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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

SURRA - NINHO DE RATO - EP (2021) - REVIEW MICROFONIA



SURRA


· Atividade: 2012 - Atualmente


· Origem: Brasil - Santos-SP


· EP: Ninho de rato (2021)


· Gravadora: Cadeia Records/Laja Rex


· Gênero: Thrashpunk/Powerviolence/Grindcore



O Surra é uma banda que pode ser considerada como opererários do underground devido a sua tamanha produtividade e movimentação, acho que já disse isso antes, mas vale repetir. Encarando as coisas dentro deste contexto é muito bom pra quem curte e scompanha a banda, pois sempre há novidades rolando e sempre que tem um novo lançamento da banda, fica a expectativa, de como irá soar, a cada EP ou disco os caras vem aumentando o sarrafo na sua música que sempre foi rápida e pesada, mas pode ser mais, e "Ninho de rato" nos mostra isso.



Lançado dia 14/18/2021, o EP traz dez faixas inéditas e dois covers, total de 12 sons distribuidos em 10 minutos de gravação, isso por si só já é um prenuncio de como a banda está soando neste lançamento, não há mudanças drásticas de sonoridade, apenas o fato de que nuances que sempre estiveram presentes na musica dos rapazes de Santos, aqui nessas faixas estão se sobressaindo ao Thrashpunk que já estamos acostumados, portanto apesar de ser chato ficar rotulando as coisas, fica claro aqui que a pegada é na área do Fastcore, Powerviolence e Grindcore, é possível sacar doses bem aplicadas ao longo da execução.

Algo que realmente não mudou e isso é ótimo, são o conteúdo das letras, que se mantém ácido e afiado, tecendo criticas ferrenhas ao governo e toda enxurrada de desgraça que tem se abatido sobre o pobre e trabalhador neese país, sem refresco, sem piedade, cada relato vomitado é um soco no estômago de quem ainda acredita que tem algo de positivo em meio a esse inferno que tudo se tornou.

Pra citar exemplos de faixas que se destacam é até complicado, porém ouçam com atenção "Motor da História", "Acreditam em tudo", "Trabalhar até morrer" e "Roendo osso", letras sensacionais, mas sem dúvidas vale a audição de tudo nesse EP, até porque em piscar de olhos você ouviu ele três vezes seguidas e nem se deu conta.

Vale citar que a produção dos últimos trampos da banda tem sido feita pela própria banda, a cargo do Léo comandando a mesa, tá sendo bem satisfatório o resultado, e a banda lançou no canal do youtube um making of bem massa sobre a gravação do EP onde dá pra acompnhar e entender um pouco de como foi esse processo.

Por último e não menos importante vamos falar sobre esses dois covers que figuram no EP, vale citar que o formato que foi pensado esse trabalho era para ser lançado em vinil 7", porém devido a demora no prazo de entrega pelas fábricas, fez com que a banda optasse por lançar em formato de K7 esse trampo, via Cadeia Records e Laja Rex.




Sendo assim, cada lado do EP fecharia com um cover, Lado A como um cover para "Hang the pope" da Nuclear Assault e o Lado B com um cover para "Convivência" da Cruel Face", que se encaixaram nuito bem com as demais faixas se integrando muito bem como se fossem composições da Surra nesse EP e acompanham o ritmo de velocidade e brutalidade que se observa por toda audição, vale ressaltar a parte gráfica do EP que ficou a cargo do canadense Tommy Wilson, que entregou uma arte que combina demais com a proposta grindcore apresentada durante as faixas.

Enfim, ouçam a banda e adquiram os materiais dos caras pra manter o lance vivo, o underground só sobrevive através do apoio de quem estáenvolvido, sou suspeito pra falar sobre o Surra, pois é uma das minhas bandas preferidas e desde que surgiram com o "Bica na cara" lá em 2013 se não me engano, sempre me deleito com os lançamentos que vieram enfileirando desde então, curtam essa porrada!!!


LINKS RELACIONADOS


https://surrathrashpunk.bandcamp.com/

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https://www.instagram.com/surrathrashpunk/

http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2019/10/surra-escorrendo-pelo-ralo-2019-review.html

http://microfoniaundergroundblog.blogspot.com/2017/04/entrevista-surra.html

sábado, 30 de novembro de 2019

10 DISCOS FODA DE 2019 (NACIONAIS)



Não poderíamos deixar de realizar a nossa lista de melhores lançamentos de 2019, já que somos viciados em listas, e aqui segue o que de melhor rolou nos nossos fones de ouvido nesse ano, sempre valendo ressaltar que é uma opinião pessoal e que caso discordem ou queiram acrescentar acho que dá até pra rolar uma lista depois com os melhores discos segundo a galera que nos acompanha, mas isso é papo para um outro dia, pois hoje segue o nosso top 10 de 2019, espero que curtam e que possam enriquecer suas playlists! Valendo!


SURRA – ESCORRENDO PELO RALO 






A ordem dos fatores aqui não altera o produto, a ordem dos dez será por questão dos discos que primeiro vierem a mente e nesse caso certamente começamos o nosso top 10 com os meninos de Santos do Surra, que esse ano soltaram o “Escorrendo pelo ralo”, disco absurdo de foda e que despeja tudo aquilo que já nos acostumamos a esperar da banda, ou seja, Thrashpunk porrada, muita crítica ao nosso atual cenário político, uma banda extremamente competente e que flerta cada vez mais com os lados mais extremos em termos de sonoridade, entregando em suas 16 faixas um disco coeso, pesado e veloz, com letras afiadas e ácidas, fizemos um review desse disco e ele merece todo o destaque, tanto individual, quanto pelo conjunto da obra, já que os caras não decepcionam quando o assunto é roque veloz, ouçam alto e prestem atenção no que esses caras tem a dizer!!!



OSSOS CRUZADOS – ESPECTROFOBIA 






Basicamente a história é simples, fui curtir o show de lançamento do novo disco do Zumbis do espaço, e uma das bandas responsáveis pela abertura do ato foi a Ossos Cruzados, me tornei fã automaticamente, nesse segundo registro dos caras eles apresentam novas nuances de seu som, mas ainda dentro da temática do Horror Punk que já apresentavam no “Miolos”, um disco divertido de ouvir, prestando homenagens a tudo aquilo que nós fãs de cultura trash curtimos, homenagens aos melhores monstros do cinema mundial, Em “Kong” e “Godzilla”, a história de uma partida de truco com Satã, simplesmente com um refrão foda e hilário, que ao vivo funciona muito bem, A prova de morte que faz menção ao filme de mesmo nome de Quentin Tarantino, que é do caralho, enfim, só pra destacar algumas faixas, entra para mim sem dúvidas entre as melhores paradas que ouvi nesse ano de 2019.



MANGER CADAVRE? – ANTI AUTO AJUDA 





A Manger Cadavre? É uma banda que apesar de não conhecer nenhum de seus integrantes pessoalmente eu considero amigos, foi uma das primeiras bandas que entrevistamos para o Microfonia e de lá pra cá sempre tenho acompanhado o trampo árduo e o desenvolvimento dessa galera que são verdadeiros trabalhadores do underground, conquistando seu espaço na raça, grande admiração também pela Nata que berra seus ideais com talento nas letras da banda que sempre externam seu posicionamento e sua atitude. Anti Auto Ajuda é mais um passo da caminhada que a banda vem trilhando nesses seus oito anos de trajetória e esse novo passo merece destaque, grande disco de hardcore/crust, letras inspiradas e inspiradoras, produção tá demais, sujeira no lugar certo, pesado e por cima da massa sonora, Nata derramando seu vocal potente pra cima, vale demais a audição galera e por isso mesmo está aqui na minha lista de melhores discos de 2019!!!



QUESTIONS - LIBERTATEM! 



Questions dispensa apresentações e basicamente eles não perdem a mão, são anos na estrada despejando hardcore, protesto e atitude, sempre trazendo reflexões pertinentes em suas letras os caras agora lançam seu primeiro disco inteiramente em português, o que torna tudo ainda mais interessante, pra quem não manja do idioma gringo, uma boa, como no meu caso. Falando diretamente do disco, sonoramente traz aquilo que já conhecemos bem da banda, mas numa roupagem diferente já que o idioma parece dar outra faceta aos sons, destaque para o single “Lutar” e pra faixa “Exclusão” que tem a participação de Gabriel Zander, audição fácil, som que vai direto ao ponto e letras que trazem um retrato de tudo aquilo que banda prega e acredita!!! Ouçam!! "Desejo de mudança, parte de nós, Ninguém virá nos libertar!".



DEAD FISH - PONTO CEGO 







Ei Dead Fish, vai tomar no cu!!! Na boa, eu sou fã do DF, sempre trazem um som com uma pegada diferenciada, pesado, rápido e melódico, e como disse o estagiário se você é de direita nem cola no rolê, aqui não vai ser possível curtir apenas os riffs ou não misturar “rock” com política. Ponto cego traz um retrato atual da nossa situação e vai com o dedo direto na ferida, vide a faixa “Sangue nas mãos”.
Sou bem suspeito pra falar sobre essa banda, mas como a lista é pessoal e não preciso representar a opinião de ninguém além da minha, não poderia deixar de citar esse álbum entre o que considero os melhores lançamentos de 2019. Sem me estender, é isso! O resto da História a maioria já conhece!!!



FURIA INC. - RAW






Pra quem curte um metal mais moderno e com groove, aos moldes de Pantera, Lamb of God e afins, esse segundo álbum da galera do Furia Inc. é um prato cheio, lembrando que citei apenas referências, pois a banda tem muita personalidade ao compor seus sons, com uma produção primorosa “Raw” demonstra todo o potencial da banda em despejar composições pesadíssimas e com uma pegada muito agressiva ao executar as faixas, o que me faz pensar como nosso underground é foda, o nível de nossas bandas é igual e até superior ao de qualquer cena do planeta, fiquei sinceramente impressionado pela qualidade deste álbum, segundo lançamento dos caras, que reafirma que o Furia Inc. pode ir muito longe, talento e poder de fogo não vão faltar, ouçam alto senhoras e senhores!!!





RED RAZOR - THE REVOLUTION CONTINUES





Quando o assunto envolve hardcore, thrash metal e crossover e subgêneros afins, quem me conhece sabe bem que minha praia basicamente é essa, então amigos imaginem que tamanha surpresa foi ouvir esse álbum da Red Razor, “The revolution continues”, segundo disco desses malucos de SC, grande achado, não tem faixa ruim nesse disco e tudo muito bem encaixado, composições, riffs, solos a produção, a cozinha dos caras é pesadíssima e se destaca mesmo em meio a tempestade de riffs despejadas faixa após faixa, altamente indicado a fãs de thrash metal em seu estado mais puro!!! Sem nem mesmo pensar duas vezes vou falar aqui as duas faixas mais fodas do disco: Born in South America e For Those about thrash!!!




M4NIFESTO - A VOZ DOS SEM VOZ




O Manifesto é uma banda relativamente nova, porém seus integrantes já são velhos conhecidos da cena, faziam parte do DPR e Santa Morte e o EP “A voz dos sem voz” é a estreia dessa parceria que já havia rolado num feat no último disco da Santa Morte e que bom que foi assim!
Aqui se unem dois estilos musicais que curto demais, Rap e hardcore, numa mistura que fica incrível, porque eu curto Racionais MC’s com a mesma intensidade com que curto Slayer e no som desses caras é possível sintetizar isso! E falo literalmente, pra quem colou no Hardcore por um mundo melhor, pode sacar o mash up de “Capitulo 4, versículo 3” com “Angel of Death”.
“Oração” abre esse EP e dá o cartão de visita de que os caras estão de volta as ruas misturando rap e hardcore pra alegria de quem ficou órfão da DPR, e fazem isso com maestria, uma pena que seja um EP com poucas faixas, pois quando acabam 17 minutos de som aqui, fica a sensação de que poderiam vir mais faixas que daria pra ouvir muito bem, que a M4NIFESTO tenha vida longa na cena, pois o que vimos aqui tá pesado galera, que se multiplique essa parada!!! Som de quebrada, tem que respeitar!!!



AXECUTER – SURROUNDED BY DECAY 





Fugindo um pouco dessa linha thrash, hc, metalcore, um disco de heavy metal puro está a nossa frente nesse “Surrounded by decay”, os caras resgatam o espirito oitentista e despejam todas as suas influências num disco que bebe nas fontes mais louváveis do verdadeiro metal, não tem invenções ou novidades dentro desse álbum, e aí que reside o ponto forte do negócio, os caras são bem honestos no som que executam, então se você é daquelas pessoas que dizem que o metal está morto, que não há mais bandas que tocam como antigamente, então amigo, saia da bolha, pois aqui temos este power trio que parece ter saído de um túnel do tempo direto dos anos 80 e nos presenteado com esse disco foda de metal, resumindo, aqui não tem erro, é heavy metal e ponto!!!



TORMENT THE SKIES - IMPURE






Cena nordestina é monstra, representa demais no som extremo, galera manda muito, e esses caras lá do Rio Grande do Norte nos brindam com esse disco lindo com o mais puro metal morte, “Impure” fecha a nossa lista de melhores do ano, representante do death metal brasileiro de muito valor, a Torment the Skies nos apresenta aqui seu segundo album e demonstra que o futuro é promissor, explorando a obra de Dante Alighieri, eles unem uma temática que casa perfeitamente com a sonoridade extrema, a banda já está a um bom tempo na estrada e isso parece refletir nas faixas, muito bem concebidas e executadas e na produção que soube destacar muito bem a brutalidade e podridão do negócio, altamente indicado e esperamos ver novos trabalhos da banda num intervalo menor de tempo!!! 






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terça-feira, 29 de outubro de 2019

SURRA - ESCORRENDO PELO RALO - 2019 (REVIEW)



Faz um tempo que não colo aqui pra publicar algo, mas senti a necessidade de falar sobre esse novo disco do Surra.
Se você acompanha a banda desde o seu primeiro EP, o "Bica na cara" de um já meio distante ano de 2013, deve ter observado dois pontos importantes na trajetória dos caras, primeiro ponto é a alta produtividade dos caras, de lá pra cá, foram alguns EPs e um full, que nos brindam com  o segundo ponto que gostaria de ressaltar, a cada lançamento o Surra vem se consolidando como um dos expoentes do roque veloz desse país amigos, é inegável que os caras se tornaram referência naquilo que se propõem a fazer e são verdadeiros operários do underground, sempre viajando e espalhando sua pancadaria Brazza afora e também na Europa!


Foto por Estevam Romera


Mas partindo ao que interessa, Escorrendo pelo Ralo é o nome dessa pedrada que consolida e amplia a fórmula musical certeira do Surra, velocidade e brutalidade permeiam todo o disco, fiquei realmente feliz ao ouvir cada faixa desse disco, satisfação é você perceber que uma banda que você curte e admira não perde a mão e ainda consegue incrementar aquilo que já vinha fazendo muito bem.
O disco abre com "O mal que habita a terra" e já podemos deixar bem claro aos que curtem o som pelo riff, os que acham que não rola misturar politica com música ou aos isentões de plantão, aqui se trata de uma banda com posicionamento bem claro e se você fecha com ideias tortas parça, o papo abordado nas letras não será de seu agrado, de cara dá pra perceber que o cartão de visita mostra a pegada do negócio que vamos encontrar dali em diante, "Do lacre ao lucro" e a faixa título não nos dão tempo de respirar.
Temos aqui aquele tipo de álbum que vamos lembrar daqui alguns anos como um clássico do nosso underground, falo isso tranquilamente, pois analisando o conjunto da obra, esse é um dos picos da carreira do Surra, conseguiram sintetizar um pouco de tudo que apresentaram até então!

Ouça o Escorrendo pelo ralo no Spotify ou plataforma de sua preferência:





Destacar algo nesse play é só pra dar opinião sobre preferência pessoal, pois todas as faixas tem detalhes que cabem ressaltar, mas o que me chamou a atenção de cara foi "O mal que habita a terra", "Virou Brasil" em suas duas versões (temos um samba no disco do Surra!), "Viver em Santos" com sua levada reggae/ska que engana a gente em seus primeiros segundos antes de descambar para desgraça total e por fim "Bom dia Senhor".
Bom meus jovens, pra finalizar sem rodeios apenas digo, ouçam o Surra, se liguem nas ideias dos caras, esse power trio de Santos é na minha humilde opinião uma das maiores bandas em atividade de nosso underground, e o "Escorrendo pelo Ralo" tá aí pra comprovar minha tese!!!


Clipe da faixa "Ultraviolência" lançado recentemente, com ilustrações sinistras do Marcelo Dod (Draw or Die):




https://www.facebook.com/surrahardcore/

sábado, 29 de abril de 2017

ENTREVISTA SURRA

Madrugada de sexta pra sábado e eu aqui na pilha pra colocar esse trampo no ar, nesse final de semana o Surra estará se apresentando aqui em Maringá-PR e antes de rolar essa gig daora, que ainda vai contar com as bandas Refutare e Sinistro de Arapongas-PR, falamos com o Guilherme e o Victor, baixista e baterista da banda respectivamente, e o resultados vocês conferem a seguir, e pra você que é da região cole pra conferir uma das bandas mais fodas que ouvi nesses últimos tempos!



Fala galera, obrigado por falar conosco, primeiramente gostaria de comentar o hilário (com direito a premiação no Golden Shit Awards rs) clipe que vocês fizeram pra faixa título de seu último disco, “Tamo na merda”, como foi que rolou a produção dessa pérola?

Guilherme: Como é muito comum acontecer o lançamento do Tamo Na Merda (disco) demorou mais do que imaginávamos para sair. Pegamos os CDs quase as vésperas da nossa tour pra Europa, sendo que o planejamento inicial era para ele ficar pronto no primeiro trimestre de 2016. Chegando da Europa ainda fizemos mais alguns shows aqui pelo Brasil, ou seja, ficou muito complicado trabalharmos um videoclipe mega produzido nessas condições.
Foi nessa ideia que nos reunimos e demos a ideia para o Leeo para fazermos um clipe mais simples, um lance mais DIY mesmo, de uma música mais rápida.
Buscamos referências de coisas toscas e cômicas que adoramos, tipo Pepa Films e Hermes e Renato, e o Leeo criou um roteiro pra música Tamo Na Merda. Com a agenda de shows estava muito complicado viabilizar a execução dessa ideia de mal gosto então foi quando o Fabio Prandini (Paura, Samsara Discos) nos deu uma força e fez a ponte com a produção do canal do Meninos da Podreira. As ideias bateram completamente e em menos de 4h captamos todas as imagens e tivemos um dia muito divertido. O resultado foi essa película ridícula que rola na interwebs junto com entrevistas para o canal do MDP e até uma premiação.

Ano passado vocês fizeram sua estreia em solo europeu, como foi a experiência por lá? Qual o saldo dessa tour pra vocês?

Guilherme: Foi uma experiência muito foda tanto pra banda quanto pras nossas vidas. Passar os perrengues da “tour life”, tocar direto, conhecer MUITA gente de diferentes locais do planeta evoluiu muito a nossa banda em todos os aspectos. Pra nós o saldo foi muito positivo e superou nossas expectativas. As bandas brasileiras tem uma fama muito boa dentro da Europa e bastante gente curte o jeito tupiniquim de fazer uma desgraceira.

Foi divulgada recentemente a capa de um Split que vocês vão lançar junto com o MooM, como rolou a parceria com os caras e o que você pode nos falar dessas três faixas inéditas que farão parte do Split?

Guilherme: Conhecemos os caras do MooM de Israel em Vienna, na Áustria. Chegamos com certa antecedência para o show e eles estavam hospedados no mesmo local que nós. Demos vários roles pela cidade e trocamos muitas ideias antes do nosso show... rolou aquela parada de melhores amigos instantaneamente. Depois de ver o show dos caras tivemos mais certeza ainda que precisávamos fazer um lançamento juntos. Daí surgiu a ideia do Split que estamos trabalhando durante esse ano.



O Surra curte lançamentos no formato de vinil, quais as vantagens que vocês veem nesse formato e por uma questão de gosto pessoal mesmo, qual formato vocês preferem entre CD e vinil?

Guilherme: Vemos hoje no vinil um material bem bacana e que é muito valorizado pela galera que ainda curte consumir música em mídias físicas. Além do som ser excelente todo o trabalho da arte e o ritual de colocar uma bolacha pra rodar fazem parte de um jeito muito único de curtir o som. O CD por mais que não tenha toda essa parada, a arte ser mais reduzida e tal, hoje já se tornou um material voltado pra pessoas que curtem “colecionar” música também. Ou seja, por mais que o grande público consuma muita música por meios digitais nós fazemos questão de lançar materiais físicos para materializar os nossos projetos pois acreditamos muito nessa conexão que o material físico tenha com os sons.

A banda segue com a produtividade em alta desde o seu surgimento, a que se deve esse ritmo de produção, que pra nós é ótimo, pois sempre é bom ouvir um novo som da banda?

Guilherme: Em termos musicais se deve principalmente a nossas diversas influências e “piras” de cada hora estar curtindo um tipo de som, trazendo uma ideia ou uma influência nova. Quanto as letras toda a situação política no Brasil e mundial nos faz ter cada vez mais assuntos pra abordar. O mais bacana que no Surra nós 3 trazemos ideias de letras, de riffs e com a quantidade de merda que temos na cabeça ela se torna sempre um terreno fértil.



Uma parada que não poderia deixar de comentar é sobre o DVD “A porra pegou – Ao vivo em Belém”, apresentação e público insanos no registro, gostaria aí que você relatasse como se deu a produção desse projeto?

Guilherme: A produção foi toda feita de maneira DIY e coordenada por nossos amigos de Belém. Toda equipe de câmeras foi voluntária, backline emprestado, dentre outras coisas. Tudo isso foi muito importante para viabilizar a execução do projeto. Depois finalizamos com 2 parceiros nossos de Santos. Toda edição de vídeo foi feita pelo Gabriel Imakawa e a mixagem e masterização do áudio pelo Ivan Pellicciotti, que foi responsável pela maioria das nossas gravações. Ainda hoje esse é um dos nossos “cartões de visita”, pois é um registro muito verdadeiro do que somos como banda e do que é um show do Surra.

O “Tamo na merda” é o primeiro full álbum do Surra, até então vocês vinham lançando EPs, vai rolar mais um disco cheio num futuro próximo?

Guilherme: Com certeza, como falamos anteriormente nosso terreno de ideias está bem adubado de merda e estamos sempre compondo coisas novas nos intervalos das nossas agendas. Estamos em fase de planejamento desse segundo álbum full, pois é algo que demanda muito tempo, dinheiro e dedicação. Talvez antes disso ainda trabalhemos alguns EPs/Splits por serem formatos de lançamentos mais viáveis pra realidade da banda.

Está rolando aí a pleno vapor, a tour “South of Braza”, com várias datas no sul do país, como tem sido a tour até aqui e quais as expectativas para as próximas apresentações?

Guilherme: A tour tem superado todas as expectativas. A região Sul do país tinha sido a que menos tínhamos tocado desde o início da banda. Pra ser bem sincero achamos que a nossa pegada de som não era muito a cara da região e que a tendência era realmente não termos muitas oportunidades pelo Sul. Temos certeza que os próximos shows no Paraná e o fechamento em Porto Alegre serão ótimos shows! Toda essa energia da galera tem compensado as diversas horas com o cú sentado nos ônibus da vida.

Vimos que em outubro vocês partem para datas no nordeste, trocamos uma ideia com o Caio da Desalmado recentemente e parece que vai ser um giro em parceria das bandas?

Guilherme: Sim! Temos com o Desalmado hoje uma amizade muito foda e no início do ano fizemos uma reunião e falamos: “Temos que fazer alguma coisa juntos”. Disso surgiram diversas ideias que vão rolar esse ano e essa foi uma das principais. Tirando em Teresina o Surra nunca tocou no Nordeste e o Desalmado também não. Decidimos unir forças e fazer uma tour conjunta entre as 2 bandas. Outras paradas Surra e Desalmado vão rolar também ainda esse ano que vamos divulgar em breve.



A banda foi confirmada como umas das atrações do tradicional festival Roça N’ Roll, onde vão dividir o palco com várias bandas nacionais e internacionais de peso, como rolou o convite e o que vocês acharam do line up deste ano?

Guilherme: Tocar no Roça ‘n’ Roll é realmente uma realização pra gente. Eu (Guilherme) particularmente sempre acompanhei o festival (até porque sou fã do Tuatha de Dannann) e estar vigorando entre uma das atrações é uma das principais realizações da banda pra esse ano. Quem nos ajudou com a divulgação do nosso material para a organização foi o Rafael da Restless Booking, que auxiliou a preparar os releases e outras paradas que a organização do fest pede. Quanto ao line up estamos tão animados para ver os outros shows quanto pra tocar.



As letras do Surra são de cunho social e político, a banda tem um posicionamento claro, como vocês tem visto essa galera do underground que diz curtir apenas o som das bandas que tem esse tipo de ideologia pra dar aval pra suas posturas conservadoras e até fascistas em alguns casos?

Victor: Essa galera que tá no underground ‘só pelo som’ e ainda tem essa mentalidade, não deveria nem estar no underground. A própria lógica da cena de música independente é de que isso é mais do que música, ainda mais no hardcore, grind, metal, etc... Acho que essa galera tem que refletir bem o que quer da vida e pensar direito na cultura que ela consome. Algumas bandas por aí não se importam com mensagem nenhuma, só querem se aparecer ou falar de algo que não é sincero, ou falar sobre comportamentos e questões das quais não entende absolutamente nada... É complicado. Acho que falta mais honestidade e uma atenção maior com o que é falado.

Agora as perguntas de praxe, que bandas da cena atual vocês destacariam, que merecem ser ouvidas por quem tá afim de conhecer um som novo?

Victor: Das bandas que estão na correria também acho que vale apena ouvir Desalmado, Institution, Cursed Slaughter, Paura, Cemitério, Chuva Negra, Anti-Corpos, Depois da Tempestade... São todas bandas que sabemos da batalha e respeitamos, não só pela música como pelas pessoas envolvidas.

Quais discos você considera indispensáveis na sua coleção ou na de qualquer pessoa que curta um som?

Victor: Difícil falar, mas acho que esse é o meu top 5 discos essenciais:
Black Sabbath – Paranoid
The Smiths – The Queen is Dead
Nirvana – Nevermind
Wu-Tang Clan – Enter the Wu-Tang (36 Chambers)
Metallica – Master of Puppets


Pra finalizar, aproveitando que dia 30/04 vocês passarão aqui por Maringá-PR, reservo esse espaço pra que mande um salve pra galera que vai colar lá no Tribos Bar pra prestigiar a banda e pra suas considerações finais também, obrigado e nos vemos no rolê! Valeu!

Victor: Muito obrigado pelo espaço e pelo apoio! Obrigado a toda a galera que acredita nas nossas ideias e no nosso som. Dia 30/4 estaremos fazendo um barulho massa por aí!





Contato SURRA:

surrahardcore@gmail.com

Ouça o som dos caras em: