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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

GURO - MISSA PROFANA (2021) - MICROFONIA REVIEW


 • Banda: Guro


• País: Brasil (Londrina-PR)


• Atividade: 2014-presente


• Álbum: Missa Profana


• Gravadora: Vários selos 


• Gênero: Grindcore, Death Metal


• Membros: Thiago Franzin - Guitarra, Francisco Paiva - Bateria, Eron Bueno - vocal



Pouco mais de um ano depois do lançamento de "Anticristo", sem tirar o pé do acelerador os caras soltam na praça o sucessor e segundo full da banda, "Missa Profana", com 17 faixas distribuidas em pouco mais de 25  minutos de duração, despejando a sonoridade que a Guro domina tão bem, esse grindcore desgraçado que flerta em vários momentos com o death metal.

A banda vem soando muito bem nesse segundo full, gravação do disco foi muito coesa, apesar de todo o caos sonoro que a música da Guro proporciona, ficou tudo muito bem distribuído e conseguimos compreender bem o que é executado, isso claro, digo em termos de ouvidos já acostumados a esse turbilhão de riffs e blast beats com vocais ensandecidos.

Uma das paradas mais interessantes é ver o trabalho de guitarra de Thiago Franzim que tem uma técnica refinada e toca de forma totalmente diferente em outros projetos, mas que ainda em meio a brutalidade da música aqui executada dá pra se perceber os requintes e lampejos dessas outras empreitadas mais "melódicas" sendo empregados em um momento ou outro.

Francisco Paiva manda aquilo que as músicas precisam, vida de baterista de banda de roque veloz não deve ser fácil, brincadeiras a parte, o trabalho de execução da bateria ficou foda e como disse antes a gravação captou de forma sublime tudo isso, sem embolação, e os vocais de Eron cobrem toda a massa sonora berrando desesperadamente, num vocal rasgado, que transmite muito bem a mensagem contida em "Missa Profana".

Por último e não menos imoportante, fica aqui o registro do quanto curti o trampo gráfico que envolve todo esse trabalho, a capa de "Missa Profana" e o poster que acompanha a mídia física pra quem for adquirir, foram feitos por Barbara Gil e ficaram muito foda! Vale a pena adquirir esse material em formato físico, pois além do apoio a banda, você poderá levar um trmapo gráfico primoroso embalando essa desgraceira sonora ilimitada que é a Guro.




No mais, reservo a cada um que resolver ler essa resenha a missão de abrir seu streamimg preferido, e conferir com seus próprios ouvidos esse disco!!!



TRACKLIST

1.Missa Profana 

2.Escravos 

3.Maconha 666 

4.Solitude 

5.Morte ao Proletário 

6.Ninguém Me Representa 

7.O Diabo Está Entre Nós 

8.Mão Esquerda 

9.Izo 

10.O Mar 

11.Empresas 

12.Pesadelo 

13.Ética da morte

14.Deadly Nightmares 

15.Crackheads With Machine Guns 

16.Retaliação 

17.The Eyes Of Death


LINKS RELACIONADOS:

https://www.instagram.com/gurogrind/

https://www.facebook.com/gurodeath

http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2020/04/guro-anticristo-2020-review-microfonia.html


sábado, 8 de agosto de 2020

APHORISM

BANDA: Aphorism

ESTILO: Black/Death/Grind

ORIGEM: De um Brasil onde a merda do mito não tem vez

Eles conseguem sintetizar o melhore do Black, Death e Grind com uma maestria ímpar.

Creio que essa sentença defina perfeitamente o Aphorism, uma das minhas melhores descobertas sonoras nos últimos cinco anos. Encontrei-os numa compilação da Loud Magazine cotando o top 10 em termos de punk/metal brasileiro em 2018 com o full-length ‘O Grotesco e o Desespero’, ao lado de bandas de responsa da cena como Desalmado, Expurgo e Facada.

Oriundos da saudosa Salvador, a banda é formada por Rafael Inah (baixo), Filipe Pereira (bateria), Felipe Mendes e Marcelo Adam (guitarras) e Paulo Meirelles (vocal). A banda tem sua primeira atividade registrada recentemente, em 2014, com o EP ‘I’. Em sequência vem o espetacular full-length ‘Exercícios de Submissão’ de 2015, ‘O Grotesco eo Desespero’ de 2018, um Split fodido com o Rabujos e um single Penumbra, ambos de 2019. Uma outra coisa que me agrada e MUITO neles: as letras são em português – vale a pena a leitura, é tudo direto ao ponto e efetivo.

De uma maneira geral o som da banda varia entre a pancada Grind, o peso do Death e a estridência do Black. A combinação de um vocal a la Asphyx, uma bateria crua com influências de Nasum/puro Death, e instrumentos de corda ecléticos, rápidos e pesados fazem do Aphorism não mais uma promessa, mas sim uma realidade nua, crua e espinhenta. É o que eu sempre digo a respeito de bandas onde os músicos bebem de diferentes fontes primordiais: se tudo for bem casado, o produto afaga a ouvidos de diferentes estilos e a mensagem é passada por múltiplos canais. Esse é o presente caso.

Vida longa ao Aphorism!

Curtiu Aphorism? Saque só Desalmado, Expurgo e Facada pra sentir o sabor do ódio tupiniquim.

Fonte: Metal Encyclopedia

Facebook 

Bandcamp

Youtube 

terça-feira, 31 de março de 2020

PARÁSITO DE MIERDA - PARÁSITO DE MIERDA (2017) - RESENHA POR BETO FILHO





Ficha técnica:

• Banda: Parásito de Mierda

• País: Bolívia

• Atividade: 2014-presente

• Álbum: Parásito de Mierda

• Gravadora: Independente

• Gênero: Grindcore, Death Metal

• Membros: Alex (Bateria), Aldo (Vocal), José (Guitarra)



Pedrada! 

Única definição que posso colocar para esse trio de Sucre, Bolívia. 
Com forte influência em Ratos de Porão (até na abreviação do nome da banda: PxDxMx ,), Napalm Death e Brujeria, o trio composto por Alex (Bateria), Aldo (Vocal) e José (Guitarra), mandaram muito bem num único disco de estúdio lançado em 2017 com o título homônimo ao da banda.
Além disso, o trio boliviano tem um disco lançado no ano passado, “Em Vivo 2016”, um trabalho curto de um show que eles realizaram na capital boliviana Sucre, em 2016. Agressivo, direto ao ponto e convidativo para um moshpit bem intenso, o disco é um bom trabalho de grindcore, ideal para banguear com umas e outras na cabeça (risos). 
Um ponto fraco para esse trabalho (bem sacado pelo Evandro), é que a mixagem poderia ser mais trabalhada, pois a bateria ficou em maior destaque e tirou um pouco o peso das guitarras. Fora isso, disco pesado, banda de potencial na cena. Ansioso pelo próximo rolê dos caras!








Fontes de pesquisa:

Youtube


Metal Enciclopedia


Sucre Metal Producciones


Death Grind Club

sábado, 7 de dezembro de 2019

ENTREVISTA COM O CAIO AUGUSTTUS (CANAL SCENA/DESALMADO)


Fala pessoal, o papo de hoje é com o Caio Augusttus, vocalista da banda de Death/Grind Desalmado, que já entrevistamos por aqui, mas hoje o tema da nossa conversa será respeito de sua outra empreitada, o Canal Scena, que envolve uma galera super empenhada em entregar conteúdo de qualidade e cem por cento underground, trazendo bandas que não são fáceis de se achar um vídeo ao vivo de qualidade na rede e ainda com quadros que falam sobre música underground de forma leve e inteligente, é como bater aquele papo com os amigos sobre som, uma boa forma de se informar e conhecer novos sons, visto que sempre rolam dicas muito legais, acompanhem o canal e apoiem iniciativas como essas, pois o trabalho é duro amigos e precisamos que canais assim permaneçam vivos e produzindo material, pois temos poucas pessoas produzindo algo de qualidade como o Scena, então lembrem-se também de colar no apoia.se e dar aquela força pra manter a parada ativa, no mais, se liguem na ideia e valeu Caio pelo papo daora!!!




Fala Caio, obrigado por falar conosco, gostaria de saber como surgiu a ideia para a produção do Canal Scena?

Caio AugusttusPor circular muito com o Desalmado nos últimos anos, notei uma esquizofrenia no cenário e também a falta de renovação do publico, depois olhei para os blogs e vi que muita gente tinha desistido, os canais do youtube eram poucos, foi então que tomei a decisão junto do Estevam de fazer algo usando o estúdio e criar conteúdo que pudesse divulgar as bandas locais. Tinha visto essa experiência fora do país, no áudiotree, então a ideia era fazer algo nos mesmos moldes, que resgatasse parcialmente a MTV, emissora que teve grande importância em boa parte da formação musical da minha geração. Aconteceu que tinha desistido, mas graças a João, Natália, Otávio e Estevam, conseguimos formar um coletivo de pessoas e dar sequencia na ideia.

Quem são as pessoas envolvidas nesse projeto que fazem a parada acontecer junto contigo Caio?

Caio Augusttus:João Lucas, Otavio Rosseto, Natalia, Ed Chavez, Matheus, Adriessa e Estevam, depois chegaram o Léo pra ajudar, mas teve também o Davi, o Hugo e outras pessoas ajudando um pouco. Como se trata de um coletivo estamos querendo expandir um pouco pra ver se fica mais suave para as principais partes envolvidas, que é de edição de vídeo e som, mas é uma tarefa complicada.

De que maneira vocês desenharam o formato de produção dos vídeos, como funciona a criação dos quadros, escolhas dos temas, etc.?

Caio Augusttus:Cara, a parte dos quadros foi uma elaboração minha, da Natalia e do Estevam, as pautas são minhas, quem tira ideia do nada sou eu e vou lá gravar, ou chamo alguém, mas agora estamos pensando 2020 de forma mais programada, incluindo até reunião de pauta, até porque não precisa ficar tudo na minha cabeça porque não é muito produtivo e corremos o risco de ficar se repetindo.

Como tem sido a recepção ao conteúdo produzido pelo Scena? Visto que vocês produzem vídeos com uma qualidade incrível e bandas que não são tão fáceis de encontrar um material de qualidade ao vivo no youtube?

Caio Augusttus:O pessoal tem elogiado muito, por onde passo com o Desalmado sou cumprimentado pelo canal, o mesmo acontece com todas as pessoas envolvidas. Tem sido bem foda nesse sentido, com relação a qualidade acho que deu certo de encontrarmos as pessoas certas e que tem um bom gosto, a gente se cobra muito pra sair algo legal, particularmente também me cobro e acho que tem espaço pra evoluir mais.




Sou muito fã do Shuffle, Listão e do Falatório, sempre ouço as dicas que vocês trazem, como funciona a produção desses quadros do canal?

Caio Augusttus: Olha, os temas normalmente são meus, mas a gente tem um banco de assunto. É algo simples mesmo, Shuffle a gente procura apresentar bandas novas e a prioridade é sempre banda brasileira, já o listão tem a pegada de esclarecer duvidas e propor dicas simples pro pessoal envolvido no underground, é como se fosse compartilhamento de experiências, achamos isso válido demais. Sobre o Falatório, é o caso mais inusitado, particularmente não achava que iria dar certo, mas deu, o povo gosta muito e existe a possibilidade de diversificar o papo pra além das situações do underground. A gente quer colocar alguns quadros novos, vamos ver como será isso.



O canal possui uma conta no apoia.se pra angariar fundos pra bancar as produções, como funciona pra quem quiser colaborar com o canal?

Caio Augusttus: Tem de se inscrever no apoia-se e contribuir com um valor mínimo, a gente popularizou, então 10 paus por mês já ajuda demais, o teto são 30 reais. A ideia é ganhar na quantidade, até porque entendemos que a maioria tá sem grana, todo mundo fudido por conta da crise econômica, mas quem pode ajudar, com pouco colabora muito mesmo.

Que dificuldades vocês consideram como grandes empecilhos na produção de conteúdo underground no país? Visto que as redes sociais ajudam, porém os algoritmos do negócio limitam a visibilidade do negócio?

Caio Augusttus: A gente não tem como disputar com os medalhões que eram da MTV ou até dos canais mais tradicionais, tipo o Show Livre, não temos verba pra colocar em publicidade para consequentemente, conseguir maior adesão de inscritos no canal. Nossa estratégia é trilhar pelo caminho do alcance orgânico, intercalando bandas mais consagradas com as mais desconhecidas, uma puxa a outra no canal. A gente sabe que esses algoritmos estão prontos para minar nossa iniciativa e priorizar quem bota dinheiro.

Quais os projetos do canal para 2020, tem alguma novidade que gostaria de nos adiantar sobre o canal que vai rolar nos próximos meses?

Caio Augusttus: A gente vai lançar o quadro dedicado a debater discos específicos, a tendência é tratar a musica com ainda mais prioridade, obviamente que temos a particularidade de sermos mais críticos do ponto de vista politico, não escondemos isso de ninguém, mas em 2020 queremos fazer a musica prevalecer, até porque é um canal de musica.

Como você avalia o desempenho do canal até aqui, produzindo conteúdo underground de qualidade e falando sobre assuntos que curtem, porque creio que seja prazeroso entregar conteúdos que tratam sobre paradas que curtimos, tem algo que vocês buscam em termos de alcance com o canal?

Caio Augusttus: Surpreendente. Não achei que iriamos alcançar 7 mil inscritos, não achei que teríamos uma média de 1,5k views em quadros sem banda, já considero uma puta vitória tudo isso.

Caio, gostaria de agradecer pelo tempo concedido pra falar conosco, desejar muito sucesso ao Canal Scena e ao Desalmado e reservar este espaço pra mandar seu salve como preferir, obrigado!!!

Caio Augusttus: Quero agradecer em nome de todos que participam e participaram do Scena, incluindo você que ajuda a divulgar o canal e o underground. Precisamos fortalecer nossa cultura e esses espaços são fundamentais. Valeu demais a todos que assistem o canal.

Prestigie o trabalho do Canal Scena no Youtube CLICA AÍ E VAI

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ENTREVISTA COM ICARO ALENCAR DE FREITAS DA SKULL FULL OF INK

Hoje o nosso entrevistado é um cara que teve grande parcela de participação na criação deste blog, uma vez que foi o responsável pela arte foda utilizada tanto no blog quanto em nossa página no facebook, mas o trabalho do cara vai muito além, com desenvolvimento de capas de discos e sites, e também como integrante de algumas bandas da cena curitibana, fora a bagagem que o cara trás de onde veio, Manaus-AM, onde tive o primeiro contato com o trampo dele como músico, na época baixista da banda Mortificy, mas tudo isso ele pode relatar melhor que eu, confiram a nossa conversa e conheçam o grande trampo do nosso amigo Icaro!








Fala Icaro, tudo bem? Obrigado por falar com a gente, antes de qualquer coisa, gostaria de saber um pouco da sua história, como e quando você começou a desenhar e o que te levou a explorar essas temáticas gore em suas artes?

Aê Evandro, valeu pelo convite em responder essa entrevista, começando a parada eu sou de Manaus, mas hoje moro em Curitiba com minha esposa e filho, vim pra cá em 2009 tentar a vida, não como artista pois minha formação é em design, profissão que escolhi pois trabalhei muito em agências de propaganda na minha cidade e dai fui no mais fácil de escolher, após isso comecei a fazer alguns trabalhos de manipulação de fotos para capas, dai vi que não era aquilo que gostava de fazer e dai voltei a apenas desenhar para tentar chegar no ponto que hoje parece estar mais próximo pra minha arte.
Cara pode parecer clichê, mas eu desenho desde criança, sempre quebrando o galho nos corres das minhas irmãs quando elas organizavam aniversários lá em Manaus, desenhava sempre nas cartolinas, aqueles esquemas da Disney ou personagens que bombavam na época, não existia digital e dai era no lápis e caneta pincel ou bic, quando a coisa apertava elas corriam pra pedir ajuda, dai fui crescendo e desenhando sempre que podia, umas horas eu parava por desmotivação e depois voltava, mas sempre
desenhei, no início era mais super-heróis da Marvel Comics, daí fui crescendo parando com desenhos copiados, comecei a estudar anatomia por conta (não sou um especialista, mas sei o que me parece certo ou errado e continuo estudando até hoje) e com o advento da internet fui entrando nos fóruns gringos de arte e fui vendo que poderia aprender mais e que era aquilo que eu queria dai não parei mais. Quanto a temática Gore eu comecei depois de velho assistindo a filmes, documentários sobre o assunto em VHS, tais como o Faces da Morte e aqueles filmes B de terror de baixo custo, e também quando me envolvi na cena metal em Manaus, mas tudo veio naturalmente, vi que eu tinha mais facilidades na época em desenhar pessoas mortas, decapitadas ou algum detalhe mais extremo, tanto que minha esposa pergunta se eu sei desenhar algo menos pesado (risos).




Quais as especialidades de seu estúdio o “Skull full of ink”, qual o nicho de mercado que você trabalha com seus desenhos?

Na Skull Full of Ink eu tento atender a todos os estilos extremos possíveis de música e antimusica (goregrind, grindcore, splatter, death metal, thrash metal e sua vertentes), não fico apenas no estilo que amo que é o grindcore, atendo a todos os pedidos da melhor forma possível que atinja a todas as expectativas.



Você já criou algumas capas de discos pra bandas, poderia citar quais bandas que você trabalhou até aqui?

Sim o foco da Skull Full of Ink é justamente a produção de ilustrações de capa e ilustrações internas para todo o material da banda, mas também realizamos a parte de design (diagramação do material para as gráficas) se a banda não tiver quem o faça e também criamos logotipos para bandas, entre clientes atendidos eu destaco os da Retaliate que toca um Thrash/Death Metal , com eles fiz a capa do debut CD chamado Stream of Excremet (esse trabalho ficou entre as 20 melhores do mês de Outubro de 2016 num site gringo), agora estou trabalhando na segunda capa da banda, fiz também uma capa para a banda Scorner do mano Mauricio Laube do CD Monolithyc Insanity e a da banda de deathgrind Highschool Massacre chamada Alienation, todas daqui da região Sul.

Alguns dos trabalhos realizados para bandas, mais a arte do cartaz do festival "More gore than before"


Que tipos de técnicas e materiais você costuma utilizar nas suas criações?

Eu costumo usar de tudo um pouco, uso nanquim, penas, pinceis, canetas técnicas, marcadores e quando posso utilizo um pouco de arte digital, só não uso mais pois tem bandas que não curtem e por isso não fecham o trabalho comigo por usar o PC pra fazer alguns detalhes no desenho para o layout final, na maioria das vezes quando preciso de um grande número de informações e detalhes eu desenho por partes, escaneio e monto no computador como foi o caso das artes que fiz pra Microfonia Underground.

Você além de desenhista é músico, quais atuais projetos musicais que você está envolvido e por quais bandas já passou? Tem trabalhos lançados com essas bandas?

Cara como disse anteriormente fui envolvido na cena metal em Manaus e hoje estou envolvido aqui também, em Manaus fiz parte da banda de Brutal Death Metal chamada Mortificy, lançamos uma demo chamada Brutal Instinct of Retaliation, um Split na Europa e outro aqui no Brasil com o Mesemon Ecrof , fiz parte do projeto Cizin, dai dei uma parada e só voltei a fazer algo em Curitiba depois de me mudar e ficar procurando banda pra tocar, dai rolou alguns ensaios com a The Negation, mas tive de parar pois foquei na minha pós, hoje eu estou na Highschool Massacre, que lançou algumas demos e o EP Alienation, como baixo e vocal e na Horrific Disturbance, que tem uma EP chamada From Birth to Annihilation, como vocal apenas. 

Capa do spit "Unholy Tryumph" do Mortificy ao lado do Mesemon Ecrof 

Horrific Disturbance




Voltando ao seu trabalho no estúdio, que artistas você considera como referência e influência pro estilo que você desenvolve?

Existem vários que me inspiram nessas pilhas erradas de desenhar, entre eles eu realmente curto o trampo do Hugo Silva, que trampa com nanquim e digital, o Rafael Tavares, que manja muito de pintura digital e tem um trabalho lindíssimo, do Alexandros Pyromallis, Derek Castro que trabalha lindamente com grafite, Vince Locke que sempre trabalha com o Cannibal Corpse e que conheci antes com as artes para o Selo Vertigo da DC Comics e alguns tatuadores que trabalham com o macabro nos seus trabalhos de black and gray .

Como já divulgamos, você foi o criador do conceito de arte do nosso blog, como foi pra você trabalhar no desenvolvimento dessa arte? Você também trabalha com desenvolvimento de sites?

Cara foi tranquilo, você também ajudou bastante, deu um rumo inicial e liberdade para trabalhar em cima da ideia que tinha dado, mas como você notou fomos modificando ela um pouco acrescentando um pouco mais de profundidade, no caso do topo da sua fã page, você só queria um zumbi com fone ouvindo um som, dai acrescentei o fundo e ambientei ele no seu habitat natural. Eu trabalho com sites também, desde o layout até o a montagem dele sempre que surge alguém interessado.

Arte desenvolvida para o Microfonia, nessa dia em estágio de finalização


Sempre achei que desenho e música tem tudo a ver, principalmente quando ligamos ao metal, grind, HC, etc. Você costuma ouvir um som enquanto cria suas artes? O que rola no seu player?

Cara tem de rolar sempre, na maioria das vezes quando estou trabalhando em uma arte eu escuto o som da banda que estou trabalhando, mas escuto de tudo um pouco, desde Mad Ball até Dimmu Borgir, depende do dia, tem dia que estou mais light e tem dia que estou mais pro crime na prancheta.

Mantendo um pouco nesse sentido, como é processo pra criação da capa de um disco? A banda te passa algum conceito, você ouve as músicas? Poderia detalhar pra nós?
Meu processo de trabalho em uma comission é conversar com o cara que vai ser a ponte com da banda comigo, pego as idéias daí vou montando a arte na minha cabeça e passando pro meu sketchbook durante o papo, se possível escuto dois sons da banda, um mais calmo e outro mais porrada, pra conhecer mais o trabalho da banda, depois disso faço 4 esboços pequenos de como penso a composição de como a capa poderá ficar, dando sugestões de enquadramento dos itens que irão compô-la, em seguida passo pra mesa de desenho e faço um rascunho melhorado do desenho para passar pra banda, sem tanto efeito pois isso eu deixo pro nanquim, em alguns casos já mando com boa parte da hachura aplicada, após aprovarem o lápis eu vou pra prancheta e daí vou finalizando misturando pincel, canetas técnicas e penas, depois de pronto eu escaneio e dou umas ajustadas no contraste e aplico o branco nos brilhos que forem precisos, mando pro cliente pro aprove final e dai gero o arquivo com resolução máxima para uso da banda.



Quem quiser contratar seus trabalhos pode entrar em contato por quais meios? E que áreas mais além das que já citamos você se envolve neste trabalho?

Cara para entrar em contato é só visitar o site da Skull Full of Ink (www.skullfullofink.com), lá tem um formulário de contato e nosso portfólio digital com as artes, ou acessar nossa fã page (https://www.facebook.com/skullfullofink/), e tem também nosso Instagram (https://www.instagram.com/skullfullofink/), onde estamos sempre que possível atualizando com rascunhos que em alguns casos estão disponíveis para venda.

Cara, gostaria de agradecer pelo tempo concedido pra conversar com a gente, pelo ótimo trabalho desenvolvido pra gente e reservar este espaço pra que você deixe seu salve como desejar! Valeu!

Mano, eu que agradeço Evandro essa força que você está nos dando com essa entrevista nos ajudando a espalhar a ideia pros amigos que curtem o Microfonia Undeground.

Obrigado mais uma vez!

Stay on the grindind!!!!


quinta-feira, 27 de abril de 2017

ENTREVISTA DISENTERIA

Os caras do Disenteria já são conhecidos na cena e inclusive por este que vos escreve, já entrevistei a outra banda do Gabriel, o Zerão para um outro blog aí, mas o foco aqui é essa junção de camaradas que deram forma ao som do disco de estreia da Disenteria, que vem como um grande cartão de visita para a banda, rápido, pesado, insano, e já está disponível na plataforma de streaming mais próxima de você, "Quanto vale a sua mentira?" é breve e certeiro, vai agradar a qualquer fã do gênero, então recomendo a audição imediata do material e a leitura imediata desta entrevista, se possível os dois ao mesmo tempo...vai lá!



Salve pessoal do Disenteria, obrigado por falar com a gente, pra começar como vocês se uniram nessa nova empreitada, já que vocês fazem parte de outras bandas da cena da baixada, e já que vamos tratar da recente história da banda, manda aí pra gente quem compõe o line up da banda?

Nós que agradecemos a oportunidade meu mano.
O Disenteria é composto por:

Francisco Zoletti (Vocal): Maguila / Orgia
Gabriel Menezes (Guitarra/Vocal): Zerão / Like A Texas Murder
Renan Matos (Baixo): Zerão / Punk Praia Trash / Ratos da Ilha
Fabio Pupo (Bateria): Same Flann Choice / Analog / Safari Hamburguers



O Disenteria pode ser classificado como um projeto paralelo às outras bandas dos integrantes? Vocês pretendem dar seguimento e lançar mais material por essa banda?

É uma banda como qualquer outra. Faremos o possível para abraçar o maior número de shows e sim com certeza terá coisa nova, inclusive já estamos com 5 novas músicas. O que vai definir quando um próximo álbum será lançado é só o maldito papel chamado dinheiro hahaha, então quanto mais pessoas nos ajudarem participando dos shows, comprando o merch (que está sendo providenciado) e ouvindo nossas músicas no spotify mais rapidamente conseguiremos lançar um CD novo.

“Quanto vale a sua mentira” é bem visceral e direto, o som vem com os dois pés no peito do ouvinte, quais foram as inspirações pra compor esses nove sons destrutivos?

Uma enxurrada de acontecimentos merda, intrigas, pessoas com pensamentos atrasados, preconceito, pré-candidato fascista despertando sentimentos imbecis, corrupção, abuso de autoridade. Porra cara, você já parou pra pensar no potencial do nosso país? A gente tem a faca e o queijo na mão, terra fértil, espaço, clima, sem catástrofes naturais, um povo trabalhador pra caralho, e continuamos vivendo das migalhas de uma corja imunda que por algum motivo não consegue se satisfizer com a vida que tem, mesmo ganhando 30 vezes mais que um salário mínimo. Acho que é motivo suficiente para criar quantos sons forem necessários, né?



Outro fator que chama a atenção é que apesar de toda a pancadaria, tudo está muito bem produzido e no seu devido lugar, como foi o processo de produção e em que estúdio vocês gravaram?

Gravamos no Beco Estúdio aqui em Santos mesmo, com nosso amigo Ivan. Já estamos familiarizados com ele e isso facilitou muito o processo, foi muito rápido, não chegou a dois meses. Achamos legal o fato de ter soado bem orgânica a gravação, está bem fiel ao que é ao vivo.

O material está disponível pra streaming nas plataformas digitais, vocês pretendem lançar no formato físico?

Sim, pretendemos lançar o CD prensado em formato digipack, assim que po$$ível.

Vocês já fizeram algumas apresentações ao vivo com o Disenteria, como tem funcionado essas faixas ao vivo? E o que rola no set ao vivo, somente os sons do disco ou tem mais algum complemento?

Na verdade fizemos dois shows, um no Guarujá que foi bem legal e outro em Sorocaba que foi foda também. Ainda é algo a ser descoberto até por nós mesmos, em relação a molecada e o feedback, estamos positivos e ansiosos para ver essa troca de energia e informação tomar forma.

Falando em shows, quais são os próximos compromissos na agenda e diga como faz pra levar a banda pra tocar nas quebradas Brasil afora?

Tivemos show Sábado 22/04 em Sorocaba, que por sinal foi muito foda como sempre. Reencontramos bons amigos nessa cidade linda, apesar da banda ser nova já conhecemos um pouco a cena de lá graças as nossas outras bandas.
Na sequencia tem Curitiba dia 06/05 no Espaço Gaia e Joinville dia 07/05 no Delinquent´s Bar e Praia Grande a ser confirmado em Junho.  Pra convidar o Disenteria pra tocar manda um e-mail lá no disenteria3mundo@gmail.com ou inbox na página da banda no Facebook



Musicalmente que bandas vocês consideram como influência direta no som de vocês?

Boa pergunta, focamos em algumas especificas para tentar criar algo um pouco diferente das nossas outras bandas. Municipal Waste, Iron Reagan, Trash Talk, Biohazard, Bane, Napalm Death, juntando com as características pré-existentes de cada um deu nisso ae hahaha

As letras dentro do hardcore são um traço forte da personalidade do estilo, e vivemos uns tempos meio confusos, em que a galera tem adotado umas posturas meio reacionárias e conservadoras até mesmo dentro do meio underground, qual a visão de vocês a respeito disso? E vocês acham que tem como dissociar uma coisa da outra, separar ideologia de som?

No hardcore? Impossível. Acho que acima de tudo respeito, no fim discussão e agressão não ensinam nada a ninguém. Então, por um lado, é dever de todos nós aproveitarmos dessa aproximação que a banda oferece com diversos tipos de pessoas pra tentar instruir aqueles que talvez não estejam seguindo um raciocínio adequado. Jamais saberemos a verdade sobre tudo, estamos em constante evolução. As letras que escrevemos ontem, muitas vezes não nos convém hoje, talvez seja essa a beleza da música, em especial do hardcore, estamos sempre aprendendo algo.

Pra finalizar, novamente, gratidão total pela atenção e reservo esse espaço pra deixar sua mensagem como bem entender e o tradicional salve aos leitores do Microfonia e todos que acompanham a banda. Valeu!

Quero agradecer ao Microfonia Underground e a você Evandro pela oportunidade e interesse na entrevista!
Espero que a banda possa enviar uma mensagem positiva e útil para aqueles que se identificarem com as letras ou com o som, para quem ainda não ouviu está aí:

Tem um link com download gratuito lá, ou para quem preferir está disponível nas plataformas de streaming como Spotify, Deezer, Tidal, Google Play.


















sexta-feira, 21 de abril de 2017

Entrevista Facada

O Nordeste sempre foi um grande polo de produção cultural, revelando grandes nomes para a música brasileira em geral, mas no tange a som extremo a região também é referência, diversos nomes vem despontando ao redor dos anos, mas aqui vamos tratar especificamente de um desses nomes, Facada! Formação grindcore cearense, com 15 anos de estrada, autoridade no gênero e que vem trazendo novidades para os adeptos da brutalidade sonora, segue o texto que você vai poder saber um pouco mais a respeito!




Vamos começar relatando um pouco da trajetória dos membros da Facada, como e quando vocês começaram a se envolver com música e em que momento se reuniram dando vida a essa entidade do grindcore?

Desde quando a gente se conhece que cada um tinha banda ou andava em shows e participava do underground de alguma forma. Eu e o Dangelo tínhamos uma banda de doom metal bem no começo e sempre tocamos juntos em outras coisas e o Ari tocava em alguns projetos e o Danyel também. Quando começamos o facada (em 2004), cada um tocava em outra banda e começamos mais como um projeto pra gente se divertir do que qualquer outra coisa, nossas bandas estavam ficando muito sérias e queríamos fazer uma coisa diferente.

Continuando nas apresentações, como vocês descreveriam o som da Facada para aqueles que ainda não conhecem a sua música?

Acho que resumindo a gente toca grindcore. Claro que nosso som tem várias facetas, vários caminhos, tem gente que nos compara a muitas bandas, incorporamos muitas influências, mas tocamos grindcore.



São quase quinze anos de estrada, alguns demos e discos na bagagem e muitas apresentações ao vivo, e sempre demonstrando fidelidade a identidade do som que vocês desenvolveram ao longo desses anos, a que vocês creditam a sobrevivência da banda por todo esse tempo, mesmo fazendo um som totalmente extremo e underground?

Acredito por que gostamos do que fazemos. Ninguém na banda faz cobranças quanto a posturas musicais ou ideológicas. Somos amigos antes de tudo e cada um conhece o outro desde faz muito tempo. Além disso, temos uma forma já bem definida de como a banda deve funcionar o que facilita bastante como compor e de como a banda deve funcionar. Acho muito difícil que mudemos nosso som algum dia, sempre procuramos evoluir seguindo uma linha, não temos a intenção de fazer outra coisa.

Facada está prestes a lançar um Split com a Stheno, que vai contar som sete faixas de vocês, que sons vão entrar nesse Split, são inéditas, regravações? Vocês poderiam nos dar mais detalhes sobre este lançamento?

Ele inclusive já saiu (pela LAJA records, D.I.Y KOLO Records, Scull Crasher Records e Drunk with Power Records) e quem agilizou tudo foi o Leon, guitarrista do Stheno, falta só chegar aqui. A ideia era um 7”, mas resolvemos fazer em CD pelo custo e quantidade. O Stheno é uma banda foda da Grécia que mistura grindcore com black metal então casou com a nossa ideia. Iam ser 7 músicas nossas, mas não deu tempo de finalizarmos 3 sons então ficaram 4 que já tínhamos gravado. Serão 7 músicas deles e o material ficou MUITO bom. Esse é nosso primeiro split da banda.



Qual o conceito utilizado pela banda para escrever as letras, que temas vocês costumam abordar em suas músicas?

Geralmente a gente fala das pessoas e tudo que envolve as suas fraquezas, desilusões, imperfeições. Tem músicas que são pequenos contos reais, tem outras que são pesadelos, tem historinhas de terror, tem referência a livros, tem aviso pra gente mesmo, mas todos envolvendo pessoas.

Vocês liberaram alguns covers que gravaram e com escolhas bem inusitadas, como “Igreja” do Titãs por exemplo, o trabalho parece já estar próximo de seu lançamento físico, “Nenhum puto de atitude”, será um disco só de covers ou vocês vão mandar algum material inédito junto?

Esse disco vai ser só de covers. A gente tinha esse plano já fazia um tempo, mas era pra ser só um 7”. Alguns covers que pensamos que ficariam legais na nossa versão, mas aí fomos decidindo as músicas e cada um foi dando opinião e as músicas foram aumentando. Quando fomos falar com os selos, ele deram a ideia de ser um 12”, então fizemos metade Brasil e metade bandas de fora. Gravamos praticamente junto o de covers e o novo. Esse de covers não ensaiamos as músicas uma única vez, só passava a música na hora e já gravava. E achamos o resultado muito bom. Outro que já tá na fábrica agora.



A cena underground do nordeste é muito forte e sempre revela excelentes bandas, que bandas aí da região vocês destacariam pra quem quer conhecer a cara da cena nordestina?

O nordeste tem muita banda boa e teria que fazer uma lista enorme de bandas de todos os estilos que não caberiam aqui, além da minha memória ser péssima...hehehehe. Das que eu lembro tem a Damned youth, Faixa de gaza, Rabujos, Obitus, Lepra, Capitalistic Death, Desgraça maldita, são muitas...

Em maio vocês participam de um evento em Recife-PE, vão dividir o palco com o GBH e o Ratos de Porão, como rolou o convite pra participar desse show e qual a expectativa de poder se apresentar ao lado desses ícones do hardcore mundial?

Esse festival vai ser demais, talvez o mais punk que já tocamos. Serão muitas bandas fodas de todo o nordeste, como Rotten Flies, Nação corrompida, Karne Krua, Cachorro da duença e subversivos, fora o RDP (que já tocamos algumas vezes), GBH, Total Chaos. É muito massa poder tocar junto de quem fez história tocando e participando do movimento punk. Tantas bandas que ouvimos e vamos ver de perto. Coincidência que gravei os vocais de uma música do GBH que o Stheno fez cover no split. Além que vamos fazer o relançamento do Indigesto nesse show que vai sair pela Pecúlio do Boka.



Vocês já rodaram praticamente todas as regiões do país, ao longo de sua carreira vocês acham que houve melhora quanto a estrutura e organização de eventos underground no Brasil?

Depende. Ainda tem produtores que acham que o underground é fazer mal feito de qualquer jeito e que se sua banda é do underground pode aceitar qualquer coisa. Que você pode ficar em qualquer lugar, deitar no chão, tocar de qualquer jeito. Mas também tem quem se esforce pra fazer bem feito: que dá suporte pra que as bandas possam fazer seu som da melhor forma, dando um som decente, organizando para que tudo corra bem. Acho que nesse aspecto o Brasil cresceu bastante pelo fato de muitas bandas do submundo mundial vierem tocar aqui e as pessoas verem que existe um mínimo de organização. Hoje temos muitos Festivais organizados e bem estruturados, como também shows pequenos feitos dessa forma. Mas, infelizmente, ainda existem muitos pilantras pela cena.



Pra finalizar, gostaria de agradecer pela atenção e reservar este espaço pra que mandem seu salve ao leitores do Microfonia e todos que acompanham a banda! Valeu!

Valeu a todo mundo que leu a entrevista e que gosta da banda, muito obrigado pelo espaço concedido. Tem muita coisa nossa saindo por esses dias, procura facadanagoela na internet que tem tudo por lá! Valeu.

Contato Facada:






terça-feira, 14 de março de 2017

ENTREVISTA DESALMADO

A vantagem de fazer esse trabalho é poder trocar ideias com as bandas que você admira e de certa forma poder fazer parte do lance, o Desalmado é um grande exemplo de uma banda que a tempos habita as minhas playlists, com um som diversificado, com muito peso e agressividade, letras que gritam inúmeras verdades de nossa podre realidade os caras vem escrevendo seu nome no underground com lançamentos de respeito e vem pedrada nova por aí, sobre isso e mais uma porrada de coisas falamos nessa troca de ideia que você confere a seguir!




Salve galera! Desalmado existe aí na cena desde 2004, gostaria que contassem um pouco da história da banda, desde a fase como El Fuego, até se tornar de fato o Desalmado.

Caio: Iniciamos nossas atividades em 2004, começamos como um sexteto, na época combinamos um ensaio com algumas covers, era um dia que estava pra rolar um show do Napalm até, de cara foi algo bem legal. Daquele dia em diante muita coisa rolou, integrantes saíram, entraram, mudamos o nome para Desalmado quando gravamos o Hereditas em 2008, quatro anos mais tarde, após nossa primeira tour na Europa, tivemos uma alteração significativa que foi a consolidação do grupo como quarteto em 2012 e estamos assim até hoje.

 Apesar da definição do som como grindcore, o Desalmado tem um leque bem amplo de influencias em seu som, como vocês unem todas essas referências em suas composições pra chegar a essa personalidade ímpar de suas músicas?

Bruno: Cara, acho que levamos conosco mais o conceito do Grind hoje em dia do que seguimos a cartilha das bandas mais tradicionais do estilo. Se for para dar uma referência, nos inspiramos mais no que o Napalm Death faz atualmente do que no FETO. Acho que não teria como ser diferente, cada um de nós tem um gosto muito particular e quando vamos compor todos trazem estas influências para o estúdio. Muita coisa vem da guitarra, dos riffs que o Estevam traz, mas o nosso processo de composição nosso é bem coletivo.  Eventualmente eu trago uns riffs e ajudo a montar o som, o Caio vem com muitas ideias de referências e estruturas para as músicas e o Alemão preenche com as ideias de batera. Para este disco novo, que estamos pra gravar, nós não nos prendemos ao rótulo Grindcore, tem muita coisa diferente no disco, muita coisa de Death Metal, Hardcore, Crust... e é claro, Grind. Não tenho dúvidas em afirmar que é o disco mais maduro, diversificado e pesado que já fizemos. Mas, resumindo a resposta, cada um veio de uma escola do som pesado e teve um estilo de vida diferente, isso transparece na hora de escrever música juntos.

Temos acompanhado em suas redes sociais que vocês já estão em fase de pré-produção de um novo disco, quais as expectativas da banda com este novo trabalho? E qual a previsão pra soltar o novo petardo na praça?

Caio: Acho que esse será nosso melhor trabalho, entramos de cabeça no processo, é algo muito semelhante ao que aconteceu com o Estado Escravo, só que agora temos uma estrutura melhor e o principal, disponibilidade pra trabalhar em cima de novas composições. A ideia é soltar esse álbum até junho de 2017, acredito muito que não teremos nenhum tipo de atraso.



Em 2016 vocês lançaram um Split com o Homicide, “In grind we trust”, que obteve ótimas críticas da mídia especializada, através da Black Hole Productions, como se deu essa parceria e o quanto é viável esse formato de lançamento para as bandas?

Caio: Eu troco ideia com o William há algum tempo, tínhamos tocado junto em SP certa vez, eu não lembro a data ao certo, sei que em algum momento em 2015 conversamos de fazer algo juntos, e de repente em outubro, todo mundo começou a se agilizar pra gravar. Teve outro lance legal quando estávamos próximos do lançamento, surgiu interesse da Black Hole em lançar o material físico, conversamos, acertamos os detalhes e rolou, isso foi muito foda, foi uma grande aposta da BHP. Com relação ao formato penso da seguinte forma, o split é bom para as duas bandas, uma divulga a outra, isso aumenta bastante o alcance, funciona demais, é um trabalho que me orgulho muito.

Junto ao lançamento do Split vocês emendaram uma tour na Europa, como se deu os contatos pra esta tour, e quais as maiores dificuldades pra se toca fora do brasil?

Caio: Fomos com a mesma agencia que fez nossa tour em 2011, a ON FIRE, dessa vez ao invés de emendar 30 dias por lá, fechamos 20 dias com 17 shows na sequência. Foi muito bom, proveitoso e extremamente corrido, tivemos a oportunidade de tocar em um dos maiores festivais de metal de Portugal, o Barrosellas, na mesma noite de bandas como Incantation, Jucifer, Conan e nossos amigos do Violator, foi demais. Sobre as dificuldades pra se tocar fora do Brasil acho que elas são sempre de ordem financeira, pra uma banda como a gente acontecer lá fora tem que planejar muita coisa, se fizer tudo direito o retorno vem naturalmente, tem que levar em conta que lá a estrutura é bem melhor, meio que equilibra as coisas.



Vocês tem feito algumas apresentações com o Surra, e ambas as bandas tem datas pra uma tour no nordeste, será um role em conjunto das bandas?

Bruno: Exatamente, união total para fazer este rolê acontecer. A sintonia entre as bandas é tão grande que às vezes parece que somos uma banda só, o que é muito do caralho! Curtimos muito o som dos caras, já fizemos alguns shows juntos e é sempre uma grande satisfação dividir o palco com o Surra. As duas bandas seguem uma linha ideológica parecida, quem curte som extremo com letras coerentes com a realidade não pode perder a chance de ver essa tour!

O Desalmado tem letras críticas e politizadas e se posiciona abertamente sobre questões atuais, em meio a todas turbulências que temos vivido no pais, a música é uma voz pra muitas pessoas, vocês pretendem abordar esses temas nas letras deste novo disco, já possuem algumas letras prontas?

Caio: Importante, esse álbum será em inglês, já temos nomes e letras prontos. O direcionamento das letras continuara o mesmo, nesse novo álbum os posicionamentos políticos se aprofundarão justamente por conta dos problemas conjunturais do país e do mundo, em especial na luta contra o fascismo e das ações neoliberais que atingem diretamente a classe trabalhadora brasileira em suas garantias sociais e direitos individuais.
Não imaginávamos ter a infelicidade de viver um golpe de estado, ver um mundo ser engolido pelo fascismo, mesmo que esse seja um fenômeno cíclico próprio do sistema capitalista, então penso da seguinte forma, devemos estar em uma luta frontal contra essa onda de ódio e totalitarismo, é necessário que bandas como a nossa, façam parte da cultura que proponha uma nova construção social, justa, igual, emancipatória, que paute a luta na superação desse sistema de exploração e opressão. É necessário que todos os grupos de contestação se organizem e reajam ativamente contra tudo o que está acontecendo.

Assim como em “Estado escravo” as gravações do novo play serão realizadas no Family Mob?

Caio: Sim, serão realizadas no FM, é nosso QG, felizmente temos esse privilégio.

A produção ficará por conta da banda nesse novo trabalho ou será dividida com algum produtor?

Caio: Por nossa conta, mas contaremos com apoio dos amigos Hugo Silva e André Kbelo, a ideia aqui é ir a fundo no processo todo assim como fomos durante as composições. Vou tentar contribuir algo nesse sentido, tentar trazer aquele espirito noventista das produções do metal extremo, vamos ver no que vai dar.

Um detalhe que sempre me chamou a atenção foram as capas de seus discos, quem foi ou foram os responsáveis pelas mesmas, e qual conceito utilizam pra escolher as artes?

Caio: Exceto a capa do Split com o Homicide que foi feita pelo Marcelo Augusto a partir de uma idéia que troquei com ele, as outras sempre parte, do nosso guitarrista Estevam, é ele que tem essas sacada. Ele idealiza normalmente em cima de colagens, recortes e tal, daí sentamos e discutimos uma coisa ou outra e ele começa a elaborar, as vezes ele chega com tudo pronto, é nossa mente por trás de tudo relacionado a parte visual da banda.

Bom galera, deixo o meu muito obrigado pela atenção dispensada e reservo este espaço pra suas considerações finais ou aquele salve pra galera como bem entenderem, valeu!


Agradecemos demais pelo espaço, nunca deixem de fazer esse trampo. Para os fãs da banda, aguardem nosso trabalho, acho que muitos vão gostar. Continuem apoiando o underground e combatam de frente o fascismo diário que tem contaminado a muitos. Um grande abraço.

Ouça Desalmado em: