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segunda-feira, 20 de abril de 2020

5 DISCOS QUE MUDARAM MINHA VIDA #1

Hoje vamos inaugurar uma nova sessão aqui no Microfonia, onde pedimos pra que o participante convidado(a) nos conte quais são os 5 discos que mudaram sua vida, aqueles albuns que o fizeram pirar e que tem lugar especial na coleção e no coração da pessoa, as pessoas que vão participar são integrantes de bandas que entrevistamos aqui no blog, amigos músicos, produtores de conteúdo, etc. Todos que tenham a mesma paixão que nós, por música extrema e underground em geral, gente da gente e que compartilha o corre, espero que curtam e aumentem a sua playlist com os sons que vão descobrir ou redescobrir por aqui.
Nossa primeira participante é a Nata, vocalista do Manger Cadavre?, formação Hardcore/Crust de SJC-SP na ativa desde 2011 que já entrevistamos aqui e vem sempre figurando em nossas listas de melhores do ano, devido aos trampos foda que vem lançando um atrás do outro ao longo de sua trajetória, terminadas as apresentações vamos ao que interessa, conheçam quais são os 5 discos que mudaram a vida da Nata!!!




THE CURE – DISINTEGRATION (1989)




Esse é o álbum que eu ouço desde a adolescência sempre que as bads batem (ou não, pois é um disco incrível). Cada detalhe das músicas toca no meu mais íntimo e cada letra tem um significado especial.

CATHARSIS – PASSION (1999)



Esse é um álbum para se ter em CD. Destrinchar o encarte, engolir cada palavra (e no lançamento brasileiro, vem letras traduzidas). Com textos fantásticos, porém com um ar niilista, tem riffs incríveis, quebradas surpreendentes e um baixo que fica na cabeça por um bom tempo.



NAPALM DEATH – SMEAR CAMPAIGN (2006)


É o álbum que eu mais gosto da banda preferida (porém não está no topo na lista). O Smear Campaign foi o meu primeiro contato com Napalm Death e segue sendo meu disco favorito deles. Na época da popularização do download do MP3, um amigo baixou pra mim e de lá, são 14 anos ouvindo semanalmente. Já tirei até um cover da “When All is Said and Done” com a Manger Cadavre? (hahahaha)


ATARI TEENAGE RIOT – 60 SECOND WIPE UP (1999)


A ATR é a banda que tem o show mais absurdamente foda que eu já fui, e a paixão pela banda começou com esse disco. O “Reset” é excelente, mas os fãs de hardcore eletrônico e cultura cyber punk tem o 60 como um divisor de eras.



SIOUXSIE & THE BANSHEES – TINDERBOX (1986)


Sioux tem as bases mais fodas do gótico/ pós punk. É outro disco que tenho o vinil desde os 14 anos e ouço sempre até os dias de hoje.




Conheça o Manger Cadavre?



sábado, 30 de novembro de 2019

10 DISCOS FODA DE 2019 (NACIONAIS)



Não poderíamos deixar de realizar a nossa lista de melhores lançamentos de 2019, já que somos viciados em listas, e aqui segue o que de melhor rolou nos nossos fones de ouvido nesse ano, sempre valendo ressaltar que é uma opinião pessoal e que caso discordem ou queiram acrescentar acho que dá até pra rolar uma lista depois com os melhores discos segundo a galera que nos acompanha, mas isso é papo para um outro dia, pois hoje segue o nosso top 10 de 2019, espero que curtam e que possam enriquecer suas playlists! Valendo!


SURRA – ESCORRENDO PELO RALO 






A ordem dos fatores aqui não altera o produto, a ordem dos dez será por questão dos discos que primeiro vierem a mente e nesse caso certamente começamos o nosso top 10 com os meninos de Santos do Surra, que esse ano soltaram o “Escorrendo pelo ralo”, disco absurdo de foda e que despeja tudo aquilo que já nos acostumamos a esperar da banda, ou seja, Thrashpunk porrada, muita crítica ao nosso atual cenário político, uma banda extremamente competente e que flerta cada vez mais com os lados mais extremos em termos de sonoridade, entregando em suas 16 faixas um disco coeso, pesado e veloz, com letras afiadas e ácidas, fizemos um review desse disco e ele merece todo o destaque, tanto individual, quanto pelo conjunto da obra, já que os caras não decepcionam quando o assunto é roque veloz, ouçam alto e prestem atenção no que esses caras tem a dizer!!!



OSSOS CRUZADOS – ESPECTROFOBIA 






Basicamente a história é simples, fui curtir o show de lançamento do novo disco do Zumbis do espaço, e uma das bandas responsáveis pela abertura do ato foi a Ossos Cruzados, me tornei fã automaticamente, nesse segundo registro dos caras eles apresentam novas nuances de seu som, mas ainda dentro da temática do Horror Punk que já apresentavam no “Miolos”, um disco divertido de ouvir, prestando homenagens a tudo aquilo que nós fãs de cultura trash curtimos, homenagens aos melhores monstros do cinema mundial, Em “Kong” e “Godzilla”, a história de uma partida de truco com Satã, simplesmente com um refrão foda e hilário, que ao vivo funciona muito bem, A prova de morte que faz menção ao filme de mesmo nome de Quentin Tarantino, que é do caralho, enfim, só pra destacar algumas faixas, entra para mim sem dúvidas entre as melhores paradas que ouvi nesse ano de 2019.



MANGER CADAVRE? – ANTI AUTO AJUDA 





A Manger Cadavre? É uma banda que apesar de não conhecer nenhum de seus integrantes pessoalmente eu considero amigos, foi uma das primeiras bandas que entrevistamos para o Microfonia e de lá pra cá sempre tenho acompanhado o trampo árduo e o desenvolvimento dessa galera que são verdadeiros trabalhadores do underground, conquistando seu espaço na raça, grande admiração também pela Nata que berra seus ideais com talento nas letras da banda que sempre externam seu posicionamento e sua atitude. Anti Auto Ajuda é mais um passo da caminhada que a banda vem trilhando nesses seus oito anos de trajetória e esse novo passo merece destaque, grande disco de hardcore/crust, letras inspiradas e inspiradoras, produção tá demais, sujeira no lugar certo, pesado e por cima da massa sonora, Nata derramando seu vocal potente pra cima, vale demais a audição galera e por isso mesmo está aqui na minha lista de melhores discos de 2019!!!



QUESTIONS - LIBERTATEM! 



Questions dispensa apresentações e basicamente eles não perdem a mão, são anos na estrada despejando hardcore, protesto e atitude, sempre trazendo reflexões pertinentes em suas letras os caras agora lançam seu primeiro disco inteiramente em português, o que torna tudo ainda mais interessante, pra quem não manja do idioma gringo, uma boa, como no meu caso. Falando diretamente do disco, sonoramente traz aquilo que já conhecemos bem da banda, mas numa roupagem diferente já que o idioma parece dar outra faceta aos sons, destaque para o single “Lutar” e pra faixa “Exclusão” que tem a participação de Gabriel Zander, audição fácil, som que vai direto ao ponto e letras que trazem um retrato de tudo aquilo que banda prega e acredita!!! Ouçam!! "Desejo de mudança, parte de nós, Ninguém virá nos libertar!".



DEAD FISH - PONTO CEGO 







Ei Dead Fish, vai tomar no cu!!! Na boa, eu sou fã do DF, sempre trazem um som com uma pegada diferenciada, pesado, rápido e melódico, e como disse o estagiário se você é de direita nem cola no rolê, aqui não vai ser possível curtir apenas os riffs ou não misturar “rock” com política. Ponto cego traz um retrato atual da nossa situação e vai com o dedo direto na ferida, vide a faixa “Sangue nas mãos”.
Sou bem suspeito pra falar sobre essa banda, mas como a lista é pessoal e não preciso representar a opinião de ninguém além da minha, não poderia deixar de citar esse álbum entre o que considero os melhores lançamentos de 2019. Sem me estender, é isso! O resto da História a maioria já conhece!!!



FURIA INC. - RAW






Pra quem curte um metal mais moderno e com groove, aos moldes de Pantera, Lamb of God e afins, esse segundo álbum da galera do Furia Inc. é um prato cheio, lembrando que citei apenas referências, pois a banda tem muita personalidade ao compor seus sons, com uma produção primorosa “Raw” demonstra todo o potencial da banda em despejar composições pesadíssimas e com uma pegada muito agressiva ao executar as faixas, o que me faz pensar como nosso underground é foda, o nível de nossas bandas é igual e até superior ao de qualquer cena do planeta, fiquei sinceramente impressionado pela qualidade deste álbum, segundo lançamento dos caras, que reafirma que o Furia Inc. pode ir muito longe, talento e poder de fogo não vão faltar, ouçam alto senhoras e senhores!!!





RED RAZOR - THE REVOLUTION CONTINUES





Quando o assunto envolve hardcore, thrash metal e crossover e subgêneros afins, quem me conhece sabe bem que minha praia basicamente é essa, então amigos imaginem que tamanha surpresa foi ouvir esse álbum da Red Razor, “The revolution continues”, segundo disco desses malucos de SC, grande achado, não tem faixa ruim nesse disco e tudo muito bem encaixado, composições, riffs, solos a produção, a cozinha dos caras é pesadíssima e se destaca mesmo em meio a tempestade de riffs despejadas faixa após faixa, altamente indicado a fãs de thrash metal em seu estado mais puro!!! Sem nem mesmo pensar duas vezes vou falar aqui as duas faixas mais fodas do disco: Born in South America e For Those about thrash!!!




M4NIFESTO - A VOZ DOS SEM VOZ




O Manifesto é uma banda relativamente nova, porém seus integrantes já são velhos conhecidos da cena, faziam parte do DPR e Santa Morte e o EP “A voz dos sem voz” é a estreia dessa parceria que já havia rolado num feat no último disco da Santa Morte e que bom que foi assim!
Aqui se unem dois estilos musicais que curto demais, Rap e hardcore, numa mistura que fica incrível, porque eu curto Racionais MC’s com a mesma intensidade com que curto Slayer e no som desses caras é possível sintetizar isso! E falo literalmente, pra quem colou no Hardcore por um mundo melhor, pode sacar o mash up de “Capitulo 4, versículo 3” com “Angel of Death”.
“Oração” abre esse EP e dá o cartão de visita de que os caras estão de volta as ruas misturando rap e hardcore pra alegria de quem ficou órfão da DPR, e fazem isso com maestria, uma pena que seja um EP com poucas faixas, pois quando acabam 17 minutos de som aqui, fica a sensação de que poderiam vir mais faixas que daria pra ouvir muito bem, que a M4NIFESTO tenha vida longa na cena, pois o que vimos aqui tá pesado galera, que se multiplique essa parada!!! Som de quebrada, tem que respeitar!!!



AXECUTER – SURROUNDED BY DECAY 





Fugindo um pouco dessa linha thrash, hc, metalcore, um disco de heavy metal puro está a nossa frente nesse “Surrounded by decay”, os caras resgatam o espirito oitentista e despejam todas as suas influências num disco que bebe nas fontes mais louváveis do verdadeiro metal, não tem invenções ou novidades dentro desse álbum, e aí que reside o ponto forte do negócio, os caras são bem honestos no som que executam, então se você é daquelas pessoas que dizem que o metal está morto, que não há mais bandas que tocam como antigamente, então amigo, saia da bolha, pois aqui temos este power trio que parece ter saído de um túnel do tempo direto dos anos 80 e nos presenteado com esse disco foda de metal, resumindo, aqui não tem erro, é heavy metal e ponto!!!



TORMENT THE SKIES - IMPURE






Cena nordestina é monstra, representa demais no som extremo, galera manda muito, e esses caras lá do Rio Grande do Norte nos brindam com esse disco lindo com o mais puro metal morte, “Impure” fecha a nossa lista de melhores do ano, representante do death metal brasileiro de muito valor, a Torment the Skies nos apresenta aqui seu segundo album e demonstra que o futuro é promissor, explorando a obra de Dante Alighieri, eles unem uma temática que casa perfeitamente com a sonoridade extrema, a banda já está a um bom tempo na estrada e isso parece refletir nas faixas, muito bem concebidas e executadas e na produção que soube destacar muito bem a brutalidade e podridão do negócio, altamente indicado e esperamos ver novos trabalhos da banda num intervalo menor de tempo!!! 






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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

10 DISCOS FODA DE 2017

Basicamente essa não é uma lista dos melhores de 2017 e sim uma lista pessoal com um resumo das coisas que ouvi durante o ano passado e que viraram presença cativa em minhas playlists, portanto como todos os outros compilados de listas que rolaram até aqui, essa também não é absoluta e expressa estritamente a opinião desse que vos escreve, última observação, não há ética aqui, tem desde o punk/hardcore, garage rock, até o grindcore e o death/black metal, então vamos lá!

1 - MANGER CADAVRE? - REVIDE



Vou usar ordem de descoberta pra elencar a lista, e o Revide do Manger Cadavre? foi algo que me deparei logo no inicio do ano, com seu crust/punk de letras politicamente engajadas, e não falo isso apenas para efeito de descrição, mas pelas ideias bem claras construídas dentro de cada faixa, produção com a sujeira na medida certa que o estilo pede e o vocal poderoso da Nata de Lima, vale mencionar o clipe sensacional que fizeram para a faixa "Bruxas da noite".

2 - DEB AND THE MENTALS - MESS



Uma das bandas que mais ouvi em 2017, já simpatizei com a sonoridade de Mess instantaneamente, essa mistura de punk rock com new wave e rock alternativo deu super certo, vale a pena conhecer caso não tenha ouvido.

3 - FACADA - NENHUM PUTO DE ATITUDE



Disco de cover dos manos do Facada, porque tá aqui? Cara, imagina que sensacional ouvir versões grind de Bad Brains, Titãs e Nirvana? Aqui tem!!! E isso já vale demais a audição, fora os outros sons que são mais próximos da sonoridade da banda que ficaram viscerais, como Maconha do Mukeka di Rato e Traidor do Ratos de Porão, só pra exemplificar, ouçam alto!

4 - CANNIBAL CORPSE - RED BEFORE BLACK



Quando ouvi esse disco me dei conta de que já fazia um tempo que não ouvia e nem acompanhava nada da carreira dos caras, e me surpreendi positivamente, realmente os caras não perdem a mão mesmo com o passar dos anos, são mestres quando o assunto é death metal, e nesse disco eles usam tudo o que há de melhor no estilo e soltam na pista um de seus melhores registros, destaque para a faixa que mais curti, Code of Slashers, fodástica!!!

5 - CRADLE OF FILTH - CRYPTORIANA - THE SEDUCTIVENESS OF DECAY



Outra grata surpresa, mais um resgate de um tipo de sonoridade  que não ouvia fazia uns anos mas que ainda me agrada, foi uma das primeiras bandas de metal extremo que conheci ainda moleque e depois que enveredei pelos campos do punk rock e do hardcore e principalmente o thrash metal, acabei deixando de lado, mas eles ainda mandam bem e a prova é esse disco, que me fez lembrar a fase Cruelty and the Beasty, destaque para a faixa Heartbreak and Seance.


6- TORTURE SQUAD - FAR BEYOND EXISTENCE



Metal nacional sempre foi uma máquina de fabricar bandas fantásticas, e o  Torture Squad foi cria de uma época incrível, uma safra muito talentosa, porém passou por várias mudanças de formação e parecia atravessar um período de instabilidade, mas a entrada da vocalista Mayara Puertas deu uma guinada na banda, e acrescentou e muito ao som dos caras, com seu talento vocal e como compositora, e o resultado é esse grande disco de thrash/death metal que lanaçaram!!! Destaque para a abertura visceral com Don't Cross my Path.

7 - MAD MONKEES - MAD MONKEES



Podem chamar do que quiser, stoner, alternativo, rótulos existem vários, mas o que me veio a mente assim que ouvi esse disco do Mad Monkees foi o termo rock pesado, pode parecer zuado, mas raciocinem comigo, algo entre o metal e o rock n' roll, é rock pesado sim, e muito! Disco sensacional, ouvi dezenas de vezes já, e a cada audição fica melhor, que o Mad Monkees tenha vida longa, pois não é todo dia que a gente conhece uma banda que curtimos assim com tanta intensidade logo de cara, deixar registrado os meus parabéns aos caras pelo excelente disco!!!

8 - WATER RATS - YEAR 3000



Uma banda que produz num ritmo impressionante e que traz nesse lançamento uma mistura de todos os elementos que eles captaram até o momento, entregando o disco mais variado da carreira dos caras até aqui, mas a identidade está lá, é o Water Rats que conhecemos desde Ugly By Nature, porém usando todas as cartas possíveis da manga, disco muito bom, e a banda cada vez melhor!!!

9 - ME AND THAT MAN - SONGS OF LOVE AND DEATH



Sempre curti combinações improváveis, e esses projetos que revelam facetas diferentes de artistas de determinados gêneros, a combinação improvável aqui, Nergal mais John Porter e a faceta diferente é ver o líder do Behemoth tocando num projeto de Country/Blues, e acreditem, ficou sensacional e por isso coloquei aqui, ouça sem pré-conceitos!!!

10 - PAURA - SLOWLY DYING OF SURVIVAL



O Paura não decepciona, seu último trampo Tameless é destruidor, e os caras não desaprenderam nada meus amigos, em Slowly Dying Of Survival todos os elementos conhecidos da sonoridade da banda estão lá, mas sempre entregando faixas pesadas, com identidade própria e letras que abordam temas da nossa atualidade e cotidiano que nos convidam a reflexão, arte de capa sensacional embalada num digipack foda com um encarte em formato de poster com todas as letras e uma foto de toda a banda do outro lado, tive a oportunidade de fechar os rolês de 2017 num show excepcional dos caras aqui em Maringá, e digo, são mestres no que se propõem a fazer!!!  



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quarta-feira, 8 de março de 2017

Entrevista Manger Cadavre?

Na ativa desde 2011, a Manger Cadavre? é uma formação hardcore/crust nativa do Vale do Paraíba, com alguns lançamentos na discografia, eles acabam de colocar na praça "Revide", que vocês devem conferir pois é um ótimo trabalho e um convite ao mosh, trocamos uma ideia com essa galera e vocês podem dar uma sacada no resultado logo abaixo, valeu!





Fala galera, obrigado por falar conosco, primeiramente gostaria que vocês nos contasse um pouco da história da Manger Cadavre, como surgiu a banda e qual a proposta do som de vocês? 


Marcelo Kruszynski: Em 2011, eu e um antigo integrante, o Jux, após conversar sobre bandas de hardcore e de metal que gostávamos em comum tivemos a ideia de começar algo. A ideia era trazer um hardcore tipo Catharsis, mas colocar a influência de tudo aquilo que gostávamos no som. Nisso, convidei o Jonas (atual baixista) e a Nata para tentar vocal junto do Jux, enquanto ele convidou o Patrick para a guitarra. Após alguns ensaios, convidamos o Rogério (ex-Güerilla/Pindamonhangaba) para tocar com a gente. No começo tínhamos 6 integrantes e mais do que isso, éramos de 3 cidades diferentes. Isso acabou interferindo para conciliar shows e ensaios... Foi uma fase bem legal, mas com a saída do Jux, do Rogério e do Patrick, a estada temporária do Bruno (ex-Lunática), resolvemos que 4 era o número ideal, rs. Fizemos alguns ensaios só eu a Nata e o Jonas, até convidarmos o nosso primeiro e único fã da época, o Marcelo Augusto, para tocar. Nesse momento, o Jonas era guitarra e o Marcelinho, baixista. No entanto, o Jonas vem do punk e o Marcelo do thrash... não demorou muito para perceberem que o ideal era inverter as posições e cada um agregar naquilo que é melhor! Nesse meio tempo, gravamos 2 singles, 3 EP´s e 1 split. Nosso som tem referências do curst clássico e do chamado neocrust. Você ainda encontra palhetada de black metal, riffs inspirados em Ratos, Disrupt e Napalm, baixo carregado e sujo do punk, batidas naipe Madball, mas frisamos: somos uma banda de hardcore! 


De que forma vocês escolheram o nome da banda, ele é bem interessante, poderia nos explicar o significado? 


Jonas: Manger Cadavre?(do francês), significa "Comer Cadaver?", foi sugestão do antigo vocalista Jux, logo no começo da banda, é um questionamento relacionado a libertação humana e animal, que era a proposta inicial da banda. Após muita reflexão, resolvemos abordar apenas as temáticas sobre a exploração de classe, gênero, orientação sexual e raça, por mais que tenhamos continuado com nosso ideal abolicionista na causa animal. 


Vocês acabaram de lançar um EP, “Revide”, como tem sido a recepção ao mesmo? 


Marcelo Augusto: Posso dizer, e tenho certeza que os demais da banda também concordam, que esse é o nosso trabalho mais maduro, em todos os aspectos. Creio que finalmente conseguimos lapidar nosso som de uma forma que incorpora todas nossas influências de forma homogênea. Felizmente as pessoas também perceberam isso e a recepção está sendo ótima, sempre elogiando essa viagem que temos feito dentro de estilos distintos do Metal e Hardcore.






Revide está disponível nas plataformas digitais, ele será lançado em formato físico? 


Marcelo Augusto: Revide está disponível no YouTube e Bandcamp no momento para streaming, mas após o lançamento físico, ele poderá ser baixado gratuitamente. Mas como fãs e colecionadores de material físico, não poderíamos deixar de lançar esse trabalho em CD. Já está na fábrica e em breve estará disponível em várias regiões do país graças aos selos e distros que estão nos ajudando a espalhar nosso barulho Brasil afora. 


Vocês estão na ativa desde 2011, este já é o quinto trampo que liberam, vocês poderiam comentar brevemente a discografia da Manger Cadavre, suas impressões sobre cada trabalho lançado até aqui? 


Jonas e Marcelo Krusynski: Lançamos 2 singles "Existimos" e "Sua justiça" em 2012. Esses foram os primeiros registros que foram muito importantes para entendermos os rumos que queríamos para o nosso som. Nosso 1° Ep, o "Origem da queda", veio em 2013. O processo de gravação foi um tanto quanto conturbado, e apesar de não ser o nosso melhor trabalho, temos muito carinho, pois com ele nos efetivamos enquanto banda. Na sequência, lançamos o split com nossos amigos do Disforme, banda de hardcore com vocal feminino de Brasilia. Isso foi em 2015! Foi uma correria, mas gostamos desse trampo, demos um passo a mais em relação àquilo que queríamos no som. O nosso 2° ep, "Senhores da Moral" foi gravado no estúdio Family Mob em 2015, pelo projeto Converse Rubber Tracks e lançado em 2016. Foi uma experiência fantástica sermos produzidos e orientados nesse estúdio. Aprendemos muito sobre execução, gravação (que foi ao vivo) e isso nos ajudou muito no processo de composição do nosso trabalho atual: o Ep "Revide", que acabou de ser lançado. Esse é o trabalho que significa a realização desses quase 6 anos de amizade e crescimento juntos. Jonas: Acredito que o sentimento e dedicação seja o mesmo desde o nosso primeiro single ao mais novo ep, procuramos evoluir e aprender juntos ao longo desses anos, fazer da musica nossa maior resposta contra tudo que enfrentamos no dia dia.


Hoje temos muitas mulheres inseridas no underground, tanto como vocalistas, quanto tocando, como a Nata resolveu se tornar vocalista numa banda de som extremo, e aproveitando o gancho: existe muito machismo na cena?

Nata: No Brasil nós temos excelentes bateristas, guitarristas, baixistas e vocalistas. Não devemos nada pras bandas gringas! rs Felizmente pude conhecer pessoalmente muitas dessas minas que são talentosas pra caralho e servem de inspiração para mim e para tantas outras mulheres que são resilientes nesse meio. Eu sempre tive vontade de ter banda. Tanto que tive uma tentativa frustrada de tocar baixo na adolescência, mas algumas falas de "amigos" me desestimularam, até que bloqueei o interesse, já que aquilo "não era pra mim". O tempo passou e com as responsas da vida adulta, não tinha mais tempo pra aprender a tocar nada, mas a música sempre esteve presente na minha vida (da hora que eu acordo até a hora que eu durmo). Em 2005, eu e o batera (Marcelo K.) começamos a organizar shows de hardcore e metal em nossa cidade e isso era satisfatório pra mim, mas toda vez que a gente trazia banda com mina na formação o olho brilhava. Eis que um dia, a Déia que era vocalista de uma banda de grindcore do ABC, o Demian, me perguntou por que eu não tentava tocar ou "cantar" tipo ela. Aquilo ficou na cabeça. Quando o Marcelo e o Jux resolveram montar a banda, era pra ser algo para amigos passarem um tempo juntos fazendo o que gostam, nisso o Marcelo me convidou. Eu nunca tinha feito esse tipo de vocal. Fui tentando, deu certo. Fui aprimorando e estou em constante evolução. Não posso dizer que eu resolvi ser vocalista, mas esse era um desejo que estava um tanto quanto latente e que se realizou.
Sobre o machismo na cena, é algo que tem e tem pra caralho. Até mesmo os caras que se dizem desconstruídos tem ações machistas. E é sobre esses caras que eu quero falar (já que os que nem tentam, já sabemos como funcionam): Vocês também são machistas, seja não respeitando intelectualmente o que uma mulher tem a dizer, seja criticando ferrenhamente a "qualidade" da produção de mulheres, por trás de uma bandeira de que está sendo "igualitário", enquanto não tece as mesmas críticas a bandas com qualidade inferior produzida por homens, agredir mulheres no mosh (pois se não quer apanhar não pode curtir show) ou mesmo por objetificar mulheres da cena pra pegar e as pra namorar. É muito fácil falar no palco pra "Respeitar as minas" e passar pano pro amigo que é abusivo com outras mulheres, é uma vestimenta muito bacana a dos discursos progressistas contra homofobia, machismo e racismo, quando não se age efetivamente e esses ideias morrem no campo teórico. Tem que ter, tem! Mas é importante lembrar aos caras que desconstrução é uma luta dura e diária. Além do mais, é ingrata! Ninguém vai te agradecer por isso, uma vez que não é mais que a obrigação. E é preciso ter claro que eles vão chegar perto da morte e ainda assim se verão reproduzindo machismo. A cultura patriarcal que existe desde sempre e está intimamente ligada ao sistema capitalista, não vai deixar de existir em apenas uma geração. Portanto, quando lerem uma crítica, não tentem responder com um "nem todo homem", "eu não sou assim"... o patriarcado não é formado por um indivíduo apenas. A autocrítica tem que ser pensada para todo o seu gênero.

Pra quem ainda não teve a oportunidade de vê-los ao vivo, como vocsê descreveriam uma apresentação da Manger Cadavre?

Marcelo Augusto: Podem esperar por uma banda que toca com muita vontade! Costumamos dizer que a Manger Cadavre? é nossa válvula de escape. Diante de todos os problemas e indignação, seja nas nossas vidas particulares ou em relação às injustiças que nos cercam, a banda tá aí pra gente expurgar tudo isso e sairmos do palco cansados, suados e de alma lavada. 


Suas letras contém críticas sociais e políticas, hoje vivemos um momento em que se posicionar é pedir pra ser rotulado e até ofendido, qual a visão da banda sobre isso? 


Nata: Olha, rotulados a gente já é desde o começo da banda e até antes dela hahahaha. Talvéz por sermos mais velhos e não nos importarmos em agradar ninguém, seja fácil e até mesmo natural nos posicionarmos. Somos fiéis aos nossos valores e estamos sempre em busca de conhecimento para mudarmos a nós mesmos e, assim, quem sabe, a realidade que nos cerca. Então pra gente, não é apenas som. É ideal de vida! Já fomos ofendidos algumas vezes, mas não me recordo de ninguém vir falar na nossa cara... pois acredito que a galera saiba que a gente não iria tretar e sim DEBATER, chamar pro desenrolar de ideias e essa galera que parte pra ignorância não tá afim de conversa. Nós acreditamos que é importante se posicionar, pois a neutralidade ajuda sempre o opressor e nunca o oprimido. 


Certamente tocando por ai vocês conhecem o material de várias bandas, o que vocês costumam ouvir fora do palco e dos ensaios e que bandas atuais vocês indicariam pra quem quer conhecer um som novo?

Marcelo Augusto: Conhecemos bandas incríveis tocando por aí ao longo desses anos e nos tornamos fãs delas. Particularmente ouço muita coisa, então fica difícil escolher, mas quando se trata de bandas relativamente atuais que fazem algo diferente que me inspira posso citar Alpinist, His Hero is Gone, Converge, Cursed, Baptists, Wolfbrigade, Wormrot e All Pigs Must Die. Fora essas, tem as clássicas que dispensam comentários como Discharge, Disrupt, Doom e Nausea, por exemplo. Jonas: Além de todas citadas pelo Marcelo,gostaria de acrescentar Catharsis,Fall of elfrafa e Oathbreaker. Marcelo Kruszynski: Vamos das nacionais independetes! rs Desalmado (grindcore/SP), Bandanos (crossover/SP), Surra (hardcore crossover/Santos), Facada (grindcore/Fortaleza), Homicide (grindcore/SC), Rastilho (crust/SP), No Sense (grindcore/Santos), Hellarise (death metal/ SP), Crânula (death grind/SP), Reiketsu (crust/SP), Disforme (hardcore, Brasília), Crushed Bones (Crossover/Brasília), Terror Revolucionário (punk/crust Brasília), SUC (grindcore, São Carlos), Orgasmo de Porco (crossover SJC), Jason (hardcore/RJ), Renagades of Punk (Punk/Aracajú), Eu o declaro meu inimigo (hardcore/ Recife)... Olha, tem muitas. Ficaríamos o dia inteiro aqui e não terminaríamos de indicar. rs

Gostaria de agradecer novamente pela atenção dispensada e reservar este espaço pra que mandem seu salve para os leitores do Microfonia.

Jonas: Obrigado pelo espaço, continuem apoiando bandas, selos independentes e mantenham o underground longe de fascistas ou qualquer forma de opressão. Marcelo 

Augusto: Muito obrigado pelo espaço cedido, muito legal poder falar sobre o que acreditamos e mostrar nossa música. Gostaria de agradecer a todos que sempre nos apoiam, às pessoas, selos e distros que estão colaborando para que Revide seja lançado, aos que colam nos shows, que vem trocar ideia com a gente sobre som e sobre a mensagem que queremos passar. Ficamos muito felizes com essa troca e achamos fundamental, pois acreditamos que o underground deve ser uma comunidade formada por pessoas engajadas em combater todo tipo de injustiça, preconceito e autoritarismo que está aí.




Ouça a Manger Cadavre?