sábado, 7 de dezembro de 2019

ENTREVISTA COM O CAIO AUGUSTTUS (CANAL SCENA/DESALMADO)


Fala pessoal, o papo de hoje é com o Caio Augusttus, vocalista da banda de Death/Grind Desalmado, que já entrevistamos por aqui, mas hoje o tema da nossa conversa será respeito de sua outra empreitada, o Canal Scena, que envolve uma galera super empenhada em entregar conteúdo de qualidade e cem por cento underground, trazendo bandas que não são fáceis de se achar um vídeo ao vivo de qualidade na rede e ainda com quadros que falam sobre música underground de forma leve e inteligente, é como bater aquele papo com os amigos sobre som, uma boa forma de se informar e conhecer novos sons, visto que sempre rolam dicas muito legais, acompanhem o canal e apoiem iniciativas como essas, pois o trabalho é duro amigos e precisamos que canais assim permaneçam vivos e produzindo material, pois temos poucas pessoas produzindo algo de qualidade como o Scena, então lembrem-se também de colar no apoia.se e dar aquela força pra manter a parada ativa, no mais, se liguem na ideia e valeu Caio pelo papo daora!!!




Fala Caio, obrigado por falar conosco, gostaria de saber como surgiu a ideia para a produção do Canal Scena?

Caio AugusttusPor circular muito com o Desalmado nos últimos anos, notei uma esquizofrenia no cenário e também a falta de renovação do publico, depois olhei para os blogs e vi que muita gente tinha desistido, os canais do youtube eram poucos, foi então que tomei a decisão junto do Estevam de fazer algo usando o estúdio e criar conteúdo que pudesse divulgar as bandas locais. Tinha visto essa experiência fora do país, no áudiotree, então a ideia era fazer algo nos mesmos moldes, que resgatasse parcialmente a MTV, emissora que teve grande importância em boa parte da formação musical da minha geração. Aconteceu que tinha desistido, mas graças a João, Natália, Otávio e Estevam, conseguimos formar um coletivo de pessoas e dar sequencia na ideia.

Quem são as pessoas envolvidas nesse projeto que fazem a parada acontecer junto contigo Caio?

Caio Augusttus:João Lucas, Otavio Rosseto, Natalia, Ed Chavez, Matheus, Adriessa e Estevam, depois chegaram o Léo pra ajudar, mas teve também o Davi, o Hugo e outras pessoas ajudando um pouco. Como se trata de um coletivo estamos querendo expandir um pouco pra ver se fica mais suave para as principais partes envolvidas, que é de edição de vídeo e som, mas é uma tarefa complicada.

De que maneira vocês desenharam o formato de produção dos vídeos, como funciona a criação dos quadros, escolhas dos temas, etc.?

Caio Augusttus:Cara, a parte dos quadros foi uma elaboração minha, da Natalia e do Estevam, as pautas são minhas, quem tira ideia do nada sou eu e vou lá gravar, ou chamo alguém, mas agora estamos pensando 2020 de forma mais programada, incluindo até reunião de pauta, até porque não precisa ficar tudo na minha cabeça porque não é muito produtivo e corremos o risco de ficar se repetindo.

Como tem sido a recepção ao conteúdo produzido pelo Scena? Visto que vocês produzem vídeos com uma qualidade incrível e bandas que não são tão fáceis de encontrar um material de qualidade ao vivo no youtube?

Caio Augusttus:O pessoal tem elogiado muito, por onde passo com o Desalmado sou cumprimentado pelo canal, o mesmo acontece com todas as pessoas envolvidas. Tem sido bem foda nesse sentido, com relação a qualidade acho que deu certo de encontrarmos as pessoas certas e que tem um bom gosto, a gente se cobra muito pra sair algo legal, particularmente também me cobro e acho que tem espaço pra evoluir mais.




Sou muito fã do Shuffle, Listão e do Falatório, sempre ouço as dicas que vocês trazem, como funciona a produção desses quadros do canal?

Caio Augusttus: Olha, os temas normalmente são meus, mas a gente tem um banco de assunto. É algo simples mesmo, Shuffle a gente procura apresentar bandas novas e a prioridade é sempre banda brasileira, já o listão tem a pegada de esclarecer duvidas e propor dicas simples pro pessoal envolvido no underground, é como se fosse compartilhamento de experiências, achamos isso válido demais. Sobre o Falatório, é o caso mais inusitado, particularmente não achava que iria dar certo, mas deu, o povo gosta muito e existe a possibilidade de diversificar o papo pra além das situações do underground. A gente quer colocar alguns quadros novos, vamos ver como será isso.



O canal possui uma conta no apoia.se pra angariar fundos pra bancar as produções, como funciona pra quem quiser colaborar com o canal?

Caio Augusttus: Tem de se inscrever no apoia-se e contribuir com um valor mínimo, a gente popularizou, então 10 paus por mês já ajuda demais, o teto são 30 reais. A ideia é ganhar na quantidade, até porque entendemos que a maioria tá sem grana, todo mundo fudido por conta da crise econômica, mas quem pode ajudar, com pouco colabora muito mesmo.

Que dificuldades vocês consideram como grandes empecilhos na produção de conteúdo underground no país? Visto que as redes sociais ajudam, porém os algoritmos do negócio limitam a visibilidade do negócio?

Caio Augusttus: A gente não tem como disputar com os medalhões que eram da MTV ou até dos canais mais tradicionais, tipo o Show Livre, não temos verba pra colocar em publicidade para consequentemente, conseguir maior adesão de inscritos no canal. Nossa estratégia é trilhar pelo caminho do alcance orgânico, intercalando bandas mais consagradas com as mais desconhecidas, uma puxa a outra no canal. A gente sabe que esses algoritmos estão prontos para minar nossa iniciativa e priorizar quem bota dinheiro.

Quais os projetos do canal para 2020, tem alguma novidade que gostaria de nos adiantar sobre o canal que vai rolar nos próximos meses?

Caio Augusttus: A gente vai lançar o quadro dedicado a debater discos específicos, a tendência é tratar a musica com ainda mais prioridade, obviamente que temos a particularidade de sermos mais críticos do ponto de vista politico, não escondemos isso de ninguém, mas em 2020 queremos fazer a musica prevalecer, até porque é um canal de musica.

Como você avalia o desempenho do canal até aqui, produzindo conteúdo underground de qualidade e falando sobre assuntos que curtem, porque creio que seja prazeroso entregar conteúdos que tratam sobre paradas que curtimos, tem algo que vocês buscam em termos de alcance com o canal?

Caio Augusttus: Surpreendente. Não achei que iriamos alcançar 7 mil inscritos, não achei que teríamos uma média de 1,5k views em quadros sem banda, já considero uma puta vitória tudo isso.

Caio, gostaria de agradecer pelo tempo concedido pra falar conosco, desejar muito sucesso ao Canal Scena e ao Desalmado e reservar este espaço pra mandar seu salve como preferir, obrigado!!!

Caio Augusttus: Quero agradecer em nome de todos que participam e participaram do Scena, incluindo você que ajuda a divulgar o canal e o underground. Precisamos fortalecer nossa cultura e esses espaços são fundamentais. Valeu demais a todos que assistem o canal.

Prestigie o trabalho do Canal Scena no Youtube CLICA AÍ E VAI

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

DARKTOWER - OBEDIENTIA (2019) - REVIEW MICROFONIA






Confesso que não conhecia o trabalho da DarkTower, até aqui, pois vou me aprofundar mais em seus trabalhos anteriores pra descobrir mais sobre o som da banda depois do que ouvi aqui no “Obedientia”.
Depois da introdução com “Punishment” que cria um clima obscuro pra preparar o terreno pra o que estar por vir os caras vem de cara com “Downfall”, abre o disco e já demonstra que não haverá piedade para ouvidos despreparados, Black/Death metal de qualidade extrema, fiquei impressionado logo nessa faixa, uma variedade de elementos, apesar de toda a agressividade sonora entregue é impressionante o equilíbrio com nuances melódicas muito bem encaixadas pra compor o que é a marca registrada desse play.
Na sequência “God Above Nothing”, início cadenciado e melódico, uma sutil parada pra em seguida despejar uma das faixas mais brutais do disco! Título auto explicativo, sem mais!!!
‘’Higland Ceremony” introduz a sequência com uma flauta medieval e barulho de fogueiras que é interrompido pelo som de uma batalha que se inicia junto aos gritos que já se emendam com a levada da bateria e dão início a “Winged Snake Communion’’, faixa com trechos cadenciados que mostram outra particularidade da sonoridade deste disco, a influência do heavy metal tradicional que casa e se encaixa perfeitamente no contexto da faixa, não posso deixar de citar o belo solo presente  aqui, melodia incrível e de muito bom gosto!
“Praxis Against Ignorance” apresenta um riff melódico e levada cadenciada e o refrão executado em alta velocidade, curti bastante essa faixa, e aqui outro solo espetacular, acho válido ressaltar que a dupla de guitarristas Raphael Casotto e Rafael Morais fez um trabalho do qual devem se orgulhar nesse disco!
“Obedientia” a faixa que dá nome a esse disco não poderia ser menos do que épica, visto tudo o que já ouvi até agora nesse disco, velocidade máxima, pesada e com belas melodias de guitarra, Rômulo Grilo que é responsável pelas baquetas nem parece ser estreante na banda e mostra muito entrosamento na cozinha composta também pelo baixista Rodolfo Ferreira.
Como já havia percebido em alguns outros momentos a influência do heavy metal tradicional presente no disco se mostra novamente na levada sensacional que abre “Rites of Conscience” e dá o senso rítmico da faixa que tem momentos velozes e aqui eu devo exaltar o vocal de Flávio Gonçalves que é extremamente versátil variando entre o rasgado tipicamente black metal e o gutural, o time que compõe a Dark Tower é pesado, músicos técnicos e talentosos.
“The Carnal Splendour” é simplesmente brutal e minha faixa preferida no disco, pois sintetiza um pouco de tudo o que vimos até aqui, inicia quebrando tudo e na altura dos 4:30 os caras mandam uma levada pra quebrar o pescoço que caminha para o gran finale da faixa novamente em velocidade máxima, deixando a gente atônito com as mudanças de andamento que rolam durante a faixa, pra salvar na playlists sem medo!!!
O disco finaliza com a instrumental “...As the Obedient Marches to the Abyss...” que difere de todo o restante, com um clima melancólico, até porque é triste que um grande disco esteja acabando, vale dizer que por menção honrosa esse disco deveria entrar na lista de melhores de 2019, sem dúvida, infelizmente já publicamos, mas que a justiça seja feita, um dos melhores albuns desse ano, que a DarkTower tenha vida longa e nos brinde com mais trabalhos incríveis como esse!!!



DarkTower é:

- Flávio Gonçalves (vocal);

- Raphael Casotto (guitarra);
- Rafael Morais(guitarra);
- Rodolfo Ferreira (baixo);
- Rômulo Grilo (bateria)




DarkTower – Obedientia (2019)

(Electric Funeral Records/Extreme Sound Records/Cangaço Rock Comunicações/Native Blood Produções – Nacional)



01. Punishment
02. Downfall
03. God Above Nothing
04. Higland Ceremony
05. Winged Snake Communion
06. Praxis Against Ignorance
07. Obedientia
08. Rites of Conscience
09. The Carnal Esplendour
10. ...As the Obedient Marches to the Abyss...





sábado, 30 de novembro de 2019

10 DISCOS FODA DE 2019 (NACIONAIS)



Não poderíamos deixar de realizar a nossa lista de melhores lançamentos de 2019, já que somos viciados em listas, e aqui segue o que de melhor rolou nos nossos fones de ouvido nesse ano, sempre valendo ressaltar que é uma opinião pessoal e que caso discordem ou queiram acrescentar acho que dá até pra rolar uma lista depois com os melhores discos segundo a galera que nos acompanha, mas isso é papo para um outro dia, pois hoje segue o nosso top 10 de 2019, espero que curtam e que possam enriquecer suas playlists! Valendo!


SURRA – ESCORRENDO PELO RALO 






A ordem dos fatores aqui não altera o produto, a ordem dos dez será por questão dos discos que primeiro vierem a mente e nesse caso certamente começamos o nosso top 10 com os meninos de Santos do Surra, que esse ano soltaram o “Escorrendo pelo ralo”, disco absurdo de foda e que despeja tudo aquilo que já nos acostumamos a esperar da banda, ou seja, Thrashpunk porrada, muita crítica ao nosso atual cenário político, uma banda extremamente competente e que flerta cada vez mais com os lados mais extremos em termos de sonoridade, entregando em suas 16 faixas um disco coeso, pesado e veloz, com letras afiadas e ácidas, fizemos um review desse disco e ele merece todo o destaque, tanto individual, quanto pelo conjunto da obra, já que os caras não decepcionam quando o assunto é roque veloz, ouçam alto e prestem atenção no que esses caras tem a dizer!!!



OSSOS CRUZADOS – ESPECTROFOBIA 






Basicamente a história é simples, fui curtir o show de lançamento do novo disco do Zumbis do espaço, e uma das bandas responsáveis pela abertura do ato foi a Ossos Cruzados, me tornei fã automaticamente, nesse segundo registro dos caras eles apresentam novas nuances de seu som, mas ainda dentro da temática do Horror Punk que já apresentavam no “Miolos”, um disco divertido de ouvir, prestando homenagens a tudo aquilo que nós fãs de cultura trash curtimos, homenagens aos melhores monstros do cinema mundial, Em “Kong” e “Godzilla”, a história de uma partida de truco com Satã, simplesmente com um refrão foda e hilário, que ao vivo funciona muito bem, A prova de morte que faz menção ao filme de mesmo nome de Quentin Tarantino, que é do caralho, enfim, só pra destacar algumas faixas, entra para mim sem dúvidas entre as melhores paradas que ouvi nesse ano de 2019.



MANGER CADAVRE? – ANTI AUTO AJUDA 





A Manger Cadavre? É uma banda que apesar de não conhecer nenhum de seus integrantes pessoalmente eu considero amigos, foi uma das primeiras bandas que entrevistamos para o Microfonia e de lá pra cá sempre tenho acompanhado o trampo árduo e o desenvolvimento dessa galera que são verdadeiros trabalhadores do underground, conquistando seu espaço na raça, grande admiração também pela Nata que berra seus ideais com talento nas letras da banda que sempre externam seu posicionamento e sua atitude. Anti Auto Ajuda é mais um passo da caminhada que a banda vem trilhando nesses seus oito anos de trajetória e esse novo passo merece destaque, grande disco de hardcore/crust, letras inspiradas e inspiradoras, produção tá demais, sujeira no lugar certo, pesado e por cima da massa sonora, Nata derramando seu vocal potente pra cima, vale demais a audição galera e por isso mesmo está aqui na minha lista de melhores discos de 2019!!!



QUESTIONS - LIBERTATEM! 



Questions dispensa apresentações e basicamente eles não perdem a mão, são anos na estrada despejando hardcore, protesto e atitude, sempre trazendo reflexões pertinentes em suas letras os caras agora lançam seu primeiro disco inteiramente em português, o que torna tudo ainda mais interessante, pra quem não manja do idioma gringo, uma boa, como no meu caso. Falando diretamente do disco, sonoramente traz aquilo que já conhecemos bem da banda, mas numa roupagem diferente já que o idioma parece dar outra faceta aos sons, destaque para o single “Lutar” e pra faixa “Exclusão” que tem a participação de Gabriel Zander, audição fácil, som que vai direto ao ponto e letras que trazem um retrato de tudo aquilo que banda prega e acredita!!! Ouçam!! "Desejo de mudança, parte de nós, Ninguém virá nos libertar!".



DEAD FISH - PONTO CEGO 







Ei Dead Fish, vai tomar no cu!!! Na boa, eu sou fã do DF, sempre trazem um som com uma pegada diferenciada, pesado, rápido e melódico, e como disse o estagiário se você é de direita nem cola no rolê, aqui não vai ser possível curtir apenas os riffs ou não misturar “rock” com política. Ponto cego traz um retrato atual da nossa situação e vai com o dedo direto na ferida, vide a faixa “Sangue nas mãos”.
Sou bem suspeito pra falar sobre essa banda, mas como a lista é pessoal e não preciso representar a opinião de ninguém além da minha, não poderia deixar de citar esse álbum entre o que considero os melhores lançamentos de 2019. Sem me estender, é isso! O resto da História a maioria já conhece!!!



FURIA INC. - RAW






Pra quem curte um metal mais moderno e com groove, aos moldes de Pantera, Lamb of God e afins, esse segundo álbum da galera do Furia Inc. é um prato cheio, lembrando que citei apenas referências, pois a banda tem muita personalidade ao compor seus sons, com uma produção primorosa “Raw” demonstra todo o potencial da banda em despejar composições pesadíssimas e com uma pegada muito agressiva ao executar as faixas, o que me faz pensar como nosso underground é foda, o nível de nossas bandas é igual e até superior ao de qualquer cena do planeta, fiquei sinceramente impressionado pela qualidade deste álbum, segundo lançamento dos caras, que reafirma que o Furia Inc. pode ir muito longe, talento e poder de fogo não vão faltar, ouçam alto senhoras e senhores!!!





RED RAZOR - THE REVOLUTION CONTINUES





Quando o assunto envolve hardcore, thrash metal e crossover e subgêneros afins, quem me conhece sabe bem que minha praia basicamente é essa, então amigos imaginem que tamanha surpresa foi ouvir esse álbum da Red Razor, “The revolution continues”, segundo disco desses malucos de SC, grande achado, não tem faixa ruim nesse disco e tudo muito bem encaixado, composições, riffs, solos a produção, a cozinha dos caras é pesadíssima e se destaca mesmo em meio a tempestade de riffs despejadas faixa após faixa, altamente indicado a fãs de thrash metal em seu estado mais puro!!! Sem nem mesmo pensar duas vezes vou falar aqui as duas faixas mais fodas do disco: Born in South America e For Those about thrash!!!




M4NIFESTO - A VOZ DOS SEM VOZ




O Manifesto é uma banda relativamente nova, porém seus integrantes já são velhos conhecidos da cena, faziam parte do DPR e Santa Morte e o EP “A voz dos sem voz” é a estreia dessa parceria que já havia rolado num feat no último disco da Santa Morte e que bom que foi assim!
Aqui se unem dois estilos musicais que curto demais, Rap e hardcore, numa mistura que fica incrível, porque eu curto Racionais MC’s com a mesma intensidade com que curto Slayer e no som desses caras é possível sintetizar isso! E falo literalmente, pra quem colou no Hardcore por um mundo melhor, pode sacar o mash up de “Capitulo 4, versículo 3” com “Angel of Death”.
“Oração” abre esse EP e dá o cartão de visita de que os caras estão de volta as ruas misturando rap e hardcore pra alegria de quem ficou órfão da DPR, e fazem isso com maestria, uma pena que seja um EP com poucas faixas, pois quando acabam 17 minutos de som aqui, fica a sensação de que poderiam vir mais faixas que daria pra ouvir muito bem, que a M4NIFESTO tenha vida longa na cena, pois o que vimos aqui tá pesado galera, que se multiplique essa parada!!! Som de quebrada, tem que respeitar!!!



AXECUTER – SURROUNDED BY DECAY 





Fugindo um pouco dessa linha thrash, hc, metalcore, um disco de heavy metal puro está a nossa frente nesse “Surrounded by decay”, os caras resgatam o espirito oitentista e despejam todas as suas influências num disco que bebe nas fontes mais louváveis do verdadeiro metal, não tem invenções ou novidades dentro desse álbum, e aí que reside o ponto forte do negócio, os caras são bem honestos no som que executam, então se você é daquelas pessoas que dizem que o metal está morto, que não há mais bandas que tocam como antigamente, então amigo, saia da bolha, pois aqui temos este power trio que parece ter saído de um túnel do tempo direto dos anos 80 e nos presenteado com esse disco foda de metal, resumindo, aqui não tem erro, é heavy metal e ponto!!!



TORMENT THE SKIES - IMPURE






Cena nordestina é monstra, representa demais no som extremo, galera manda muito, e esses caras lá do Rio Grande do Norte nos brindam com esse disco lindo com o mais puro metal morte, “Impure” fecha a nossa lista de melhores do ano, representante do death metal brasileiro de muito valor, a Torment the Skies nos apresenta aqui seu segundo album e demonstra que o futuro é promissor, explorando a obra de Dante Alighieri, eles unem uma temática que casa perfeitamente com a sonoridade extrema, a banda já está a um bom tempo na estrada e isso parece refletir nas faixas, muito bem concebidas e executadas e na produção que soube destacar muito bem a brutalidade e podridão do negócio, altamente indicado e esperamos ver novos trabalhos da banda num intervalo menor de tempo!!! 






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domingo, 24 de novembro de 2019

ENTREVISTA OSSOS CRUZADOS




Depois de um bom tempo fora de atividade estamos revivendo o Microfonia pra falar com esses caras de Taboão da Serra-SP que mandam um som muito daora, executando seu horror punk com influnecias de hardcore e thrash metal, divulgando seu mais recente trabalho, o "Espectrofobia", falamos com o vocal da banda, André Honorato, que nos contou um pouco mais sobre as singularidades desse grupo de jovens fãs de filmes de horror e música pesada!!! Confiram logo menos!!!



Fala pessoal, satisfação em falar com vocês, 2019 está sendo um ano bem produtivo para banda, com o lançamento do “Espectrofobia” e vários shows realizados, como vocês resumiriam os resultados alcançados com esse novo play?

André Honorato - A satisfação é toda minha, ficamos honrados pelo interesse em nosso trabalho. Lançamos o disco em março, de lá pra cá tentamos tocar em todos os lugares possíveis. Tivemos um excelente recepção do disco, tanto do público quanto da mídia especializada. Começamos a receber mais convites para tocar no interior de São Paulo, em outros estados e isso está sendo uma realização. Além disso, conseguimos tocar com bandas que admiramos... resumindo, foi super positivo!



Dá pra sacar uma mudança na sonoridade entre o “Miolos” e o “Espectrofobia”, o que a banda buscava em termos de sonoridade enquanto compunha e gravava esse novo disco?

André Honorato -De um modo geral queríamos fazer um disco pesado e mais rápido que o Miolos... e durante a produção perdi alguns integrantes. O novo guitarrista, o Hebbert já tinha produzido o primeiro álbum entrou na banda logo no processo de produção. Ele vem de uma escola musical bem mais pesada. Além disso entrou o Zé no baixo e o Anderson “Hindu” na bateria que estavam com o gás todo, isso tudo ajudou no resultado final. 

É inevitável falar com a banda e não tocar no assunto dos temas abordados nas letras, eu particularmente curto muito essa temática voltada para o horror, como surgiu essa vontade de ter uma banda que abordasse essa pegada do rock com o horror?


André Honorato - No início da banda eu já tinha uma ideia que iríamos falar, não queria falar amor... (risos) não queria falar de politica... apesar de sempre trazer alguma crítica para nossa temática. Apenas me restava falar de cinema. Amo filmes de terror e nada melhor falar de algo que a gente ama.

Em Setembro vocês estiveram em Maringá divulgando o seu novo disco junto dos caras do Zumbis do espaço, quais as impressões que vocês tiveram desse rolê?

André Honorato - Foi fantástico! Fomos super bem recebidos e a estrutura da casa foi de primeira, de quebra tocar com os brothers da Família Monstro e com o Zumbis do Espaço que é uma referência pra gente é um sonho. Mais o mais importante... ter a oportunidade de levar a nossa música para outro lugares, longe da nossa zona de conforto e uma experiência maravilhosa. Só temos a agradecer por este dia.


Cartaz da apresentação em Mariná-PR no dia 28/09/2019


Como a própria banda mesmo se descreve vocês executam um hardcore punk com influência de Thrash metal, quais influências ou inspirações vocês diriam que sintetizam a sonoridade da Ossos Cruzados?

André Honorato - A Ossos faz uma mistura do Horror Punk com Crossover e Thrash Metal... mas essa fórmula está sempre disposta a incluir novos elementos, desde elementos progressivos até levadas de música regional... queremos que o instrumental seja um apoio para contar as histórias das musicas.

Essa semana vocês se apresentaram no Showlivre, foi muito massa a apresentação da banda, vocês representaram lá, como foi a experiência para a banda?

André Honorato - Foi uma das experiências musicais mais fantásticas e assustadora ao mesmo tempo. A equipe do Showlivre é super profissional e estar na frente das câmeras e de quebra ser entrevistado pelo Clemente (Inocentes) abala qualquer confiança (risos). A galera curtiu bastante o show e recebemos comentários bem positivos, com certeza é um marco pra banda e estamos extremamente orgulhosos do resultado.




Quais as faixas preferidas de vocês no Espectrofobia, se fosse pra eleger um top 3, quais faixas seriam?

André Honorato - Como você pede para um pai escolher um filho predileto... quanta maldade (risos). Mas vamos nessa:
Palhaços Assassinos do Espaço Sideral (seria a música mais divertida do disco e tem a participação do Rod Usher do The Other cantando em alemão)
A prova de Morte (baseada no filme do mestre Tarantino é simples é pesada)
Truco (nossa homenagem ao mestre Lemmy Kilmister e é um espécie de Ace of Spades tupiniquim)


Falando em cena, que bandas vocês indicariam aí de Taboão da Serra que merecem a nossa atenção?

André Honorato - Bom... temos que falar de um monte de bandas... o Taboão reúne bandas de todas regiões é isso é legal demais, ajuda a Ossos estar sempre ativa e com novas ideias. Então procurem por: Endigna (metal moderno), Liferika (rock’n roll), Musica Agosto (SKA), Santazona (rock marginal), Horizonte Cinza (metal filosófico), Guerras (metal com aula de história), Muqueta na Orelha (metal moderno), Extremo Soma (Stoner Gospel), Ravel (hardcore). As descrições são carinhosas e todas as bandas são fantásticas e superiores a qualquer rótulo.

Mantendo nosso costume de pedir listas aos entrevistados, quais são os cinco maiores discos já lançados segundo a Ossos Cruzados.

André Honorato - Sei que isso é loucura, mas amo listas... tenho várias na minha cabeça. Não posso responder pela banda toda, mas temos algumas coisas em comum. A minha lista tá sempre em mutação.... vou tentar focar nas influências... (muito difícil só escolher 5):
Melhores discos internacional:

- Anthrax - Among The Living

- Metallica - Master of Puppets

- Faith no More - King for a Day... Fool for a Lifetime

- Misfits - Earth AD

- Danzig - Lucifuge (II)

Melhores discos nacional:

- Ratos de Porão - Brasil

- D.F.C. - Igreja Quadrangular do Triângulo Redondo

- Angra - Holy Land

- Zumbis do Espaço - Admirável Mundo Monstro

- Sepultura - Arise


André Honorato - vocalista da Ossos Cruzados 


Pra finalizar, gostaria de deixar este espaço final pra que mandem seu recado como bem entender, obrigado pelo papo e vida longa a Ossos Cruzados!!!


André Honorato - Quero mais uma vez agradecer pelo interesse no nosso trabalho e quem se interessar pelas nossa histórias de terror, tem som em todas plataformas, show e clipe no YouTube é só seguir a gente nas redes sociais! Valeu demais pelo apoio e nos vemos em breve!

terça-feira, 29 de outubro de 2019

SURRA - ESCORRENDO PELO RALO - 2019 (REVIEW)



Faz um tempo que não colo aqui pra publicar algo, mas senti a necessidade de falar sobre esse novo disco do Surra.
Se você acompanha a banda desde o seu primeiro EP, o "Bica na cara" de um já meio distante ano de 2013, deve ter observado dois pontos importantes na trajetória dos caras, primeiro ponto é a alta produtividade dos caras, de lá pra cá, foram alguns EPs e um full, que nos brindam com  o segundo ponto que gostaria de ressaltar, a cada lançamento o Surra vem se consolidando como um dos expoentes do roque veloz desse país amigos, é inegável que os caras se tornaram referência naquilo que se propõem a fazer e são verdadeiros operários do underground, sempre viajando e espalhando sua pancadaria Brazza afora e também na Europa!


Foto por Estevam Romera


Mas partindo ao que interessa, Escorrendo pelo Ralo é o nome dessa pedrada que consolida e amplia a fórmula musical certeira do Surra, velocidade e brutalidade permeiam todo o disco, fiquei realmente feliz ao ouvir cada faixa desse disco, satisfação é você perceber que uma banda que você curte e admira não perde a mão e ainda consegue incrementar aquilo que já vinha fazendo muito bem.
O disco abre com "O mal que habita a terra" e já podemos deixar bem claro aos que curtem o som pelo riff, os que acham que não rola misturar politica com música ou aos isentões de plantão, aqui se trata de uma banda com posicionamento bem claro e se você fecha com ideias tortas parça, o papo abordado nas letras não será de seu agrado, de cara dá pra perceber que o cartão de visita mostra a pegada do negócio que vamos encontrar dali em diante, "Do lacre ao lucro" e a faixa título não nos dão tempo de respirar.
Temos aqui aquele tipo de álbum que vamos lembrar daqui alguns anos como um clássico do nosso underground, falo isso tranquilamente, pois analisando o conjunto da obra, esse é um dos picos da carreira do Surra, conseguiram sintetizar um pouco de tudo que apresentaram até então!

Ouça o Escorrendo pelo ralo no Spotify ou plataforma de sua preferência:





Destacar algo nesse play é só pra dar opinião sobre preferência pessoal, pois todas as faixas tem detalhes que cabem ressaltar, mas o que me chamou a atenção de cara foi "O mal que habita a terra", "Virou Brasil" em suas duas versões (temos um samba no disco do Surra!), "Viver em Santos" com sua levada reggae/ska que engana a gente em seus primeiros segundos antes de descambar para desgraça total e por fim "Bom dia Senhor".
Bom meus jovens, pra finalizar sem rodeios apenas digo, ouçam o Surra, se liguem nas ideias dos caras, esse power trio de Santos é na minha humilde opinião uma das maiores bandas em atividade de nosso underground, e o "Escorrendo pelo Ralo" tá aí pra comprovar minha tese!!!


Clipe da faixa "Ultraviolência" lançado recentemente, com ilustrações sinistras do Marcelo Dod (Draw or Die):




https://www.facebook.com/surrahardcore/

sábado, 26 de maio de 2018

ENTREVISTA APTO VULGAR

É incrível a quantidade de bandas foda que surgem no Brasil em todos os seguimentos do underground, e nosso trampo aqui é claro, falamos sobre essas minas e caras que renovam e revigoram a cena e nos brindam com novos sons, esse papo de que o cenário tá fraco é balela, basta uma pequena pesquisa pra sacar uma dezena de bandas talentosas, e é bem esse caso que rola com a Apto Vulgar, com um full na praça e prestes a lançar um EP de inéditas, temos aqui mais um exemplo do nosso relato acima, conheçam novas bandas e movimentem a cena, não seja aquele cara cusão que fica falando merda de braços cruzados, cole nos rolês, consuma material independente e mantenha vivo o barulho que tanto amamos!! Com a palavra, Apto Vulgar!!!


Vocês estão na estrada desde 2012, poderia nos contar um pouco de sua trajetória, como surgiu a Apto Vulgar? 

Eu tinha uma banda chamada C.O.D. Ficamos sem guitarrista e o Giu(baixista na ėpoca) apareceu com o Dorg(guitarra) pra tocar com a gente. Depois de algum tempo, a banda acabou e eu fui convidado pra tocar na banda do Dorg, a Hellishness, que também tinha o Rafael(Mortão) baixista do Apto hoje! Apos alguns ensaios ja decidimoa que a direção que iamos seguir seria o Hardcore e com letras em português! Ai veio o nome Apto Vulgar

Todos na banda desde o inicio tinham a intenção de que a sonoridade a seguir seria o hardcore? Quais as bandas que serviram de referência pra que vocês quisessem tomar esse rumo?

Sim! O Hardcore sempre foi nosso estilo em comum! Nossas influências vieram de varias partes! Bandas de Hardcore/Punk como Black Flag, Cro-Mags, Dead Kennedys e do Metal como Anthrax, Megadeth e claro, as bandas nacionais como Ratos de Porão, Coléra, Claustrofobia, Paura entre outras 



O fator localização influencia na hora de arrumar eventos pra tocar, mas existe uma ótima cena no interior de SP, e além de ótimas bandas, ótimas iniciativas também, como os eventos da Soco na Fuça, que vocês vão participar em julho, poderiam nos falar um pouco a respeito disso?

Sim! Várias bandas fodas! Orgasmo de Porco, Hemattoma, Discorde!, Manger Cadavre, Corujas de Gotham, Brutal Disruption, Qi A Menos, Mitral HC e varias outras! Em julho vamos tocar pela primeira vez no Soco Na Fuça, com o Surra e Desalmado. Duas bandas que são referência pra nós! Além do pessoal do Soco Na Fuça que movimenta bastanta a cena aqui no vale, tem o Vale Punk, que também mantem o circuito de shows a bastante tempo aqui na região

A Apto Vulgar está em processo de gravação de um novo EP, que detalhes vocês poderiam nos adiantar sobre as faixas que estarão presentes nesse novo trampo?

Serão 4 músicas inéditas que vamos lançar ainda esse ano! As músicas continuam agressivas, mas diferentes das que estão no nosso primeiro disco. Gravamos no Estudio Toth com o Dan(Bullet Bane) e foi demais!!! Ficamos a vontade pra fazer as coisas como queriamos e isso foi importante pra que chegassemos satisfeitos ao resultado final! A Faixa A Cruz, vai ter o Dorg(Guitarra) no vocal.

Hoje temos várias bandas e coletivos no underground fazendo as coisas rolarem no faça você mesmo, através de parcerias e muito trampo, vocês acham que o senso de coletividade existente no meio punk/hc torna as coisas mais viáveis, uma vez que não rola aquele lance de concorrência e as bandas procuram se ajudar?

Com certeza facilita! Essa coletividade é a forma das bandas levarem seus ideiais em todo lugar! Isso vem crescendo e ganhando força, assim como os selos independentes, que vem dando suporte para que as bandas possam lançar o seu material. Nosso primeiro disco foi lançado pelo Bigorna Discos e hoje também temos o suporte do selo Helena Discos.

Falando um pouco sobre seu último lançamento, “Sistema não operacional”, como foi o trabalho de divulgação e como vocês enxergam os resultados alcançados com esse trampo?

Foi bom! O disco foi lançado em agosto do ano passado! Fizemos umas mini tour de lançamento! Foram shows fodas! Divulgamos bastante o trabalho, tocamos com varias bandas, conhecemos pessoas. Então foi tudo divertido! E isso automaticamente fez com que as pessoas notassem mais a banda. E os shows ainda estão rolando.



Sempre curto sacar as artes das capas dos discos que ouço e acho importante destacar a parte gráfica e os artistas que as projetaram, quem foi o responsável pela arte da capa do disco?

A arte foi desenvolvida pelo nosso amigo Pow(Powtergaist). Deixamos ele ouvir o disco, sugerimos algumas ideias e ele foi desenvolvendo. Pow acompanha a banda de perto faz tempo! Ficamos satisfeitos com trampo! Ele manda muito bem! Também contamos com o Matheus Soriano pra digitalizar a arte e montar todo o cd.



Vocês fizeram um clipe para uma das faixas de “Sistema não operacional”, “Euforia”, como foi gravar o primeiro clipe da banda e quem foi responsável pela produção e filmagem desse vídeo?


Foi muito foda e divertido! Euforia ė nosso primeiro clipe! A letra fala de drogas, de como o vicio ė atormentador pra quem ta dentro disso! Quem produziu o clipe foi o Danilo Ramos. Cara foda! Ele também ja era amigo da banda e abraçou essa ideia de Euforia. Esse clipe superou nossas expectativas! Ja estamos concluindo mais um video e em breve vamos lançar 



Sobre o novo EP, vocês incorporaram algum novo elemento a sua música, seguirá a mesma linha do full, o que vocês buscaram apresentar nessas novas faixas que vem por aí?


Estamos mais a vontade pra fazer coisas novas. As músicas estão mais trampadas, mais definidas,mas continuam agressivas! Buscamos influência de outras coisas que nós ouvimos, mas o hardcore ainda ta ali....mais vivo, rápido e barulhento!!! 

Seguindo nosso infame transtorno por listas, poderiam nos dizer quais os cinco melhores discos que já ouviram na vida?

Damage - Black Flag

Século Sinistro - Ratos de Porão

Vulgar Display of Power - Pantera

Claustrofobia - Peste

Stranger Than Fiction - Bad Religion

Pra finalizar, obrigado por falar com o Microfonia e deixo este espaço pra que deixe seu recado a todos que nos acompanham.

Gostaríamos de agradecer pelo espaço e apoio que o Microfonia tem dado a todos os artista que são do underground! E a todos que fazem a cena continuar viva cada vez mais!!! 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

ENTREVISTA TRAGEDY GARDEN

Depois de um período de inatividade, o Tragedy Garden ressurge, e é uma imensa satisfação falar com esses caras, parceiros de longa data, e que pude acompanhar de perto a evolução da banda e construção de várias composições que integram os três EPs lançados por eles até aqui, com sua sonoridade densa e sombria eles conquistaram notoriedade no underground e fico feliz por retornarem com novos projetos e ideias e mantendo vivo o jardim da tragédia! Falamos com o núcleo original da banda que está de volta agora e eles nos contaram um pouco do que vem por aí, confiram!




Depois de um longo tempo entre mudanças de formação e hiatos, o Tragedy Garden retorna agora com seu núcleo criativo original. Quais os fatores que os levaram à esse retorno e o que vocês têm em mente para essa nova fase da banda?

Marcio Valério:
O retorno do Tragedy Garden foi algo que sempre acreditei, pois ralamos pra caralho e não seria justo que as coisas terminassem com tantas idéias à serem colocadas em prática.

Vitor Carnelossi: O Tragedy Garden tinha uma obra inacabada, acredito assim como eu, o Marcio e o Marcão tem algo totalmente pessoal com a banda.

Marcão: Todos na banda sabíamos que o retorno aconteceria, apenas não tínhamos por razões diversas o momento exato. Como o Vitor disse, algo inacabado esperava por nós.



Como tem rolado a química entre a banda durante os ensaios após a decisão desse retorno?

Marcio Valério: Além de parceiros somos grandes amigos, e isso facilita muito as coisas. Estamos muito felizes e satisfeitos com os rumos que as coisas estão tomando. Sentimos a força de como se estivéssemos começando agora.

Vitor Carnelossi: É impossível não ficar nostálgico com os ensaios. No Tragedy Garden sempre fui valorizado e tive grandes momentos no passado. Acredito que em breve possamos estar entrosados o suficiente para um show simbólico e ritualístico.

Marcão Azevedo: Logo no primeiro ensaio toda a atmosfera se fez presente. Trágica e agradável surpresa.


Tirando as composições presente em seus três EPs lançados até hoje, existe algum material que ficou de fora e vocês pretendem trabalhar e utilizar em um futuro material?

Marcão Azevedo: Sim. Temos um material inédito pronto sendo revisado , intitulado Inconditional Pain, que será dividido em dois EPs com inéditas e um cover cada um. 




Vi através das redes sociais que vocês vão lançar uma edição comemorativa de dez anos do ´´Follow The Insanity´´ (2008) – vai rolar alguns extras junto desse material?

Vitor Carnelossi: Na verdade sempre achei que o ´´Follow The Insanity´´ não tinha sido amplamente divulgado por algumas questões. Em 2008/2009 foi o advento dos downloads (em nossa região pelo menos) com a popularização total dos blogs com conteúdo para baixar. Foi algo que mexeu com a galera na época. Nós éramos uma banda que tínhamos vendas e contatos por cartas. A idéia do relançamento é algo que apresentei pro Marcio e pro Marcão, pois acredito que a arte gráfica não era boa o suficiente para o conteúdo disponibilizado em ´´Follow...´´, que possui uma característica densa e obscura. Contratamos um desenhista e mantivemos a idéia do conceito do Marcão (baterista/letrista), agora correspondida plenamente e aprovada por todos na banda. Existe uma possibilidade de uma edição física, com a música In Our Lives, do primeiro EP, Silent Symphony, como bônus. Vamos analisar a viabilidade disso, e confesso que gostaria de ver a contextualização desse projeto, em se tratando do meu instrumento (guitarra), pois é o melhor material que gravei até hoje, temos ótimas composições nele.


Nesses anos que passaram, várias características na forma de consumir música mudaram, a principal foi a ascenção das plataforma s de streaming, principal canal de divulgação atualmente. Existem planos para subir o material do Tragedy Garden neste formato?

Vitor Carnelossi: Sim, devemos disponibilizar todas as possibilidades de divulgação do nosso material, inclusive nas plataformas de streaming. Follow The Insanity foi repaginado para esse propósito. Esperamos em breve estar com o conteúdo disponível para audição. 




Os EP´s da banda sempre tiveram um conceito lírico bem definido, aprofundando uma temática ao decorrer das faixas, começando com Enemy Time que abordava questões sobre o tempo, seguindo depois para Follow The Insanity, que tratava sobre a insanidade. Isso se deu de forma natural ou já era intenção desde o início seguir um conceito?

Marcão Azevedo: A opção do conceitual é algo proposital. Não há nada, absolutamente nada, em todos os CDs que não tenha algum significado, desde a tonalidade das cores das capas, passando pelos encartes e letras. São significados que se completam.


Outro ponto que podemos perceber é na forma que essas abordagens foram feitas, de uma forma filosófica e bem introspectiva, poética eu diria. Existe alguma inspiração literária no momento de compor?

Marcão Azevedo: A linguagem metafórica e abstrata nos ajudam a transmitir nossa proposta, nossos sentimentos e o que pensamos. São ´´viagens´´ cada vez mais pesadas e profundas, principalmente no material que sucederá o ainda inédito Inconditional Pain.


Ainda dentro desse campo de inspirações, as marcas registradas da sonoridade da banda são os andamentos melancólicos e sombrios. De onde vieram as influências para seguir essa linha de composição e sonoridade?

Vitor Carnelossi: Recordo-me que quando a banda começou havia algumas intenções, principalmente em relação às letras tristes e profundas. Quando começamos à compor era aquele lance meio anos 90, sem aquela preocupação com padrões e velocidade. Tudo isso conspirou para flertarmos com o Doom, o Gótico e com o Heavy Metal. Todos na banda tem seu papel na sonoridade que adotamos.

Marcão Azevedo: A música que praticamos requer execução densa e sentimental. Por mais técnica que uma versão possa ser executada, soa plástica e mecânica se não tiver estas características. Esse conceito é bem apurado dentro da banda, onde nosso guitarrista Vitor Carnelossi sempre desempenhou este papel com maestria.;


Quais os próximos passos após o relançamento do ´´Follow...´´´? Veremos o Tragedy Garden em ação ao vivo novamente?

Marcão Azevedo: Sim, tocaremos ao vivo. É importante para a banda e para quem curte nosso som. A prioridade é ajustar o poder de fogo para reencontrar nosso público em alto nível, pois vocês merecem. Além da gravação dos capítulos I e II de Inconditional Pain, gravaremos um clip para a música Enemy Time; Estamos viabilizando camisetas do Enemy Time e patchs com nossa logo, e breve também camisetas com a capa comemorativa de Follow The Insanity. Nosso canal oficial está quase pronto e todas as plataformas digitais terão nosso material. Temos ainda um projeto complexo e audacioso, em absoluto sigilo, que assim que se confirmar nos comprometemos à avisá-los em primeira mão.


Mantendo nosso tradicional plágio à Roadie Crew, gostaria que listassem os cinco discos favoritos de todos os tempos:

Marcio Valério: Paradise Lost (Gothic), Sepultura (Arise), Annihilator (Alice in Hell), Slayer (South of Heaven) e Black Sabbath (Volume 04);

Vitor Carnelossi: Death (Symbolic), Dream Theater (Images and Words), Angra (Angel´s Cry), Amorphis (Tales from the Thousand Lakes), Paradise Lost (Gothic);

Marcão Azevedo: The Mist (The Hangman Tree), Pink Floyd (The Division Bell), Tristania (Widow´s Weeds), Sepultura (Arise), Angra (Angel´s Cry); 




Para finalizer, reservo este espaço para que deixem suas mensagens à todos que nos acompanham. Valeu!

Marcio Valério: Obrigado Evandro pelo espaço e oportunidade. Hail!!

Vitor Carnelossi: Obrigado Evandro! Muito grato pele espaço para o Tragedy Garden.

Marcão AZEVEDO: Valeu Evandro! Vida longa ao Microfonia Underground Blog e à todos os amantes da cultura underground e do rock e suas vertentes. Tragedy Garden agradece às suas perguntas inteligentes e ao espaço que nos propicia estar perto das pessoas que curtem nosso som. Up the Tragedies!!!