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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

10 DISCOS FODA DE 2017

Basicamente essa não é uma lista dos melhores de 2017 e sim uma lista pessoal com um resumo das coisas que ouvi durante o ano passado e que viraram presença cativa em minhas playlists, portanto como todos os outros compilados de listas que rolaram até aqui, essa também não é absoluta e expressa estritamente a opinião desse que vos escreve, última observação, não há ética aqui, tem desde o punk/hardcore, garage rock, até o grindcore e o death/black metal, então vamos lá!

1 - MANGER CADAVRE? - REVIDE



Vou usar ordem de descoberta pra elencar a lista, e o Revide do Manger Cadavre? foi algo que me deparei logo no inicio do ano, com seu crust/punk de letras politicamente engajadas, e não falo isso apenas para efeito de descrição, mas pelas ideias bem claras construídas dentro de cada faixa, produção com a sujeira na medida certa que o estilo pede e o vocal poderoso da Nata de Lima, vale mencionar o clipe sensacional que fizeram para a faixa "Bruxas da noite".

2 - DEB AND THE MENTALS - MESS



Uma das bandas que mais ouvi em 2017, já simpatizei com a sonoridade de Mess instantaneamente, essa mistura de punk rock com new wave e rock alternativo deu super certo, vale a pena conhecer caso não tenha ouvido.

3 - FACADA - NENHUM PUTO DE ATITUDE



Disco de cover dos manos do Facada, porque tá aqui? Cara, imagina que sensacional ouvir versões grind de Bad Brains, Titãs e Nirvana? Aqui tem!!! E isso já vale demais a audição, fora os outros sons que são mais próximos da sonoridade da banda que ficaram viscerais, como Maconha do Mukeka di Rato e Traidor do Ratos de Porão, só pra exemplificar, ouçam alto!

4 - CANNIBAL CORPSE - RED BEFORE BLACK



Quando ouvi esse disco me dei conta de que já fazia um tempo que não ouvia e nem acompanhava nada da carreira dos caras, e me surpreendi positivamente, realmente os caras não perdem a mão mesmo com o passar dos anos, são mestres quando o assunto é death metal, e nesse disco eles usam tudo o que há de melhor no estilo e soltam na pista um de seus melhores registros, destaque para a faixa que mais curti, Code of Slashers, fodástica!!!

5 - CRADLE OF FILTH - CRYPTORIANA - THE SEDUCTIVENESS OF DECAY



Outra grata surpresa, mais um resgate de um tipo de sonoridade  que não ouvia fazia uns anos mas que ainda me agrada, foi uma das primeiras bandas de metal extremo que conheci ainda moleque e depois que enveredei pelos campos do punk rock e do hardcore e principalmente o thrash metal, acabei deixando de lado, mas eles ainda mandam bem e a prova é esse disco, que me fez lembrar a fase Cruelty and the Beasty, destaque para a faixa Heartbreak and Seance.


6- TORTURE SQUAD - FAR BEYOND EXISTENCE



Metal nacional sempre foi uma máquina de fabricar bandas fantásticas, e o  Torture Squad foi cria de uma época incrível, uma safra muito talentosa, porém passou por várias mudanças de formação e parecia atravessar um período de instabilidade, mas a entrada da vocalista Mayara Puertas deu uma guinada na banda, e acrescentou e muito ao som dos caras, com seu talento vocal e como compositora, e o resultado é esse grande disco de thrash/death metal que lanaçaram!!! Destaque para a abertura visceral com Don't Cross my Path.

7 - MAD MONKEES - MAD MONKEES



Podem chamar do que quiser, stoner, alternativo, rótulos existem vários, mas o que me veio a mente assim que ouvi esse disco do Mad Monkees foi o termo rock pesado, pode parecer zuado, mas raciocinem comigo, algo entre o metal e o rock n' roll, é rock pesado sim, e muito! Disco sensacional, ouvi dezenas de vezes já, e a cada audição fica melhor, que o Mad Monkees tenha vida longa, pois não é todo dia que a gente conhece uma banda que curtimos assim com tanta intensidade logo de cara, deixar registrado os meus parabéns aos caras pelo excelente disco!!!

8 - WATER RATS - YEAR 3000



Uma banda que produz num ritmo impressionante e que traz nesse lançamento uma mistura de todos os elementos que eles captaram até o momento, entregando o disco mais variado da carreira dos caras até aqui, mas a identidade está lá, é o Water Rats que conhecemos desde Ugly By Nature, porém usando todas as cartas possíveis da manga, disco muito bom, e a banda cada vez melhor!!!

9 - ME AND THAT MAN - SONGS OF LOVE AND DEATH



Sempre curti combinações improváveis, e esses projetos que revelam facetas diferentes de artistas de determinados gêneros, a combinação improvável aqui, Nergal mais John Porter e a faceta diferente é ver o líder do Behemoth tocando num projeto de Country/Blues, e acreditem, ficou sensacional e por isso coloquei aqui, ouça sem pré-conceitos!!!

10 - PAURA - SLOWLY DYING OF SURVIVAL



O Paura não decepciona, seu último trampo Tameless é destruidor, e os caras não desaprenderam nada meus amigos, em Slowly Dying Of Survival todos os elementos conhecidos da sonoridade da banda estão lá, mas sempre entregando faixas pesadas, com identidade própria e letras que abordam temas da nossa atualidade e cotidiano que nos convidam a reflexão, arte de capa sensacional embalada num digipack foda com um encarte em formato de poster com todas as letras e uma foto de toda a banda do outro lado, tive a oportunidade de fechar os rolês de 2017 num show excepcional dos caras aqui em Maringá, e digo, são mestres no que se propõem a fazer!!!  



Matéria by Microfonia Underground Blog
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quinta-feira, 23 de março de 2017

ENTREVISTA PAURA

O Paura dispensa maiores apresentações, uma entidade do hardcore nacional, na ativa desde 1995, com inúmeros discos lançados, sempre mandando muito bem e cativando qualquer um que tenha contato com a energia desse som, sou fã desses caras, e do Fábio Prandini principalmente, figura gente boa e muito carismática com quem tive o prazer de falar nessa entrevista que você confere a seguir! 




Pra começar e situar quem talvez não conheça o trabalho da banda, gostaria que nos contasse como surgiu o Paura e quem são os atuais integrantes?

Fábio Prandini
: A banda começou em 1995. Desde então, lançamos 6 discos, dois EPs e dois splits. Tocamos em quase todos os estados do Brasil, além de 6 turnês europeias e 5 turnês sulamericanas. Hoje, a formação está estabilizada com Fabio Prandini (vocal, desde 2001), Rogério Rodontaro (guitarra, desde o começo), Claudinei Ferreira (guitarra, desde 2014), Paulo Demutti (baixo desde 2014) e João Limeira (bateria, desde 2014).



Paura é uma banda testada no underground, anos de serviços prestados ao hardcore nacional, disco após disco evoluindo e apresentando muita qualidade e talento, depois de tantos anos na estrada o que os motiva a seguir em frente?

Fábio
: Amor! A gente ama o que faz. Não tiramos nosso sustento disso, infelizmente, mas vivemos pra isso e por isso, felizmente. Além disso, o mundo nos parece cada vez pior, caminhando pra um lugar escuro, ruim e desumano. Não podemos desistir da nossa batalha pra tentar mudar esse cenário. Por mais ingênuo que isso possa soar, desistir nunca foi uma opção.

Seu último lançamento, “Tameless” é realmente um grande disco, faixas como “N.W.A”, “Gas Diplomacy” e “The privilegie”, dão a tônica do que se pode ouvir nesse álbum, como foi o processo de composição do mesmo e o que vocês buscam em termos de sonoridade ao iniciar o trabalho de composição de um novo álbum? 

Fábio:Obrigado pelas palavras. O processo foi o mesmo de sempre, alguém chega com ideias no ensaio e todos se envolvem e desenvolvem ideias complementares para que a sonoridade continue fiel ao que a banda sempre experimentou. Basicamente é isso. Tentamos nos manter fiéis à personalidade musical do Paura, sem medo de tentar novos caminhos dentro de um bom senso musical e lírico.



Desde “Tameless” já se passaram quase três anos, qual o balanço que vocês fazem dos resultados deste disco? Vocês já possuem novas músicas compostas ou planos pra um novo disco?

Fábio: Foi um disco muito bem aceito, em geral. Tivemos tempo para trabalhar o 'Tameless' na estrada com diversos shows pelo Brasil, Chile e Europa. Agora estamos entrando em estúdio para gravar o novo disco. Trabalhando para colocá-lo nas ruas no meio de 2017.

Hoje com um catalogo bem amplo, que tipo de critério vocês utilizam pra escolher quais músicas vocês vão tocar em suas apresentações ao vivo?

Fábio:É um trabalho bem complicado, pois temos um repertório de mais de 60 músicas ao longo da carreira e temos que escolher entre 13 e 15 músicas para compor o setlist dos shows (às vezes até menos). Geralmente, escolhemos as músicas que mais representam a postura da banda e que mais gostamos de tocar.

Dia 19 de março vocês vão dividir o palco com o Madball, como surgiu o convite pra esse show e quais as expectativas da banda pra essa apresentação? (N.E. O show do Madball foi adiado devido a problemas familiares de um membro da banda, a nova data e local vocês podem conferir no cartaz do show após a resposta).

Fábio:A Honor Sounds nos convidou para participar de mais essa aula e aceitamos muito honrados de poder estar junto, mais uma vez, dos nossos professores, que já se tornaram amigos. A expectativa é sempre a melhor possível. Poder representar o cenário hardcore local ao lado de um dos maiores representantes do NYHC é sempre uma situação onde sabemos que vamos nos divertir e trocar ensinamentos, tanto com os caras do Madball, quanto com nossos aliados do Bayside Kings e do Oponente. Toda experiência é valiosíssima num circuito onde não existem rock stars!



Fábio, você também atua na Samsara Discos, você poderia nos contar um pouco sobre esse outro trabalho que você executa?

Fábio:Estou começando, com pouca verba mas muito trabalho. Espero dar um apoio para as bandas que dificilmente elas tem em termos de gravadora. Lanço discos, merchandising, loja online, monto banquinha nos shows, trabalho como assessor de imprensa, agendo shows e ajudo com logística e contatos para desenvolvimento de projetos maiores. Como estou sozinho, não consigo ainda trabalhar tudo isso em todas as bandas que estão no selo, mas aos poucos, estamos progredindo.

Essa é uma pergunta bem especifica e motivada por um gosto pessoal que tenho pela música do Paura, minha faixa preferida da banda é “No hard fellings, fuck you!”, vocês poderiam me contar a história dessa faixa do excelente “History Bleeds”?

Fábio:Essa música foi composta em 'homenagem' a todas as pessoas que te dão 'tapinhas nas costas', que sempre falam o tal "tamo junto", mas que na hora da verdade se escondem e, pra se proteger ou não se envolver, desaparecem quando se mais precisa delas, quando a coisa fica pesada. Pessoas que usam da política da boa vizinhança dentro de um cenário de subcultura em que as verdadeiras amizades prevalecem. Gente assim, não pertence ao nosso círculo de alianças e amizades e não fazem falta na caminhada por algo maior. Basicamente, é um recado aos sanguessugas da cena.

A cena hardcore é super produtiva, há dezenas de bandas lançando material de qualidade, que nomes vocês destacariam que chamou a atenção de vocês nos últimos tempos?

Fábio:Está mesmo e isso se reflete na dificuldade em relacionar alguns nomes entre tantos aqui, sem ser injusto ou esquecer alguém. De bate pronto, lembro de bandas como Amorfo, Violent Stomp, Letall, Direction, CHCL, Charlotte Matou Um Cara, Cano Cerado, Escombro, Shotgun Killah, enfim são muitos e devo ter esquecido várias bandas (a idade pesa...hahaha).


Pra finalizar, deixo este espaço pra que mandem um salve aos leitores do Microfonia e fãs da banda e muito obrigado pela atenção! Valeu!

Fábio:Obrigado a todos que leram a entrevista até aqui! Estamos vivendo tempos difíceis. Muita gente se deixa levar por retóricas superficiais e por verborragia vazia geradas por mídia corporativa e canais de redes sociais que não se aprofundam em fatos e apenas transformam tudo em sensacionalismo para vender anúncios comerciais e opiniões manipuladoras de massa. Mantenham-se instruídos. Leiam muito. Desconfie de tudo o que você lê ou assiste. Esse jogo sujo vem de muito tempo e está cada dia mais forte. Não entre nessa! Mude o jogo. Mantenham fiéis aos seus ideais e cuidem uns dos outros. O governo, as corporações e o crime não se importam com o povo. E nós, o povo, temos uma força muito maior do que achamos ou sabemos. Confrontemos sempre as ideias e pessoas fascistas, sejam elas originárias da direita ou da esquerda. A tirania e a ditadura podem vir desses dois lados e não existem somente esses dois lados. Há muito mais posições e ideais políticos. Não se defina. Não se limite. E cuide!
Nos vemos nos shows e nas ruas! 



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