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sábado, 7 de dezembro de 2019

ENTREVISTA COM O CAIO AUGUSTTUS (CANAL SCENA/DESALMADO)


Fala pessoal, o papo de hoje é com o Caio Augusttus, vocalista da banda de Death/Grind Desalmado, que já entrevistamos por aqui, mas hoje o tema da nossa conversa será respeito de sua outra empreitada, o Canal Scena, que envolve uma galera super empenhada em entregar conteúdo de qualidade e cem por cento underground, trazendo bandas que não são fáceis de se achar um vídeo ao vivo de qualidade na rede e ainda com quadros que falam sobre música underground de forma leve e inteligente, é como bater aquele papo com os amigos sobre som, uma boa forma de se informar e conhecer novos sons, visto que sempre rolam dicas muito legais, acompanhem o canal e apoiem iniciativas como essas, pois o trabalho é duro amigos e precisamos que canais assim permaneçam vivos e produzindo material, pois temos poucas pessoas produzindo algo de qualidade como o Scena, então lembrem-se também de colar no apoia.se e dar aquela força pra manter a parada ativa, no mais, se liguem na ideia e valeu Caio pelo papo daora!!!




Fala Caio, obrigado por falar conosco, gostaria de saber como surgiu a ideia para a produção do Canal Scena?

Caio AugusttusPor circular muito com o Desalmado nos últimos anos, notei uma esquizofrenia no cenário e também a falta de renovação do publico, depois olhei para os blogs e vi que muita gente tinha desistido, os canais do youtube eram poucos, foi então que tomei a decisão junto do Estevam de fazer algo usando o estúdio e criar conteúdo que pudesse divulgar as bandas locais. Tinha visto essa experiência fora do país, no áudiotree, então a ideia era fazer algo nos mesmos moldes, que resgatasse parcialmente a MTV, emissora que teve grande importância em boa parte da formação musical da minha geração. Aconteceu que tinha desistido, mas graças a João, Natália, Otávio e Estevam, conseguimos formar um coletivo de pessoas e dar sequencia na ideia.

Quem são as pessoas envolvidas nesse projeto que fazem a parada acontecer junto contigo Caio?

Caio Augusttus:João Lucas, Otavio Rosseto, Natalia, Ed Chavez, Matheus, Adriessa e Estevam, depois chegaram o Léo pra ajudar, mas teve também o Davi, o Hugo e outras pessoas ajudando um pouco. Como se trata de um coletivo estamos querendo expandir um pouco pra ver se fica mais suave para as principais partes envolvidas, que é de edição de vídeo e som, mas é uma tarefa complicada.

De que maneira vocês desenharam o formato de produção dos vídeos, como funciona a criação dos quadros, escolhas dos temas, etc.?

Caio Augusttus:Cara, a parte dos quadros foi uma elaboração minha, da Natalia e do Estevam, as pautas são minhas, quem tira ideia do nada sou eu e vou lá gravar, ou chamo alguém, mas agora estamos pensando 2020 de forma mais programada, incluindo até reunião de pauta, até porque não precisa ficar tudo na minha cabeça porque não é muito produtivo e corremos o risco de ficar se repetindo.

Como tem sido a recepção ao conteúdo produzido pelo Scena? Visto que vocês produzem vídeos com uma qualidade incrível e bandas que não são tão fáceis de encontrar um material de qualidade ao vivo no youtube?

Caio Augusttus:O pessoal tem elogiado muito, por onde passo com o Desalmado sou cumprimentado pelo canal, o mesmo acontece com todas as pessoas envolvidas. Tem sido bem foda nesse sentido, com relação a qualidade acho que deu certo de encontrarmos as pessoas certas e que tem um bom gosto, a gente se cobra muito pra sair algo legal, particularmente também me cobro e acho que tem espaço pra evoluir mais.




Sou muito fã do Shuffle, Listão e do Falatório, sempre ouço as dicas que vocês trazem, como funciona a produção desses quadros do canal?

Caio Augusttus: Olha, os temas normalmente são meus, mas a gente tem um banco de assunto. É algo simples mesmo, Shuffle a gente procura apresentar bandas novas e a prioridade é sempre banda brasileira, já o listão tem a pegada de esclarecer duvidas e propor dicas simples pro pessoal envolvido no underground, é como se fosse compartilhamento de experiências, achamos isso válido demais. Sobre o Falatório, é o caso mais inusitado, particularmente não achava que iria dar certo, mas deu, o povo gosta muito e existe a possibilidade de diversificar o papo pra além das situações do underground. A gente quer colocar alguns quadros novos, vamos ver como será isso.



O canal possui uma conta no apoia.se pra angariar fundos pra bancar as produções, como funciona pra quem quiser colaborar com o canal?

Caio Augusttus: Tem de se inscrever no apoia-se e contribuir com um valor mínimo, a gente popularizou, então 10 paus por mês já ajuda demais, o teto são 30 reais. A ideia é ganhar na quantidade, até porque entendemos que a maioria tá sem grana, todo mundo fudido por conta da crise econômica, mas quem pode ajudar, com pouco colabora muito mesmo.

Que dificuldades vocês consideram como grandes empecilhos na produção de conteúdo underground no país? Visto que as redes sociais ajudam, porém os algoritmos do negócio limitam a visibilidade do negócio?

Caio Augusttus: A gente não tem como disputar com os medalhões que eram da MTV ou até dos canais mais tradicionais, tipo o Show Livre, não temos verba pra colocar em publicidade para consequentemente, conseguir maior adesão de inscritos no canal. Nossa estratégia é trilhar pelo caminho do alcance orgânico, intercalando bandas mais consagradas com as mais desconhecidas, uma puxa a outra no canal. A gente sabe que esses algoritmos estão prontos para minar nossa iniciativa e priorizar quem bota dinheiro.

Quais os projetos do canal para 2020, tem alguma novidade que gostaria de nos adiantar sobre o canal que vai rolar nos próximos meses?

Caio Augusttus: A gente vai lançar o quadro dedicado a debater discos específicos, a tendência é tratar a musica com ainda mais prioridade, obviamente que temos a particularidade de sermos mais críticos do ponto de vista politico, não escondemos isso de ninguém, mas em 2020 queremos fazer a musica prevalecer, até porque é um canal de musica.

Como você avalia o desempenho do canal até aqui, produzindo conteúdo underground de qualidade e falando sobre assuntos que curtem, porque creio que seja prazeroso entregar conteúdos que tratam sobre paradas que curtimos, tem algo que vocês buscam em termos de alcance com o canal?

Caio Augusttus: Surpreendente. Não achei que iriamos alcançar 7 mil inscritos, não achei que teríamos uma média de 1,5k views em quadros sem banda, já considero uma puta vitória tudo isso.

Caio, gostaria de agradecer pelo tempo concedido pra falar conosco, desejar muito sucesso ao Canal Scena e ao Desalmado e reservar este espaço pra mandar seu salve como preferir, obrigado!!!

Caio Augusttus: Quero agradecer em nome de todos que participam e participaram do Scena, incluindo você que ajuda a divulgar o canal e o underground. Precisamos fortalecer nossa cultura e esses espaços são fundamentais. Valeu demais a todos que assistem o canal.

Prestigie o trabalho do Canal Scena no Youtube CLICA AÍ E VAI

terça-feira, 14 de março de 2017

ENTREVISTA DESALMADO

A vantagem de fazer esse trabalho é poder trocar ideias com as bandas que você admira e de certa forma poder fazer parte do lance, o Desalmado é um grande exemplo de uma banda que a tempos habita as minhas playlists, com um som diversificado, com muito peso e agressividade, letras que gritam inúmeras verdades de nossa podre realidade os caras vem escrevendo seu nome no underground com lançamentos de respeito e vem pedrada nova por aí, sobre isso e mais uma porrada de coisas falamos nessa troca de ideia que você confere a seguir!




Salve galera! Desalmado existe aí na cena desde 2004, gostaria que contassem um pouco da história da banda, desde a fase como El Fuego, até se tornar de fato o Desalmado.

Caio: Iniciamos nossas atividades em 2004, começamos como um sexteto, na época combinamos um ensaio com algumas covers, era um dia que estava pra rolar um show do Napalm até, de cara foi algo bem legal. Daquele dia em diante muita coisa rolou, integrantes saíram, entraram, mudamos o nome para Desalmado quando gravamos o Hereditas em 2008, quatro anos mais tarde, após nossa primeira tour na Europa, tivemos uma alteração significativa que foi a consolidação do grupo como quarteto em 2012 e estamos assim até hoje.

 Apesar da definição do som como grindcore, o Desalmado tem um leque bem amplo de influencias em seu som, como vocês unem todas essas referências em suas composições pra chegar a essa personalidade ímpar de suas músicas?

Bruno: Cara, acho que levamos conosco mais o conceito do Grind hoje em dia do que seguimos a cartilha das bandas mais tradicionais do estilo. Se for para dar uma referência, nos inspiramos mais no que o Napalm Death faz atualmente do que no FETO. Acho que não teria como ser diferente, cada um de nós tem um gosto muito particular e quando vamos compor todos trazem estas influências para o estúdio. Muita coisa vem da guitarra, dos riffs que o Estevam traz, mas o nosso processo de composição nosso é bem coletivo.  Eventualmente eu trago uns riffs e ajudo a montar o som, o Caio vem com muitas ideias de referências e estruturas para as músicas e o Alemão preenche com as ideias de batera. Para este disco novo, que estamos pra gravar, nós não nos prendemos ao rótulo Grindcore, tem muita coisa diferente no disco, muita coisa de Death Metal, Hardcore, Crust... e é claro, Grind. Não tenho dúvidas em afirmar que é o disco mais maduro, diversificado e pesado que já fizemos. Mas, resumindo a resposta, cada um veio de uma escola do som pesado e teve um estilo de vida diferente, isso transparece na hora de escrever música juntos.

Temos acompanhado em suas redes sociais que vocês já estão em fase de pré-produção de um novo disco, quais as expectativas da banda com este novo trabalho? E qual a previsão pra soltar o novo petardo na praça?

Caio: Acho que esse será nosso melhor trabalho, entramos de cabeça no processo, é algo muito semelhante ao que aconteceu com o Estado Escravo, só que agora temos uma estrutura melhor e o principal, disponibilidade pra trabalhar em cima de novas composições. A ideia é soltar esse álbum até junho de 2017, acredito muito que não teremos nenhum tipo de atraso.



Em 2016 vocês lançaram um Split com o Homicide, “In grind we trust”, que obteve ótimas críticas da mídia especializada, através da Black Hole Productions, como se deu essa parceria e o quanto é viável esse formato de lançamento para as bandas?

Caio: Eu troco ideia com o William há algum tempo, tínhamos tocado junto em SP certa vez, eu não lembro a data ao certo, sei que em algum momento em 2015 conversamos de fazer algo juntos, e de repente em outubro, todo mundo começou a se agilizar pra gravar. Teve outro lance legal quando estávamos próximos do lançamento, surgiu interesse da Black Hole em lançar o material físico, conversamos, acertamos os detalhes e rolou, isso foi muito foda, foi uma grande aposta da BHP. Com relação ao formato penso da seguinte forma, o split é bom para as duas bandas, uma divulga a outra, isso aumenta bastante o alcance, funciona demais, é um trabalho que me orgulho muito.

Junto ao lançamento do Split vocês emendaram uma tour na Europa, como se deu os contatos pra esta tour, e quais as maiores dificuldades pra se toca fora do brasil?

Caio: Fomos com a mesma agencia que fez nossa tour em 2011, a ON FIRE, dessa vez ao invés de emendar 30 dias por lá, fechamos 20 dias com 17 shows na sequência. Foi muito bom, proveitoso e extremamente corrido, tivemos a oportunidade de tocar em um dos maiores festivais de metal de Portugal, o Barrosellas, na mesma noite de bandas como Incantation, Jucifer, Conan e nossos amigos do Violator, foi demais. Sobre as dificuldades pra se tocar fora do Brasil acho que elas são sempre de ordem financeira, pra uma banda como a gente acontecer lá fora tem que planejar muita coisa, se fizer tudo direito o retorno vem naturalmente, tem que levar em conta que lá a estrutura é bem melhor, meio que equilibra as coisas.



Vocês tem feito algumas apresentações com o Surra, e ambas as bandas tem datas pra uma tour no nordeste, será um role em conjunto das bandas?

Bruno: Exatamente, união total para fazer este rolê acontecer. A sintonia entre as bandas é tão grande que às vezes parece que somos uma banda só, o que é muito do caralho! Curtimos muito o som dos caras, já fizemos alguns shows juntos e é sempre uma grande satisfação dividir o palco com o Surra. As duas bandas seguem uma linha ideológica parecida, quem curte som extremo com letras coerentes com a realidade não pode perder a chance de ver essa tour!

O Desalmado tem letras críticas e politizadas e se posiciona abertamente sobre questões atuais, em meio a todas turbulências que temos vivido no pais, a música é uma voz pra muitas pessoas, vocês pretendem abordar esses temas nas letras deste novo disco, já possuem algumas letras prontas?

Caio: Importante, esse álbum será em inglês, já temos nomes e letras prontos. O direcionamento das letras continuara o mesmo, nesse novo álbum os posicionamentos políticos se aprofundarão justamente por conta dos problemas conjunturais do país e do mundo, em especial na luta contra o fascismo e das ações neoliberais que atingem diretamente a classe trabalhadora brasileira em suas garantias sociais e direitos individuais.
Não imaginávamos ter a infelicidade de viver um golpe de estado, ver um mundo ser engolido pelo fascismo, mesmo que esse seja um fenômeno cíclico próprio do sistema capitalista, então penso da seguinte forma, devemos estar em uma luta frontal contra essa onda de ódio e totalitarismo, é necessário que bandas como a nossa, façam parte da cultura que proponha uma nova construção social, justa, igual, emancipatória, que paute a luta na superação desse sistema de exploração e opressão. É necessário que todos os grupos de contestação se organizem e reajam ativamente contra tudo o que está acontecendo.

Assim como em “Estado escravo” as gravações do novo play serão realizadas no Family Mob?

Caio: Sim, serão realizadas no FM, é nosso QG, felizmente temos esse privilégio.

A produção ficará por conta da banda nesse novo trabalho ou será dividida com algum produtor?

Caio: Por nossa conta, mas contaremos com apoio dos amigos Hugo Silva e André Kbelo, a ideia aqui é ir a fundo no processo todo assim como fomos durante as composições. Vou tentar contribuir algo nesse sentido, tentar trazer aquele espirito noventista das produções do metal extremo, vamos ver no que vai dar.

Um detalhe que sempre me chamou a atenção foram as capas de seus discos, quem foi ou foram os responsáveis pelas mesmas, e qual conceito utilizam pra escolher as artes?

Caio: Exceto a capa do Split com o Homicide que foi feita pelo Marcelo Augusto a partir de uma idéia que troquei com ele, as outras sempre parte, do nosso guitarrista Estevam, é ele que tem essas sacada. Ele idealiza normalmente em cima de colagens, recortes e tal, daí sentamos e discutimos uma coisa ou outra e ele começa a elaborar, as vezes ele chega com tudo pronto, é nossa mente por trás de tudo relacionado a parte visual da banda.

Bom galera, deixo o meu muito obrigado pela atenção dispensada e reservo este espaço pra suas considerações finais ou aquele salve pra galera como bem entenderem, valeu!


Agradecemos demais pelo espaço, nunca deixem de fazer esse trampo. Para os fãs da banda, aguardem nosso trabalho, acho que muitos vão gostar. Continuem apoiando o underground e combatam de frente o fascismo diário que tem contaminado a muitos. Um grande abraço.

Ouça Desalmado em: