sábado, 19 de agosto de 2017

ENTREVISTA COM JULIANA MAROTTA DO PROGRAMA ÓDIO MORTAL

Hoje nosso papo é com a apresentadora do programa de rádio Ódio Mortal, DJ e integrante do Coletivo Refuse Resist, Juliana Marotta, falamos a respeito dos trampos desenrolados por ela e sobre a participação feminina na cena underground e as barreiras existentes nesse sentido, no mais confiram a entrevista que ficou daora e conheçam mais  sobre a Bajul!!!



Fala Juliana, obrigado por ceder um tempo para trocar uma ideia com a gente, primeiramente gostaria de falar sobre o programa em que você é locutora, o Ódio Mortal, como surgiu o mesmo e de que forma você se envolveu nesse trampo?

Eaeeee! Valeu vocês do Microfonia! O Programa na verdade já tem uns boooons anos. O Chiclé (Flavio Fernandes), que apresenta o programa junto comigo, tinha uma gravadora nos anos 80, fez uma coletânea punk chamada Ódio Mortal e nesta época chamaram ele pra fazer um programa em uma rádio FM e ficou com o mesmo nome. Anos depois ele criou a Antena Zero com a Tati (Tatiana Meyer, sua esposa) em 2013 e “reviveu” o programa.
 Eu entrei em 2014, conhecia o pessoal da loja The Records (Loja de discos do centro de SP),  tinham o programa “The Records Noise Show” que também rolava as quintas-feiras, a rádio tem um grupo no facebook, então a galera costumava ouvir os programas e faziam tipo de um Chat. Neste período, o programa era apresentado pelo Chiclé e o Ricardinho (Ricardo Perez), um dia em um dos posts, o Ricardinho me chamou pra participar do programa e no mesmo dia da gravação, o Chiclé já “me intimou” pra ficar haha

Para quem desconhece o que rola no Ódio Mortal, como você descreveria o conteúdo que vai ao ar?

Resumindo: punk/hardcore com piadas sem graça hahaha. A gente brinca que é o programa mais esculhambado da Antena Zero, mas levamos a sério sim! haha O Ódio Mortal é um programa semanal, rola toda quinta-feira as 21h. Os setlists hoje em dia é bem variado!  Rola sons desde Powerviolence ao punk “mais calmo”. Tento sempre colocar bandas diferentes pra galera conhecer.

Hoje existe uma nova relação das pessoas com a música, as formas de ouvir e interagir se modificaram, com o streaming e as rádios on line, por exemplo, todos podem produzir e consumir conteúdo, você acha que isso auxilia ou atrapalha no underground, uma vez que existem centenas de pessoas jogando material na rede o tempo todo?

Hoje em dia ajuda bastante em divulgação e tal... Conhecer bandas, eventos e pessoas, coisas novas em geral... E ao mesmo tempo atrapalha se não tiver uma certa “conscientização” de apoio, por exemplo com bandas, lançam as paradas, mas a galera não compra um material físico, por ter na internet sem custo... A banda tem que pagar ensaio, pagar gravação, pagar os corres de arte pra aquilo tá no ar, acho superválido ter o material físico!

Como funciona o trampo de produção da programação do Ódio Mortal, quem mais trabalha com você nessa empreitada?

Sempre conversamos para decidir o Setlist, temos algumas vinhetas de temas que sempre tocávamos como Skate Punk, UK82, Straight Edge, Bagaceira (Powerviolence, fastcore e afins), Clássicos do Punk Rock (Punk Gringo) e Crássicos do Punk Rock (Punk Nacional). Ultimamente eu que tenho feito os sets e não tem algo em especifico. As vezes uso uma palavra chave pra fazer os blocos de músicas, procuro bandas diferentes para galera conhecer (e até eu acabo conhecendo mais nesta procura haha)
De início, o Chiclé apresentava sozinho, entrou o Ricardinho para ajuda-lo e eu logo uns meses depois. Após 1 ano mais ou menos que comecei o Ricardinho saiu e atualmente sou eu e o Chiclé que apresentamos e de vez em quando alguns amigos gravam com a gente também



Além do site, tem outros canais onde rola de conferir os programas inéditos e os anteriores?

Para escutar o programa, em tempo real é pelo site da rádio www.antenazero.com ou pode baixar o aplicativo TUNEIN e procurar pela rádio Antena Zero.
Os programas mais antigos (2016 para trás) estão pendentes para upload no nosso canal.  Este ano estamos atualizando Mixclound,  podem conferir aqui: https://www.mixcloud.com/programaodiomortal/
Na nossa página do facebook ( Programa Ódio Mortal ), tem um álbum de fotos com cada flyer e na legenda o link referente ao programa da foto. OS Setlists vocês podem conferir tanto no mixclound ou na nossa página. Usamos também um perfil no Instagram ( @programaodiomortal ) Onde colocamos os flyers da semana e algumas fotos ou “stories” da gravação do programa e divulgação de eventos envolvidos.

Como locutora de um programa de rádio, você deve ter contato com bastante material legal, que bandas que você conheceu nos últimos tempos que você diria que merecem ser ouvidas com mais atenção?

Aí você me complica! Hahaha É difícil mencionar algumas, porque sinceramente mesmo, quase todas bandas que recebemos no programa, que mandaram som para nós tocarmos, foram boas! E tem também o gosto musical pessoal, gosto das hardcore tipo oldschool, posso citar o Vingança 83, acho uma ótima banda com conteúdo político e sonoro! 1984 me agradou bastante também. Com um punk mais “pogante” (77) o Constraste, punk mais rápido o Bandido da Luz Vermelha. Manger Cadavre?  e Nuclëar Fröst além do som, as minas tem presença de palco no vocal bem legais! Static Control (Nardcore) que tem integrantes que já tiveram várias bandas legais... Mais pro metal o Cranial Crusher e Imminent Attack... Por fim, pra não estender mais haha sem puxa-saquismo nenhum, curti conhecer o Alto Nível de Insanidade, AxCxBx e o Mollotov Attack são as bandas do coletivos, porém eu conheci a pouco tempo também!

Você já integrou ou integra alguma banda atualmente?

Em 2008 eu participei do “No Estoy Convencido!” haha durou uns 4 meses e 1 show no Espaço Impróprio (RIP), aniversário de um amigo nosso o PUCCI FEST haha (mas gente é PUCCI mesmo, pq era o sobrenome dele, Renato Pucci! Haha) banda de hardcore com músicas próprias e tocávamos (tentávamos né!?) cover de Limp Wrist (Fake Fags) e Los Crudos (Las Madres), aliás, o nome da banda é referente a uma música do Los Crudos. Acabou por alguns dos integrantes se afastar dos roles de show e tal. Tem alguns vídeos no youtube, foram os únicos registros (Valeu Mauá Bucvideos!), tenho vergonha desses vídeos, pq tava morrendo de vergonha no dia.  Era/Sou muito tímida, não sei como encararia hoje. Além desse projeto, só estraguei música/show dos amigos hahaha

Como mulher, como você enxerga a participação feminina no underground atualmente? E o que você diria para incentivar outras minas a meter a cara seja tocando, produzindo, ou organizando eventos?

Cada dia tenho visto melhorar essas paradas, muito mais as minas na frente! Posso citar aqui alguns eventos  como o Maria Bonita Fest que já está na sua 5ª Edição, o HI HAT Girls Magazine que dão oficina de bateria em SP/RJ até para crianças e tudo voltado a mulheres, as minas do RAP , pelo mínimo que conheço tem feito as próprias batalhas... Entre outros fests produzindo por ELAS, não digo só mulheres cis, está surgindo aí mais fests com a visibilidade lésbica e trans! Apesar de todo role, todo lugar ter alguma pilantragem, as minas que querem realmente produzir, não deixem de correr atrás, procurar alguma oficina gratuita (pq grana eu sei que é bem difícil ter de boas haha), que não se desmotivem por críticas! Sempre terá!  Procura de repente as minas que já manjam dos eventos, a maioria sempre tá disposta a uma boa conversa e somar, não esperem tudo na mão, façam o corre de tudo que quiserem produzir por mais “difícil” (grana, tempo, conhecimento...) que seja.
Éééé... as minas tão se organizando cada vez mais, tomando espaços e cargos, bem legal de se ver!

Obviamente temos muito o que evoluir no que diz respeito a machismo e todo tipo de preconceito dentro da cena, isso existe e não há como negar, você já passou por alguma situação dessa natureza, no trabalho ou no rolê?

Quem nunca? Essa pergunta seria mais difícil você achar alguém que NUNCA tenha passado algo. Homens nunca entenderão, por mais que digam “ nossa que chato acontecer isso... nossa deve ser ruim a situação né, IMAGINO...”. Mas nunca vão entender e realmente imaginar, o que é atravessar a rua pra não passar na frente de um local cheio de homens, de poder estar até de tênis velho, moletom largo e calça larga, passar por um homem alheio e ouvir grosserias, desrespeito com você que só ta caminhando e sentir aquele medo e a raiva de querer revidar .... Querer ver satanás, mil demônios e a mina do exorcista na sua frente, mas não querer ver algum único homem de noite em rua pouco movimentada e/ou escura.  No meu trabalho aconteceram situações sim, mas não comigo. A última delas foi fora, um grupo de 5 meninas foram ao restaurante onde sempre almoçam após o horário e caras da mesa ao lado, ficaram fazendo gestos obscenos. Fora o que já ouvi falar de algumas colegas sobre outros empregos.... No underground passei sim, até hoje as vezes acontece, não é um lugar seguro como a gente sonha com os discursos libertários rs. Tem shows que você tá ali, parada, nem próximo a roda e nem nada, só de boas e aparece uns desgraçados apertando a cintura e tal. Ambiente escuro, muvuca, como saber quem foi? Vejo as minas que tocam, sempre falaram que são questionadas quanto ao que tocam e quanto aos aparelhos que usam, se sabem usar né.... Toda mina tem uma história pra contar, infelizmente. Além de situações únicas com você, tem aquela velha história que até hoje se repete. Se você namora alguém do role, você é simplesmente a NAMORADA DO FULANO, não você. Se querem te chamar pra algo, falam com ELE e não você.... Devem desculpas pra você? Falam pra ELE e não pra você. Se você apoia seu companheiro de alguma forma no que ele faz, o agradecimento vai pra ELE e você fica de bônus. Evento? Ah se seu companheiro não pode ir por algum motivo X, nem te chamam e etc... 

Que iniciativas no sentido de valorizar a participação das minas no underground, você destacaria hoje?

Com a resposta da pergunta acima, comecem não fazendo isso por favor haha Colem nos shows, vejam o material, não só de bandas, mas das minas que produzem algo. Ta fazendo um evento? (É uma merda porque soa como “cota de mina”) Mas chama elas também, faz um evento equilibrado...Não corta as falas delas rs E quanto as minas que já se organizam, que produzem... Lembre-se das minas MÃES por exemplo, que não podem colar por conta de filhos pequeno e etc. Eu não sou mãe e não tenho propriedade de falar disso, mas é algo a acrescentar sempre nos roles.

Você faz parte do coletivo Refuse/Resist, poderia nos falar um pouco a respeito do coletivo, que tipo de trampo realizam e quais os objetivos do mesmo?

O Coletivo Refuse/Resist surgiu em 2015, foi formada por 3 bandas do ABC Paulista, o Mollotov Attack, AxCxBx e o Alto Nível de Insanidade. Surgiu a ideia de fazer um fest para tocarem (onde surgiu o local que fizemos quase todos os shows também, Bar do Pixoca), o evento foi bom, o local foi bom e assim continuaram com os eventos. Eu participo há um ano mais ou menos, conheci o Marco Del Giorno (Baterista do AxCxBx e Alto Nível) meu companheiro, e o primeiro fest que vi foi em Abril/16, desde então sempre ajudava no que precisasse nos eventos e foi evoluindo. Não sei qual show exatamente eu comecei a fazer parte (oficialmente), mas quase sempre estive presente, principalmente do final do ano passado pra cá.  Eventos são abertos e é feito o “chapéu”. Passamos um chapéu e a galera contribui com o que tiver vontade. . A intenção é fazer virar os shows undergrounds mesmo, não tiramos nenhum dinheiro com isso e se tiver é totalmente revertido a melhoria dos equipamentos e a próximos fests (pois as vezes, acabamos tirando do nosso bolso pra fazer, fora nosso equipamento, as vezes de trampo que é utilizado e tal). Este semestre estamos um pouco parados, terá um evento grande em outro local, o Festival da Rua pra Rua onde nosso coletivo ajudará em uma das tendas do evento.
Deixo aqui um mini-doc que produzimos, o Tinguá Thrash em Set/16, de um dos fests.
E o canal do Youtube ( Coletivo Refuse/Resist ), onde podem conferir algumas das bandas que rolaram.



Para não perdermos nosso velho costume de plagiar a Roadie Crew, você poderia eleger os cinco melhores discos já lançados na sua opinião?

Essa pergunta é muito difícil hahahaha Sempre temos aquele 5+ a cada tempo... Tô pensando aqui... A gente sempre acaba esquecendo de algo né?! Mesmo não sendo “menos importante”.
Logo de cara já posso citar a Coletânea Welcome To Venice sem pensar! Tem 4 bandas maravilhosas do Crossover + o Los Cycos que foi um projeto pra esse disco. Inclusive, é o disco que mais amo da minha coleção hahaha
Vou citar também a demo do Shit With Corn Flakes, banda que fez minha adolescência (e posição política também) junto com Nerds Attack!, Nossa Vingança, Isabella Superstar entre outras da época, dos roles de amigos...
Uma outra demo/banda que me influenciou muito, ao curtir o Thrash/Crossover foi o Semen Churches do Possuído pelo Cão! Uma das bandas que não paro de escutar, tive oportunidade de conhece-los, fazer um show deles no Cidadão do Mundo em 2012 junto com uma galera e tal...
Gosto muito do som crossover, não sei qual seria realmente minha banda preferida, como já praticamente citei o Excel na coletânea, vou de Experiment In Fear do Evol!
O som Skate também, gosto demais! Pra fechar vou com o The Faction, banda que gosto muito! O Album No Hidden Messages!
Poxa, teria que ser tipo um +100 agora hahaha veio tantos em mente! Bandanos, Pennywise, Social Distortion, Chuck Norris (Brasil), Violator...

Finalizando, agradecemos novamente pela atenção e reservamos este espaço para que mande seu salve como desejar.

Agradeço novamente o convite para esta entrevista, primeira vez que escrevo para um blog também hahaha...Gostei bastante de ter feito, dos assuntos abordados, foi bem importante dizer. Valew todo mundo que chegou até aqui o final, baita textão nas respostas! Esperam que tirem proveito das ideias, repensem em alguns atos com as minas, conheçam bandas novas, etc...
Colem nos roles do Refuse/Resist, no Festival da Rua pra Rua, ouçam o Ódio Mortal, hahaha (momento jabázão total)
Valew demais! :D




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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #2

CLAUSTROFOBIA - FULLMINANT (2005)



Falar do Claustrofobia é fácil, não precisamos pensar muito para destacar os caras como uma das maiores bandas de metal nacional dos últimos tempos, eles seguem a todo vapor divulgando seu mais recente lançamento “Download Hatred” (2016), mas o papo aqui é outro e voltaremos um pouco no passado, 2005 mais precisamente.

Depois de sua estreia com o disco homônimo em 2000 e do lançamento de seu segundo álbum “Thrasher” em 2002 a banda vinha numa crescente e com bagagem pra dar um passo além, e de fato ele veio em 2005, com uma produção toda analógica, gravado em fitas, Fullminant ia na contramão do que imperava nas produções da época, abrindo mão de aparatos tecnológicos em sua produção, trabalho como sempre foda do grande Ciero no Datribo, que trouxe o som na cara, sujo e cru na medida certa, tudo muito bem encaixado pra dar cara a um grande disco, que pode ser considerado um divisor de águas na discografia da banda, que sempre evolui a cada lançamento.

A sonoridade trazida em Fullminant tem a essência de tudo o que a banda já havia apresentado até então, mas as faixas se destacam pelo peso absurdo, pela pegada insana da banda ao executá-las, a energia é foda! Foi o primeiro disco da banda a ser vendido internacionalmente e conta com participações de peso, Alex Camargo do Krisiun em “Fact” e de Andreas Kisser em “Eu quero é que se foda”, que vale o destaque como uma das mais fodas da track list, rola também um cover pesado para “Necessary Evil” do Napalm Death, que se encaixa bem entre as faixas, mas sem dúvidas a produção autoral é que domina tudo nesse play!

Destaques são difíceis quando o disco é foda, mas sem dúvidas a abertura com “Disorder and Decay” e a faixa seguinte ‘’Reality Show’’ dão muito bem o cartão de visita do que é o disco, a já citada “Eu quero é que se foda” que é um hino, e vale ressaltar a brutal “Two Faced” em que a pancadaria rola de forma impiedosa, enfim, aqui está um dos melhores álbuns do Claustrofobia e sem dúvidas se encaixa muito bem como um clássico recente do underground nacional, ouça alto!


Formação do Claustrofobia no Fullminant: Marcos D´Angelo guitarra e vocal, Alexandre De Orio guitarra, Daniel Bonfogo baixo e Caio D'Angelo bateria.



P.S. O disco foi relançado esse ano e uma nova prensagem está disponível pra venda na Die Hard Records e nos shows da banda, então dada a recomendação, traga esse disco foda para sua coleção!!!


TRACKLIST DE FULLMIANT:

DISORDER AND DECAY
REALITY SHOW
CLAUSTRUTH
UNDERGROUND PARTY
IT'S NOT ENOUGH TO EXCEED...YOU MUST RUN OVER
TERRO AGAINST TERROR
PROTECTIVE HATE
WITNESS
ROOTS OF DISEASE
EU QUERO É QUE SE FODA
NECESSERARY EVIL (NAPALM DEATH COVER)
TWO FACED
FACT



OUÇA O DISCO EM:

https://claustrofobia.bandcamp.com/

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Clássicos recentes do underground nacional! #1


Violator – Violent Mosh (EP 2004)


Hoje vamos inaugurar uma sessão inédita aqui no Microfonia, a proposta desse trampo é falar sobre discos de 2000 pra cá, com menos de 20 anos de lançamento que consideramos já clássicos na cena underground, creio que pra começar temos uma escolha certeira, o Violator!

Em meio ao revival do thrash que rolou na década passada sempre achei que muitos vieram com mais do mesmo, mas certamente não é o caso que aqui tratamos, o EP Violent Mosh é uma credencial de respeito pra dar o pontapé numa discografia sólida, lembro de estar na casa do meu amigo Jdulley em Manaus-AM, estávamos fazendo uma troca de figurinha sobre novas bandas de metal e ele me mostrou esse EP, fiquei incrédulo ao saber que se tratava de uma banda estreante.






Naquele mesmo ano e na mesma cidade fui a um show dos caras, e o que no player já se mostrava agressivo, foi elevado ao extremo numa apresentação inesquecível pra mim, muitos hematomas no dia seguinte e a lembrança de um dos melhores shows que eu já tive a oportunidade de comparecer.

Mas vamos ao que interessa, o disco! A capa já entrega um pouco do conteúdo, uma arte até mesmo clichê do estilo, sabemos que o que vai rolar é thrash metal, e pra quem curte esse gênero do metal já é motivo suficiente pra escutar, mas a sonoridade é supreeendente, cru, rápido e agressivo, começando com Let the violation begin, despejando uma chuva de riffs e palhetadas, aquelas paradinhas mortais seguidas daquele berro e da pancadaria desenfreada, nada de novo e realmente essa descrição é bem genérica, poderia estar falando de qualquer banda de thrash, mas aqui de cara percebe-se que os caras sabem bem o que estão fazendo e o fazem com muita habilidade.

O lance é que aqui o melhor sempre está por vir, e a trinca que segue é destruidora, com o hino Thrash maniacs, a sensacional Artillery Attack e minha faixa preferida da banda até hoje, The plague never dies, simplesmente destruidora!



E daqui em diante os caras emendam dois torpedos de puro thrash metal, e que finalizam o EP em alta velocidade, The Shadow of death e Killer Instinct, esse último som tem um título que justifica bem a vocação da banda, que toca numa sede e vontade absurda!

Enfim, com o Violent Mosh o Violator não reinventou a roda, no entanto injetou uma nova dose de energia nesse estilo que tanto amamos e aqui me fez concordar que havia um revival do movimento naquele momento, portanto não deixe de adquirir este item obrigatório na coleção de qualquer banger!!!


Tracklist:

01. Let the violation begin

02. Thrash maniacs
03. Artillery attack
04. The plague never dies
05. The shadow of death (bonus track)
06. Killer instinct (bonus track)




OUÇA A DISCOGRAFIA DA BANDA:

http://violatorthrash.bandcamp.com/

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sexta-feira, 9 de junho de 2017

ENTREVISTA HORACE GREEN

Já tem um tempo que acompanho os lançamentos da Horace Green, desde o "Sempre Melhor" em 2013 que os caras me chamaram atenção, ainda mais numa fase em que eu estava a procura de ouvir algo diferente, e o Horace difere um pouco do que costumo escutar, mas curti bastante o que encontrei ali e nos trampos seguintes, pois uma coincidência que há entre todos os entrevistados que passam por aqui é que de fato curto e acompanho os trabalhos dos mesmos e aqui não é uma exceção, conheçam essa grande banda e se liguem na ideia que trocamos a seguir.



Fala pessoal, obrigado por falar com a gente, pra começar, conte-nos um pouco de sua trajetória, como surgiu a Horace Green?
Opa o Horace começou sem grandes pretensões obviamente, a gente estava se encontrando direto em shows e conversávamos sobre uma banda assim até que alguém teve a brilhante de ideia de juntar essa galera e começar a tocar, do primeiro ensaio para a formação atual só ficamos eu e Chero, que no primeiro ensaio tocou guitarra e só depois foi pra batera.

Seu último disco, “Jazz depois da meia-noite” (2015), saiu a algum tempo, mas vamos falar sobre ele, como foi o processo de criação dessas 10 faixas presentes nesse disco?
A gente já tinha lançado o 7”, o EP e o split e estávamos com essa ideia fixa que era a hora de lançar um CD full, começamos a compor e mesmo sem as letras, fomos criando as musicas já na ordem que acreditávamos que deveria estar no disco...tipo após fechar uma musica nova a gente já posicionava ela “essa é bem faixa 3 né” e assim foi saindo.
Eu estava numa fase meio conturbada, me preparando para mudar de casa, a paternidade chegando e acabou que dividimos bem as composições, nesse disco tem 4 letras minha, 3 do Fox e 3 do Clayton, por mais que eu ame escrever, acho que foi essencial essa divisão.

Voltando um pouco mais atrás em sua discografia, além do full, vocês lançaram dois Eps, “Sempre Melhor” (2013) e “Madeira” (2014), lançados de forma sequencial entre 2013 e 2015, o material tem ligação entre si ou são lançamentos individuais?
A gente não é uma banda muito conceitual, os trampos não são continuação ou algo do tipo. Mas eu gosto muito de ouvir na sequencia e ver uma evolução natural das composições e das letras.

Além dos lançamentos já citados, em 2015 vocês participaram de um Split com Running Like Lions, Plastic Fire e Rallye, como foi participar desse trampo?
Fomos convidados para participar, já estavam as outras 3 bandas fechadas e resolveram que seria legal ter mais uma banda. Foi uma bela surpresa pra nós, tínhamos 2 musicas quase prontas e corremos um pouco para entrar no prazo do projeto mas gostamos do resultado. Gosto muito da ideia de ter 2 bandas cantando em português e 2 em inglês, e elas não se parecem em nada uma com as outras mas todos são amigos e tocam no mesmo meio. Fora que a parte gráfica desse Split é muito linda!

Tratando um pouco da parte lírica da banda, qual a mensagem que vocês buscam passar em suas letras, e como vocês compõe? Em conjunto? Separadamente? O som depois a letra ou vice versa?

Sempre os sons surgem primeiro e as letras depois, no Jazz a gente fez prés na casa do Fox de todas as musicas então acabou que todos participaram das composições... Sempre tinha um trecho que precisava alterar e alguém dava ideia final sabe. A gente funciona bem assim, um traz uma base de musica e ela vira algo no ensaio com todos participando, e as letras também funcionam assim. Tem um autor principal, mas todos dão pitaco para arrumar a melodia e até mesmo a ideia das mensagens.
Sobre as mensagens, nós acreditamos muito no poder de mudança que a musica tem, senão fossem as letras de bandas como Dead Fish, No Violence e Dominatrix, provavelmente nós não teríamos a postura politica que temos hoje em dia sabe? No começo até tínhamos uma preocupação em não falar sobre nada pessoal pois queríamos fazer uma banda melódica mas com uma postura punk, mas hoje conseguimos equilibrar bem isso, no jazz tem letra de amor, letra contra a postura das religiões contra os homossexuais, falamos sobre o machismo e até abuso sexual infantil.

A Horace Green tem um som bem versátil, dá pra sacar inúmeras facetas em suas músicas, que músicos ou bandas vocês consideram como influências importantes pra banda?
Cada um traz coisas muito diferentes pra banda, o Fox gosta muito de rock progressivo, Clayton de bandas instrumentais tipo Tortoise e eu sou fã de Legião Urbana! hahahahahaahah Mas nossa base como banda é o começo do emo e os anos 90, tem muita coisa foda ali...
Quais são os planos pra esse segundo semestre de 2017, vocês pretendem lançar algo esse ano? Possuem material inédito composto?
Esse ano temos feito tudo com calma, sem pressa. Mas tem coisa nova rolando nos ensaios, sem grandes expectativas do que fazer com elas, sem nenhum projeto por hora.

Por onde vocês tem tocado durante o ano e qual é a agenda da banda para os próximos dias pra quiser colar num show da Horace Green?

Esse ano com os papais recentes acabamos tirando o pé do acelerador e fizemos bem menos shows do que costumávamos fazer, mas felizmente só fizemos shows legais e shows com propósitos como arrecadação de alimentos, roupas ou ração. Agora em Junho tocaremos no lançamento do novo CD dos amigos do Dinamite Club na JAI, vai rolar show em Jundiaí (que não vamos pra lá tem uns dois anos) para ajudar uma criança e tocaremos no Black Embers Fest.

Nos rolês para as apresentações vocês devem dividir o palco com muitas bandas por aí, o que você destacaria na cena atualmente que merece ser ouvido com atenção?

Tem muita banda boa rolando por ae, muita mesmo. O Horace nunca se preocupou em se segmentar então tivemos o prazer de tocar com bandas de power violence até shoegaze. O que eu, Shamil, gostaria de destacar são O Inimigo de São Paulo, Nada em Vão de Brasilia, Better Leave town de Curitiba e o Desventura de Uberlândia. Grandes bandas!

Agora uma pergunta infame, mas uma curiosidade pertinente, gostaria que mandassem um Top 5 de discos essenciais e indispensáveis pra vocês.

Essa eu vou TENTAR responder como banda tá, mas acho que para o Horace Green ser o que é hoje em dia foi graça a todos terem ouvido muito:

- Hot Water Music – No Division
- Samiam – Astray
- Garage Fuzz – Turn the Page...
- Small Brown Bike – Dead Reckoning
- Noção de Nada – Sem gelo

Gostaria de agradecer pela atenção, e reservar este espaço pra que mande seu salve como quiser a todos que acompanham a banda e aos leitores do Microfonia. Valeu!
Pow a gente só tem a agradecer pelo espaço aberto pra banda, parabéns por manter um blog ativo! E fica aqui nosso #foratemer até mais!

https://www.facebook.com/horacegreen/
https://horacegreen.bandcamp.com/




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quinta-feira, 1 de junho de 2017

ENTREVISTA COM ICARO ALENCAR DE FREITAS DA SKULL FULL OF INK

Hoje o nosso entrevistado é um cara que teve grande parcela de participação na criação deste blog, uma vez que foi o responsável pela arte foda utilizada tanto no blog quanto em nossa página no facebook, mas o trabalho do cara vai muito além, com desenvolvimento de capas de discos e sites, e também como integrante de algumas bandas da cena curitibana, fora a bagagem que o cara trás de onde veio, Manaus-AM, onde tive o primeiro contato com o trampo dele como músico, na época baixista da banda Mortificy, mas tudo isso ele pode relatar melhor que eu, confiram a nossa conversa e conheçam o grande trampo do nosso amigo Icaro!








Fala Icaro, tudo bem? Obrigado por falar com a gente, antes de qualquer coisa, gostaria de saber um pouco da sua história, como e quando você começou a desenhar e o que te levou a explorar essas temáticas gore em suas artes?

Aê Evandro, valeu pelo convite em responder essa entrevista, começando a parada eu sou de Manaus, mas hoje moro em Curitiba com minha esposa e filho, vim pra cá em 2009 tentar a vida, não como artista pois minha formação é em design, profissão que escolhi pois trabalhei muito em agências de propaganda na minha cidade e dai fui no mais fácil de escolher, após isso comecei a fazer alguns trabalhos de manipulação de fotos para capas, dai vi que não era aquilo que gostava de fazer e dai voltei a apenas desenhar para tentar chegar no ponto que hoje parece estar mais próximo pra minha arte.
Cara pode parecer clichê, mas eu desenho desde criança, sempre quebrando o galho nos corres das minhas irmãs quando elas organizavam aniversários lá em Manaus, desenhava sempre nas cartolinas, aqueles esquemas da Disney ou personagens que bombavam na época, não existia digital e dai era no lápis e caneta pincel ou bic, quando a coisa apertava elas corriam pra pedir ajuda, dai fui crescendo e desenhando sempre que podia, umas horas eu parava por desmotivação e depois voltava, mas sempre
desenhei, no início era mais super-heróis da Marvel Comics, daí fui crescendo parando com desenhos copiados, comecei a estudar anatomia por conta (não sou um especialista, mas sei o que me parece certo ou errado e continuo estudando até hoje) e com o advento da internet fui entrando nos fóruns gringos de arte e fui vendo que poderia aprender mais e que era aquilo que eu queria dai não parei mais. Quanto a temática Gore eu comecei depois de velho assistindo a filmes, documentários sobre o assunto em VHS, tais como o Faces da Morte e aqueles filmes B de terror de baixo custo, e também quando me envolvi na cena metal em Manaus, mas tudo veio naturalmente, vi que eu tinha mais facilidades na época em desenhar pessoas mortas, decapitadas ou algum detalhe mais extremo, tanto que minha esposa pergunta se eu sei desenhar algo menos pesado (risos).




Quais as especialidades de seu estúdio o “Skull full of ink”, qual o nicho de mercado que você trabalha com seus desenhos?

Na Skull Full of Ink eu tento atender a todos os estilos extremos possíveis de música e antimusica (goregrind, grindcore, splatter, death metal, thrash metal e sua vertentes), não fico apenas no estilo que amo que é o grindcore, atendo a todos os pedidos da melhor forma possível que atinja a todas as expectativas.



Você já criou algumas capas de discos pra bandas, poderia citar quais bandas que você trabalhou até aqui?

Sim o foco da Skull Full of Ink é justamente a produção de ilustrações de capa e ilustrações internas para todo o material da banda, mas também realizamos a parte de design (diagramação do material para as gráficas) se a banda não tiver quem o faça e também criamos logotipos para bandas, entre clientes atendidos eu destaco os da Retaliate que toca um Thrash/Death Metal , com eles fiz a capa do debut CD chamado Stream of Excremet (esse trabalho ficou entre as 20 melhores do mês de Outubro de 2016 num site gringo), agora estou trabalhando na segunda capa da banda, fiz também uma capa para a banda Scorner do mano Mauricio Laube do CD Monolithyc Insanity e a da banda de deathgrind Highschool Massacre chamada Alienation, todas daqui da região Sul.

Alguns dos trabalhos realizados para bandas, mais a arte do cartaz do festival "More gore than before"


Que tipos de técnicas e materiais você costuma utilizar nas suas criações?

Eu costumo usar de tudo um pouco, uso nanquim, penas, pinceis, canetas técnicas, marcadores e quando posso utilizo um pouco de arte digital, só não uso mais pois tem bandas que não curtem e por isso não fecham o trabalho comigo por usar o PC pra fazer alguns detalhes no desenho para o layout final, na maioria das vezes quando preciso de um grande número de informações e detalhes eu desenho por partes, escaneio e monto no computador como foi o caso das artes que fiz pra Microfonia Underground.

Você além de desenhista é músico, quais atuais projetos musicais que você está envolvido e por quais bandas já passou? Tem trabalhos lançados com essas bandas?

Cara como disse anteriormente fui envolvido na cena metal em Manaus e hoje estou envolvido aqui também, em Manaus fiz parte da banda de Brutal Death Metal chamada Mortificy, lançamos uma demo chamada Brutal Instinct of Retaliation, um Split na Europa e outro aqui no Brasil com o Mesemon Ecrof , fiz parte do projeto Cizin, dai dei uma parada e só voltei a fazer algo em Curitiba depois de me mudar e ficar procurando banda pra tocar, dai rolou alguns ensaios com a The Negation, mas tive de parar pois foquei na minha pós, hoje eu estou na Highschool Massacre, que lançou algumas demos e o EP Alienation, como baixo e vocal e na Horrific Disturbance, que tem uma EP chamada From Birth to Annihilation, como vocal apenas. 

Capa do spit "Unholy Tryumph" do Mortificy ao lado do Mesemon Ecrof 

Horrific Disturbance




Voltando ao seu trabalho no estúdio, que artistas você considera como referência e influência pro estilo que você desenvolve?

Existem vários que me inspiram nessas pilhas erradas de desenhar, entre eles eu realmente curto o trampo do Hugo Silva, que trampa com nanquim e digital, o Rafael Tavares, que manja muito de pintura digital e tem um trabalho lindíssimo, do Alexandros Pyromallis, Derek Castro que trabalha lindamente com grafite, Vince Locke que sempre trabalha com o Cannibal Corpse e que conheci antes com as artes para o Selo Vertigo da DC Comics e alguns tatuadores que trabalham com o macabro nos seus trabalhos de black and gray .

Como já divulgamos, você foi o criador do conceito de arte do nosso blog, como foi pra você trabalhar no desenvolvimento dessa arte? Você também trabalha com desenvolvimento de sites?

Cara foi tranquilo, você também ajudou bastante, deu um rumo inicial e liberdade para trabalhar em cima da ideia que tinha dado, mas como você notou fomos modificando ela um pouco acrescentando um pouco mais de profundidade, no caso do topo da sua fã page, você só queria um zumbi com fone ouvindo um som, dai acrescentei o fundo e ambientei ele no seu habitat natural. Eu trabalho com sites também, desde o layout até o a montagem dele sempre que surge alguém interessado.

Arte desenvolvida para o Microfonia, nessa dia em estágio de finalização


Sempre achei que desenho e música tem tudo a ver, principalmente quando ligamos ao metal, grind, HC, etc. Você costuma ouvir um som enquanto cria suas artes? O que rola no seu player?

Cara tem de rolar sempre, na maioria das vezes quando estou trabalhando em uma arte eu escuto o som da banda que estou trabalhando, mas escuto de tudo um pouco, desde Mad Ball até Dimmu Borgir, depende do dia, tem dia que estou mais light e tem dia que estou mais pro crime na prancheta.

Mantendo um pouco nesse sentido, como é processo pra criação da capa de um disco? A banda te passa algum conceito, você ouve as músicas? Poderia detalhar pra nós?
Meu processo de trabalho em uma comission é conversar com o cara que vai ser a ponte com da banda comigo, pego as idéias daí vou montando a arte na minha cabeça e passando pro meu sketchbook durante o papo, se possível escuto dois sons da banda, um mais calmo e outro mais porrada, pra conhecer mais o trabalho da banda, depois disso faço 4 esboços pequenos de como penso a composição de como a capa poderá ficar, dando sugestões de enquadramento dos itens que irão compô-la, em seguida passo pra mesa de desenho e faço um rascunho melhorado do desenho para passar pra banda, sem tanto efeito pois isso eu deixo pro nanquim, em alguns casos já mando com boa parte da hachura aplicada, após aprovarem o lápis eu vou pra prancheta e daí vou finalizando misturando pincel, canetas técnicas e penas, depois de pronto eu escaneio e dou umas ajustadas no contraste e aplico o branco nos brilhos que forem precisos, mando pro cliente pro aprove final e dai gero o arquivo com resolução máxima para uso da banda.



Quem quiser contratar seus trabalhos pode entrar em contato por quais meios? E que áreas mais além das que já citamos você se envolve neste trabalho?

Cara para entrar em contato é só visitar o site da Skull Full of Ink (www.skullfullofink.com), lá tem um formulário de contato e nosso portfólio digital com as artes, ou acessar nossa fã page (https://www.facebook.com/skullfullofink/), e tem também nosso Instagram (https://www.instagram.com/skullfullofink/), onde estamos sempre que possível atualizando com rascunhos que em alguns casos estão disponíveis para venda.

Cara, gostaria de agradecer pelo tempo concedido pra conversar com a gente, pelo ótimo trabalho desenvolvido pra gente e reservar este espaço pra que você deixe seu salve como desejar! Valeu!

Mano, eu que agradeço Evandro essa força que você está nos dando com essa entrevista nos ajudando a espalhar a ideia pros amigos que curtem o Microfonia Undeground.

Obrigado mais uma vez!

Stay on the grindind!!!!


quinta-feira, 25 de maio de 2017

ENTREVISTA NADA EM VÃO

Posso dizer que me considero amigo dos caras do Nada em Vão, desde o ínicio da banda me vejo envolvido com os lançamentos da banda de alguma forma e até mesmo antes da formação da banda com a entrevista que realizei com a antiga banda do Pirata, o Mais Que Palavras, que me levou a descobrir o Nada em Vão e também entrevistá-los pro outro blog com o qual colaborava, surgido em 2015 e com dois Eps muito legais lançados, os caras desenvolvem um punk rock cheio de energia e melodia, e transmitem uma energia muito boa, além da mensagem carregada de positividade, particularmente sou fã desse trabalhos, ouço muito pois me coloca numa vibe muito boa e recomendo que vocês conheçam o som desses quatro rapazes de Brasilia, confiram a entrevista a seguir e saibam um pouco mais sobre eles!




Fala galera, obrigado por falar conosco, legal poder acompanhar essa continuidade do trabalho do Nada em vão, vamos começar fazendo um raio x de seu mais recente lançamento, o EP “Sempre em frente”, quais as impressões da banda sobre esse novo trabalho? O que vocês acham que mudou desde a estreia da banda até aqui em termos de sonoridade?

Nada Em Vão: Primeiramente, #FORATEMER. Para a gente, este segundo EP é mais coeso porque o Lucas (vocalista) tinha entrado na banda um pouco antes da gravação do primeiro EP ou seja, as músicas já estavam praticamente prontas. Claro que ele deu as contribuições, mas é diferente de participar desde o princípio, saca? No “Sempre Em Frente” todos participaram do processo de composição e isto fez a gente alcançar este resultado. E o que mudou um pouco foi a velocidade, hoje em dia tocamos bem mais rápido as músicas do EP homônimo.

Pra esse EP, vocês fizeram um clipe pra faixa “Perdidos e confusos”, como foi o processo de gravação desse clipe, quem foram os responsáveis pela produção do mesmo, e qual a razão dessa faixa ser a escolhida para o clipe?

Nada Em Vão: O clipe de “Perdidos e Confusos” foi produzido pelos nossos amigos da Produtora Candela. A gente já conhecia o Rafael Homero, da equipe da Candela, porque ele havia feito o clipe de nossos amigos do My Last Bike e o resultado nos agradou.

Escolhemos esta música principalmente por causa da mensagem forte que ela passa. Existe um discurso de ódio muito presente, tanto na internet quanto no dia a dia. Então quisemos mostrar que é possível pensar diferente, é possível agir diferente sendo mais humano e tendo mais empatia. E o pessoal da Candela conseguiu captar exatamente isto com o clipe, pois o roteiro foi todo deles.

Vocês vão dividir o palco com o Chuva Negra em alguns dias, no evento Atos de rebeldia 1, qual a proposta desse evento, e como se dá a organização dos eventos underground em Brasília?

Nada Em Vão: A gente organiza shows há muitos anos em Brasília. Já participamos de diversas produtoras e coletivos, e resolvemos neste ano dar início a este projeto após o fim das Matinês Hardcore. O pessoal que ajudava na matinê continua ao nosso lado, mas chegou o momento de mudar de nome, até porque a proposta é um pouco diferente. Infelizmente não conseguimos mais oferecer o jantar gratuito, mas agora teremos um debate em todos os eventos. Nesta edição, teremos um bate papo sobre racismo, pois precisamos repensar a presença negra no hardcore. Precisamos pensar por que existem poucas bandas com integrantes negros, precisamos pensar no porquê disto. Ah, a ideia do nome surgiu de uma música nossa, a Transformar, pois a liberdade hoje em dia é um ato de rebeldia.



Aproveitando o gancho, além do Brazlandia Underground, há outros coletivos atuantes no underground de sua região que você destacaria?
Nada Em Vão: Sempre escutamos por aí que a cena do DF está fraca, mas vejo vários shows acontecendo por aqui, não estamos parados. O pessoal do Brazlândia Underground é um bom exemplo, atualmente Brazlândia é o melhor lugar do DF para se tocar. Casa cheia, rango vegan e boa infraestrutura. Além deles, existem também várias pessoas bastante atuantes aqui no DF, temos o Fellipe CDC, do Terror Revolucionário, que organiza o HeadBangers Attack Festival há muitos anos. Tivemos esses dias o Bruxaria, que foi um evento produzido somente por mulheres e isto é muito importante porque estamos em 2017 e praticamente nada mudou, continuamos com os mesmos erros. Temos ainda o pessoal do Maltrapilhos, com a MTP Produções, que trouxeram recentemente o Flicts para o DF. Enfim, temos muita gente disposta a contribuir com a cena punk e hardcore do DF e nós estamos neste meio, ajudando sempre que for possível.

Uma marca registrada do Nada em vão que se percebe de cara é o som direto mas com bastante melodia e sempre mensagens legais abordadas nas letras, que bandas vocês consideram como referência pro som que vocês desenvolvem?
Nada Em Vão: Individualmente, várias bandas nos influenciam, mas para montar o Nada Em Vão, pensamos em bandas como Bouncing Souls, Social Distortion, Face to Face, Iron Chic, Red City Radio, Banner Pilot, RVIVR, Hot Water Music e Millencolin. 



Novamente vocês gravaram no 1234 Recording Studio, e dá pra sacar tudo na medida na parte de produção do EP, pelo visto vocês se sentem em casa lá, além da banda certamente estar mais entrosada, foi mais fácil o processo nessa segunda empreitada? Algo mudou no processo de composição para o “Sempre em frente”?
Nada Em Vão: O 1234 Recording Studio é a segunda casa de todos nós. O estúdio é do Pedroca, lá ficamos à vontade para produzir e gravar. Tanto que já fizemos duas sessões ao vivo lá, a primeira da música Equivocado há uns anos e outra este ano, com “O Tempo”, que já foi publicada, e “Respostas”, que será divulgada em breve.

A principal diferença entre os dois EPs foi a produção do Álvaro Dutra no Sempre Em Frente. O Álvaro é nosso amigo há anos, já tocamos e produzimos shows juntos. Não poderíamos ter feito uma escolha melhor. O Álvaro se transformou em integrante por uns meses, viveu toda nossa rotina como banda e trabalhou como nunca para alcançarmos o resultado. Foi a gravação que nos deixou mais feliz.

Vivemos uns tempos um tanto difíceis no país, onde a argumentação foi deixada de lado e vemos uma onda de ódio sendo destilada, apesar dos pesares as temáticas das letras no EP se mantém otimistas e positivas, como vocês se sentem vivendo aí no olho do furacão de toda ebulição política que vivemos?

Nada Em Vão: É importante deixar claro que somos totalmente contra este governo golpista que está atualmente no poder. Brasília é uma cidade maravilhosa para viver, mas ao mesmo tempo é triste estar perto de toda esta sujeira que acontece nos Três Poderes da República e também no governo local. Não dá para ser apolítico com toda esta situação e todas estas reformas sendo realizadas sem o menor debate com a população. Se elas passarem, somente os mais pobres serão prejudicados e isto não podemos aceitar. Portanto, as mensagens positivas não querem dizer que somos cegos em relação a tudo que está acontecendo ao nosso redor. É apenas uma forma que encontramos de mostrar que podemos ser melhores pessoas. É a forma que encontramos para tentar mudar o mundo.



O Nada em vão já dividiu o palco com muitas bandas legais desde o início de sua trajetória, e a cena do centro-oeste é bem ativa e produtiva, que bandas desse cenário vocês destacariam no momento?

Nada Em Vão: Ah, temos diversas bandas fodassas aqui no DF. Passamos por uma fase boa, com o What I Want, Deceivers, Toro, Doze Volts, Maltrapilhos, Agressivo Pau Pôdi, Terror Revolucionário, Violator, My Last Bike, Ingrena, Gran Turismo, Paradisi, Crushed Bones Estamira e em breve teremos o lançamento do Braz Attack. Isso sem falar no clássico DFC, lógico.

A arte de “Sempre em Frente” foi desenvolvida pelo Shamil Carlos do Horace Green, como surgiu o nome dele pra fazer o trampo?

Nada Em Vão: O Shamil é nosso amigo há anos, desde uma minitour que ele fez por aqui com o Don Vito e Seus Foguetes. Com o Horace Green, ele já veio três vezes e já levou também o Mais Que Palavras, antiga banda do Pirata, para São Paulo. Sempre tivemos está forte ligação, pois ele canta em “Ainda é possível”, do primeiro EP. E estávamos conversando com ele durante o processo de produção do Sempre em Frente e ele se ofereceu para fazer. A gente ficou super feliz e topou na hora. Nada melhor que contar com as amigas e amigos ajudando, né? Nada mais hardcore.

Vocês pretendem manter seus lançamentos no formato de Eps? Ou pode pintar um full por aí?

Nada Em Vão: Ouvir dizer que ano que vem tem um full, hein? Após dois EPs, acho que este é o caminho. Aguardem, vamos trabalhar muito para realizar este sonho em 2018.

Falando nisso, quais são os planos para o segundo semestre? Vocês já possuem novos sons compostos?

Nada Em Vão: Estamos com uma música nova e algumas ideias. Vamos trabalhar com mais calma, nosso plano é gravar somente no próximo ano, então temos tempo para nos dedicar a vídeos ao vivo e clipes que pretendemos lançar ainda este ano.

Se tudo sair como o planejado, até o fim do ano soltamos um single, mas você sabe como funciona o mundo independente, né? É devagar, mas pode ter certeza que vamos fazer.

Vamos mandar aquele Top 5 agora, conseguiriam listar cinco discos essenciais e obrigatórios pra vocês?

Pirata: Só cinco? Se fossem dez já seria difícil. Acho que cada um vai citar o seu... Eu fico com “NOFX – so long and thanks for all the shoes”; “Bad Religion – Suffer”; “Bad Brains – Brains”; “Ramones – Ramones” e “Descendents – Everything Sucks”. Faltou um Hot Water, mas o Pedroca vai citar, então tá bom... eheheheh E faltaram também várias bandas nacionais como Dead Fish, Ratos de Porão, Blind Pigs, Garage Fuzz, mas eram somente cinco discos, né? hehehehhehe

Delton: “Green Day – Dookie”; “Ramones – Rocket to Russia”; “Rancid – ...And Out Come The Wolves”; “Teenage Bottlerocket – They Came From The Shadows” e “Against Me! - Transgender Dysphoria Blues”, além de uma menção honrosa a todos os discos e ep´s do Pinhead Gunpowder hehehe

Lucas Cardoso: "Dead Fish - Zero e Um"; "Descendents - Cool to be you"; "The Flatliners - Dead Language"; "Sport - Colors"; "Red City Radio - Titles".

Pedro:"NOFX - So long and thanks for all the shoes e Punk In Drublic"; "Pennywise - Straigh Ahead"; "Misfits - K7 que meu amigo gravou..." heheheh; "Further Seems Forever - How to start a fire"; e "Hot Water Music - Caution"

Pra finalizar, gostaria de agradecer pela atenção e reservar o espaço pra que mande sua mensagem a todos que acompanham o Nada em vão e aos leitores do Microfonia! Valeu!
Nada Em Vão: Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao apoio do Microfonia. A gente sabe o quanto é difícil manter um veículo de comunicação alternativa no Brasil e sabemos que vocês só fazem isto porque gostam, porque amam o underground. A contribuição de vocês é imensa para manter a cena viva.

Em segundo lugar, gostaríamos de deixar aqui os nossos contatos e redes sociais. Se alguém se interessar pela gente, entre em contato. Tudo que nós fazemos é por amor ao hardcore/punk então nada melhor que fazer mais amigas e amigos nesta jornada.

Escute: www.nadaemvao.bandcamp.com

Assista: https://www.youtube.com/channel/UChmInea-WkUlnzdDyAF5QjQ

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Muito obrigado!!!