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terça-feira, 7 de julho de 2020

STAB - Sepulchral Lullaby (2020) - REVIEW MICROFONIA


Ficha técnica:

·         Banda: Stab

·         Origem: Brasil - Piracicaba-SP

·         Álbum: Sepulchral Lullaby  

·         Gravadora: Independente

·         Gênero: Thrash metal

·         Membros: Murilo Ramos (Guitarra e Voz), João Polizel (Baixo), Leonardo Veronez (Bateria)


Confesso que quando me deparei com o nome da banda imaginei outro tipo de sonoridade, já que "Stab" é uma música do grupo carioca Planet Hemp, então logo fiz as ligações que me eram óbvias na cabeça naquele momento, um som moderno, flertes com o hip-hop, algo mais alternativo, que também acho interessante, mas o título do EP aqui já denunciava que eu estava muito enganado, Sepulchral Lullaby traz uma sonoridade calcada de forma explicita no thrash metal e como costumo brincar, todo brasileiro curte futebol, cerveja e thrash metal!!!

Aqui a proposta é simples porém certeira, como colocou a banda "Nossa proposta é de unir o peso, a agressividade e a velocidade, que são típicos do thrash metal,a uma sonoridade sombria", em primeiro plano o que me chamou a atenção foram os vocais, que conseguem imprimir essa parte sombria ao som, devido ao timbre interessante do vocalista Murilo Ramos, pra dar uma ideia do que estou falando, a referência que me veio à mente foi a de Sérgio Chaves no Chakal, fase "Death is a Lonely Business", principalmente me momentos de cadência nas faixas.

O EP que chegou as plataformas de streaming em fevereiro possui quatro faixas que foram capitadas, mixadas e masterizadas no Casarão Music Studio em Piracicaba-SP, por Franco Torrezan e possui um bônus gravado em formato ao vivo no estúdio.

O Stab é uma banda em pleno desenvolvimento, foi formada em 2017 e esse seu primeiro EP demonstra o quanto eles tem talento pra evoluir muito mais, a impressão que tive ao ouvir Sepulchral Lullaby na realidade é a de que eu gostaria de ouvir mais faixas, passa rápido e logo você está repetindo tudo de novo, estou aqui curtindo o som dos caras enquanto escrevo!

Falando da sonoridade praticada em si, a banda caminha por várias camadas diferentes dentro de seu som, flertam com o hardcore/crossover, com o heavy metal e apesar de ser um som agressivo há muita melodia nas faixas, como em "In the streets" por exemplo.

Como faixas que gostaria de destacar, indico a audição no detalhe de "Scum" que é uma porrada e as variações sonoras de "God´s Sheep", duas demonstrações do poder de fogo da cozinha coesa da banda, grata surpresa conhecer a Stab, aguardamos novidades dessa galera de Piracicaba.





Fontes de pesquisa:








sábado, 26 de maio de 2018

ENTREVISTA APTO VULGAR

É incrível a quantidade de bandas foda que surgem no Brasil em todos os seguimentos do underground, e nosso trampo aqui é claro, falamos sobre essas minas e caras que renovam e revigoram a cena e nos brindam com novos sons, esse papo de que o cenário tá fraco é balela, basta uma pequena pesquisa pra sacar uma dezena de bandas talentosas, e é bem esse caso que rola com a Apto Vulgar, com um full na praça e prestes a lançar um EP de inéditas, temos aqui mais um exemplo do nosso relato acima, conheçam novas bandas e movimentem a cena, não seja aquele cara cusão que fica falando merda de braços cruzados, cole nos rolês, consuma material independente e mantenha vivo o barulho que tanto amamos!! Com a palavra, Apto Vulgar!!!


Vocês estão na estrada desde 2012, poderia nos contar um pouco de sua trajetória, como surgiu a Apto Vulgar? 

Eu tinha uma banda chamada C.O.D. Ficamos sem guitarrista e o Giu(baixista na ėpoca) apareceu com o Dorg(guitarra) pra tocar com a gente. Depois de algum tempo, a banda acabou e eu fui convidado pra tocar na banda do Dorg, a Hellishness, que também tinha o Rafael(Mortão) baixista do Apto hoje! Apos alguns ensaios ja decidimoa que a direção que iamos seguir seria o Hardcore e com letras em português! Ai veio o nome Apto Vulgar

Todos na banda desde o inicio tinham a intenção de que a sonoridade a seguir seria o hardcore? Quais as bandas que serviram de referência pra que vocês quisessem tomar esse rumo?

Sim! O Hardcore sempre foi nosso estilo em comum! Nossas influências vieram de varias partes! Bandas de Hardcore/Punk como Black Flag, Cro-Mags, Dead Kennedys e do Metal como Anthrax, Megadeth e claro, as bandas nacionais como Ratos de Porão, Coléra, Claustrofobia, Paura entre outras 



O fator localização influencia na hora de arrumar eventos pra tocar, mas existe uma ótima cena no interior de SP, e além de ótimas bandas, ótimas iniciativas também, como os eventos da Soco na Fuça, que vocês vão participar em julho, poderiam nos falar um pouco a respeito disso?

Sim! Várias bandas fodas! Orgasmo de Porco, Hemattoma, Discorde!, Manger Cadavre, Corujas de Gotham, Brutal Disruption, Qi A Menos, Mitral HC e varias outras! Em julho vamos tocar pela primeira vez no Soco Na Fuça, com o Surra e Desalmado. Duas bandas que são referência pra nós! Além do pessoal do Soco Na Fuça que movimenta bastanta a cena aqui no vale, tem o Vale Punk, que também mantem o circuito de shows a bastante tempo aqui na região

A Apto Vulgar está em processo de gravação de um novo EP, que detalhes vocês poderiam nos adiantar sobre as faixas que estarão presentes nesse novo trampo?

Serão 4 músicas inéditas que vamos lançar ainda esse ano! As músicas continuam agressivas, mas diferentes das que estão no nosso primeiro disco. Gravamos no Estudio Toth com o Dan(Bullet Bane) e foi demais!!! Ficamos a vontade pra fazer as coisas como queriamos e isso foi importante pra que chegassemos satisfeitos ao resultado final! A Faixa A Cruz, vai ter o Dorg(Guitarra) no vocal.

Hoje temos várias bandas e coletivos no underground fazendo as coisas rolarem no faça você mesmo, através de parcerias e muito trampo, vocês acham que o senso de coletividade existente no meio punk/hc torna as coisas mais viáveis, uma vez que não rola aquele lance de concorrência e as bandas procuram se ajudar?

Com certeza facilita! Essa coletividade é a forma das bandas levarem seus ideiais em todo lugar! Isso vem crescendo e ganhando força, assim como os selos independentes, que vem dando suporte para que as bandas possam lançar o seu material. Nosso primeiro disco foi lançado pelo Bigorna Discos e hoje também temos o suporte do selo Helena Discos.

Falando um pouco sobre seu último lançamento, “Sistema não operacional”, como foi o trabalho de divulgação e como vocês enxergam os resultados alcançados com esse trampo?

Foi bom! O disco foi lançado em agosto do ano passado! Fizemos umas mini tour de lançamento! Foram shows fodas! Divulgamos bastante o trabalho, tocamos com varias bandas, conhecemos pessoas. Então foi tudo divertido! E isso automaticamente fez com que as pessoas notassem mais a banda. E os shows ainda estão rolando.



Sempre curto sacar as artes das capas dos discos que ouço e acho importante destacar a parte gráfica e os artistas que as projetaram, quem foi o responsável pela arte da capa do disco?

A arte foi desenvolvida pelo nosso amigo Pow(Powtergaist). Deixamos ele ouvir o disco, sugerimos algumas ideias e ele foi desenvolvendo. Pow acompanha a banda de perto faz tempo! Ficamos satisfeitos com trampo! Ele manda muito bem! Também contamos com o Matheus Soriano pra digitalizar a arte e montar todo o cd.



Vocês fizeram um clipe para uma das faixas de “Sistema não operacional”, “Euforia”, como foi gravar o primeiro clipe da banda e quem foi responsável pela produção e filmagem desse vídeo?


Foi muito foda e divertido! Euforia ė nosso primeiro clipe! A letra fala de drogas, de como o vicio ė atormentador pra quem ta dentro disso! Quem produziu o clipe foi o Danilo Ramos. Cara foda! Ele também ja era amigo da banda e abraçou essa ideia de Euforia. Esse clipe superou nossas expectativas! Ja estamos concluindo mais um video e em breve vamos lançar 



Sobre o novo EP, vocês incorporaram algum novo elemento a sua música, seguirá a mesma linha do full, o que vocês buscaram apresentar nessas novas faixas que vem por aí?


Estamos mais a vontade pra fazer coisas novas. As músicas estão mais trampadas, mais definidas,mas continuam agressivas! Buscamos influência de outras coisas que nós ouvimos, mas o hardcore ainda ta ali....mais vivo, rápido e barulhento!!! 

Seguindo nosso infame transtorno por listas, poderiam nos dizer quais os cinco melhores discos que já ouviram na vida?

Damage - Black Flag

Século Sinistro - Ratos de Porão

Vulgar Display of Power - Pantera

Claustrofobia - Peste

Stranger Than Fiction - Bad Religion

Pra finalizar, obrigado por falar com o Microfonia e deixo este espaço pra que deixe seu recado a todos que nos acompanham.

Gostaríamos de agradecer pelo espaço e apoio que o Microfonia tem dado a todos os artista que são do underground! E a todos que fazem a cena continuar viva cada vez mais!!! 

sexta-feira, 20 de abril de 2018

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #4 - RATOS DE PORÃO - CARNICERIA TROPICAL (1997)

Carniceria Tropical (1997)

Basicamente eu conheci o RDP através deste disco, apenas ouvia faixas avulsas até então, isso já me bastaria pra colocá-lo aqui, afinal tem aí seus pouco mais de 20 anos de lançamento, não faz parte da fase "clássica" da banda, mas tem muitas pessoas que consideram este disco o melhor da discografia da banda, questão de opinião, porém, creio que "Carniceria Tropical" tenha seus méritos pra ser considerado como tal!
O último de inéditas dos caras havia sido o estranho "Just another crime in...Massacreland", pouco lembrado até hoje, eles vinham de uma bem sucedida tour de divulgação do disco de covers "Feijoada Acidente" em suas versões violentas para clássicos do punk/hardcore nacional e internacional, então estava na hora de rolar um novo disco pra sacramentar o bom momento, e ele veio na forma do registro mais brutal da banda até ali, mostrando facetas crust/grind que foram incorporadas com maestria a sonoridade tradicionalmente apresentada por eles.
No DVD Guidable é possível sacar algumas curiosidades a respeito da gravação e produção, que contou com o insano Billy Anderson (Brutal Truth, Neurosis, etc) e suas experiências extremas, como a famosa gravação de vocal com a boca do Gordo cheio de bolo, e entende-se pelo depoimento dos integrantes, que havia sim a intenção de soar o mais pesado possível durante a composição da faixas que viriam a integrar o play, isso explica a vocação extrema das faixas presentes.





Vou fazer um faixa a faixa de acordo com a minha primeira audição do disco, uma cópia emprestada do meu amigo Alexandre, fazia pouco tempo que eu curtia um som, e ainda era bem cru em termos de gêneros e sonoridades, por conta disso foi chocante a experiência, conhecia outros poucos sons do Ratos e ainda não era familiarizado com vertentes como o crust e o grindcore, então mesmo que o disco tenha apenas elementos desses estilos, foi um primeiro contato com a desgraça musical que amo até hoje!
Acho que a duas primeiras faixas representam muito bem o que é o Carniceria, "Vá se virar" e "Atitude zero" praticamente se complementam e é aquele peso absurdo que contagia, impossível não se empolgar ao ouvir essas faixas, destaque também para os vocais que são extremamente brutais nessas faixas.
Na sequência "Banha" dá uma cadenciada, mas segue a lógica do disco sem destoar, com muito peso e sua letra debochada.
A próxima é "Crocodila", apesar de ser um disco bem homogêneo, podemos considera-la como um destaque, que ganhou até um clipe para divulgação e certamente é uma das mais lembradas, sendo inclusive executada nos shows até uns tempos desses.





"Pedra" é um rap com crust caótico com a participação dos caras do Pavilhão 9 que dividiam a mesma gravadora com o RDP na época, a Paradoxx, o som mais fora de padrão do disco, era o Ratos fazendo uma experimentação musical, que acho bem foda inclusive.
"Estilo de vida miserável" é a minha faixa preferida desse álbum, veloz e brutal e com os vocais insanos do gordo, e tem uma introdução cômica antes de rolar o som, que gostaria de saber de onde saiu mas não possuo fontes, sem dúvidas uma faixa memorável!
"Dificil de entender" e "Outra vez" mantém a adrenalina em alta e não deixam a pegada frenética cair, abrindo caminho para a porrada seguinte que também aprecio pra caralho, "Bico do Corvo"!
"Ideologic Police" e "Autoguerrilha" não fazem muito minha cabeça, mas também não comprometem, até porque o que vem em seguida é outra faixa ignorante e violenta do disco, no sentido musical é claro, "Arranca toco" dispensa maiores apresentações, tem o título auto explicativo.
"Colisão" fecha o disco seguindo padrão "Carniceria" de qualidade, vocal sujão e uma pegada crust/punk, com sua letra falando sobre gente imbecil ao volante.
Como de costume as letras do RDP soam sempre bem atuais, temas que não soam datados, Gordo domina muito bem a arte de escrever essa poesia do inferno, e vemos aqui os caras num momento muito coeso como banda, apesar do Pica-Pau já estar meio descontente e bipolar durante as gravações, mas sem dúvidas um grande clássico do underground nacional!!!





FAIXAS


“VÁ SE VIRAR”
“ATITUDE ZERO”
“BANHA”
“CROCODILA”
“PEDRA”
“ESTILO DE VIDA MISERÁVEL”
“DIFÍCIL DE ENTENDER”
“OUTRA VEZ”
“BICO DO CORVO”
“IDEOLOGIC POLICE”
“AUTOGUERRILHA”
“ARRANCA TOCO”
“COLISÃO”

segunda-feira, 16 de abril de 2018

ENTREVISTA ASFIXIA SOCIAL

Fala juventude perdida brasileira!!! Falamos com os caras da Asfixia Social, que lançou recentemente um single de seu vindouro novo play, sucessor de "Da Rua Pra Rua", que deve ganhar as ruas no segundo semestre desse conturbado 2018, batemos um papo sobre esse novo trampo, sobre o festival que os caras organizam e mais outras paradas que vocês podem conferir a seguir!!! 




Fala pessoal, obrigado por falar com a gente, indo direto ao ponto, que detalhes vocês poderiam nos adiantar a respeito de seu novo trabalho, “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”? 

Banda: Salve mano! O novo álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói” sai no segundo semestre de 2018 em formato de Livro-Disco, com várias participações especiais. É um trabalho que valoriza muito poesias e melodias que criamos nos últimos 3 e que foi ilustrado por alunos de 10 escolas da rede pública de São Paulo. Você pode esperar muito groove, muito peso e a essência do Da Rua pra Rua num disco que gradativamente apresenta esses diversos ritmos da banda. 



Desde “Da rua pra rua” (2011), já são sete anos, disco excepcional e que ainda me soa muito bem, atual e empolgante, vocês mudaram o direcionamento de alguma forma para este vindouro novo trampo?

Banda: O direcionamento é o mesmo, música sem fronteiras e uma poesia crítica, buscando fortalecer o pensamento coletivo e a caminhada do dia a dia das pessoas. Mas são 7 anos dos quais estamos trabalhando desde 2013 nas composições, arranjos, etc, então naturalmente a gente espera corresponder a todas as expectativas e fazer um disco à altura do “Da Rua pra Rua”! 


É impossível não criar altas expectativas com este novo trampo, a começar pelas participações que vocês têm divulgado, confesso que estou muito curioso pra conferir o resultado dessa mistura, poderiam nos dizer como escolheram os convidados presentes em “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”? 


Banda: Estamos felizes com as participações que aconteceram, pois convidamos gente que estava bem próxima da banda ao longo dos últimos anos. Por exemplo no primeiro single lançado agora em março: “Sistema de Som(a)” (confira o videoclipe no youtube!), com Petróleo, um mano nosso do samba de milianos, DJ Tano Z'África Brasil, que é amigo da banda há muito tempo e gravou no Da Rua pra Rua em algumas faixas, assim como o trombonista Bocato e o trompetista italiano Gabriel Rosati, que são nomes importantes da música e que tocam pra caramba. Esses participaram da música “Sistema de Som(a)”, e tem outras 9 canções aí que vamos lançar até o segundo semestre! 





Em 2015 vocês lançaram “Cuba Punk”, DVD que retrata sua tour pelo país, como foram as trocas de experiencias que rolaram por lá, e de que forma surgiu o projeto de documentar este rolê que vocês fizeram?

Banda: Tínhamos estado lá 2014 com um grupo de teatro (XPTO), tocando também, e conhecemos muita gente. Nossa música ficou por lá e muita gente curtiu e compartilhou isso na ilha, então ao ganharmos o Prêmio da Cultura Hip Hop (Funarte, 2014) tivemos condições de participar de alguns festivais importantes lá, como a Bienal de Arte de Havana, na Fábrica de Arte Cubano (FAC). Tocamos numa programação recheada de artistas internacionais e fomos prestigiados por muita gente legal. Daí, desse show, emendamos a tour pro lado underground, foram 10 shows cabulosos em vários picos como a Casa de Cultura de Trinidad e um cinema abandonado da década de 60!






Ainda sobre “Cuba Punk”, é interessante vocês escolherem um destino incomum para as bandas brasileiras do underground, sempre se fala em tocar na Europa e nos vizinhos da América do sul, e o Asfixia mais uma vez foge do comum ao partir pra um destino diferente, que bagagem vocês consideram ter trazido no fim das contas de toda essa experiencia?

Banda: A gente trouxe de volta várias amizades e aprendizados com relação a um país muito diferente no que diz respeito à lidar com as questões sociais. Não há violência praticamente em Cuba, e apesar dos perrengues, existe muito respeito interpessoal, muita ajuda entre as pessoas e condições mínimas para um povo muito alegre! Foi uma experiência que levar pra vida e com certeza acreditamos muito no lado humano dessa vivência coletiva! Queremos voltar e também trazer muito mais rum na bagagem!

Outra inciativa que sempre vale a pena ressaltar, e que espero um dia poder participar, é o Festival Da Rua pra Rua, como vocês viabilizam um corre louco desses com mais de 50 bandas participando? E já tem planos pra edição 2018?

Banda: O Festival Da Rua pra Rua vem da ideia de, quando em 2009, a gente lançou a nossa primeira demo e fazíamos shows na rua, convidando artistas do punk/hardcore, do reggae e do hiphop de vários cantos pra tocar com a gente. Em 2013, fizemos o festival no aniversário de 6 anos da banda, e foi surpreendente a participação de vários amigos no corre, vimos a possibilidade de organizar uma parada cada vez mais profissional. Tanto que ganhamos o prêmio da Cultura Hip Hop da Funarte também em função do DVD que gravamos naquele ano (DVD Asfixia Social – Da Rua pra Rua). De lá pra cá a coisa cresceu e criamos o Coletivo Da Rua pra Rua pra fazer a curadoria e organização do festival. Estamos planejando o festival de 2018 pra setembro, nossa sexta edição!




A banda está aí há mais de dez anos na estrada, o que numa cena underground e na base do trabalho independente é bastante coisa, como vocês avaliam a trajetória até aqui? Preparados para mais dez anos?

Banda: Há dez anos temos aprendido muito e também nos divertido pra caramba. Amamos fazer isso e acreditamos demais que a mensagem possa tocar em várias quebradas e motivar muitos na caminhada! Nossa caminhada é uma só! Enquanto tiver uma caixa de som ali, a gente vai tocar mano!

Vivemos um momento de intensa polarização politica no país, com muito ódio sendo destilado nas redes e muita gente entrando em conflito por posicionamentos a esquerda ou a direita, o que vocês acham de todo esse movimento, da onda de conservadorismo, de fascistas e racistas aproveitando o “escudo” da internet para dar as caras?

Banda: É triste ver que muita gente fala o que não sabe, sem nenhuma noção. Acho que o “entretenimento” tem afastado as pessoas demais, e parece que a dor do outro não dói. Precisamos discutir mais sobre políticas públicas, projetos políticos, estudar mais, principalmente a história, porque muitos dos erros que estão sendo cometidos não aconteceriam se a gente tivesse um pouco mais de conhecimento e contato real com as necessidades de outros lugares, de outras pessoas que vivem de maneira diferente da nossa. Acho que é um momento triste da história, e o trabalhador tem que abrir o olho, ser mais crítico, analisar quem usa de todo esse ódio pra manipular a opinião pública.




Devido a movimentação da organização do festival, vocês devem ter contato com muitas bandas novas na cena, quem vocês destacariam no cenário atual que merece uma audição mais atenta por parte do público?

Banda: São inúmeras bandas boas que tem surgido, mas muitas também são desconhecidas do público e estão aí há mais tempo que o próprio Asfixia Social. Por exemplo, acabamos de organizar a Frente Popular dos Artistas pela Luta em Movimentos Sociais – FALEMOS – e tem várias bandas do Coletivo Da Rua pra Rua (tem uma lista no www.daruaprarua.com.br). Fora isso, fiquem ligados aí nas bandas autorais que sempre tocam com a gente em outros eventos e no próprio festival. São inúmeras e muito diferentes umas das outras, vale a pena ouvir um pouco de cada uma! 


Mantendo o tradicional plágio da Roadie Crew, e aproveitando que estamos falando sobre bandas que merecem a nossa atenção, poderiam nos listar cinco discos essenciais para a Asfixia Social?

Banda: São inúmeros discos, mas acho que podemos citar aqui Macka B com o álbum “Word, Sound & Power” (2004), Black Sabbath em “Reunion” (1998), Suicidal Tendencies em “How will I laugh Tomorrow”, Skatalites em “African Roots” (1978) e Black Flag em “Nervous Breakdown” (1979). Se você perguntar isso de novo, provavelmente a gente vai mudar todas as respostas. Essa foi a pergunta mais demorada pra gente responder, porque tem muita referência de bandas brasileiras e gringas, doidera!

Pra finalizar, novamente muito obrigado por falar com a gente e o espaço é todo seu para suas considerações finais.

Banda: Agradecemos demais pela força e atenção! Espero que possam curtir o álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”. São anos de dedicação a este trampo, que já começa a estar disponível pelo www.asfixiasocial.com.br ! Acessa lá e fala diretamente com a gente família, satisfação!


segunda-feira, 9 de abril de 2018

ENTREVISTA ESKRÖTA

Muito bom poder ver as mulheres participando fortemente na cena e chutando todos os preconceitos e machismo existente em nosso meio, a Eskröta, formada exclusivamente por mulheres é uma dessas bandas que representam bem o que estamos falando, próximo de lançar seu primeiro EP e configurada agora no formato de power trio elas chegam ao Microfonia pra mandar o seu recado, leiam!!!




Olá pessoal, vocês postaram recentemente que a banda passou por uma mudança na formação, a saída de sua vocalista Mars Martins, a ideia agora é permanecer como um power trio?


Yasmin: Após a saída da Mars, fizemos um show com a Letícia (vocalista do SUC) e curtimos muito. Porém, devido à outras datas que tínhamos marcado, gravação de EP e outros compromissos, decidimos que no momento seria mais viável permanecer nós três e sentir como o público vai responder.

Com relação ao lançamento do material da banda, vocês podem nos ceder alguns detalhes, quantas faixas pretendem incluir e onde pretendem gravar?

Yasmin: Serão 7 músicas em um EP, que foi gravado junto ao estúdio Warzone em Santos/SP, com produção do Léo (vocal e guitarrista do Surra) e do Jurema. Vocês podem esperar várias referências diferentes, dentro do thrash/crossover.

Quais são as ideias que vocês expõem em suas letras, vocês seguem uma temática ou falam sobre coisas variadas? Em que vocês buscam suas inspirações na hora de compor?

Yasmin: Nós procuramos falar de assuntos variados, mas sempre com foco em problemas sociais, empoderamento feminino, entre outros. Para nós é importante que as pessoas saibam o que estamos falando, por isto escrevemos em português. Inspirações para compor letras e métricas de voz, creio que Ratos de Porão, Sepultura, Dorsal Atlântica, Nervosa, estas brasileiras que mandam muito bem.

Que desafios vocês encontram na vivência da cena underground por ser uma banda só com mulheres na formação?

Yasmin: Principalmente ter que colocar a prova nosso conhecimento musical. Passamos muito por "mansplaining", ou seja, os caras querem dar aula pra gente, explicar como o som ficaria melhor, como regular o amplificador, a bateria, entre outras situações desagradáveis principalmente em comentários pela internet, mas de forma geral o público têm sido bastante respeitoso ao vivo. 




O que motivou cada uma de vocês a querer ter uma banda e que mensagem vocês mandariam para outras minas que tem vontade de tocar um instrumento e formar suas bandas?

Yasmin: Eu tinha muita vontade de ser como Lita Ford (The Runaways) ou Donita Sparks (L7), minha família não gostou da ideia, mas eu tinha amigas como eu, que gostavam de heavy metal e queriam tocar. Isso foi um privilégio pra mim, porque na minha cidade já tinham meninas que tocavam/cantavam, os meninos não queriam uma mina na banda, a não ser que ela fosse como a Amy Lee (Evanescence). Então continuamos, até mesmo pra provar que a gente podia ter uma banda muito melhor do que a desses caras. Só posso dizer por mim, mas a Tamy e a Miriam também tocam desde cego e continuam perseguindo esse sonho junto comigo.

Quais as influências da Eskröta, acredito que cada uma de vocês tem suas preferências, uma diferente da outra, mas de que forma definiram a sonoridade da banda quando se uniram pra tocar?

Yasmin: É difícil dizer por todas, mas a Miriam curte muito jazz, a Tamy gosta de muita coisa e eu também. Apesar de estarmos dedicadas ao metal isso não nos impede de enxergar a qualidade de outros estilos musicais.

Vocês passaram recentemente aqui pelo PR e por SC para algumas datas, como foram essas apresentações e quais são os próximos compromissos ao vivo da banda?

Yasmin: A tour por Florianópolis, Blumenau e Curitiba foi sensacional. Muitas bandas fodas tocaram com a gente e eu fiz questão de anotar para acompanhar, é muito massa dividir palco com a galera de diferentes lugares. Sobre os próximos shows, não poderíamos estar mais felizes... Estaremos em Goiânia e Brasília em maio (2018) e isto é um daqueles sonhos que se concretiza. Sabe? Esperamos conhecer cada vez mais lugares.

Mantendo nosso tradicional vício chato por listas, quais são os 5 álbuns favoritos de vocês, discos que consideram essenciais na formação de seu gosto musical?

Yasmin: É difícil listar, mas gosto estou ouvindo muito Suicidal Tendencies - How will I laught tomorrow, Nervosa - Victim of Yourself, Kreator - Violent Revolution, Imminent Attack - Welcome to My Funeral e L7 - Bricks Are Heavy.

Pra finalizar, gostaria de deixar o meu muito obrigado pela atenção em falar conosco e reservar este espaço pra que deixe sua mensagem como bem entender a todos que nos acompanham.

Yasmin: Espero que todas as minas que estejam lendo esta entrevista, que estão nos nossos shows, que participam do underground de alguma forma, sintam-se motivadas em continuar indo em eventos, que cantem ou toquem, porque a gente tem que fazer a diferença. E aos caras que estão lendo, que respeitem o espaço das mulheres nesta luta! 




quinta-feira, 1 de março de 2018

ROTTEN FLIES: NOVO CLIPE E DISCO DE INÉDITAS EM BREVE





Formada no inicio da década de 90 na cidade de João Pessoa, a Rotten Flies segue sua saga dentro da cena punk/hardcore lançando trabalhos relevantes e representando muito bem a rica cena underground nordestina.
Os caras seguem em estúdio gravando o sucessor de "Saco de gilete" (2014) e quarto full de sua discografia, que deve ganhar ás ruas ainda esse ano.
Porém sem perder a pegada, os caras lançaram hoje o vídeo clipe para a faixa "Canjiquinha", presente nos recentes albuns, 3 ways to conspiracy e Sight Disaster, a serem lançados ainda este ano na Alemanha e EUA respectivamente, o clipe foi feito em animação e toda concepção de arte ficou a cargo do Leandro Franco, que além de cartunista e arquiteto, é também vocalista na banda Asteroides Trio, confira uma palhinha do trampo no teaser a seguir:



O vídeo completo pra quem quiser curtir estará disponível á partir das 14 horas no youtube e você pode acessar através do link abaixo:

VÍDEO COMPLETO AQUI


Rotten Flies conta em sua formação com Fracisquinho no vocal, Cecílio no baixo, Adriano na guitarra e Beto na Bateria, informações e contato em:

rottenflies@gmail.com
jornalmicrofonia@gmail.com

terça-feira, 31 de outubro de 2017

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #3

GRITANDO HC - GRITANDO HC (1997)



Esse ano um dos discos mais fodas do hardcore nacional completa 20 anos de lançamento, tem um sabor especial pra mim falar sobre esse registro, pois o Debut do Gritando HC figura entre as primeiras bandas com as quais comecei a curtir um som lá atrás.

Então temos aqui uma ótima combinação pra se tornar tema da nossa série dos Clássicos recentes do underground nacional, pois tem 20 anos redondo de lançamento e é lembrado com saudosismo por muitos que foram contemporâneos ao mesmo.

Um disco de estreia sensacional, 28 minutos de hardcore punk de primeira, divididos em 17 faixas, entre as quais figuram hits do underground instantâneos, digo isso sem medo, afinal quem de vocês nunca ouviu "Velho Punk"? Tudo isso aliado ao vocal enérgico do saudoso Donald que casava perfeitamente na sonoridade da banda.

Aqui encontramos vários sons que se tornaram clássicos, de cara a primeira faixa que é extremamente contagiante, um hino, "Punks não morreram", impossível ouvir sem sentir vontade de sair pogando pela sala, seguida de "Aéreo na piscina" pra quem curte dropar no skate com trilha sonora e a homanagem ao mostro verde da Marvel, "Hulk"!!!



Depois disso seguimos com a balada (?) punk, "Quero ser punk com você", percebam que citei as qutro primeiras faixas em sequência aqui, diífcil eleger destaques, disco inteiro é muito daora, mas pra não citar o track list inteiro, daqui em diante vou citar faixas que acredito que vocês precisam escutar e vou colocar minha visão pessoal aqui, logo, talvez alguns não concordem mas é indispensável colocar como destaques a pesada "Eu protesto", faixa insana, convidativa a moshs violentos, o hino máximo do Gritando HC que já falamos aqui, "Velho Punk" (estamos caminhando pra isso né), a ode ao goró acustica, "Hino do alccol" e pra finalizar com as próprias palavras da banda , a singela homenagem a maior banda de punk rock do mundo, "Quero meu ingresso pro show do Ramones".

Enfim, aproveite que essa beleza está fazendo aniversário e ouça novamente, conheça, redescubra, seja como for, com certeza vai deixar seu dia melhor ouvir um bom disco de hardcore e Gritando HC sempre será uma boa recomendação pra quem queira conhecer esse estilo musical que tanto amamos aqui no Microfonia!

Abraço e até a próxima!!!


TRACKLIST


01. Punks Não Morreram
02. Aéreo Na Piscina 
03. Hulk 
04. Quero Ser Punk Com Você 
05. Eu Odeio O Sistema 
06. Libertar Nossas Correntes 
07. Nunca Se Humilhar 
08. Pra Que Cadeia? 
09. Levante O Moicano 
10. Kaos 
11. Quero Meu Ingresso Pro Show Do Ramones 
12. Gritando HC 
13. Eu Protesto 
14. Terra Da Garoa 
15. Skate Punk
16. Velho Punk 
17. Hino Do Álcool 





OUÇA GRITANDO HC EM:

http://www.deezer.com/artist/4352689

https://open.spotify.com/artist/19XpD8usAYOdO3hwmQ06i4




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Matéria by Microfonia Underground Blog

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

ENTREVISTA BOCA BRABA HARDCORE

Hoje quem tá dando as caras por aqui são os manos da banda Boca Braba hardcore de Viamão-RS, que vem conquistando seu espaço lançamento após lançamento e trabalhando forte nisso, com letras críticas e conscientes e uma sonoridade que vai além do hardcore mesclando outras referências e dando ainda mais personalidade a música desses caras que eu indico que todos ouçam, sem mais delongas, confiram nosso bate papo e saibam mais sobre a BxBxHC!!!



Fala galera, vamos partindo do zero aqui, poderia nos mandar a ficha completa da banda e um pouco de sua história? Quem são os integrantes da Boca Braba HC? Como e quando vocês formaram a banda?

A Boca Braba Hardcore surgiu da união de 4 amigos de Viamão/RS (Douglas, Mateus, Vinícius e Max) para fazer um som numa festa de aniversário, em novembro de 2014. Depois do aniversário resolvemos continuar tocando por diversão, e 2 meses depois começamos a compor músicas próprias, juntamente com a entrada do Hígor e com a escolha do nome da banda. Agora a banda está quase completando 3 anos e já conta com uma penca de shows realizados, viagens, amigos, etc. Estamos só no início, o corre não para! 



Vocês lançaram a pouco tempo um EP, “Hardcore de galpão”, como foi o processo de gravação do mesmo e quem foi responsável pela produção e mixagem? Gosto de como soa o EP.

O “Hardcore de Galpão” foi um trampo intermediário, que lançamos pra poder respirar um pouco e produzir outros materiais com calma. O resultado dele ficou muito foda, e teve uma repercussão muito boa! Gravamos ele no estúdio Calabouço do nosso amigo Hamilton Contes, aqui de Viamão mesmo, e chegamos com os 5 sons já nos cascos no estúdio, foi só plugar tudo e gravar! Gravamos tudo em um fim de semana, e em um mês o Hamilton nos entregou as músicas prontas. Gravar com ele foi muito da hora, sempre que podemos indicamos ele para as bandas que querem gravar algo, o guri é muito bom no que faz... nós gravaremos lá o próximo CD, sem dúvidas!



Quais os planos para o restante de 2017, trabalhar a promoção do EP apenas ou vocês possuem projeto para lançar mais alguma coisa ainda nesse ano?
Nem estamos fazendo tantos shows este ano, estamos indo mais na manha e tentando selecionar melhor os picos que vamos tocar, tentando tocar em lugares que não tocamos ainda, por exemplo. Estamos com data da gravação do nosso primeiro clipe já marcada, e se tudo ocorrer bem, o mesmo sai ainda esse ano. Também temos um Live completo pra lançar, que foi gravado durante um show no teatro do SESC de Canoas/RS, e temos um minidocumentário sobre nossa viagem pra Brasília. Esperamos que saia tudo nesse ano ainda!

Como tem sido a recepção aos novos sons nas apresentações ao vivo da banda e aproveitando que tocamos no assunto quais são os próximos compromissos da Boca Braba HC?

A gurizada tem curtido pra caralho o Hardcore de Galpão, os novos sons são bem mais rápidos e mais curtos. É da hora ver que em alguns shows tem gente já cantando as músicas do EP, tendo em vista que somos uma banda bem nova... é muito doido ver isso sendo que lançamos há pouco tempo este trabalho. Acho que estamos no caminho certo! Seguem as próximas datas confirmadas:

23/09 - In Underground We Trust III - Estância Velha/RS
08/10 - Rock in Ruben - Sapucaia do Sul/RS

24/11 – Espaço Urbano - Viamão/RS
10/12 - Ensaio na Praça - Canoas/RS



Existem planos para visitar outros estados levando o som da banda? Que lugares vocês gostariam de tocar se houvesse oportunidade?
O plano principal é esse, botar as bundas na estrada e viajar o máximo que aguentarmos! É claro que não podemos sair a qualquer momento os 5 dentro de um carro tocando por todo o Brasil, todos nós trabalhamos e as viagens rolam organizando com bastante antecedência. Já viajamos pra Santa Catarina em 2015, e este ano viajamos pra Brasília, que foi muito doido! A viagem que fizemos este ano nos abriu a mente e mostrou que podemos fazer várias viagens curtas durante o ano, então o plano é começar a viajar com bastante frequência!

Ano passado vocês lançaram o “Entre ratos e pulguedo”, um título inusitado, poderia nos contar como surgiu esse nome para o disco?
Desde o início da banda, ensaiamos num Galpão do sítio onde eu (Douglas) moro. Durante muito tempo deixávamos os cachorros assistirem o ensaio, eles entravam lá e ficavam deitados no nosso meio só curtindo o som... o problema é que o galpão ficou crivado de pulgas, e era um parto pra ensaiar se coçando o tempo todo. Sobre os ratos, eles sempre estiveram no galpão, desde o início. Então “Entre Ratos e Pulguedo” foi literalmente como surgiu o primeiro CD!

Ainda sobre o disco “Entre ratos e pulguedo”, como foi o trabalho de divulgação do mesmo e como vocês avaliam os resultados obtidos com o disco?
O “Entre Ratos e Pulguedo” foi nosso primeiro trabalho de estúdio, e quando gravamos ele já tinha uma galera na expectativa, então o resultado foi muito bom, repercutiu bastante na época, muita gente nos conheceu através desse CD e muitas portas se abriram também. Fizemos um evento no final de 2016 pra lançar o CD, a função rolou na Converth em Viamão, e foi um dia absurdamente foda! Este show tá registrado lá no Youtube pra quem quiser ver!

Que temas vocês procuram abordar em suas letras, que mensagem a banda busca transmitir?

Nosso vocal (Vinícius Marques) sempre buscou escrever letras trazendo à tona todos os problemas que enfrentamos todos os dias graças à corrupção que rola no nosso país. Infelizmente é uma minoria que se interessa por música com conteúdo, mas as letras estão lá, pra quem quiser ouvir. Queremos começar a passar mensagens positivas nos nossos sons também, não só falando dos problemas que tal político está causando, mas dizendo algo pra quem estiver ouvindo como não baixar a cabeça, não desistir, etc. A mensagem continua sendo passada, mas de uma forma diferente.

Em termos de influência sonora, que bandas vocês citariam que serviram de inspiração para moldar a sonoridade que vocês praticam?
Sem dúvidas temos várias influências bem marcantes que cada um de nós trouxe pra banda... Raimundos, Pavilhão 9, Vômitos e Náuseas, Ratos de Porão, Testament, Suicidal Tendencies, Biohazard, Madball, Hatebreed, etc. Claro que são apenas influências, a união de tudo que ouvimos molda o nosso som, então não necessariamente vai ser claro tudo que ouvimos no som da Boca Braba... e acho que esse é o sinal de que estamos fazendo algo legítimo!

Seguindo a linha da pergunta anterior e mantendo nossa tradicional pergunta infame, poderiam citar na opinião pessoal de cada um de vocês quais são os cinco maiores discos de rock/metal/hardcore todos os tempos?
Lucas - Dokken - Back For The Attack

Hígor – Countdown to Extinction - Megadeth

Douglas – Anarkophobia – Ratos de Porão

Mateus – The Rise of Brutality - Hatebreed

Vinícius – Lapadas do Povo - Raimundos

Numa troca de figurinhas básica aqui, poderiam nos dar um panorama de como é a cena underground por aí no RS e destacar algumas bandas locais que deveríamos conhecer?
Temos muita coisa rolando no RS, em tudo que é canto, e muuuuuuita banda boa! Começamos a ter uma visão melhor da nossa cena e das bandas locais quando começamos a tocar no Signospub, em Porto Alegre, através do Phil Barragan (organizador e músico local). Ele nos viu tocando num Ensaio de Rua de Viamão (até então nós só tocávamos na nossa cidade) e nos levou pra Porto Alegre, aí conhecemos todas as bandas que hoje estão no mesmo corre que nós! Hempadura, 9Shot, R.E.D., CxFxCx, Roleta Russa, Chute no Rim, Pull The Trigger, OÇO, Terror66, entre outras.

Gostaria de agradecer pelo tempo dispensado em nos atender e reservar este espaço para que deixem sua mensagem aos leitores do Microfonia e fãs da banda como quiser! Valeu!

Gostaríamos de agradecer pela oportunidade de falar um pouco sobre a banda aqui e pelo interesse do Microfonia em divulgar nosso trabalho, a única coisa que esperamos ganhar depois de todo nosso perrengue é reconhecimento!

Gostaríamos também de agradecer todo mundo que sempre apoiou a banda, sejam nossos amigos ou pessoas que nos acompanham mesmo distantes, vocês fazem toda a diferença!

E pra finalizar, gostaríamos de convidar todos que nunca ouviram a Boca Braba a conhecer nosso trabalho! Estamos no face, instagram, youtube, spotify, deezer... em tudo que é lugar, é só fritar!

Hardcore Lives!



https://bocabrabahardcore.bandcamp.com/releases


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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ENTREVISTA DECEIVERS



O Deceivers já possui uma trajetória longa no underground nacional, em atividade desde de 1994, os caras possuem muita bagagem e historia pra contar, em plena atividade de divulgação de seu novo disco "Poisoning", lançado recentemente e disponível pra audição nas plataformas digitais de streaming e no Youtube, os caras seguem a todo vapor e vão realizar o show de lançamento do album em alguns dias, esse e mais vários detalhes a respeito do trampo dos caras vocês podem conferir a seguir na entrevista que realizamos com a banda, respondida pelo vocalista da banda, Gregório Salles! Confiram! 



Com uma trajetória que nos remete a 1994, gostaria que vocês resumissem um pouco dessa história nos dizendo quem é o Deceivers hoje e o que mudou para vocês em termos de sonoridade nesses tantos anos de estrada?


Realmente são muito e muitos anos...tudo mudou, a qualidade das bandas de hoje, as gravações e toda a pulverização que dá para fazer no digital. Vivemos essa transição toda e acredito que todas as bandas precisam se atualizar nessa nova realidade, onde “divulgação” virou algo muito maior e mais desafiador.

Podemos considerar que vocês são pioneiros no país ao executar essa sonoridade mais moderna, mesclando thrash, hardcore, hip hop, em que artistas vocês se inspiraram quando decidiram montar o Deceivers?

Cara ouvíamos muito Suicidal, Sepultura, Machine Head do começo, DFC, Restless, Os Cabeloduro, Pantera, e até Korn (lá de 96) .... Pra se ter uma ideia trocávamos ideia com os caras do System of a Down quando eles tinham apenas uma demo iniciando na gravadora... olha só.

Vocês lançaram recentemente Poisoning, novo álbum de inéditas depois de um bom tempo, qual tem sido a reação da galera a esses novos sons?

Estamos muito animados! Excelentes comentários e aparições em sites de peso. Há pouco estivemos na lista da Alternative Press, entre as “10 bandas do Brasil que você precisa ouvir”. Sabemos que o disco ainda tem que chegar mais longe e esperamos fazer isso nesse ano e no outro.

A produção de seu novo disco ficou a cargo do renomado produtor dinamarquês Jacob Hansen, como vocês chegaram a essa escolha para produção e de que forma foi que rolou o processo?

Na verdade, o Jacob fez a masterização e finalização dos áudios, um processo próximo a uma mix final; ficamos muito felizes com o trampo dele! A produção mesmo e a mixagem ficou a cargo de Marcos Pagani conosco. Só frisando que o Pagani tem no currículo bandas como Violator e DFC, ou seja, no Brasil não vemos mão mais importante para nos dar a sonoridade que precisamos.

Essa não foi a primeira vez que vocês trabalharam com um produtor gringo, seu EP Paralytic foi masterizado por Justin Shturtz, o que vocês acharam do produto final, soou como esperavam, falando pela banda no caso, para minha audição ficou realmente foda...rs.

Valeu demais! Aquele EP tinha que soar daquela forma, era uma transição mesmo! Também gosto daquele resultado, uma sonoridade mais orgânica...

Mantendo o foco em Poisoning, que temáticas vocês abordam nas letras de seu novo álbum?

Em Poisoning as letras vão para um lado mais pesado, metafórico e protestante. Nossa sociedade está envenenada, cheia de preconceito, e vivendo a violência do terrorismo. Em outra mão, existe a esperança, gente voltada para fazer o bem. O disco traz essa dualidade no som e nas letras, temos certeza que deve trazer a reflexão!

Com todo esse tempo de estrada vocês devem vir acompanhando diversas mudanças no mercado da música, vocês consideram positivas essas novas formas de consumir música que nos são oferecidas atualmente, como as plataformas de streaming por exemplo?

Muito! É um desafio ser uma banda independente e conseguir estar no digital... nos demanda tempo e muito trabalho. Buscamos fazer isso, lançando o disco de forma digital inicialmente, e trazendo muitas plataformas para apoiar isso. Em www.deceivers.com.br tudo isso pode ser visto!

A cena de Brasília tem muitas bandas legais, tendo crescido junto da mesma e ainda vivenciando o dia a dia do underground por aí, que bandas vocês destacariam no cenário atualmente?

Cara, das mais novas destaco o Slow Bleeding, Mais que Palavras, What I Want, Kankra, Extinction Remains e o Shotgun Killa. Das mais antigas temos Terror Revolucionário, DFC, Macakongs, Miasthenia, ARD, Totem, entre muitas outras. Não existe lugar como nossa cidade para parir bandas de qualidade!

Quais são os próximos compromisso da banda, para quem quiser sacar os shows da banda?
Temos o show de lançamento agora no dia 30/09, com DFC, Slow Bleeding e Kankra. Todos os esforços voltados para essa data.

Em tempos complicados como os atuais, como é para vocês viver próximo ao epicentro do turbilhão político que vive o país? Isso influencia de alguma forma suas composições, vocês transmitem essa vivência de sua realidade diária em suas músicas?
Muito. Acredito que vivemos o momento mais apolítico do Brasil, ainda bem. Isso precisa continuar com força total.... Em junho de 2013 tivemos nas ruas a expressão mais importante de um povo que não aguenta mais tanta patifaria no comando do país e suas instituições, aquilo marcou muito e ajudou a compor letras para o novo álbum com certeza.

Olhando para sua trajetória ao longo dos anos, que fatos vocês destacariam como marcantes na história da banda?
Primeiro show com DFC no Garagem do SESC, lançamento da primeira demo e toda a repercussão, show com Sepultura no Porão do Rock, a viagem e moradia em Los Angeles nos EUA, e claro, o novo disco Poisoning!

Mantendo o velho costume de fazer perguntas difíceis, gostaríamos que vocês listassem aí um top Five de álbuns que vocês consideram seminais em toda história.

Segue os meus:
Sepultura – Chaos AD
Machine Head – Burn my Eyes
Meshuggah – Obzen
Biohazard – State of the world address
Pantera – Far Beyond Driven

Para finalizar gostaria de agradecer pela atenção e reservar este espaço para que deixem sua mensagem para a galera que os acompanha e para os leitores do Microfonia.

Agradecemos muito a oportunidade! Peço desculpas pela demora nas respostas... estávamos na correria do disco novo. Esperamos todos vocês no nosso show de lançamento, e não parem de apoiar a cena local e as bandas independentes daqui, especialmente as que fazem música marginal e subversiva, as que não se curvam para agradar nada e nem ninguém, as que estão preocupadas em passar uma mensagem qualquer.

Contato, infos:




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