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domingo, 16 de agosto de 2020

BASTTARDZ - BRASIL COM Z (2020) - REVIEW MICROFONIA

 

Não temos do que reclamar quando o assunto é hardcore/crossover aqui pela terra das palmeiras onde canta o Sabiá! Somos referência nesse gênero, grandes bandas estabelecidas ao longo dos anos e o estilo segue se renovando revelando novos nomes para a cena que seguem levantando a bandeira do roque veloz com muito conhecimento de causa e talento!

A Basttardz vem São Luís-MA, terra que tivemos a oportunidade de conhecer durante o fatídico Metal Open Air em 2012, mas isso não é o que queremos ressaltar, São Luís é uma capital bela, banhada pelo mar e que apresenta problemas que todas as capitais e regiões com maior densidade demográfica nesse país apresentam, violência, desigualdade, truculência policial, racismo estrutural, falta de oportunidades, isso não é exclusividade de lugar nenhum no Brasil, infelizmente, mas serviram de combustível para Andrezão (vocais), Francis (guitarra), Texugo (contrabaixo) e Topeira (bateria) criar as oito faixas de “Brasil com Z” lançadas em maio, que tem sangue no “zóio” de sobra!




Estava acompanhando a terceira edição do Festival Online da Roadie Crew e me deparei com os caras executando duas faixas de seu disco, “Agrotrash” (crítica ferrenha ao maquiavélico agronegócio brasileiro, tá óbvio no nome da faixa né...rs) e “Desgraça”, já me pegou de cara, sonoridade foda, primeira referência que me veio à mente foi a do D.F.C., porém é só um ponto de referência mesmo pra explicar o som, pois os caras já deixam em seu primeiro registro faixas com personalidade de quem sabe o que está fazendo.

O defeito de “Brasil com Z”, e´ que como todo bom registro de roque veloz que se prese, é curtíssimo e acaba deixando aquela sensação, quando será que a Basttardz vai lançar novos sons?

Caso vocês tenha ideias reacionárias, retrogradas, preconceituosas, apoie esse monte de merda que está no poder, esse som não é pra você, então não desperdice seu tempo e nem o nosso, sem tempo irmão! Em cima disso, vou falar qual é o destaque absoluto desse disco pra mim, “Fogo na zona sul”, dá uma aula de consciência de classe, “...fogo na zona sul, playboy é tudo pau no cu...”, simples e direto ao ponto, recado mais claro impossível! A faixa título abre o disco com responsa, mostrando que, nas palavras da própria banda, não adiantar mentir, o inferno é aqui! “Corra que a polícia vem aí” apresenta um tema óbvio, porém curti a abordagem da letra e inserção de um trecho de “Fuck Tha Police” do N.W.A. no finalzinho da faixa que ficou genial, além desses destaques as faixas já citadas que foram apresentadas no festival da Roadie Crew merecem uma audição com atenção!

Pra finalizar vamos mandar o recado de sempre, busquem ouvir coisas novas, nosso underground é riquíssimo e existe bandas produzindo materiais incríveis em todos cantos desse Brasil, saia fora do eixo, adquira materiais, não reclame da cena, faça algo por ela!




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sexta-feira, 20 de abril de 2018

CLÁSSICOS RECENTES DO UNDERGROUND NACIONAL #4 - RATOS DE PORÃO - CARNICERIA TROPICAL (1997)

Carniceria Tropical (1997)

Basicamente eu conheci o RDP através deste disco, apenas ouvia faixas avulsas até então, isso já me bastaria pra colocá-lo aqui, afinal tem aí seus pouco mais de 20 anos de lançamento, não faz parte da fase "clássica" da banda, mas tem muitas pessoas que consideram este disco o melhor da discografia da banda, questão de opinião, porém, creio que "Carniceria Tropical" tenha seus méritos pra ser considerado como tal!
O último de inéditas dos caras havia sido o estranho "Just another crime in...Massacreland", pouco lembrado até hoje, eles vinham de uma bem sucedida tour de divulgação do disco de covers "Feijoada Acidente" em suas versões violentas para clássicos do punk/hardcore nacional e internacional, então estava na hora de rolar um novo disco pra sacramentar o bom momento, e ele veio na forma do registro mais brutal da banda até ali, mostrando facetas crust/grind que foram incorporadas com maestria a sonoridade tradicionalmente apresentada por eles.
No DVD Guidable é possível sacar algumas curiosidades a respeito da gravação e produção, que contou com o insano Billy Anderson (Brutal Truth, Neurosis, etc) e suas experiências extremas, como a famosa gravação de vocal com a boca do Gordo cheio de bolo, e entende-se pelo depoimento dos integrantes, que havia sim a intenção de soar o mais pesado possível durante a composição da faixas que viriam a integrar o play, isso explica a vocação extrema das faixas presentes.





Vou fazer um faixa a faixa de acordo com a minha primeira audição do disco, uma cópia emprestada do meu amigo Alexandre, fazia pouco tempo que eu curtia um som, e ainda era bem cru em termos de gêneros e sonoridades, por conta disso foi chocante a experiência, conhecia outros poucos sons do Ratos e ainda não era familiarizado com vertentes como o crust e o grindcore, então mesmo que o disco tenha apenas elementos desses estilos, foi um primeiro contato com a desgraça musical que amo até hoje!
Acho que a duas primeiras faixas representam muito bem o que é o Carniceria, "Vá se virar" e "Atitude zero" praticamente se complementam e é aquele peso absurdo que contagia, impossível não se empolgar ao ouvir essas faixas, destaque também para os vocais que são extremamente brutais nessas faixas.
Na sequência "Banha" dá uma cadenciada, mas segue a lógica do disco sem destoar, com muito peso e sua letra debochada.
A próxima é "Crocodila", apesar de ser um disco bem homogêneo, podemos considera-la como um destaque, que ganhou até um clipe para divulgação e certamente é uma das mais lembradas, sendo inclusive executada nos shows até uns tempos desses.





"Pedra" é um rap com crust caótico com a participação dos caras do Pavilhão 9 que dividiam a mesma gravadora com o RDP na época, a Paradoxx, o som mais fora de padrão do disco, era o Ratos fazendo uma experimentação musical, que acho bem foda inclusive.
"Estilo de vida miserável" é a minha faixa preferida desse álbum, veloz e brutal e com os vocais insanos do gordo, e tem uma introdução cômica antes de rolar o som, que gostaria de saber de onde saiu mas não possuo fontes, sem dúvidas uma faixa memorável!
"Dificil de entender" e "Outra vez" mantém a adrenalina em alta e não deixam a pegada frenética cair, abrindo caminho para a porrada seguinte que também aprecio pra caralho, "Bico do Corvo"!
"Ideologic Police" e "Autoguerrilha" não fazem muito minha cabeça, mas também não comprometem, até porque o que vem em seguida é outra faixa ignorante e violenta do disco, no sentido musical é claro, "Arranca toco" dispensa maiores apresentações, tem o título auto explicativo.
"Colisão" fecha o disco seguindo padrão "Carniceria" de qualidade, vocal sujão e uma pegada crust/punk, com sua letra falando sobre gente imbecil ao volante.
Como de costume as letras do RDP soam sempre bem atuais, temas que não soam datados, Gordo domina muito bem a arte de escrever essa poesia do inferno, e vemos aqui os caras num momento muito coeso como banda, apesar do Pica-Pau já estar meio descontente e bipolar durante as gravações, mas sem dúvidas um grande clássico do underground nacional!!!





FAIXAS


“VÁ SE VIRAR”
“ATITUDE ZERO”
“BANHA”
“CROCODILA”
“PEDRA”
“ESTILO DE VIDA MISERÁVEL”
“DIFÍCIL DE ENTENDER”
“OUTRA VEZ”
“BICO DO CORVO”
“IDEOLOGIC POLICE”
“AUTOGUERRILHA”
“ARRANCA TOCO”
“COLISÃO”