quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #2

CLAUSTROFOBIA - FULLMINANT (2005)



Falar do Claustrofobia é fácil, não precisamos pensar muito para destacar os caras como uma das maiores bandas de metal nacional dos últimos tempos, eles seguem a todo vapor divulgando seu mais recente lançamento “Download Hatred” (2016), mas o papo aqui é outro e voltaremos um pouco no passado, 2005 mais precisamente.

Depois de sua estreia com o disco homônimo em 2000 e do lançamento de seu segundo álbum “Thrasher” em 2002 a banda vinha numa crescente e com bagagem pra dar um passo além, e de fato ele veio em 2005, com uma produção toda analógica, gravado em fitas, Fullminant ia na contramão do que imperava nas produções da época, abrindo mão de aparatos tecnológicos em sua produção, trabalho como sempre foda do grande Ciero no Datribo, que trouxe o som na cara, sujo e cru na medida certa, tudo muito bem encaixado pra dar cara a um grande disco, que pode ser considerado um divisor de águas na discografia da banda, que sempre evolui a cada lançamento.

A sonoridade trazida em Fullminant tem a essência de tudo o que a banda já havia apresentado até então, mas as faixas se destacam pelo peso absurdo, pela pegada insana da banda ao executá-las, a energia é foda! Foi o primeiro disco da banda a ser vendido internacionalmente e conta com participações de peso, Alex Camargo do Krisiun em “Fact” e de Andreas Kisser em “Eu quero é que se foda”, que vale o destaque como uma das mais fodas da track list, rola também um cover pesado para “Necessary Evil” do Napalm Death, que se encaixa bem entre as faixas, mas sem dúvidas a produção autoral é que domina tudo nesse play!

Destaques são difíceis quando o disco é foda, mas sem dúvidas a abertura com “Disorder and Decay” e a faixa seguinte ‘’Reality Show’’ dão muito bem o cartão de visita do que é o disco, a já citada “Eu quero é que se foda” que é um hino, e vale ressaltar a brutal “Two Faced” em que a pancadaria rola de forma impiedosa, enfim, aqui está um dos melhores álbuns do Claustrofobia e sem dúvidas se encaixa muito bem como um clássico recente do underground nacional, ouça alto!


Formação do Claustrofobia no Fullminant: Marcos D´Angelo guitarra e vocal, Alexandre De Orio guitarra, Daniel Bonfogo baixo e Caio D'Angelo bateria.



P.S. O disco foi relançado esse ano e uma nova prensagem está disponível pra venda na Die Hard Records e nos shows da banda, então dada a recomendação, traga esse disco foda para sua coleção!!!


TRACKLIST DE FULLMIANT:

DISORDER AND DECAY
REALITY SHOW
CLAUSTRUTH
UNDERGROUND PARTY
IT'S NOT ENOUGH TO EXCEED...YOU MUST RUN OVER
TERRO AGAINST TERROR
PROTECTIVE HATE
WITNESS
ROOTS OF DISEASE
EU QUERO É QUE SE FODA
NECESSERARY EVIL (NAPALM DEATH COVER)
TWO FACED
FACT



OUÇA O DISCO EM:

https://claustrofobia.bandcamp.com/

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Clássicos recentes do underground nacional! #1


Violator – Violent Mosh (EP 2004)


Hoje vamos inaugurar uma sessão inédita aqui no Microfonia, a proposta desse trampo é falar sobre discos de 2000 pra cá, com menos de 20 anos de lançamento que consideramos já clássicos na cena underground, creio que pra começar temos uma escolha certeira, o Violator!

Em meio ao revival do thrash que rolou na década passada sempre achei que muitos vieram com mais do mesmo, mas certamente não é o caso que aqui tratamos, o EP Violent Mosh é uma credencial de respeito pra dar o pontapé numa discografia sólida, lembro de estar na casa do meu amigo Jdulley em Manaus-AM, estávamos fazendo uma troca de figurinha sobre novas bandas de metal e ele me mostrou esse EP, fiquei incrédulo ao saber que se tratava de uma banda estreante.






Naquele mesmo ano e na mesma cidade fui a um show dos caras, e o que no player já se mostrava agressivo, foi elevado ao extremo numa apresentação inesquecível pra mim, muitos hematomas no dia seguinte e a lembrança de um dos melhores shows que eu já tive a oportunidade de comparecer.

Mas vamos ao que interessa, o disco! A capa já entrega um pouco do conteúdo, uma arte até mesmo clichê do estilo, sabemos que o que vai rolar é thrash metal, e pra quem curte esse gênero do metal já é motivo suficiente pra escutar, mas a sonoridade é supreeendente, cru, rápido e agressivo, começando com Let the violation begin, despejando uma chuva de riffs e palhetadas, aquelas paradinhas mortais seguidas daquele berro e da pancadaria desenfreada, nada de novo e realmente essa descrição é bem genérica, poderia estar falando de qualquer banda de thrash, mas aqui de cara percebe-se que os caras sabem bem o que estão fazendo e o fazem com muita habilidade.

O lance é que aqui o melhor sempre está por vir, e a trinca que segue é destruidora, com o hino Thrash maniacs, a sensacional Artillery Attack e minha faixa preferida da banda até hoje, The plague never dies, simplesmente destruidora!



E daqui em diante os caras emendam dois torpedos de puro thrash metal, e que finalizam o EP em alta velocidade, The Shadow of death e Killer Instinct, esse último som tem um título que justifica bem a vocação da banda, que toca numa sede e vontade absurda!

Enfim, com o Violent Mosh o Violator não reinventou a roda, no entanto injetou uma nova dose de energia nesse estilo que tanto amamos e aqui me fez concordar que havia um revival do movimento naquele momento, portanto não deixe de adquirir este item obrigatório na coleção de qualquer banger!!!


Tracklist:

01. Let the violation begin

02. Thrash maniacs
03. Artillery attack
04. The plague never dies
05. The shadow of death (bonus track)
06. Killer instinct (bonus track)




OUÇA A DISCOGRAFIA DA BANDA:

http://violatorthrash.bandcamp.com/

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

ENTREVISTA HORACE GREEN

Já tem um tempo que acompanho os lançamentos da Horace Green, desde o "Sempre Melhor" em 2013 que os caras me chamaram atenção, ainda mais numa fase em que eu estava a procura de ouvir algo diferente, e o Horace difere um pouco do que costumo escutar, mas curti bastante o que encontrei ali e nos trampos seguintes, pois uma coincidência que há entre todos os entrevistados que passam por aqui é que de fato curto e acompanho os trabalhos dos mesmos e aqui não é uma exceção, conheçam essa grande banda e se liguem na ideia que trocamos a seguir.



Fala pessoal, obrigado por falar com a gente, pra começar, conte-nos um pouco de sua trajetória, como surgiu a Horace Green?
Opa o Horace começou sem grandes pretensões obviamente, a gente estava se encontrando direto em shows e conversávamos sobre uma banda assim até que alguém teve a brilhante de ideia de juntar essa galera e começar a tocar, do primeiro ensaio para a formação atual só ficamos eu e Chero, que no primeiro ensaio tocou guitarra e só depois foi pra batera.

Seu último disco, “Jazz depois da meia-noite” (2015), saiu a algum tempo, mas vamos falar sobre ele, como foi o processo de criação dessas 10 faixas presentes nesse disco?
A gente já tinha lançado o 7”, o EP e o split e estávamos com essa ideia fixa que era a hora de lançar um CD full, começamos a compor e mesmo sem as letras, fomos criando as musicas já na ordem que acreditávamos que deveria estar no disco...tipo após fechar uma musica nova a gente já posicionava ela “essa é bem faixa 3 né” e assim foi saindo.
Eu estava numa fase meio conturbada, me preparando para mudar de casa, a paternidade chegando e acabou que dividimos bem as composições, nesse disco tem 4 letras minha, 3 do Fox e 3 do Clayton, por mais que eu ame escrever, acho que foi essencial essa divisão.

Voltando um pouco mais atrás em sua discografia, além do full, vocês lançaram dois Eps, “Sempre Melhor” (2013) e “Madeira” (2014), lançados de forma sequencial entre 2013 e 2015, o material tem ligação entre si ou são lançamentos individuais?
A gente não é uma banda muito conceitual, os trampos não são continuação ou algo do tipo. Mas eu gosto muito de ouvir na sequencia e ver uma evolução natural das composições e das letras.

Além dos lançamentos já citados, em 2015 vocês participaram de um Split com Running Like Lions, Plastic Fire e Rallye, como foi participar desse trampo?
Fomos convidados para participar, já estavam as outras 3 bandas fechadas e resolveram que seria legal ter mais uma banda. Foi uma bela surpresa pra nós, tínhamos 2 musicas quase prontas e corremos um pouco para entrar no prazo do projeto mas gostamos do resultado. Gosto muito da ideia de ter 2 bandas cantando em português e 2 em inglês, e elas não se parecem em nada uma com as outras mas todos são amigos e tocam no mesmo meio. Fora que a parte gráfica desse Split é muito linda!

Tratando um pouco da parte lírica da banda, qual a mensagem que vocês buscam passar em suas letras, e como vocês compõe? Em conjunto? Separadamente? O som depois a letra ou vice versa?

Sempre os sons surgem primeiro e as letras depois, no Jazz a gente fez prés na casa do Fox de todas as musicas então acabou que todos participaram das composições... Sempre tinha um trecho que precisava alterar e alguém dava ideia final sabe. A gente funciona bem assim, um traz uma base de musica e ela vira algo no ensaio com todos participando, e as letras também funcionam assim. Tem um autor principal, mas todos dão pitaco para arrumar a melodia e até mesmo a ideia das mensagens.
Sobre as mensagens, nós acreditamos muito no poder de mudança que a musica tem, senão fossem as letras de bandas como Dead Fish, No Violence e Dominatrix, provavelmente nós não teríamos a postura politica que temos hoje em dia sabe? No começo até tínhamos uma preocupação em não falar sobre nada pessoal pois queríamos fazer uma banda melódica mas com uma postura punk, mas hoje conseguimos equilibrar bem isso, no jazz tem letra de amor, letra contra a postura das religiões contra os homossexuais, falamos sobre o machismo e até abuso sexual infantil.

A Horace Green tem um som bem versátil, dá pra sacar inúmeras facetas em suas músicas, que músicos ou bandas vocês consideram como influências importantes pra banda?
Cada um traz coisas muito diferentes pra banda, o Fox gosta muito de rock progressivo, Clayton de bandas instrumentais tipo Tortoise e eu sou fã de Legião Urbana! hahahahahaahah Mas nossa base como banda é o começo do emo e os anos 90, tem muita coisa foda ali...
Quais são os planos pra esse segundo semestre de 2017, vocês pretendem lançar algo esse ano? Possuem material inédito composto?
Esse ano temos feito tudo com calma, sem pressa. Mas tem coisa nova rolando nos ensaios, sem grandes expectativas do que fazer com elas, sem nenhum projeto por hora.

Por onde vocês tem tocado durante o ano e qual é a agenda da banda para os próximos dias pra quiser colar num show da Horace Green?

Esse ano com os papais recentes acabamos tirando o pé do acelerador e fizemos bem menos shows do que costumávamos fazer, mas felizmente só fizemos shows legais e shows com propósitos como arrecadação de alimentos, roupas ou ração. Agora em Junho tocaremos no lançamento do novo CD dos amigos do Dinamite Club na JAI, vai rolar show em Jundiaí (que não vamos pra lá tem uns dois anos) para ajudar uma criança e tocaremos no Black Embers Fest.

Nos rolês para as apresentações vocês devem dividir o palco com muitas bandas por aí, o que você destacaria na cena atualmente que merece ser ouvido com atenção?

Tem muita banda boa rolando por ae, muita mesmo. O Horace nunca se preocupou em se segmentar então tivemos o prazer de tocar com bandas de power violence até shoegaze. O que eu, Shamil, gostaria de destacar são O Inimigo de São Paulo, Nada em Vão de Brasilia, Better Leave town de Curitiba e o Desventura de Uberlândia. Grandes bandas!

Agora uma pergunta infame, mas uma curiosidade pertinente, gostaria que mandassem um Top 5 de discos essenciais e indispensáveis pra vocês.

Essa eu vou TENTAR responder como banda tá, mas acho que para o Horace Green ser o que é hoje em dia foi graça a todos terem ouvido muito:

- Hot Water Music – No Division
- Samiam – Astray
- Garage Fuzz – Turn the Page...
- Small Brown Bike – Dead Reckoning
- Noção de Nada – Sem gelo

Gostaria de agradecer pela atenção, e reservar este espaço pra que mande seu salve como quiser a todos que acompanham a banda e aos leitores do Microfonia. Valeu!
Pow a gente só tem a agradecer pelo espaço aberto pra banda, parabéns por manter um blog ativo! E fica aqui nosso #foratemer até mais!

https://www.facebook.com/horacegreen/
https://horacegreen.bandcamp.com/




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quinta-feira, 1 de junho de 2017

ENTREVISTA COM ICARO ALENCAR DE FREITAS DA SKULL FULL OF INK

Hoje o nosso entrevistado é um cara que teve grande parcela de participação na criação deste blog, uma vez que foi o responsável pela arte foda utilizada tanto no blog quanto em nossa página no facebook, mas o trabalho do cara vai muito além, com desenvolvimento de capas de discos e sites, e também como integrante de algumas bandas da cena curitibana, fora a bagagem que o cara trás de onde veio, Manaus-AM, onde tive o primeiro contato com o trampo dele como músico, na época baixista da banda Mortificy, mas tudo isso ele pode relatar melhor que eu, confiram a nossa conversa e conheçam o grande trampo do nosso amigo Icaro!








Fala Icaro, tudo bem? Obrigado por falar com a gente, antes de qualquer coisa, gostaria de saber um pouco da sua história, como e quando você começou a desenhar e o que te levou a explorar essas temáticas gore em suas artes?

Aê Evandro, valeu pelo convite em responder essa entrevista, começando a parada eu sou de Manaus, mas hoje moro em Curitiba com minha esposa e filho, vim pra cá em 2009 tentar a vida, não como artista pois minha formação é em design, profissão que escolhi pois trabalhei muito em agências de propaganda na minha cidade e dai fui no mais fácil de escolher, após isso comecei a fazer alguns trabalhos de manipulação de fotos para capas, dai vi que não era aquilo que gostava de fazer e dai voltei a apenas desenhar para tentar chegar no ponto que hoje parece estar mais próximo pra minha arte.
Cara pode parecer clichê, mas eu desenho desde criança, sempre quebrando o galho nos corres das minhas irmãs quando elas organizavam aniversários lá em Manaus, desenhava sempre nas cartolinas, aqueles esquemas da Disney ou personagens que bombavam na época, não existia digital e dai era no lápis e caneta pincel ou bic, quando a coisa apertava elas corriam pra pedir ajuda, dai fui crescendo e desenhando sempre que podia, umas horas eu parava por desmotivação e depois voltava, mas sempre
desenhei, no início era mais super-heróis da Marvel Comics, daí fui crescendo parando com desenhos copiados, comecei a estudar anatomia por conta (não sou um especialista, mas sei o que me parece certo ou errado e continuo estudando até hoje) e com o advento da internet fui entrando nos fóruns gringos de arte e fui vendo que poderia aprender mais e que era aquilo que eu queria dai não parei mais. Quanto a temática Gore eu comecei depois de velho assistindo a filmes, documentários sobre o assunto em VHS, tais como o Faces da Morte e aqueles filmes B de terror de baixo custo, e também quando me envolvi na cena metal em Manaus, mas tudo veio naturalmente, vi que eu tinha mais facilidades na época em desenhar pessoas mortas, decapitadas ou algum detalhe mais extremo, tanto que minha esposa pergunta se eu sei desenhar algo menos pesado (risos).




Quais as especialidades de seu estúdio o “Skull full of ink”, qual o nicho de mercado que você trabalha com seus desenhos?

Na Skull Full of Ink eu tento atender a todos os estilos extremos possíveis de música e antimusica (goregrind, grindcore, splatter, death metal, thrash metal e sua vertentes), não fico apenas no estilo que amo que é o grindcore, atendo a todos os pedidos da melhor forma possível que atinja a todas as expectativas.



Você já criou algumas capas de discos pra bandas, poderia citar quais bandas que você trabalhou até aqui?

Sim o foco da Skull Full of Ink é justamente a produção de ilustrações de capa e ilustrações internas para todo o material da banda, mas também realizamos a parte de design (diagramação do material para as gráficas) se a banda não tiver quem o faça e também criamos logotipos para bandas, entre clientes atendidos eu destaco os da Retaliate que toca um Thrash/Death Metal , com eles fiz a capa do debut CD chamado Stream of Excremet (esse trabalho ficou entre as 20 melhores do mês de Outubro de 2016 num site gringo), agora estou trabalhando na segunda capa da banda, fiz também uma capa para a banda Scorner do mano Mauricio Laube do CD Monolithyc Insanity e a da banda de deathgrind Highschool Massacre chamada Alienation, todas daqui da região Sul.

Alguns dos trabalhos realizados para bandas, mais a arte do cartaz do festival "More gore than before"


Que tipos de técnicas e materiais você costuma utilizar nas suas criações?

Eu costumo usar de tudo um pouco, uso nanquim, penas, pinceis, canetas técnicas, marcadores e quando posso utilizo um pouco de arte digital, só não uso mais pois tem bandas que não curtem e por isso não fecham o trabalho comigo por usar o PC pra fazer alguns detalhes no desenho para o layout final, na maioria das vezes quando preciso de um grande número de informações e detalhes eu desenho por partes, escaneio e monto no computador como foi o caso das artes que fiz pra Microfonia Underground.

Você além de desenhista é músico, quais atuais projetos musicais que você está envolvido e por quais bandas já passou? Tem trabalhos lançados com essas bandas?

Cara como disse anteriormente fui envolvido na cena metal em Manaus e hoje estou envolvido aqui também, em Manaus fiz parte da banda de Brutal Death Metal chamada Mortificy, lançamos uma demo chamada Brutal Instinct of Retaliation, um Split na Europa e outro aqui no Brasil com o Mesemon Ecrof , fiz parte do projeto Cizin, dai dei uma parada e só voltei a fazer algo em Curitiba depois de me mudar e ficar procurando banda pra tocar, dai rolou alguns ensaios com a The Negation, mas tive de parar pois foquei na minha pós, hoje eu estou na Highschool Massacre, que lançou algumas demos e o EP Alienation, como baixo e vocal e na Horrific Disturbance, que tem uma EP chamada From Birth to Annihilation, como vocal apenas. 

Capa do spit "Unholy Tryumph" do Mortificy ao lado do Mesemon Ecrof 

Horrific Disturbance




Voltando ao seu trabalho no estúdio, que artistas você considera como referência e influência pro estilo que você desenvolve?

Existem vários que me inspiram nessas pilhas erradas de desenhar, entre eles eu realmente curto o trampo do Hugo Silva, que trampa com nanquim e digital, o Rafael Tavares, que manja muito de pintura digital e tem um trabalho lindíssimo, do Alexandros Pyromallis, Derek Castro que trabalha lindamente com grafite, Vince Locke que sempre trabalha com o Cannibal Corpse e que conheci antes com as artes para o Selo Vertigo da DC Comics e alguns tatuadores que trabalham com o macabro nos seus trabalhos de black and gray .

Como já divulgamos, você foi o criador do conceito de arte do nosso blog, como foi pra você trabalhar no desenvolvimento dessa arte? Você também trabalha com desenvolvimento de sites?

Cara foi tranquilo, você também ajudou bastante, deu um rumo inicial e liberdade para trabalhar em cima da ideia que tinha dado, mas como você notou fomos modificando ela um pouco acrescentando um pouco mais de profundidade, no caso do topo da sua fã page, você só queria um zumbi com fone ouvindo um som, dai acrescentei o fundo e ambientei ele no seu habitat natural. Eu trabalho com sites também, desde o layout até o a montagem dele sempre que surge alguém interessado.

Arte desenvolvida para o Microfonia, nessa dia em estágio de finalização


Sempre achei que desenho e música tem tudo a ver, principalmente quando ligamos ao metal, grind, HC, etc. Você costuma ouvir um som enquanto cria suas artes? O que rola no seu player?

Cara tem de rolar sempre, na maioria das vezes quando estou trabalhando em uma arte eu escuto o som da banda que estou trabalhando, mas escuto de tudo um pouco, desde Mad Ball até Dimmu Borgir, depende do dia, tem dia que estou mais light e tem dia que estou mais pro crime na prancheta.

Mantendo um pouco nesse sentido, como é processo pra criação da capa de um disco? A banda te passa algum conceito, você ouve as músicas? Poderia detalhar pra nós?
Meu processo de trabalho em uma comission é conversar com o cara que vai ser a ponte com da banda comigo, pego as idéias daí vou montando a arte na minha cabeça e passando pro meu sketchbook durante o papo, se possível escuto dois sons da banda, um mais calmo e outro mais porrada, pra conhecer mais o trabalho da banda, depois disso faço 4 esboços pequenos de como penso a composição de como a capa poderá ficar, dando sugestões de enquadramento dos itens que irão compô-la, em seguida passo pra mesa de desenho e faço um rascunho melhorado do desenho para passar pra banda, sem tanto efeito pois isso eu deixo pro nanquim, em alguns casos já mando com boa parte da hachura aplicada, após aprovarem o lápis eu vou pra prancheta e daí vou finalizando misturando pincel, canetas técnicas e penas, depois de pronto eu escaneio e dou umas ajustadas no contraste e aplico o branco nos brilhos que forem precisos, mando pro cliente pro aprove final e dai gero o arquivo com resolução máxima para uso da banda.



Quem quiser contratar seus trabalhos pode entrar em contato por quais meios? E que áreas mais além das que já citamos você se envolve neste trabalho?

Cara para entrar em contato é só visitar o site da Skull Full of Ink (www.skullfullofink.com), lá tem um formulário de contato e nosso portfólio digital com as artes, ou acessar nossa fã page (https://www.facebook.com/skullfullofink/), e tem também nosso Instagram (https://www.instagram.com/skullfullofink/), onde estamos sempre que possível atualizando com rascunhos que em alguns casos estão disponíveis para venda.

Cara, gostaria de agradecer pelo tempo concedido pra conversar com a gente, pelo ótimo trabalho desenvolvido pra gente e reservar este espaço pra que você deixe seu salve como desejar! Valeu!

Mano, eu que agradeço Evandro essa força que você está nos dando com essa entrevista nos ajudando a espalhar a ideia pros amigos que curtem o Microfonia Undeground.

Obrigado mais uma vez!

Stay on the grindind!!!!


quinta-feira, 25 de maio de 2017

ENTREVISTA NADA EM VÃO

Posso dizer que me considero amigo dos caras do Nada em Vão, desde o ínicio da banda me vejo envolvido com os lançamentos da banda de alguma forma e até mesmo antes da formação da banda com a entrevista que realizei com a antiga banda do Pirata, o Mais Que Palavras, que me levou a descobrir o Nada em Vão e também entrevistá-los pro outro blog com o qual colaborava, surgido em 2015 e com dois Eps muito legais lançados, os caras desenvolvem um punk rock cheio de energia e melodia, e transmitem uma energia muito boa, além da mensagem carregada de positividade, particularmente sou fã desse trabalhos, ouço muito pois me coloca numa vibe muito boa e recomendo que vocês conheçam o som desses quatro rapazes de Brasilia, confiram a entrevista a seguir e saibam um pouco mais sobre eles!




Fala galera, obrigado por falar conosco, legal poder acompanhar essa continuidade do trabalho do Nada em vão, vamos começar fazendo um raio x de seu mais recente lançamento, o EP “Sempre em frente”, quais as impressões da banda sobre esse novo trabalho? O que vocês acham que mudou desde a estreia da banda até aqui em termos de sonoridade?

Nada Em Vão: Primeiramente, #FORATEMER. Para a gente, este segundo EP é mais coeso porque o Lucas (vocalista) tinha entrado na banda um pouco antes da gravação do primeiro EP ou seja, as músicas já estavam praticamente prontas. Claro que ele deu as contribuições, mas é diferente de participar desde o princípio, saca? No “Sempre Em Frente” todos participaram do processo de composição e isto fez a gente alcançar este resultado. E o que mudou um pouco foi a velocidade, hoje em dia tocamos bem mais rápido as músicas do EP homônimo.

Pra esse EP, vocês fizeram um clipe pra faixa “Perdidos e confusos”, como foi o processo de gravação desse clipe, quem foram os responsáveis pela produção do mesmo, e qual a razão dessa faixa ser a escolhida para o clipe?

Nada Em Vão: O clipe de “Perdidos e Confusos” foi produzido pelos nossos amigos da Produtora Candela. A gente já conhecia o Rafael Homero, da equipe da Candela, porque ele havia feito o clipe de nossos amigos do My Last Bike e o resultado nos agradou.

Escolhemos esta música principalmente por causa da mensagem forte que ela passa. Existe um discurso de ódio muito presente, tanto na internet quanto no dia a dia. Então quisemos mostrar que é possível pensar diferente, é possível agir diferente sendo mais humano e tendo mais empatia. E o pessoal da Candela conseguiu captar exatamente isto com o clipe, pois o roteiro foi todo deles.

Vocês vão dividir o palco com o Chuva Negra em alguns dias, no evento Atos de rebeldia 1, qual a proposta desse evento, e como se dá a organização dos eventos underground em Brasília?

Nada Em Vão: A gente organiza shows há muitos anos em Brasília. Já participamos de diversas produtoras e coletivos, e resolvemos neste ano dar início a este projeto após o fim das Matinês Hardcore. O pessoal que ajudava na matinê continua ao nosso lado, mas chegou o momento de mudar de nome, até porque a proposta é um pouco diferente. Infelizmente não conseguimos mais oferecer o jantar gratuito, mas agora teremos um debate em todos os eventos. Nesta edição, teremos um bate papo sobre racismo, pois precisamos repensar a presença negra no hardcore. Precisamos pensar por que existem poucas bandas com integrantes negros, precisamos pensar no porquê disto. Ah, a ideia do nome surgiu de uma música nossa, a Transformar, pois a liberdade hoje em dia é um ato de rebeldia.



Aproveitando o gancho, além do Brazlandia Underground, há outros coletivos atuantes no underground de sua região que você destacaria?
Nada Em Vão: Sempre escutamos por aí que a cena do DF está fraca, mas vejo vários shows acontecendo por aqui, não estamos parados. O pessoal do Brazlândia Underground é um bom exemplo, atualmente Brazlândia é o melhor lugar do DF para se tocar. Casa cheia, rango vegan e boa infraestrutura. Além deles, existem também várias pessoas bastante atuantes aqui no DF, temos o Fellipe CDC, do Terror Revolucionário, que organiza o HeadBangers Attack Festival há muitos anos. Tivemos esses dias o Bruxaria, que foi um evento produzido somente por mulheres e isto é muito importante porque estamos em 2017 e praticamente nada mudou, continuamos com os mesmos erros. Temos ainda o pessoal do Maltrapilhos, com a MTP Produções, que trouxeram recentemente o Flicts para o DF. Enfim, temos muita gente disposta a contribuir com a cena punk e hardcore do DF e nós estamos neste meio, ajudando sempre que for possível.

Uma marca registrada do Nada em vão que se percebe de cara é o som direto mas com bastante melodia e sempre mensagens legais abordadas nas letras, que bandas vocês consideram como referência pro som que vocês desenvolvem?
Nada Em Vão: Individualmente, várias bandas nos influenciam, mas para montar o Nada Em Vão, pensamos em bandas como Bouncing Souls, Social Distortion, Face to Face, Iron Chic, Red City Radio, Banner Pilot, RVIVR, Hot Water Music e Millencolin. 



Novamente vocês gravaram no 1234 Recording Studio, e dá pra sacar tudo na medida na parte de produção do EP, pelo visto vocês se sentem em casa lá, além da banda certamente estar mais entrosada, foi mais fácil o processo nessa segunda empreitada? Algo mudou no processo de composição para o “Sempre em frente”?
Nada Em Vão: O 1234 Recording Studio é a segunda casa de todos nós. O estúdio é do Pedroca, lá ficamos à vontade para produzir e gravar. Tanto que já fizemos duas sessões ao vivo lá, a primeira da música Equivocado há uns anos e outra este ano, com “O Tempo”, que já foi publicada, e “Respostas”, que será divulgada em breve.

A principal diferença entre os dois EPs foi a produção do Álvaro Dutra no Sempre Em Frente. O Álvaro é nosso amigo há anos, já tocamos e produzimos shows juntos. Não poderíamos ter feito uma escolha melhor. O Álvaro se transformou em integrante por uns meses, viveu toda nossa rotina como banda e trabalhou como nunca para alcançarmos o resultado. Foi a gravação que nos deixou mais feliz.

Vivemos uns tempos um tanto difíceis no país, onde a argumentação foi deixada de lado e vemos uma onda de ódio sendo destilada, apesar dos pesares as temáticas das letras no EP se mantém otimistas e positivas, como vocês se sentem vivendo aí no olho do furacão de toda ebulição política que vivemos?

Nada Em Vão: É importante deixar claro que somos totalmente contra este governo golpista que está atualmente no poder. Brasília é uma cidade maravilhosa para viver, mas ao mesmo tempo é triste estar perto de toda esta sujeira que acontece nos Três Poderes da República e também no governo local. Não dá para ser apolítico com toda esta situação e todas estas reformas sendo realizadas sem o menor debate com a população. Se elas passarem, somente os mais pobres serão prejudicados e isto não podemos aceitar. Portanto, as mensagens positivas não querem dizer que somos cegos em relação a tudo que está acontecendo ao nosso redor. É apenas uma forma que encontramos de mostrar que podemos ser melhores pessoas. É a forma que encontramos para tentar mudar o mundo.



O Nada em vão já dividiu o palco com muitas bandas legais desde o início de sua trajetória, e a cena do centro-oeste é bem ativa e produtiva, que bandas desse cenário vocês destacariam no momento?

Nada Em Vão: Ah, temos diversas bandas fodassas aqui no DF. Passamos por uma fase boa, com o What I Want, Deceivers, Toro, Doze Volts, Maltrapilhos, Agressivo Pau Pôdi, Terror Revolucionário, Violator, My Last Bike, Ingrena, Gran Turismo, Paradisi, Crushed Bones Estamira e em breve teremos o lançamento do Braz Attack. Isso sem falar no clássico DFC, lógico.

A arte de “Sempre em Frente” foi desenvolvida pelo Shamil Carlos do Horace Green, como surgiu o nome dele pra fazer o trampo?

Nada Em Vão: O Shamil é nosso amigo há anos, desde uma minitour que ele fez por aqui com o Don Vito e Seus Foguetes. Com o Horace Green, ele já veio três vezes e já levou também o Mais Que Palavras, antiga banda do Pirata, para São Paulo. Sempre tivemos está forte ligação, pois ele canta em “Ainda é possível”, do primeiro EP. E estávamos conversando com ele durante o processo de produção do Sempre em Frente e ele se ofereceu para fazer. A gente ficou super feliz e topou na hora. Nada melhor que contar com as amigas e amigos ajudando, né? Nada mais hardcore.

Vocês pretendem manter seus lançamentos no formato de Eps? Ou pode pintar um full por aí?

Nada Em Vão: Ouvir dizer que ano que vem tem um full, hein? Após dois EPs, acho que este é o caminho. Aguardem, vamos trabalhar muito para realizar este sonho em 2018.

Falando nisso, quais são os planos para o segundo semestre? Vocês já possuem novos sons compostos?

Nada Em Vão: Estamos com uma música nova e algumas ideias. Vamos trabalhar com mais calma, nosso plano é gravar somente no próximo ano, então temos tempo para nos dedicar a vídeos ao vivo e clipes que pretendemos lançar ainda este ano.

Se tudo sair como o planejado, até o fim do ano soltamos um single, mas você sabe como funciona o mundo independente, né? É devagar, mas pode ter certeza que vamos fazer.

Vamos mandar aquele Top 5 agora, conseguiriam listar cinco discos essenciais e obrigatórios pra vocês?

Pirata: Só cinco? Se fossem dez já seria difícil. Acho que cada um vai citar o seu... Eu fico com “NOFX – so long and thanks for all the shoes”; “Bad Religion – Suffer”; “Bad Brains – Brains”; “Ramones – Ramones” e “Descendents – Everything Sucks”. Faltou um Hot Water, mas o Pedroca vai citar, então tá bom... eheheheh E faltaram também várias bandas nacionais como Dead Fish, Ratos de Porão, Blind Pigs, Garage Fuzz, mas eram somente cinco discos, né? hehehehhehe

Delton: “Green Day – Dookie”; “Ramones – Rocket to Russia”; “Rancid – ...And Out Come The Wolves”; “Teenage Bottlerocket – They Came From The Shadows” e “Against Me! - Transgender Dysphoria Blues”, além de uma menção honrosa a todos os discos e ep´s do Pinhead Gunpowder hehehe

Lucas Cardoso: "Dead Fish - Zero e Um"; "Descendents - Cool to be you"; "The Flatliners - Dead Language"; "Sport - Colors"; "Red City Radio - Titles".

Pedro:"NOFX - So long and thanks for all the shoes e Punk In Drublic"; "Pennywise - Straigh Ahead"; "Misfits - K7 que meu amigo gravou..." heheheh; "Further Seems Forever - How to start a fire"; e "Hot Water Music - Caution"

Pra finalizar, gostaria de agradecer pela atenção e reservar o espaço pra que mande sua mensagem a todos que acompanham o Nada em vão e aos leitores do Microfonia! Valeu!
Nada Em Vão: Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao apoio do Microfonia. A gente sabe o quanto é difícil manter um veículo de comunicação alternativa no Brasil e sabemos que vocês só fazem isto porque gostam, porque amam o underground. A contribuição de vocês é imensa para manter a cena viva.

Em segundo lugar, gostaríamos de deixar aqui os nossos contatos e redes sociais. Se alguém se interessar pela gente, entre em contato. Tudo que nós fazemos é por amor ao hardcore/punk então nada melhor que fazer mais amigas e amigos nesta jornada.

Escute: www.nadaemvao.bandcamp.com

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Muito obrigado!!!










quarta-feira, 24 de maio de 2017

REVIEW DE DEVASTATION'S SONGS - KADABRA (2017)

Parei pra ouvir este disco por recomendação do Vitor Carnelossi do blog Colorado Heavy Metal, e devo agradecer pela grata surpresa que tive, o Kadabra com seu “Devastation’s songs” faz valer o título que batiza o álbum!




Depois de uma intro bem thrasher que indica um caminho diferente do que vamos encontrar adiante os caras soltam na sequência de faixas um heavy/thrash de responsa, executado com autoridade de quem sabe o que faz, uma estreia de respeito, dado o conhecimento de causa com que é executado o som deste power trio de Vinhedo-SP.
Se fosse citar uma referência para o som diria que é algo como Anthrax e Death Angel em seus primeiros discos, porém com o som bem mais inclinado ao heavy metal tradicional, devido ao som mais cadenciado e os solos e vocais melódicos, mas essa é só uma forma de dar um norte ao leitor, ouvindo o disco vocês poderão descobrir do que falo, a alternância entre os vocais melódicos e agressivos dão um tempero legal nas faixas e a cozinha coesa e na cara durante os solos segura muito bem a bronca preenchendo os espaços na falta de uma segunda guitarra que nem faz falta pra falar a verdade, pois a produção deixou tudo muito bem encorpado e no lugar!
Pra finalizar, um comentário sobre a capa que por alguma razão me lembrou o Keepers do Helloween, uma arte sugestiva, que não entrega o conteúdo do que vamos conferir ao ouvir o disco, vida longa ao Kadabra e que vocês lancem mais discos assim, para o deleite de quem curte essa pegada old school!




ENTREVISTA DISTRAUGHT

O Distraught é uma banda com um longa história no underground nacional, mais de 25 anos de carreira dedicados com maestria a desenvolver seu thrash metal certeiro, com uma discografia de respeito e divulgando seu mais recente lançamento "Locked Forever" (2015), falamos com o André Meyer e o Ricardo Silveira, vocalista e guitarrista respectivamente da banda, sobre a história e projetos envolvendo o Distraught e o resultado você confere a seguir!




Primeiramente vamos fazer as devidas apresentações, com quem conta a atual formação da banda e pra familiarizar aqueles que talvez não os conheçam, poderia nos dar um resumo da história da Distraught que remete ao início da década de 1990?

André: O Distraught é composto por André Meyer (vocal), Ricardo Silveira (guitarra), Everton Acosta (guitarra), Alan Holz (baixo) e Marcelo Azevedo (bateria). A banda foi fundada em fevereiro de 1990, na época nosso som era mais crossover, gravamos uma demo “To live Better”, muitas mudanças de formação nesses anos todos, o que de certa forma foi amadurecendo o grupo por inteiro, gravamos um Split cd lançado em 1994 com mais duas bandas paulistas e estamos no nosso sexto álbum em nossa carreira. Nestes anos tocamos em grande parte do Brasil, Uruguai e quatro Tours pela Argentina. No momento promovendo ainda o nosso mais recente álbum “Locked Forever”.



O Distraught possui mais de 25 anos de carreira, uma discografia de respeito, e já dividiu o palco com grandes nomes do metal nacional e mundial, uma grande trajetória no underground, que momentos vocês destacariam nessa longa história e o que vocês ainda acham que falta realizar em sua carreira?

André: Sim, tivemos momentos de glória junto com bandas que respeitamos muito. O Show com o Destruction foi uma delas, é uma banda que me influenciou muito, Megadeth também foi marcante, os shows que fizemos com nossos irmãos do Krisiun sempre uma grande festa gaúcha, show em Mar del Plata e Córdoba na Argentina, nossa tour de um mês pelo norte e nordeste brasileiro em 2005 foi emocionante também. Seria ótimo tocar em lugares e países onde nunca fomos para mostrar nossa música, mas com uma boa estrutura.

“Locked Forever” (2015), é um ótimo disco, curti bastante a sonoridade, me pareceu uma evolução natural do “The human negligence is repugnant” (2012), como foi o trabalho de produção desse disco, poderia nos dar detalhes, sobre quem produziu, o estúdio?

Ricardo: Diferente dos álbuns anteriores, neste último resolvemos trabalhar com um produtor externo, até então víamos nos auto produzindo. Eu vinha conversando com o Renato Osorio desde o processo de pré-produção (criação/composição/arranjos) do “Locked Forever” e sentimos que era o momento de ter uma pessoa de fora da banda que apontasse onde poderia melhorar etc. e foi onde escolhemos o Renato Osorio para produzir e gravar, que além de ser um grande musico é um grande amigo nosso também. As Guitarras, Baixo e Voz foram gravadas no estúdio dele e a Bateria no estúdio Monostereo aqui em Porto Alegre. A mixagem ficou com nosso amigão Benhur Lima e a Masterização com o Adair Daufembach.



Como tem sido a recepção e as críticas ao “Locked Forever” até aqui, vocês estão satisfeitos com os resultados do disco?

Ricardo: Excelentes, além das expectativas! Somos muito gratos pela aceitação do público e da mídia especializada. Única parte que poderia ser melhor é em relação a tour de divulgação “Locked Forever” pelo motivo do País estar afundando nessa crise, poucos Produtores estão arriscando produzir shows pelo País. Mas temos esperança que esse quadro melhore um dia.

Onde e em que formatos está disponível o disco? E quem está distribuindo o material físico pra vocês, pra quem quiser adquirir saber onde encontrar?

Ricardo: Está disponível no físico e digital.  Digital pelas plataformas itunes, amazon etc e via Streaming; (Spotify, Deezer, itunes e outros). A Distribuição física está sendo feita pela Voice (lojas especializadas em todo Brasil e também Cultura, Saraiva, Fnac) ou pode ser diretamente adquirido pela página da banda no Facebook (Álbuns e Camisetas Disponíveis).

Vocês possuem uma parceria antiga com o Marcelo Vasco (criador da capa do “Repentless” do Slayer), ele já fez vários trabalhos para a banda, como funciona o conceito de criação das artes junto ao Marcelo e o que vocês acharam do trabalho realizado por ele na capa do disco do Slayer?

Ricardo: Essa parceria com o Marcelo já vem desde 2008, época do Álbum UNNATURAL DISPLAY OF ART, que foi o primeiro que ele criou para nós. O conceito dos trabalhos nas capas sempre partiu logo que temos a ideia do que vai ser o tema das letras. Geralmente com três a quatro sons prontos já sabemos a direção que vai ter, com isso já passamos para o Marcelo a ideia para ele se divertir hehehe e depois vamos lapidando conforme vão surgindo as primeiras ideias dele na prática. Sobre o Slayer achamos sensacional o trabalho que ele fez e ficamos muito contentes com essa realização dele, sabemos o quanto ele ralou para isso. Na época que ele estava trabalhando na capa do Slayer também estava trabalhando na nossa. Lembro que liguei para o Marcelo em um momento de ajuste da nossa capa e ele disse: “cara vou precisar dar uma pausa no trampo de vocês porque estou com um trabalho mega gigante”. Depois de uns dias ele me disse qual era hahahaha.



Por quais cidades vocês já tocaram divulgando o disco, e quais são os próximos compromissos da agenda da banda?

André: Começamos fazendo uma mini tour em cidades aqui do RS e SC, recentemente fizemos três shows no interior de SP (Jandira, São José dos Campos e Mauá) e foi ótimo pra promover nosso álbum. Participamos do tributo do Motorhead com o som “ Living in the Past” pretendemos fazer um vídeo também com essa música e mais uma versão de uma outra banda que gravamos que ainda é surpresa e vai surpreender pela escolha da música.

Pude presenciar uma apresentação ao vivo da Distraught durante a tour de divulgação do “The human negligence is repugnant”, aqui em Maringá-PR, se lembram desta apresentação? Pretender passar pelo norte do Paraná novamente pra essa tour? Existe essa possibilidade?

André:  Tocamos muitas vezes aí em Maringá e Londrina, gostamos demais quando vamos pra esses lados, temos fãs e grandes amigos nessa região, lembro de todos sim. Possibilidades sempre existem, tudo depende de produtores e que o trajeto seja favorável pra que possamos fazer uma sequência de shows pela região.



Atualmente que bandas tem chamado a atenção de vocês no cenário nacional?

Ricardo: Temos muitas bandas de qualidade nas diversas vertentes da cena ‘Metal do Brasil’ desde as veteranas até as mais novas. Recentemente estávamos gravando a música tributo para o Motorhead com o Renato Osorio e ele mostrou algumas das bandas que ele gravou e produziu recentemente, gostei bastante. Além da Weakless Machine que já conhecia escutei também a Absens, Seven Days War & Rising State

Já que estamos falando sobre bandas que chamam a atenção, quais bandas vocês apontariam como aquelas responsáveis por fazê-los entrar no mundo da música, tipo, aquele som que você ouviu e disse, é isso aí que eu quero fazer?

André: Bom, vou falar por mim agora. Quando eu tinha 13 anos de idade comecei a escutar bandas como AC/DC, Kiss, Black Sabbath, Def Leppard, Iron Maiden etc e essa foi minha primeira escola como um admirador do gênero, já nessa época queria ser igual a esses caras, mas o que me chamou atenção para realmente criar uma banda e encarar o posto de vocalista foi quando escutei Kreator ¨Pleasure to Kill”, esse álbum mudou minha vida.

Ricardo: Que eu lembre, acho que lá pelos 8 anos influenciado pelos discos (vinil) que tocavam lá em casa (The Beatles, Creedence, Queen e outros) comecei o “Air Guitar”. Depois, com uns 13/14 a coisa começou a ‘pesar’ além das que o André mencionou lembro que o “Ride The Lightning/METALLICA” e The Number of de Beast/IRON MAIDEN  foram os que me fizeram montar a AIR BAND. Juntava uns amigos de escola e todos com seus instrumentos imaginários começávamos a tocar hahaha. Depois, com uns 17, comecei as aulas de violão e guitarra.

Pra finalizar, gostaria de deixar meu muito obrigado por nos atender e deixar o espaço em aberto pra que mandem seu recado aos leitores do Microfonia e fãs da banda! Valeu!

André: Queria agradecer o espaço que nos foi dado para contar um pouco de nossa história e também dizer aos ouvintes metálicos do universo para nunca desistir de sonhar. Esperamos todos em algum show do Distraught por aí. Hellyeah!!!


 CONTATO DISTRAUGHT:https://www.facebook.com/distraughtband

DISTRAUGHT ON SPOTIFY:https://open.spotify.com/artist/4whVE4ydoMDDRvoxkmzpw6