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terça-feira, 4 de agosto de 2020

ASFIXIA SOCIAL - SISTEMA DE SOMA (2020) - REVIEW MICROFONIA



Na estrada desde 2007, a Asfixia Social é uma banda ímpar, pratica uma sonoridade que não facilita para quem gosta de colocar rótulos, são vários ritmos e estilos numa fusão que torna tudo muito interessante, coloque o hip hop, punk, hardcore, dub, reggae, jazz, ska e temos uma ideia do que é essa banda, música de quebrada, para as quebradas, como já fora dito no seu disco anterior, "Da Rua, Pra Rua", seu último full album de 2011.

Foi criada uma grande expectativa para esse novo disco dos caras, com o lançamento de vários singles que davam amostras de que eles elevariam o nível da fórmula utilizada em seu último lançamento, acentuando ainda mais a diversidade musical e cultural da banda em faixas recheadas de participações pesadas, que somaram e muito a sonoridade apresentada em "Sistema de Soma".

O título justifica muito bem a sonoridade do disco, pois todos que contribuíram enriqueceram muito a música da Asfixia, GOG, DJ Tano, Funk Buia, Karen Santana, Mao(!), etc. Vários nomes que se uniram pra entregar mais um grande lançamento desse confuso ano de 2020.

Ouço o som dos caras desde 2011 e é uma imensa satisfação poder conhecer suas novas composições e perceber que mantiveram a pegada de sua veia criativa, soltando mais disco sensacional, com faixas que marcam de cara em sua primeira audição, sempre recomendo que se ouça um disco por completo, pra se ter uma visão do trabalho como obra única, mas sem dúvidas, desde o seu lançamento como single eu já destacaria a incrível "A cara do inimigo", que desde o seu lançamento já está na nossa playlist no Spotify, Raízes Fortes também dá as caras mostrando toda diversidade sonora da banda de uma pegada cadenciada de dub/reggae pra uma pegada hardcore, "A quebrada constrói" não nada mais e nem menos que uma música sensacional, com sua levada hipnotizante e mudança de ritmo que se encaixa com precisão, nem vou me estender mais porque poderia dizer algo positivo sobre o disco todo!

Basicamente já entra pesado como um dos integrantes de minha lista de melhores discos de 2020, vale ressaltar que será realizado em Setembro o lançamento do Livro + CD "Sistema de Soma" em sua versão física, já disponível pra venda no site da banda, contribuam para o desenvolvimento do underground adquiram lá pra fortalecer esse trampo sensacional!




SITE OFICIAL/LOJA


BANDCAMP


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quarta-feira, 22 de julho de 2020

ENTREVISTA CRANIAL CRUSHER

A Cranial Crusher é uma banda de Thrash metal/Crossover, formada em 2010 lá em São Bernardo do Campo-SP pelos amigos Renan Stoiani (Baixo e vocal), Lucas Aímola (Guitarra) e Guilherme Fructuoso (Bateria). Desde então se foram vários shows, singles, Eps e agora os caras se encontram em processo de composição para um novo album e nos contaram um pouco de como andam as atividades da banda e como estão lhe dando com esse momento complicado de pandemia que atravessamos, pra saber mais confiram logo menos nosso papo e não deixem de conferir o trabalho da banda que manda um som muito foda!




Fala pessoal! Satisfação em poder ter a Cranial Crusher aqui no Microfonia, lançando a máxima de que o tempo voa, lá se vão dez anos de banda, olhando pra trás agora e revivendo um pouco dessa história, que momentos vocês destacariam na trajetória da banda que ficaram marcados de alguma forma?

CRANIAL CRUSHER: Fala pessoal, primeiramente obrigado pelo espaço, é um prazer enorme poder trocar ideia aqui no Microfonia Underground!
Bom, agora é a nossa vez de usar uma máxima, porque na real parece que foi ontem que tudo começou (risos)! Começamos a banda em fevereiro de 2010 e nessa época tocávamos só uns covers de Ratos de Porão, Misfits, Metallica e Slayer com uns equipamentos muito precários.  De lá pra cá todo mundo evoluiu dentro e fora da banda, tudo tem sido bem bacana, as composições, os lançamentos, os shows e todos os amigos que fizemos ao longo dos anos.
Aos poucos fomos incrementando ideias e influências de cada um e direcionando a banda para ter nossa própria sonoridade e isso é bem daora. Pouco a pouco foram aparecendo shows aqui e ali, alguns grandes e outros nem tanto. Nosso primeiríssimo show foi no clássico “festival da escola” que o Renan e o Fruto estudavam, a gente era tudo criança e tocamos só duas músicas e valeu bastante pela experiência, então fica como um dos destaques.
Vale citar também um show que fizemos em Poços de Caldas em 2016, tocamos era umas 4h da manhã e tinha zero pessoas na casa mais ou menos. Nesse dia deu tudo errado, quebrou a bateria no meio do show, não nos pagaram o valor que tinha sido combinado e dormimos num hotel muito podre. Na época ficamos meio putos, mas hoje damos muita risada disso, foi uma aventura (risos).

Vocês mantêm a formação original da banda como os mesmos membros até aqui, a que se deve a longevidade da parceria, visto que infelizmente não é comum no meio underground a durabilidade nem de formações e nem de bandas?

CxCx: A gente já tinha uma amizade antes mesmo de formar a banda. O Renan e o Fruto estudaram juntos por vários anos e se conhecem dos tempos de escola, depois conheceram o Lucas através de amigos em comum e de lá pra cá a parceria só se fortaleceu. Vira e mexe a gente manda o outro à merda, mas esse tipo de atrito faz parte e a gente leva numa boa. A longevidade da formação se dá justamente ao fato da banda ter surgido em meio a uma amizade, então tudo acaba sendo bastante sólido. É diferente de quando você tem apenas “músicos” numa banda, vira praticamente uma relação profissional. Felizmente esse não é o nosso caso!



Quando vocês se reuniram como banda já havia um senso comum de como vocês gostariam que soassem? Quais foram as referências que vocês usaram de inspiração na hora de moldar essa questão da sonoridade?

CxCx: Na real bem no começo da banda a gente só tocava e não sabia muito onde queríamos chegar. O Lucas era de uma pegada mais metal tradicional, heavy metal e tal. Já o Fruto curtia thrash metal bem oitentista e o Renan também, mas tinha bastante influência de punk, hardcore e crossover. Essa diferença foi super positiva, fomos agregando as influências individuais à banda e com o passar dos anos nosso som foi moldado e direcionado pra algo que a gente curta.
Mesmo hoje a gente traz influências de várias escolas diferentes, então o resultado acaba sendo bem heterogêneo, com sons que vão desde uma pegada mais crust punk até uns thrash metal da velha guarda, passando pelo heavy metal, crossover e vários outros estilos.

Estou escrevendo a entrevista nesse momento ouvindo a discografia da banda e traçando uma linha do tempo, após o single de “Too many cops” em 2012, o primeiro lançamento da banda foi o Split com a Cerberus Attack, lançado em CD como “Cranial Attack”, como foi a gravação desse material, a banda já possuía experiência de estúdio? Vale observar que foi gravado ao vivo, como foi esse rolê e o que vocês fariam diferente hoje? 

CxCx: Essa gravação do split foi sensacional, pois gravamos na quebrada dos caras do Cerberus ao vivo mesmo, como você disse. Foi nossa primeira experiência em estúdio e nessa época a gente tava ensaiando demais, quase todo o fim de semana umas 5h por dia. Aí saímos de São Bernardo de ônibus, pegamos umas 3 conduções pra chegar no estúdio e tudo isso fazendo a maior farra no caminho! Então a gente só chegou lá, gravamos e fim, não tínhamos muita noção das coisas.
Na real não faríamos nada muito diferente, quer dizer, foi o que era pra ser mesmo saca? De repente só ajustar melhor os timbres, afinar os instrumentos direito (risos!), regular bem os equipamentos e tal, mas rolou legal e o split registra bem o momento. A gente chegou lá e tocou como se fosse um show e foi uma experiência bem bacana.

A banda participou do tributo ao Lobotomia, com a faixa “Faces da morte”, ficou muito foda vocês tocando esse som, como surgiu o convite pra participar desse corre? Lobotomia é uma influência no som da Cranial Crusher?

CxCx: Na época uma das bandas que ia participar da coletânea ramelou e o Edu Voodoo (Lobotomia) tava precisando de uma banda pra colocar no lugar. Aí um grande amigo nosso, o Bodão (Profundezas), que é um grande amigo do Edu, falou da gente pra ele. Inclusive tínhamos tocado no rolê que o Edu agitava (Garage Fest, em Ribeirão Pires - SP). Aliás, nesse dia a gente tocou um cover de “Nada É Como Parece” do próprio Lobotomia com o Edu no vocal, mas sem pretensão nenhuma e acabou sendo muito louco. No fim das contas o Edu curtiu a sugestão e gravamos Faces da Morte, mas a coletânea infelizmente ainda não foi lançada.

Vivemos um momento muito difícil para as bandas e músicos e cultura em geral, já que não temos ideia de quando poderemos voltar a ter shows e nem de que forma isso será feito no futuro, como vocês tem encarado essa situação e quais são as saídas que vocês acreditam que poderão ser utilizadas pra voltarmos as atividades no underground em termos de shows?

CxCx: Desde o ano passado já não vínhamos realizando muitos shows devido à gravação do novo play. Aí esse ano de 2020 veio, pandemia e tudo mais e atrapalhou muita coisa, tínhamos planos pra celebrar os 10 anos de Cranial, merchan e disco novo e várias coisas legais que infelizmente não conseguimos concretizar até o momento, mas seguimos na correria e com esperanças de tempos melhores.
Estamos aproveitando esse tempo livre pra agilizar novas composições, fazer alguns corres da banda que tinham ficado pra trás e também pra dar atenção a outras atividades pessoais que acabaram ficando de lado.
Agora o futuro é bastante incerto, não há muitas saídas seguras para a retomada de atividades a não ser esperar por uma vacina e pela redução do números de novos infectados.
Enquanto isso, da nossa parte estamos ficando ao máximo em casa e seguindo as orientações dos profissionais de saúde. Só assim pra voltarmos à normalidade o quanto antes.
Em relação aos eventos, as transmissões ao vivo estão ganhando bastante espaço, então pode ser que o esquema de shows mude um pouco, mas claro que essa é só uma suposição porque fica difícil pensar em saídas viáveis no momento. Sabemos que a situação ficou difícil pra muita gente, principalmente pra quem vivia disso, seja de uma casa de show, barzinho, loja, estúdio. Infelizmente vimos alguns picos que tocamos fecharem, é bastante triste.

Pra deixar de lado esse fator negativo da pandemia, vamos cair no ditado de que recordar é viver, quais as apresentações da Cranial Crusher que ficaram marcadas na memória da banda e que histórias vocês citariam como inesquecíveis dos momentos de estrada da banda que vale a pena compartilhar?

CxCx: Em Piracicaba-SP, em 2012, com o Bandanos e Violent Illusion, primeiro show “oficial” do Cranial: a gente tava nervoso pra caramba e foi bem louco; abertura para o Violator em São Bernardo do Campo-SP em 2013: fizemos grandes amigos nesse dia; Overload Clandestino quando tocamos na calçada do Carioca Club (SP) na porta do Overload Beer Festival, fizemos um corre absurdo pra viabilizar essa invasão, contamos com o apoio de vários amigos e deu tudo certo, foi muito foda; festival Da Rua pra Rua em São Bernardo do Campo-SP em 2017 organizado pelo Coletivo Refuse Resist, quando tocamos na carreta de um caminhão;  Tinguá Thrash também organizado pelo Coletivo Refuse Resist (exemplo de parceria e união no underground, inclusive tem vídeos muito bem produzidos deste evento e até um mini documentário que recomendo que assistam!), todas as apresentações da pista de skate de São Bernardo do Campo, todas as vezes que tocamos no Mineiro Rock Bar em Osasco-SP, todas do finado bar CPB em Cambuí-MG do nosso grande amigo Mané e por fim e não menos importante, a ve que tocamos com o Ratos de Porão em Santo André-SP.





Eu sempre falo com os amigos e parceiros de Microfonia por aqui que o Brasil é o país do Thrash metal e do crossover, produzimos bandas incríveis nesses gêneros, gostaria que vocês nos indicassem que bandas nacionais consideram seminais dentro dessa vertente?

CxCx: Securitate, Alucinator, Cerberus Attack, Suffocation of Soul, Bastardo, Damn Youth, Exorcismo, Heritage (e todas as bandas que o Rodrigo Costa já tocou. O menino é um prodígio dos riffs!) Metalizer, Criminal Mosh, Bandanos, Acid Speech, Bomb Threat, Dunkell Reiter, Hate Your Fate e por aí vai (esse tipo de lista é sempre injusta porque tem muito mais bandas que conseguimos citar...)

Em fevereiro vocês lançaram um novo som, “Tendência Suicida”, single do próximo album da banda, pretendem lançar ainda em 2020 ou os planos foram afetados por conta da pandemia?

CxCx: Como dissemos anteriormente, os planos que tínhamos pra esse ano foram muito afetados pela pandemia, mas não desanimamos. Seguimos compondo e trabalhando em material novo, mas sem data prevista para lançar nada. A única certeza que temos é que tá tudo incerto!



Ainda sobre esse vindouro novo álbum, o que poderiam nos adiantar a respeito? Quantas faixas terá? Já possui um título? Arte da capa? Como estão essas questões com relação ao novo trampo?

CxCx: Vamos lá, em primeira mão aqui hein! A ideia do disco é abordar todo o ódio que um ambiente de trabalho hostil pode gerar, como o proletariado é explorado, relações tóxicas no ambiente de trabalho e a revolução/guerra de classes. A arte inclusive já tá pronta e ficou muito foda! Foi feita pelo Ronilson Freire (Jackdevil, Electric Poison), que é também ilustrador de quadrinhos, então tá um trampo fino demais, mas que só vamos soltar mais pra frente. Também vamos lançar novas camisetas e merchan que tá dando gosto de ver. Aguardem!!!

Mantendo nosso tradicional pedido infame a todos os entrevistados, gostaria que nos dissesse quais são os cinco melhores álbuns de todos os tempos segundo a Cranial Crusher?

CxCx: Mencionar apenas cinco discos gerou muita discussão entre nós, então decidimos citar alguns poucos (dos vários) que são de extrema importância para nossa escola musical. São eles:

Beneath the Remains - Sepultura
Nada é Como Parece - Lobotomia 
Tortured Existence – Demolition Hammer
Kill ’em All - Metallica
Handle with Care – Nuclear Assault
Walls of Jericho - Helloween
Best Wishes – Cro-Mags
Lights, Camera, Revolution – Suicidal Tendencies
Brasil – Ratos de Porão
Pela Paz em Todo o Mundo - Cólera
Antes do Fim – Dorsal Atlântica
We Crush Your Mind with the Thrash Inside - Bandanos
The Legacy - Testament
Reign in Blood - Slayer
Nada Como um Dia Após o Outro Dia – Racionais MCs

Pra finalizar, gostaria de agradecer novamente por falar com a gente e reservar esse espaço pra que mandem seu salve como desejar.

CxCx: Obrigado pelo papo, foi muito bacana! Além do som, temos mensagens importantes a transmitir por meio de nossas letras, então sempre procurem lê-las e falar conosco quando quiserem. Pra nós no underground não deve existir divisão entre público e banda e o diálogo e a troca de ideias são muito importantes!
Além disso, pedimos a todos que se cuidem e tomem todas as precauções possíveis para que possamos sair dessa situação o quanto antes e da melhor forma! Até lá, tentem manter-se bem e fortaleçam laços com amigos e familiares, a união é muito importante! Apoiem os pequenos, sejam músicos, bandas, artistas e comerciantes. Valeu!
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segunda-feira, 16 de abril de 2018

ENTREVISTA ASFIXIA SOCIAL

Fala juventude perdida brasileira!!! Falamos com os caras da Asfixia Social, que lançou recentemente um single de seu vindouro novo play, sucessor de "Da Rua Pra Rua", que deve ganhar as ruas no segundo semestre desse conturbado 2018, batemos um papo sobre esse novo trampo, sobre o festival que os caras organizam e mais outras paradas que vocês podem conferir a seguir!!! 




Fala pessoal, obrigado por falar com a gente, indo direto ao ponto, que detalhes vocês poderiam nos adiantar a respeito de seu novo trabalho, “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”? 

Banda: Salve mano! O novo álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói” sai no segundo semestre de 2018 em formato de Livro-Disco, com várias participações especiais. É um trabalho que valoriza muito poesias e melodias que criamos nos últimos 3 e que foi ilustrado por alunos de 10 escolas da rede pública de São Paulo. Você pode esperar muito groove, muito peso e a essência do Da Rua pra Rua num disco que gradativamente apresenta esses diversos ritmos da banda. 



Desde “Da rua pra rua” (2011), já são sete anos, disco excepcional e que ainda me soa muito bem, atual e empolgante, vocês mudaram o direcionamento de alguma forma para este vindouro novo trampo?

Banda: O direcionamento é o mesmo, música sem fronteiras e uma poesia crítica, buscando fortalecer o pensamento coletivo e a caminhada do dia a dia das pessoas. Mas são 7 anos dos quais estamos trabalhando desde 2013 nas composições, arranjos, etc, então naturalmente a gente espera corresponder a todas as expectativas e fazer um disco à altura do “Da Rua pra Rua”! 


É impossível não criar altas expectativas com este novo trampo, a começar pelas participações que vocês têm divulgado, confesso que estou muito curioso pra conferir o resultado dessa mistura, poderiam nos dizer como escolheram os convidados presentes em “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”? 


Banda: Estamos felizes com as participações que aconteceram, pois convidamos gente que estava bem próxima da banda ao longo dos últimos anos. Por exemplo no primeiro single lançado agora em março: “Sistema de Som(a)” (confira o videoclipe no youtube!), com Petróleo, um mano nosso do samba de milianos, DJ Tano Z'África Brasil, que é amigo da banda há muito tempo e gravou no Da Rua pra Rua em algumas faixas, assim como o trombonista Bocato e o trompetista italiano Gabriel Rosati, que são nomes importantes da música e que tocam pra caramba. Esses participaram da música “Sistema de Som(a)”, e tem outras 9 canções aí que vamos lançar até o segundo semestre! 





Em 2015 vocês lançaram “Cuba Punk”, DVD que retrata sua tour pelo país, como foram as trocas de experiencias que rolaram por lá, e de que forma surgiu o projeto de documentar este rolê que vocês fizeram?

Banda: Tínhamos estado lá 2014 com um grupo de teatro (XPTO), tocando também, e conhecemos muita gente. Nossa música ficou por lá e muita gente curtiu e compartilhou isso na ilha, então ao ganharmos o Prêmio da Cultura Hip Hop (Funarte, 2014) tivemos condições de participar de alguns festivais importantes lá, como a Bienal de Arte de Havana, na Fábrica de Arte Cubano (FAC). Tocamos numa programação recheada de artistas internacionais e fomos prestigiados por muita gente legal. Daí, desse show, emendamos a tour pro lado underground, foram 10 shows cabulosos em vários picos como a Casa de Cultura de Trinidad e um cinema abandonado da década de 60!






Ainda sobre “Cuba Punk”, é interessante vocês escolherem um destino incomum para as bandas brasileiras do underground, sempre se fala em tocar na Europa e nos vizinhos da América do sul, e o Asfixia mais uma vez foge do comum ao partir pra um destino diferente, que bagagem vocês consideram ter trazido no fim das contas de toda essa experiencia?

Banda: A gente trouxe de volta várias amizades e aprendizados com relação a um país muito diferente no que diz respeito à lidar com as questões sociais. Não há violência praticamente em Cuba, e apesar dos perrengues, existe muito respeito interpessoal, muita ajuda entre as pessoas e condições mínimas para um povo muito alegre! Foi uma experiência que levar pra vida e com certeza acreditamos muito no lado humano dessa vivência coletiva! Queremos voltar e também trazer muito mais rum na bagagem!

Outra inciativa que sempre vale a pena ressaltar, e que espero um dia poder participar, é o Festival Da Rua pra Rua, como vocês viabilizam um corre louco desses com mais de 50 bandas participando? E já tem planos pra edição 2018?

Banda: O Festival Da Rua pra Rua vem da ideia de, quando em 2009, a gente lançou a nossa primeira demo e fazíamos shows na rua, convidando artistas do punk/hardcore, do reggae e do hiphop de vários cantos pra tocar com a gente. Em 2013, fizemos o festival no aniversário de 6 anos da banda, e foi surpreendente a participação de vários amigos no corre, vimos a possibilidade de organizar uma parada cada vez mais profissional. Tanto que ganhamos o prêmio da Cultura Hip Hop da Funarte também em função do DVD que gravamos naquele ano (DVD Asfixia Social – Da Rua pra Rua). De lá pra cá a coisa cresceu e criamos o Coletivo Da Rua pra Rua pra fazer a curadoria e organização do festival. Estamos planejando o festival de 2018 pra setembro, nossa sexta edição!




A banda está aí há mais de dez anos na estrada, o que numa cena underground e na base do trabalho independente é bastante coisa, como vocês avaliam a trajetória até aqui? Preparados para mais dez anos?

Banda: Há dez anos temos aprendido muito e também nos divertido pra caramba. Amamos fazer isso e acreditamos demais que a mensagem possa tocar em várias quebradas e motivar muitos na caminhada! Nossa caminhada é uma só! Enquanto tiver uma caixa de som ali, a gente vai tocar mano!

Vivemos um momento de intensa polarização politica no país, com muito ódio sendo destilado nas redes e muita gente entrando em conflito por posicionamentos a esquerda ou a direita, o que vocês acham de todo esse movimento, da onda de conservadorismo, de fascistas e racistas aproveitando o “escudo” da internet para dar as caras?

Banda: É triste ver que muita gente fala o que não sabe, sem nenhuma noção. Acho que o “entretenimento” tem afastado as pessoas demais, e parece que a dor do outro não dói. Precisamos discutir mais sobre políticas públicas, projetos políticos, estudar mais, principalmente a história, porque muitos dos erros que estão sendo cometidos não aconteceriam se a gente tivesse um pouco mais de conhecimento e contato real com as necessidades de outros lugares, de outras pessoas que vivem de maneira diferente da nossa. Acho que é um momento triste da história, e o trabalhador tem que abrir o olho, ser mais crítico, analisar quem usa de todo esse ódio pra manipular a opinião pública.




Devido a movimentação da organização do festival, vocês devem ter contato com muitas bandas novas na cena, quem vocês destacariam no cenário atual que merece uma audição mais atenta por parte do público?

Banda: São inúmeras bandas boas que tem surgido, mas muitas também são desconhecidas do público e estão aí há mais tempo que o próprio Asfixia Social. Por exemplo, acabamos de organizar a Frente Popular dos Artistas pela Luta em Movimentos Sociais – FALEMOS – e tem várias bandas do Coletivo Da Rua pra Rua (tem uma lista no www.daruaprarua.com.br). Fora isso, fiquem ligados aí nas bandas autorais que sempre tocam com a gente em outros eventos e no próprio festival. São inúmeras e muito diferentes umas das outras, vale a pena ouvir um pouco de cada uma! 


Mantendo o tradicional plágio da Roadie Crew, e aproveitando que estamos falando sobre bandas que merecem a nossa atenção, poderiam nos listar cinco discos essenciais para a Asfixia Social?

Banda: São inúmeros discos, mas acho que podemos citar aqui Macka B com o álbum “Word, Sound & Power” (2004), Black Sabbath em “Reunion” (1998), Suicidal Tendencies em “How will I laugh Tomorrow”, Skatalites em “African Roots” (1978) e Black Flag em “Nervous Breakdown” (1979). Se você perguntar isso de novo, provavelmente a gente vai mudar todas as respostas. Essa foi a pergunta mais demorada pra gente responder, porque tem muita referência de bandas brasileiras e gringas, doidera!

Pra finalizar, novamente muito obrigado por falar com a gente e o espaço é todo seu para suas considerações finais.

Banda: Agradecemos demais pela força e atenção! Espero que possam curtir o álbum “Sistema de Soma: A Quebrada Constrói”. São anos de dedicação a este trampo, que já começa a estar disponível pelo www.asfixiasocial.com.br ! Acessa lá e fala diretamente com a gente família, satisfação!