Swamp, nosso primeiro single. Depois disso a Karine Profana entrou no baixo, já a conhecia de outros rolês, mas como guitarrista, até que ela postou um vídeo tocando Possessed By Skate no baixo e eu fiquei doido, falei que ela precisava estar na nossa banda rsrs. Alguns bateras passaram por essa formação, todos contribuindo com linhas para algumas músicas, mas a definitiva foi a Letícia Figueiredo, que chegou por indicação da Lary Durante do High Hat Girls para a Karine, a química foi muito instantânea, no primeiro ensaio já tínhamos um rascunho de som novo e ali tivemos certeza de como a banda deveria soar e seguir.

Como surgiu essa ideia de criar músicas baseadas na literatura de HP Lovecraft e de que forma vocês condensam nas letras toda essa riqueza de mitos presentes nos contos do cara?

Daniel Pacheco:
Cara, essa parte foi um pouco da minha iniciativa lá atrás, eu já criei a banda com esse propósito na real, eu adoro escrever sobre terror, minha primeira banda (Cursed Slaughter) já falava sobre filmes de terror lá em 2009. Eu sempre li muito Lovecraft, adoro a mitologia, ai pensei que seria legal a banda ter um conceito forte, tanto visual quanto lírico, ainda bateu das outras integrantes também gostarem bastante de toda mitologia criada pelo cara. Quando eu escrevo a letra, eu procuro abordar um conto ou uma divindade e condensar os pontos mais relevantes para aquela história. Mas temos planos de abrir mais isso. Quem sabe um disco inteiro sobre o mesmo conto? São possibilidades infinitas.

Vimos em sua página que há um novo disco vindo, o que vocês podem nos contar sobre esse futuro novo registro?

Daniel Pacheco:Não muito na verdade, a quarentena tem ferrado a nossa cabeça, o primeiro disco do Kultist levou 3 anos para ser escrito, a gente é bem caprichoso com cada som e com cada riff, então praticamente tudo que a gente compõe até o final acaba sendo aproveitado. Temos uns rascunhos prontos e um tema em mente e isso é tudo que eu posso dizer rsrs.

Pra quem não conhece HP Lovecraft e quer se situar nas letras da Kultist, em que contos do autor vocês se inspiraram pra escrever as faixas de “The Black Goat”?


Daniel Pacheco:
Shub-Niggurath - “Um Sussurro nas trevas”
The Crawling Chaos - Divindade Nyarlahotep, ele aparece em diversos contos.
The Kult Of Dagon - “Sombra sobre Innsmouth”
Eternal Abyss - “Os outros Deuses”
Symphony Of Madness - “A música de Erich Zann”
Frozen Fear - “Nas Montanhas da Loucura”
Sign In Blood - “Sonhos na casa da Bruxa”
Black Swamp - “Dagon”



 

 No campo lírico sabemos qual referência da banda, mas em termos de sonoridade, quais são as influências da banda?

Daniel Pacheco: Caramba essa é bem complicado pois são muitas, muita coisa de Doom, Voivod, Discharge, Kreator, Megadeth, Possessed, Sepultura antigo, putz, acho que cada música tem uma coisa muito particular, não consigo definir bem rsrs, a gente adora a coisa mais dissonante, uns tempos mais esquisitos, então isso acaba refletindo bastante.

Como foi o processo de gravação de “The Black Goat”, poderiam nos dizer alguns detalhes a respeito? Quem foi o responsável pela produção, mixagem, etc? O resultado final é muito bom, a qualidade do registro é ótima!

Daniel Pacheco: Obrigado! Os créditos são todos do Diego Rocha do Bay Area Studios. O processo foi muito rápido, gravamos o disco em uns 4 dias, a mixagem demorou um pouco mais e ficamos bem felizes com o resultado também! Tudo fluiu muito legal, acho que o Diego conseguiu captar o que a gente queria passar, sei que para deixar a mostra tudo que queríamos não seria nada fácil rsrs o Kultist tem uma particularidade que são as linhas de baixo bem diferentes da guitarra e encaixar tudo isso numa mix, com timbragem e etc, é um trabalho bem complicado.



Qual o conceito na escolha do título “The Black Goat”, visto que não é o título de nenhuma das faixas do disco, tem algum motivo especial pra esse nome pro album?

Daniel Pacheco: A divindade Shub-Niggurath é conhecida como a cabra negra dos mil filhotes, por isso o nome The Black Goat, na letra da música a gente fala sobre isso. Além disso tem toda a coisa de ser meio que uma ovelha negra, não se adequar às normas ou padrões, que é uma coisa com a qual todos nós da banda nos identificamos.

Quem foi o responsável pela criação da arte da capa do disco e qual o conceito por trás dela?

Daniel Pacheco: Quem fez essa capa foi o Wendell Narkdemi, um artista fantástico de quem eu sou muito fã. Quando eu envio uma arte para alguém trabalhar, eu gosto de deixar a pessoa bem solta, então costumo enviar as letras e deixar a pessoa trabalhar em cima daquilo. Ele nos enviou esse cultista cercado por montanhas (que se parecem com outros cultistas) e por cima deles a sombra da Shub-Niggurath, essa arte é muito boa e dá uma condensada legal em todas as letras.

Como está sendo esse momento de pandemia para a banda? Acham que há possibilidades de um retorno as atividades culturais/shows ainda nesse ano?

Daniel Pacheco: Pessoalmente eu acredito e sinceramente espero que não haja um retorno nem esse ano e nem por uma parte do próximo, simplesmente não é seguro, nem para nós como músicos, nem para quem é público, o Covid é uma doença muito nova e ainda não temos ideia da real dimensão do seu comportamento ou reincidência (isso para não falar de dados falsos sendo divulgados pelo governo, para passar uma falsa sensação de segurança). Como músicos, estamos estudando, sei que todos nós temos investido tempo em nos aprimorar em nossos instrumentos. O Kultist é uma banda que depende muito da nossa química juntos, nós escrevemos praticamente tudo em estúdio, então temos guardado algumas boas ideias para quando for possível e seguro estarmos juntos novamente.


Pra não perder o costume de pedir listas aos nossos entrevistados, segundo a Kultist, quais os 5 melhores álbuns de todos os tempos e aproveitando o momento de quarentena, deixem uma dica de leitura pra galera também.

Daniel Pacheco:

Faith no more - The real thing

Voivod - Killing Technology

Megadeth - Killing is my Business

Possessed - Seven Churches

Iron Maiden - Powerslave

Leitura: H.P. Lovecraft - Medo Clássico Vol 1

Gostaria de agradecer por falarem com o Microfonia e reservar esse espaço pra que mandem seu recado como desejar, valeu!!!

Daniel Pacheco: Muito obrigado pelo espaço e pela paciência! Desejamos força a todos que estão encarando essa quarentena, os tempos são sombrios, mas irão passar no meio tempo, tentem ficar lúcidos e caso não consigam, declarem todo o seu amor aos deuses anciões ouvindo Kultist!







terça-feira, 7 de julho de 2020

STAB - Sepulchral Lullaby (2020) - REVIEW MICROFONIA


Ficha técnica:

·         Banda: Stab

·         Origem: Brasil - Piracicaba-SP

·         Álbum: Sepulchral Lullaby  

·         Gravadora: Independente

·         Gênero: Thrash metal

·         Membros: Murilo Ramos (Guitarra e Voz), João Polizel (Baixo), Leonardo Veronez (Bateria)


Confesso que quando me deparei com o nome da banda imaginei outro tipo de sonoridade, já que "Stab" é uma música do grupo carioca Planet Hemp, então logo fiz as ligações que me eram óbvias na cabeça naquele momento, um som moderno, flertes com o hip-hop, algo mais alternativo, que também acho interessante, mas o título do EP aqui já denunciava que eu estava muito enganado, Sepulchral Lullaby traz uma sonoridade calcada de forma explicita no thrash metal e como costumo brincar, todo brasileiro curte futebol, cerveja e thrash metal!!!

Aqui a proposta é simples porém certeira, como colocou a banda "Nossa proposta é de unir o peso, a agressividade e a velocidade, que são típicos do thrash metal,a uma sonoridade sombria", em primeiro plano o que me chamou a atenção foram os vocais, que conseguem imprimir essa parte sombria ao som, devido ao timbre interessante do vocalista Murilo Ramos, pra dar uma ideia do que estou falando, a referência que me veio à mente foi a de Sérgio Chaves no Chakal, fase "Death is a Lonely Business", principalmente me momentos de cadência nas faixas.

O EP que chegou as plataformas de streaming em fevereiro possui quatro faixas que foram capitadas, mixadas e masterizadas no Casarão Music Studio em Piracicaba-SP, por Franco Torrezan e possui um bônus gravado em formato ao vivo no estúdio.

O Stab é uma banda em pleno desenvolvimento, foi formada em 2017 e esse seu primeiro EP demonstra o quanto eles tem talento pra evoluir muito mais, a impressão que tive ao ouvir Sepulchral Lullaby na realidade é a de que eu gostaria de ouvir mais faixas, passa rápido e logo você está repetindo tudo de novo, estou aqui curtindo o som dos caras enquanto escrevo!

Falando da sonoridade praticada em si, a banda caminha por várias camadas diferentes dentro de seu som, flertam com o hardcore/crossover, com o heavy metal e apesar de ser um som agressivo há muita melodia nas faixas, como em "In the streets" por exemplo.

Como faixas que gostaria de destacar, indico a audição no detalhe de "Scum" que é uma porrada e as variações sonoras de "God´s Sheep", duas demonstrações do poder de fogo da cozinha coesa da banda, grata surpresa conhecer a Stab, aguardamos novidades dessa galera de Piracicaba.





Fontes de pesquisa:








quarta-feira, 29 de abril de 2020

5 DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA #2

Nesse segundo round da sessão "5 Discos que mudaram minha vida" quem participa é meu amigo de longa data Vitor Carnelossi, talentoso guitarrista de Colorado-PR, integrante da banda de doom/heavy metal Tragedy Garden que tem longa trajetória no underground paranaense e ótimos trabalhos lançados, também foi o fundador do já extinto Guilhotina HC, formação de hardcore/crossover que deixou sua marca na memória da galera e demonstra a enorme versatilidade do cara pra compor em diferentes gêneros e fundador do blog underground Colorado Heavy Metal na ativa desde 2013, também existem outros projetos em que está envolvido mas isso é papo pra um outro momento, agora confiram os discos que marcaram a trajetória desse grande amigo e músico!!!




Theatre Of Fate – Viper



Aqui começou minha admiração pelo Heavy Metal Nacional, e também pelo saudoso e inesquecível André Matos. Fiquei admirado com um material tão bem construído, belas composições, arte espetacular e um vocal acima da média. Foi uma emoção emprestar esse vinil na época, gravei em K7 sempre sonhando em um dia tê-lo original.  Escuta-lo até hoje em LP é um ritual que consumo fazer tal como uma ocasião especial!

Gothic – Paradise Lost



Mais uma “bolacha” que emprestei, essa do amigo Marcão (Tragedy Garden), essa audição talvez tenha sido a mais importante para meu “enraizamento” dentro da cena underground. Costumo dizer que “Gothic” me capturou para novas perspectivas. Tudo nesse play é absurdamente triste, lúgubre e muito belo! A condensação de sentimentos tão profundos e melancólicos dentro de um som pesado me chamou a atenção para algo importante, a dramaticidade vai além do cinema!

Angra – Angels Cry




Hoje em dia o pessoal é meio que gosta de não misturar os gêneros, eu sempre curtir todas as ramificações do Heavy Metal. Seguindo o interesse pela excelente experiência de escutar o VIPER, foi natural chegar ao soberbo Angels Cry. De início a capa do disco já impressionava, quando pus “pra rodar” tive certeza que ali se encontrava um clássico que cada vez é mais reverenciado. Uma criação genial de Matos & Bittencourt que marcou o Heavy Metal Nacional e me fez ser sempre apoiador dos trabalhos posteriores do André.

Sepultura - Beneath Remains




Com a minha idade, é impossível não prestar um tributo ao passado glorioso do grande SEPULTURA em sua formação clássica e em uma fase ”matadora”! Esse play, pode ser que para muitos não represente o auge da banda em si, mais para mim é o símbolo de uma ascensão e uma atitude explosiva!  Beneath Remains para mim é antagonista ao material melódico que eu escutava, daqui bebi muito da fonte em projetos musicais que participei (Guilhotina HC) e também foi a porta de entrada para conhecer a cena punk Hardcore do Brasil!

Ratos de Porão – “ao vivo 1992”



 Geralmente a galera começa curtindo metal nos clássicos do Iron Maiden, Metallica e afins.... Para mim foi ao contrário, quando entrei de cabeça no som pesado, me emprestaram tudo que era mais podre e inacessível para o momento. Assim conheci o RDP – “ao vivo 1992” que é um registro caótico e ácido que vinha de encontro com o que eu procurava no momento. Tantos outros discos eu poderia ter posto aqui, mais por tudo que vivi dentro do underground esse disco merece uma menção neste breve release! 








terça-feira, 24 de março de 2020

ENTREVISTA HELLWAY PATROL






Fala pessoal, primeiramente obrigado por falar com o Microfonia, gostaria que nos contasse como surgiu a Hellway Patrol com essa combinação de músicos vindos de diferentes nichos do underground e como funciona essa parceria na hora de compor?

Ricardo: O prazer é nosso. A Hellway Patrol surgiu da vontade de fazer som pesado, mas sem nenhuma amarra com algum subgênero específico. O método de composição é bem livre; às vezes as músicas surgem em jams, às vezes um de nós já chega com ideias de riffs e bases para arranjarmos e finalizamos uma música quando ela soa bem o suficiente pra gente.

O EP “Desert Ghost” obteve boas críticas na mídia especializada e traz 3 faixas que mostram que o potencial criativo da banda tem muito a nos oferecer, como foi o processo de concepção das faixas que figuram nesse EP e qual a impressão da banda em relação ao alcance que teve esse material?

Ricardo:A três faixas foram compostas na mesma época do nosso primeiro EP, a ideia de um lançamento separado veio por causa das participações. Desde ensaios já imaginávamos “Satan Free Me” e “Fear The War Machine” com os vocais da May Undead e do Silvano respectivamente. Ficamos muito feliz com o resultado final e com a recepção da mídia especializada. Vemos a reação dos fãs as músicas sendo executadas ao vivo e também na venda dos discos, mas ainda nos debatemos um pouco nas plataformas digitais. Estamos tentando achar meios de divulgar melhor e termos mais alcance no youtube, spotify, etc...

Recentemente vocês estiveram em turnê pelos EUA e México, como foram essas datas e de que forma surgiu a oportunidade de realizar a tour?

Ricardo:A oportunidade surgiu de um convite da Restless Booking Agency. Foram 16 shows em 3 semanas. Fizemos shows de segunda, terça, etc… Foi uma experiência incrível, a resposta ao nosso som foi muito positiva. Foi muito interessante conhecer a cultura underground de lá. Por um lado o público realmente apoia as bandas em tour, compram muito merch, deixam gorjetas e assistem o show de perto. Por outro lado, cada banda tem que ter seu próprio backline, a cada show eram trocados amplificadores, bateria, etc… então as trocas de palco demoravam um pouco mais que aqui.



O que vocês tem a dizer das bandas que dividiram o palco com a Hellway Patrol nessa tour, alguém que vocês nos indicariam que devemos conhecer?

Ricardo:Nós tocamos com bandas de vários estilos e nos divertimos bastante. Destaque para Bombscare, Tazumal, Wartroll e Infiltrator, mas uma banda que recomendamos muito é uma que nem dividiu palco com a gente chamada Blind Illusion. O vocalista Mark já vinha mandando mensagens desde que anunciaram nosso show em Oakland e apareceu com uns presentinhos. A banda existe desde 1979 e foi uma das primeiras de Thrash da Bay Area, já teve na formação Les Claypool e Larry Lalonde e os dois primeiros lançamentos foram produzidos por Kirk Hammet. Foi muito divertido passar um tempo com Mark e o baixista Tom.

Em Londrina vocês organizam a Hellway Fest, evento que traz bandas de destaque nacional e internacional pra dividir os palco com nomes locais do underground, como surgiu a ideia do fest, que dificuldades vocês enfrentaram pra organizar esse evento e existem planos para mais edições?

Ricardo:A ideia partiu da cena mesmo. A gente faz contato com bandas de diversos lugares e quando eles estão em tour entram em contato conosco para tentar fazer algo aqui, e a gente tenta fazer. A dificuldade é financeira, porque apesar de Londrina ter uma cena bacana, a situação econômica do país está prejudicando muito o bolso do headbanger. Promover um show custa dinheiro e o fazemos sem nenhum patrocínio, então tentamos fazer do melhor jeito pra banda e público, mas é difícil. Não estamos planejando o próximo ainda, mas pode ser que role um neste ano.

Vocês incluíram alguns sons inéditos em sua última tour, a banda tem previsão de lançar um novo material? Pretendem lançar um full ou o formato de EP é mais interessante? E porque esse formato?

Ricardo:Sim, estamos tocando várias músicas novas, testando versões diferentes de algumas inclusive e pretendemos lançar um full lenght esse ano. Estamos em buscas de selos e parceiros e acho que já chegou a hora da banda lançar um álbum completo.

Foi lançado um clipe para a faixa “Desert Ghost”, primeiro vídeo da banda, como foi esse processo para vocês?

Ricardo:Antes da última tour nosso produtor sugeriu que um vídeo clipe oficial ajudaria na divulgação dos shows, então fizemos o mais rápido e com o menor custo possível. A locação foi uma olaria desativada e tivemos a sorte de achar o talentosíssimo Felipe Pitta que abraçou o projeto e conseguimos matar a filmagem em uma só manhã. O resultado foi melhor do que o esperado.




Voltando um pouco no tempo, em 2019 vocês realizaram uma turnê pelo velho continente, passando por vários países, como foi essa experiência, visto que a Europa é sempre um objetivo da maior parte das bandas, e como foi a recepção ao som de vocês por lá?

Ricardo:Por lá fizemos uma turnê mista, onde além de shows do Hellway Patrol éramos os músicos de apoio pro cantor hillbilly norte americano Willie Heath Neal. Mesmo em shows só de country as pessoas compravam nosso merch e ficavam muito interessadas no fato de ter uma banda de metal apoiando um músico de outro estilo. Fizemos também show na Alemanha onde tivemos que repetir o repertório porque o Hellway tinha apenas 7 músicas e o público pedia mais. Nós planejamos voltar pra lá logo que possível, a cena musical é incrível.

Pra manter nosso tradicional costume de pedir listas aos nossos entrevistados, poderia nos indicar na opinião pessoal da banda quais seriam os 5 melhores álbuns de todos os tempos?

Ricardo:Essa pergunta é bem difícil porque a gente realmente gosta de muita coisa. Listamos 5 álbuns que nos influenciaram individualmente em ordem aleatória e que todos nós curtimos de maneira geral.

Ricardo Pigatto:

Thin Lizzy - Jailbreak

Megadeth - Rust in Peace

The Cure - Disintegration

The Darkness - Permission to Land

Huntress - Spell Eater

Thiago Franzim:

Frank Zappa - Joe's Garage

Slayer - Ranning Blood

AC/DC - High Voltage

Motorhead - Ace Of Spades

Creedence Clearwater Revival - Bayou Country

Netto Pavão:

Helloween - The Time of the Oath

Dream Theater - Scenes From a Memory

Daft Punk - Random Access Memories

Opeth - Ghost Reveries

Green Day - American Idiot


Pra finalizar, gostaria de agradecer novamente por dispensar um tempinho pra falar com o Microfonia, desejar vida longa e sucesso a Hellway Patrol e reservar esse espaço pra que mande seu salve como bem entender.

Ricardo:Muito obrigado Microfonia pela entrevista e por todo trabalho que fazem em prol da música underground. A todos os leitores; continuem apoiando a cena, nos sigam em nossas redes sociais e esperamos ver vocês na estrada em breve. Obrigado



terça-feira, 3 de dezembro de 2019

DARKTOWER - OBEDIENTIA (2019) - REVIEW MICROFONIA






Confesso que não conhecia o trabalho da DarkTower, até aqui, pois vou me aprofundar mais em seus trabalhos anteriores pra descobrir mais sobre o som da banda depois do que ouvi aqui no “Obedientia”.
Depois da introdução com “Punishment” que cria um clima obscuro pra preparar o terreno pra o que estar por vir os caras vem de cara com “Downfall”, abre o disco e já demonstra que não haverá piedade para ouvidos despreparados, Black/Death metal de qualidade extrema, fiquei impressionado logo nessa faixa, uma variedade de elementos, apesar de toda a agressividade sonora entregue é impressionante o equilíbrio com nuances melódicas muito bem encaixadas pra compor o que é a marca registrada desse play.
Na sequência “God Above Nothing”, início cadenciado e melódico, uma sutil parada pra em seguida despejar uma das faixas mais brutais do disco! Título auto explicativo, sem mais!!!
‘’Higland Ceremony” introduz a sequência com uma flauta medieval e barulho de fogueiras que é interrompido pelo som de uma batalha que se inicia junto aos gritos que já se emendam com a levada da bateria e dão início a “Winged Snake Communion’’, faixa com trechos cadenciados que mostram outra particularidade da sonoridade deste disco, a influência do heavy metal tradicional que casa e se encaixa perfeitamente no contexto da faixa, não posso deixar de citar o belo solo presente  aqui, melodia incrível e de muito bom gosto!
“Praxis Against Ignorance” apresenta um riff melódico e levada cadenciada e o refrão executado em alta velocidade, curti bastante essa faixa, e aqui outro solo espetacular, acho válido ressaltar que a dupla de guitarristas Raphael Casotto e Rafael Morais fez um trabalho do qual devem se orgulhar nesse disco!
“Obedientia” a faixa que dá nome a esse disco não poderia ser menos do que épica, visto tudo o que já ouvi até agora nesse disco, velocidade máxima, pesada e com belas melodias de guitarra, Rômulo Grilo que é responsável pelas baquetas nem parece ser estreante na banda e mostra muito entrosamento na cozinha composta também pelo baixista Rodolfo Ferreira.
Como já havia percebido em alguns outros momentos a influência do heavy metal tradicional presente no disco se mostra novamente na levada sensacional que abre “Rites of Conscience” e dá o senso rítmico da faixa que tem momentos velozes e aqui eu devo exaltar o vocal de Flávio Gonçalves que é extremamente versátil variando entre o rasgado tipicamente black metal e o gutural, o time que compõe a Dark Tower é pesado, músicos técnicos e talentosos.
“The Carnal Splendour” é simplesmente brutal e minha faixa preferida no disco, pois sintetiza um pouco de tudo o que vimos até aqui, inicia quebrando tudo e na altura dos 4:30 os caras mandam uma levada pra quebrar o pescoço que caminha para o gran finale da faixa novamente em velocidade máxima, deixando a gente atônito com as mudanças de andamento que rolam durante a faixa, pra salvar na playlists sem medo!!!
O disco finaliza com a instrumental “...As the Obedient Marches to the Abyss...” que difere de todo o restante, com um clima melancólico, até porque é triste que um grande disco esteja acabando, vale dizer que por menção honrosa esse disco deveria entrar na lista de melhores de 2019, sem dúvida, infelizmente já publicamos, mas que a justiça seja feita, um dos melhores albuns desse ano, que a DarkTower tenha vida longa e nos brinde com mais trabalhos incríveis como esse!!!



DarkTower é:

- Flávio Gonçalves (vocal);

- Raphael Casotto (guitarra);
- Rafael Morais(guitarra);
- Rodolfo Ferreira (baixo);
- Rômulo Grilo (bateria)




DarkTower – Obedientia (2019)

(Electric Funeral Records/Extreme Sound Records/Cangaço Rock Comunicações/Native Blood Produções – Nacional)



01. Punishment
02. Downfall
03. God Above Nothing
04. Higland Ceremony
05. Winged Snake Communion
06. Praxis Against Ignorance
07. Obedientia
08. Rites of Conscience
09. The Carnal Esplendour
10. ...As the Obedient Marches to the Abyss...





sábado, 30 de novembro de 2019

10 DISCOS FODA DE 2019 (NACIONAIS)



Não poderíamos deixar de realizar a nossa lista de melhores lançamentos de 2019, já que somos viciados em listas, e aqui segue o que de melhor rolou nos nossos fones de ouvido nesse ano, sempre valendo ressaltar que é uma opinião pessoal e que caso discordem ou queiram acrescentar acho que dá até pra rolar uma lista depois com os melhores discos segundo a galera que nos acompanha, mas isso é papo para um outro dia, pois hoje segue o nosso top 10 de 2019, espero que curtam e que possam enriquecer suas playlists! Valendo!


SURRA – ESCORRENDO PELO RALO 






A ordem dos fatores aqui não altera o produto, a ordem dos dez será por questão dos discos que primeiro vierem a mente e nesse caso certamente começamos o nosso top 10 com os meninos de Santos do Surra, que esse ano soltaram o “Escorrendo pelo ralo”, disco absurdo de foda e que despeja tudo aquilo que já nos acostumamos a esperar da banda, ou seja, Thrashpunk porrada, muita crítica ao nosso atual cenário político, uma banda extremamente competente e que flerta cada vez mais com os lados mais extremos em termos de sonoridade, entregando em suas 16 faixas um disco coeso, pesado e veloz, com letras afiadas e ácidas, fizemos um review desse disco e ele merece todo o destaque, tanto individual, quanto pelo conjunto da obra, já que os caras não decepcionam quando o assunto é roque veloz, ouçam alto e prestem atenção no que esses caras tem a dizer!!!



OSSOS CRUZADOS – ESPECTROFOBIA 






Basicamente a história é simples, fui curtir o show de lançamento do novo disco do Zumbis do espaço, e uma das bandas responsáveis pela abertura do ato foi a Ossos Cruzados, me tornei fã automaticamente, nesse segundo registro dos caras eles apresentam novas nuances de seu som, mas ainda dentro da temática do Horror Punk que já apresentavam no “Miolos”, um disco divertido de ouvir, prestando homenagens a tudo aquilo que nós fãs de cultura trash curtimos, homenagens aos melhores monstros do cinema mundial, Em “Kong” e “Godzilla”, a história de uma partida de truco com Satã, simplesmente com um refrão foda e hilário, que ao vivo funciona muito bem, A prova de morte que faz menção ao filme de mesmo nome de Quentin Tarantino, que é do caralho, enfim, só pra destacar algumas faixas, entra para mim sem dúvidas entre as melhores paradas que ouvi nesse ano de 2019.



MANGER CADAVRE? – ANTI AUTO AJUDA 





A Manger Cadavre? É uma banda que apesar de não conhecer nenhum de seus integrantes pessoalmente eu considero amigos, foi uma das primeiras bandas que entrevistamos para o Microfonia e de lá pra cá sempre tenho acompanhado o trampo árduo e o desenvolvimento dessa galera que são verdadeiros trabalhadores do underground, conquistando seu espaço na raça, grande admiração também pela Nata que berra seus ideais com talento nas letras da banda que sempre externam seu posicionamento e sua atitude. Anti Auto Ajuda é mais um passo da caminhada que a banda vem trilhando nesses seus oito anos de trajetória e esse novo passo merece destaque, grande disco de hardcore/crust, letras inspiradas e inspiradoras, produção tá demais, sujeira no lugar certo, pesado e por cima da massa sonora, Nata derramando seu vocal potente pra cima, vale demais a audição galera e por isso mesmo está aqui na minha lista de melhores discos de 2019!!!



QUESTIONS - LIBERTATEM! 



Questions dispensa apresentações e basicamente eles não perdem a mão, são anos na estrada despejando hardcore, protesto e atitude, sempre trazendo reflexões pertinentes em suas letras os caras agora lançam seu primeiro disco inteiramente em português, o que torna tudo ainda mais interessante, pra quem não manja do idioma gringo, uma boa, como no meu caso. Falando diretamente do disco, sonoramente traz aquilo que já conhecemos bem da banda, mas numa roupagem diferente já que o idioma parece dar outra faceta aos sons, destaque para o single “Lutar” e pra faixa “Exclusão” que tem a participação de Gabriel Zander, audição fácil, som que vai direto ao ponto e letras que trazem um retrato de tudo aquilo que banda prega e acredita!!! Ouçam!! "Desejo de mudança, parte de nós, Ninguém virá nos libertar!".



DEAD FISH - PONTO CEGO 







Ei Dead Fish, vai tomar no cu!!! Na boa, eu sou fã do DF, sempre trazem um som com uma pegada diferenciada, pesado, rápido e melódico, e como disse o estagiário se você é de direita nem cola no rolê, aqui não vai ser possível curtir apenas os riffs ou não misturar “rock” com política. Ponto cego traz um retrato atual da nossa situação e vai com o dedo direto na ferida, vide a faixa “Sangue nas mãos”.
Sou bem suspeito pra falar sobre essa banda, mas como a lista é pessoal e não preciso representar a opinião de ninguém além da minha, não poderia deixar de citar esse álbum entre o que considero os melhores lançamentos de 2019. Sem me estender, é isso! O resto da História a maioria já conhece!!!



FURIA INC. - RAW






Pra quem curte um metal mais moderno e com groove, aos moldes de Pantera, Lamb of God e afins, esse segundo álbum da galera do Furia Inc. é um prato cheio, lembrando que citei apenas referências, pois a banda tem muita personalidade ao compor seus sons, com uma produção primorosa “Raw” demonstra todo o potencial da banda em despejar composições pesadíssimas e com uma pegada muito agressiva ao executar as faixas, o que me faz pensar como nosso underground é foda, o nível de nossas bandas é igual e até superior ao de qualquer cena do planeta, fiquei sinceramente impressionado pela qualidade deste álbum, segundo lançamento dos caras, que reafirma que o Furia Inc. pode ir muito longe, talento e poder de fogo não vão faltar, ouçam alto senhoras e senhores!!!





RED RAZOR - THE REVOLUTION CONTINUES





Quando o assunto envolve hardcore, thrash metal e crossover e subgêneros afins, quem me conhece sabe bem que minha praia basicamente é essa, então amigos imaginem que tamanha surpresa foi ouvir esse álbum da Red Razor, “The revolution continues”, segundo disco desses malucos de SC, grande achado, não tem faixa ruim nesse disco e tudo muito bem encaixado, composições, riffs, solos a produção, a cozinha dos caras é pesadíssima e se destaca mesmo em meio a tempestade de riffs despejadas faixa após faixa, altamente indicado a fãs de thrash metal em seu estado mais puro!!! Sem nem mesmo pensar duas vezes vou falar aqui as duas faixas mais fodas do disco: Born in South America e For Those about thrash!!!




M4NIFESTO - A VOZ DOS SEM VOZ




O Manifesto é uma banda relativamente nova, porém seus integrantes já são velhos conhecidos da cena, faziam parte do DPR e Santa Morte e o EP “A voz dos sem voz” é a estreia dessa parceria que já havia rolado num feat no último disco da Santa Morte e que bom que foi assim!
Aqui se unem dois estilos musicais que curto demais, Rap e hardcore, numa mistura que fica incrível, porque eu curto Racionais MC’s com a mesma intensidade com que curto Slayer e no som desses caras é possível sintetizar isso! E falo literalmente, pra quem colou no Hardcore por um mundo melhor, pode sacar o mash up de “Capitulo 4, versículo 3” com “Angel of Death”.
“Oração” abre esse EP e dá o cartão de visita de que os caras estão de volta as ruas misturando rap e hardcore pra alegria de quem ficou órfão da DPR, e fazem isso com maestria, uma pena que seja um EP com poucas faixas, pois quando acabam 17 minutos de som aqui, fica a sensação de que poderiam vir mais faixas que daria pra ouvir muito bem, que a M4NIFESTO tenha vida longa na cena, pois o que vimos aqui tá pesado galera, que se multiplique essa parada!!! Som de quebrada, tem que respeitar!!!



AXECUTER – SURROUNDED BY DECAY 





Fugindo um pouco dessa linha thrash, hc, metalcore, um disco de heavy metal puro está a nossa frente nesse “Surrounded by decay”, os caras resgatam o espirito oitentista e despejam todas as suas influências num disco que bebe nas fontes mais louváveis do verdadeiro metal, não tem invenções ou novidades dentro desse álbum, e aí que reside o ponto forte do negócio, os caras são bem honestos no som que executam, então se você é daquelas pessoas que dizem que o metal está morto, que não há mais bandas que tocam como antigamente, então amigo, saia da bolha, pois aqui temos este power trio que parece ter saído de um túnel do tempo direto dos anos 80 e nos presenteado com esse disco foda de metal, resumindo, aqui não tem erro, é heavy metal e ponto!!!



TORMENT THE SKIES - IMPURE






Cena nordestina é monstra, representa demais no som extremo, galera manda muito, e esses caras lá do Rio Grande do Norte nos brindam com esse disco lindo com o mais puro metal morte, “Impure” fecha a nossa lista de melhores do ano, representante do death metal brasileiro de muito valor, a Torment the Skies nos apresenta aqui seu segundo album e demonstra que o futuro é promissor, explorando a obra de Dante Alighieri, eles unem uma temática que casa perfeitamente com a sonoridade extrema, a banda já está a um bom tempo na estrada e isso parece refletir nas faixas, muito bem concebidas e executadas e na produção que soube destacar muito bem a brutalidade e podridão do negócio, altamente indicado e esperamos ver novos trabalhos da banda num intervalo menor de tempo!!! 






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