sábado, 18 de julho de 2020

ENTREVISTA EXCLUSIVA VITOR RODRIGUES (TRIBAL SCREAM / VICTORIZER)





Galera, é uma honra imensa ter Vitor Rodrigues como nosso entrevistado em nosso Blog!

Com carreira musical incrível, cujo seu ápice nos tempos de Torture Squad levou a ser uma referência na cena em sua técnica vocal e presença de palco e com disposição incansável para novos projetos, hoje ele encabeça dois trabalhos muito importantes para a cena underground: Tribal Scream e Victorizer.

Com a humildade de sempre, ele nos recebeu e conta um pouco sobre carreira, os trabalhos com seus projetos e tantos outros assuntos.

Confira a entrevista, na íntegra.


Vitor, em primeiro lugar, é uma honra ter você como nosso entrevistado do Microfonia! Seja muito bem vindo! Temos uma lembrança muito foda que envolve sua pessoa: eu (Beto), Evandro e Ronaldo, integrantes desse coletivo, ficamos maravilhados com a sua receptividade e simpatia quando estivemos em São Luís em 2012 no fatídico MOA (Metal Open Air) e você trocou ideia com cada um de nós quando nos encontramos nas escadarias do Centro Histórico da cidade. Pode ter certeza que até hoje comentamos desse episódio bacana em meio ao caos que se instaurou naqueles dias de festival. Deixamos nosso muito obrigado, de coração!

Vitor Rodrigues – O prazer é todo meu, Adalberto e que lembrança boa demais!! Sim, estava um verdadeiro caos e lembro-me de ficar extremamente chateado com tudo o que ocorreu. Aproveito para deixar minha gratidão com todos vocês meus amigos.



Comente como vocês da banda estão encarando esse desafio de gravar composições em seu novo trabalho no Tribal Scream em meio a toda essa pandemia da COVID-19. Conta pra nós como está esse processo de gravação que imagino ser diferente e inédito para todos vocês.

VR – Sim, essa é uma nova situação que estamos enfrentando e nos adaptando e nisso a tecnologia está desempenhando um papel fundamental para que possamos trocar muitas ideias. A composição ficou mais intimista e desafiadora, e isso é muito saudável porque as músicas vão ter um nível alto de qualidade. No Tribal Scream a coisa funciona com cada um em sua casa criando ideias e elas são compartilhadas para que todos possam dar uma opinião. Essas ideias são gravadas e vamos agregando arranjos. Após todos ficarem satisfeitos com a composição, cada um vai gravando suas partes e a partir daí partimos pra gravação propriamente dita num estúdio seguindo todas as normas de segurança e distanciamento.



Apesar dessa incerteza mundial, o álbum de estreia tem previsão de lançamento nas mídias?

VR – Estamos trabalhando rápido e esperamos lançar o álbum ainda esse ano, mas a certeza é que iremos soltar alguns singles antes e também estamos analisando a melhor forma de lançá-los.

 


E o processo seletivo para escolher o baterista? Como foi essa busca? Teve muita gente boa?

VR – Olha, posso afirmar que foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida. O nível estava realmente alto com excelentes bateristas. A cada novo vídeo recebido a responsa só aumentava para escolher aquele que melhor se adequasse às ideias e sonoridade da banda. E o grande vencedor foi o Estevan Furlan, baterista oriundo de Campinas. Teve muita gente boa sim e isso só prova a enorme quantidade de talentos espalhados pelo Brasil.

 


As composições desse futuro play seguirão na linha temática aproximada ao do álbum “Mandu”?

VR – As composições não seguirão a linha temática do Mandu, mas isso não quer dizer que não possa ter uma ou mais faixas relacionadas à temática indígena. Depende da inspiração.



Por falar em “Mandu”, eu considero esse disco uma aula de história do Brasil, porque você resgatou a vida de Mandu Ladino, um indígena da tribo tapuia de etnia Kariri que liderou por sete anos entre Ceará, Maranhão e Piauí ataques constantes contra os colonizadores bandeirantes que, ao longo dos Sécs. XVII e XVIII travou uma carnificina sem precedentes no interior do Brasil. Em resumo, uma figura de alta importância na história brasileira, mas que não está nos livros escolares. Diante disso, qual a sua opinião com relação a trabalhos como esse do Voodoopriest ser uma espécie de gatilho de conhecimento para maior engajamento para a comunidade indígena e pessoas brancas que queiram defender a causa?

VR – Fico muito agradecido pelas palavras. Tudo começou quando eu procurava um tema para uma música apenas e me deparei com uma resenha de um jornalista falando do livro Mandu Ladino de Anfrísio Lobão Castelo Branco. Quando acabei de ler percebi que estava diante de um tema que não caberia somente em uma música, mas de um disco inteiro. Em suma, um álbum conceitual. Na verdade eu já tinha a ideia de fazer um álbum conceitual na época do álbum “The Unholy Spell” do Torture Squad. Infelizmente não rolou porque o tema sobre ovnis e alienígenas é muito vasto e complexo e precisaria de tempo para ler, entender e assimilar e passar isso para uma letra, para um disco inteiro.

Enfim, o objetivo do álbum Mandu não foi – num primeiro momento – de engajar pessoas, mas acima de tudo mostrar a importância histórica que Mandu Ladino, e de tantos outros chefes indígenas tiveram defendendo seu território e seu povo, mas fico imensamente grato se as pessoas entenderam completamente o contexto do álbum e inspiraram a buscar conhecimento sobre os povos que viveram aqui antes da exploração danosa do conquistador europeu.


 



Em paralelo a isso, tem o Victorizer, no qual vocês estavam a todo vapor para lançar o play até chegar a pandemia da COVID-19. Lembro bem que no ano passado vocês fizeram uma turnê no sul, onde vocês soltaram um “spoiler” de duas músicas (“Personal War” e “Back to the War Zone”). Vocês só estão esperando normalizar para lançar o disco de estreia?

VR – Exatamente! Além da pandemia, muitas outras coisas contribuíram para que a gente ficasse em compasso de espera; a ida do guitarrista Woesley Johann para o Nervochaos e a finalização do estúdio na casa dele foram também outros motivos. O disco está praticamente finalizado restando apenas alguns detalhes, mas estamos esperando essa pandemia acabar para voltarmos ao trabalho, gravando e fazendo shows!





Você tem ótimas participações em discos de outras bandas (Korzus, Claustrofobia, Glory Opera, Hammathaz, Carro Bomba, Tuatha de Danann, Genocídio e tantos outros). Conta pra nós a experiência em gravar a excelente faixa “The Thin Line” com os fodidos integrantes do Setfire.

VR – O Artur Morais, vocalista do Setfire entrou em contato comigo e gentilmente pediu uma participação minha em uma faixa do disco deles. Já conhecia o trabalho deles e para mim foi um enorme prazer. Além de gravar a minha participação, conversamos muito sobre o disco deles, o mercado musical entre outros assuntos e eu gosto muito de fazer participações porque é muito enriquecedor cantar em bandas com estilos diferentes.






E o Volume 11? Como anda? Projetos para o futuro?

VR – Tanto o perfil do Volume11 no Instagram como o programa de webradio estão na geladeira. Apesar de que o perfil no Instagram ainda continue, mas não sei se vou continuar. Entretanto, os meus blogs – Vitor Rodrigues Blog e Blog do Volume11 – estou curtindo mais fazer porque a resposta do público está sendo muito maior. O engajamento é legal e fico sem aquela pressão de postar todo dia. Mas ainda estou estudando a melhor forma de divulgar tudo isso. Tudo é relativo e a qualquer momento posso voltar com o meu programa de webradio, ou não.


 


Com relação ao Torture Squad, você teve uma carreira promissora na banda, lançou ótimos trabalhos (“Pandemonium” e “The Unholy Spell” são meus preferidos!). Mas um episódio em especial que me deixou orgulhoso demais em ser brasileiro foi quando vocês venceram o Metal Battle em 2007 para representar o Brasil no Wacken em 2008. Fique a vontade de nos contar sobre o privilégio de ter ido representar o Brasil nesse festival imenso por duas vezes (2008 e 2011), as impressões da Alemanha e Europa, estrutura do evento, fãs europeus...

VR – O maior objetivo que tínhamos na época era ir pro Wacken e divulgar o trabalho da banda para uma enorme quantidade de pessoas (promotores, empresários e jornalistas internacionais), mas fomos agraciados com o título de campeão do Wacken Metal Battle daquele ano (2007) e isso nos ajudou e muito para que o nosso nome fosse conhecido internacionalmente. A sensação de vencer o concurso é impossível de se explicar. Com toda a certeza é um dos ápices da minha carreira como músico e com a vitória que tivemos fomos convidados a voltar a tocar no Wacken em 2008 como atração do festival. Simplesmente gratificante em todos os sentidos!


 



Em sua opinião, qual disco do Torture Squad que mais curtiu sem você nos vocais?

VR – São discos bem diferentes em matéria de vocalizações, e é aí que resume a beleza desses dois discos – "Esquadrão de Tortura" e "Far Beyond Existence" – e com toda a sinceridade curti os dois.

 


Cite para nós três vocalistas que te inspiram a todo o momento quando você pega o microfone pra cantar.

VR – Olha, são muitas entidades que surgem quando estou em cima do palco. Cada uma dessas influências maravilhosas me inspira, mas posso citar Dio, Bruce Dickinson e Rob Halford como sendo as três principais.

 


Mantendo nosso tradicional pedido em todas as entrevistas, poderia nos dizer quais são os 5 maiores álbuns já lançados de todos os tempos segundo Vitor Rodrigues?

VR – Sim, posso sim:

1.                Judas Priest - Painkiller

2.                Slayer - Reign In Blood

3.                Iron Maden - Powerslave

4.                Megadeth - Rust In Peace

5.                Metallica - Master Of Puppets

 


Pra finalizar, o Microfonia Underground agradece demais a sua participação! É de extrema importância uma entrevista desse peso em nosso canal para servir como fonte de inspiração para bandas da cena que estão começando. Agradecemos demais a oportunidade e desejamos vida longa a todos os seus projetos!

VR – O papel que vocês têm é muito importante para a cena musical porque é uma ponte entre banda/artista e público, e sou eu que agradeço imensamente pela oportunidade e desde já quero desejar a todos vocês muita saúde, sucesso e muito metal. E para os fãs do meu trabalho quero dizer que se não fosse o apoio, o respeito e a admiração pelo meu trabalho, eu não seria absolutamente nada nessa vida. Muito obrigado pelo carinho e pela fidelidade meus amigos!






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sexta-feira, 17 de julho de 2020

A SORROWFUL DREAM - (PORTO ALEGRE, BRASIL)




A Sorrowful Dream

País: Brasil (Porto Alegre)

Atividade: Desde 1996

Gênero: Dark / Gothic Metal

Membros: Aurélio Martins (guitarra), Lucas Vargas (guitarra / violino), Geovane "Tuko" Lacerda (baixo), Marcelo Dornel (bateria), Josie Demeneghi (vocal), Éder Alves de Macedo (vocal) e Mari Vieira (teclados).


Os gaúchos do A Sorrowful Dream elaboram uma sonoridade totalmente inspirada no movimento gótico, com músicas muito sombrias, lembrando bandas como Tristania, Within Temptation, Type O Negative, Theatre of Tragedy, dentre tantas outras bandas dessa cena.

A banda lançou ao longo de sua carreira muitas demos e singles até fazerem uma compilação de suas composições próprias em 2003, intitulado “A House of Forgotten Dreams”. Seis anos depois, em 2009, lançam seu primeiro disco de inéditas, o ótimo álbum “Toward Nothingness”.

Em 2015, lançaram um álbum bem produzido, chamado “Passion”. O amor da banda pelo Type O Negative, banda que foi influência total na formação musical da maioria dos integrantes levou eles a fazerem uma homenagem ao vocalista e baixista da banda estadunidense Peter Steele num show que eles fizeram em sua cidade natal no mesmo ano do lançamento desse disco, cantando a belíssima “Love You to Death”, do álbum “October Rust”.

Vale destacar que eles foram convidados junto a várias bandas de outras partes do mundo a participar do álbum de tributo à banda sueca Roxette intitulado “A Metal Tribute To Roxette - Listen To Your Metal Heart”. Eles deram uma roupagem brutal e sombria para a clássica “Spending my Time”. Ficou muito foda!

Em resumo, A Sorrowful Dream consegue em suas composições mesclar estilos do Doom, do Death e do Heavy tradicional, com pitadas bem fortes da música erudita, fazendo uma mistura brutal e sofisticada ao mesmo tempo.

Para maiores informações do ASD, sigam eles nas redes sociais.

Site Oficial: https://asorrowfuldream.wixsite.com/asdream

Instagram: @asorrowfuldream

Twitter: www.twitter.com/asorrowfuldream

Facebook: @asorrowfuldream

YouTube: https://www.youtube.com/user/bandaASD

Spotify: https://open.spotify.com/artist/345wqbMZmkHmyFC3Zwkb3g

MetalEnciclopedia:https://www.metal-archives.com/bands/A_Sorrowful_Dream/11292

Bandcamp: https://asorrowfuldream.bandcamp.com/



quarta-feira, 15 de julho de 2020

WARGORE - CURSED EXISTENCE (2020) - REVIEW MICROFONIA





WARGORE

· Atividade: 2016 - atualmente 

· Origem: Brasil - Cascavel-PR 

· Álbum: Cursed Existence (2020)

· Gravadora: Mindscrape Music

· Gênero: Death Metal Old School

· Membros: Gustavo Milani (bateria), Otávio Augusto (baixo), Gustavo Prates (guitarra), Jamil Miranda (vocal) e Antônio Fagundes (guitarra)

A Wargore é uma banda paranaense de death metal com uma pegada old school que remete a bandas como Death e Pestilence em seus primórdios, em atividade desde 2016 eles possuem um EP que precede este album, o "Between Evil and Death" lançado em 2017 que já dava as credenciais de que o poderio da banda é pesado e entregam nesse primeiro registro seis faixas brutais com a classe de quem sabe muito bem como produzir um som extremo de qualidade!

Mas estamos aqui pra falar de "Cursed Existence", lançado em 12 de junho nas plataformas digitais, o material foi gravado no estúdio Tonimusic sob a tutela de João Paschoarelli e Toninho Acuña, responsáveis pela captação da desgraceira sonora e a mixagem e a masterização ficaram por conta de Léo Mesquita (Surra) e o resultado que foi entregue é muito foda, apesar do peso e brutalidade da sonoridade da banda, o instrumental está límpido no sentido de compreendermos a execução das faixas mas com tradicional sujeira que o estilo pede na medida!!!

São nove faixas que apresentam um trabalho conjunto primoroso dos integrantes, bases e solos velozes a cargo da dupla Gustavo e Antônio, tudo muito bem amparado na cozinha de reponsa entregue por Otávio no baixo e Gustavo na bateria, em cima da massa sonora Jamil Miranda vocifera seu vocal que nos lembra uma mistura de Chuck Schuldiner no começo do Death e John Tardy do Obituary, combinando perfeitamente com a pegada old school do negócio.

Pra deixar nossas alegações finais aqui, mais um grande disco lançado nesse ano de 2020, apesar do cenário desgraçado de instabilidade politica e pandemia, ao menos temos fontes de inspirações pra galera soltar toda sua fúria na música e nos brindar com excelentes lançamentos, finalizando, díficil destacar alguma faixa no disco, mas fico com a track que abre os trabalhos "Cursing the existence" que já motiva a gente a continuar prestando atenção na pancadaria toda que vem a seguir, grande trabalho!



ENTREVISTA KULTIST

O Kultist é uma banda de São Paulo/São Carlos formado por Karine Profana (baixista), Yasmin Amaral (guitarrista), Letícia Figueiredo (baterista) e o vocal fica por conta de Daniel Pacheco (ex-Cursed Slaughter) que pratica um som de influências variadas dentro do metal, mas vamos usar a própria descrição da banda: : A Lovecraftian dark metal band, transformam o terror de Lovecraft em letras e riffs sombrios que podem ser conferidos em seu primeiro álbum, "The Black Goat", lançado em 2019 que traz oito faixas com temáticas totalmente voltadas para a obra do escritor americano de fantasia e ficção, mestre do terror cósmico!!! Confiram a seguir o papo que tivemos com Daniel Pacheco que nos conta um pouco mais sobre a banda!!!







Primeiramente muito obrigado por falar com o Microfonia, poderia nos contar de que maneira foi formada a Kultist, o que acabou reunindo vocês pra formar a banda?

Daniel Pacheco: Obrigado vocês pelo espaço! O Kultist nasceu lá por 2016 se não me falha a memória, eu e a Yasmin tínhamos vontade de fazer música juntos. No início éramos apenas nós dois e decidimos fazer um som voltado para o Death mais old-school, por ser um estilo que a gente escutava bastante junto. Nosso primeiro batera foi o Caio Imperato, chegamos nele por indicação de uma camarada nossa, com ele nós compusemos e gravamos a Black Swamp, nosso primeiro single. Depois disso a Karine Profana entrou no baixo, já a conhecia de outros rolês, mas como guitarrista, até que ela postou um vídeo tocando Possessed By Skate no baixo e eu fiquei doido, falei que ela precisava estar na nossa banda rsrs. Alguns bateras passaram por essa formação, todos contribuindo com linhas para algumas músicas, mas a definitiva foi a Letícia Figueiredo, que chegou por indicação da Lary Durante do High Hat Girls para a Karine, a química foi muito instantânea, no primeiro ensaio já tínhamos um rascunho de som novo e ali tivemos certeza de como a banda deveria soar e seguir.

Como surgiu essa ideia de criar músicas baseadas na literatura de HP Lovecraft e de que forma vocês condensam nas letras toda essa riqueza de mitos presentes nos contos do cara?

Daniel Pacheco:
Cara, essa parte foi um pouco da minha iniciativa lá atrás, eu já criei a banda com esse propósito na real, eu adoro escrever sobre terror, minha primeira banda (Cursed Slaughter) já falava sobre filmes de terror lá em 2009. Eu sempre li muito Lovecraft, adoro a mitologia, ai pensei que seria legal a banda ter um conceito forte, tanto visual quanto lírico, ainda bateu das outras integrantes também gostarem bastante de toda mitologia criada pelo cara. Quando eu escrevo a letra, eu procuro abordar um conto ou uma divindade e condensar os pontos mais relevantes para aquela história. Mas temos planos de abrir mais isso. Quem sabe um disco inteiro sobre o mesmo conto? São possibilidades infinitas.

Vimos em sua página que há um novo disco vindo, o que vocês podem nos contar sobre esse futuro novo registro?

Daniel Pacheco:Não muito na verdade, a quarentena tem ferrado a nossa cabeça, o primeiro disco do Kultist levou 3 anos para ser escrito, a gente é bem caprichoso com cada som e com cada riff, então praticamente tudo que a gente compõe até o final acaba sendo aproveitado. Temos uns rascunhos prontos e um tema em mente e isso é tudo que eu posso dizer rsrs.

Pra quem não conhece HP Lovecraft e quer se situar nas letras da Kultist, em que contos do autor vocês se inspiraram pra escrever as faixas de “The Black Goat”?


Daniel Pacheco:
Shub-Niggurath - “Um Sussurro nas trevas”
The Crawling Chaos - Divindade Nyarlahotep, ele aparece em diversos contos.
The Kult Of Dagon - “Sombra sobre Innsmouth”
Eternal Abyss - “Os outros Deuses”
Symphony Of Madness - “A música de Erich Zann”
Frozen Fear - “Nas Montanhas da Loucura”
Sign In Blood - “Sonhos na casa da Bruxa”
Black Swamp - “Dagon”



 

 No campo lírico sabemos qual referência da banda, mas em termos de sonoridade, quais são as influências da banda?

Daniel Pacheco: Caramba essa é bem complicado pois são muitas, muita coisa de Doom, Voivod, Discharge, Kreator, Megadeth, Possessed, Sepultura antigo, putz, acho que cada música tem uma coisa muito particular, não consigo definir bem rsrs, a gente adora a coisa mais dissonante, uns tempos mais esquisitos, então isso acaba refletindo bastante.

Como foi o processo de gravação de “The Black Goat”, poderiam nos dizer alguns detalhes a respeito? Quem foi o responsável pela produção, mixagem, etc? O resultado final é muito bom, a qualidade do registro é ótima!

Daniel Pacheco: Obrigado! Os créditos são todos do Diego Rocha do Bay Area Studios. O processo foi muito rápido, gravamos o disco em uns 4 dias, a mixagem demorou um pouco mais e ficamos bem felizes com o resultado também! Tudo fluiu muito legal, acho que o Diego conseguiu captar o que a gente queria passar, sei que para deixar a mostra tudo que queríamos não seria nada fácil rsrs o Kultist tem uma particularidade que são as linhas de baixo bem diferentes da guitarra e encaixar tudo isso numa mix, com timbragem e etc, é um trabalho bem complicado.



Qual o conceito na escolha do título “The Black Goat”, visto que não é o título de nenhuma das faixas do disco, tem algum motivo especial pra esse nome pro album?

Daniel Pacheco: A divindade Shub-Niggurath é conhecida como a cabra negra dos mil filhotes, por isso o nome The Black Goat, na letra da música a gente fala sobre isso. Além disso tem toda a coisa de ser meio que uma ovelha negra, não se adequar às normas ou padrões, que é uma coisa com a qual todos nós da banda nos identificamos.

Quem foi o responsável pela criação da arte da capa do disco e qual o conceito por trás dela?

Daniel Pacheco: Quem fez essa capa foi o Wendell Narkdemi, um artista fantástico de quem eu sou muito fã. Quando eu envio uma arte para alguém trabalhar, eu gosto de deixar a pessoa bem solta, então costumo enviar as letras e deixar a pessoa trabalhar em cima daquilo. Ele nos enviou esse cultista cercado por montanhas (que se parecem com outros cultistas) e por cima deles a sombra da Shub-Niggurath, essa arte é muito boa e dá uma condensada legal em todas as letras.

Como está sendo esse momento de pandemia para a banda? Acham que há possibilidades de um retorno as atividades culturais/shows ainda nesse ano?

Daniel Pacheco: Pessoalmente eu acredito e sinceramente espero que não haja um retorno nem esse ano e nem por uma parte do próximo, simplesmente não é seguro, nem para nós como músicos, nem para quem é público, o Covid é uma doença muito nova e ainda não temos ideia da real dimensão do seu comportamento ou reincidência (isso para não falar de dados falsos sendo divulgados pelo governo, para passar uma falsa sensação de segurança). Como músicos, estamos estudando, sei que todos nós temos investido tempo em nos aprimorar em nossos instrumentos. O Kultist é uma banda que depende muito da nossa química juntos, nós escrevemos praticamente tudo em estúdio, então temos guardado algumas boas ideias para quando for possível e seguro estarmos juntos novamente.


Pra não perder o costume de pedir listas aos nossos entrevistados, segundo a Kultist, quais os 5 melhores álbuns de todos os tempos e aproveitando o momento de quarentena, deixem uma dica de leitura pra galera também.

Daniel Pacheco:

Faith no more - The real thing

Voivod - Killing Technology

Megadeth - Killing is my Business

Possessed - Seven Churches

Iron Maiden - Powerslave

Leitura: H.P. Lovecraft - Medo Clássico Vol 1

Gostaria de agradecer por falarem com o Microfonia e reservar esse espaço pra que mandem seu recado como desejar, valeu!!!

Daniel Pacheco: Muito obrigado pelo espaço e pela paciência! Desejamos força a todos que estão encarando essa quarentena, os tempos são sombrios, mas irão passar no meio tempo, tentem ficar lúcidos e caso não consigam, declarem todo o seu amor aos deuses anciões ouvindo Kultist!







domingo, 12 de julho de 2020

LITRÄO - BRASIL (RIO DE JANEIRO)






LITRÄO

·         País: Brasil (Rio de Janeiro)

·         Atividade: Desde 2017

·         Álbum lançado: Egomorte (2020)

·         Gênero: Doom / Sludge Metal

·         Membros: F (Baixo), M (Bateria), G (Guitarra) e K (Vocal e Guitarra)




Mais um achado fudido. 

Os cariocas do Liträo despejam em suas composições o que há de mais pegajoso em seus riffs e composições, recheado de tristeza, morte e escuridão.


O Liträo se formou em 2017 e lançou dois EP’s: “O Filho que você Despreza (2018) e “O Sol Continua o Mesmo (2019)”. Nesse ano eles lançaram seu primeiro álbum, “Egomorte”, belíssimo trabalho com influências fortíssimas nos primeiros trabalhos de Black Sabbath!



Para saber mais informações do LITRÄO, confiram suas páginas oficiais:

Instagram: @litraodoom

Facebook: @litraodoom

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC3PHzhaCsl1h2iB7p4M6_0g

Spotify: https://open.spotify.com/artist/6qNnwtpy3n12wxK2Di0ZH0

Metal Enciclopedia: https://www.metal-archives.com/bands/Litr%C3%A4o/3540452795 

ENTORX - ALEMANHA




ENTORX (ALEMANHA)

·         Atividade: Desde 2009

·         Álbuns: Broken Ways (2011) e Faceless Insanity (2020)

·         Gravadora: Kill Your Brain Records

·         Gênero: Death/Thrash Metal

·         Membros: Lukas Neff (bateria), Taras Brygadin (baixo), Bogdan Brygadin (guitarra), René Baron (vocal) e Sascha Dörr (guitarra)

No sudoeste da Alemanha, na pequenina e histórica cidade de Espira uma banda que merece ser vista com atenção devido a variação musical em suas composições. Com uma influência muito grande em raízes do death / thrash, os alemães do Entorx fazem variações técnicas (inclusive nos vocais) que nos leva a entender que eles vão caminhando para outros estilos do metal em suas composições.


Banda formada em 2009, lançaram seu primeiro trabalho em EP, chamado “Theta Waves”.  “Broken Ways” em 2013 e de lá para cá, ficaram num hiato de sete anos sem trabalhos lançados. Nesse ano acabaram de lançar seu novo trabalho através da gravadora Kill Your Brain Records, intitulado “Faceless Insanity”, cujo trabalho eu considero num nível de brutalidade muito mais marcante do que seu álbum antecessor, com arranjos mais cadenciados.


Para maiores informações mais sobre o ENTORX, abaixo os seus canais oficiais.


Instagram: @entorx_official

Facebook: @entorx

YouTube: https://www.youtube.com/user/entorxband

Spotify: https://open.spotify.com/artist/0duwlbdApG6LDzhJr8BBtr

Metal Enciclopedia: https://www.metal-archives.com/bands/Entorx/3540338724


LÖRIHEN - ARGENTINA


      

Banda: Lörihen

·         País: Argentina

·         Atividade: Desde 1996

·         Gênero: Heavy / Power Metal / Hard Rock

·         Membros: Hernán Rios (Bateria), Emiliano Obregon (Guitarra), Lucas Gerardo (Vocal), Christian Abarca (Baixo) e Alejandro Graf (Teclados)

Até pra falar de mainstream a gente é underground! E nesse post, vamos falar o que rola no mainstream da cena metal da Argentina. Vou apresentar a vocês um pedaço desse universo portenho, uma banda de power metal super adorada por eles: O Lörihen.

Lörihen (nome originário da Obra de J.R.R. Tolkien “O Senhor dos Aneis”, em que a Lórien é um um reino élfico da Terra Média, famoso pelos jardins de Lórien, onde habitavam os elfos), é uma banda de Buenos Aires, Argentina, fundada em 1996, que ao longo de sua história tem muitos trabalhos lançados, dentre oito álbuns oficiais (sendo que três ao vivo)         e que vêm conquistando os ouvidos dos argentinos pelo seu estilo diferente de power metal.

Digo diferente que de todas as bandas do estilo porque é uma das poucas bandas do eixo do metal melódico com suas composições cantadas em língua latina. Normalmente vemos bandas da cena melódica cantando no idioma universal (inglês), algumas vezes bandas alemãs em sua maioria, cantando no idioma local.


O Lörihen tem destaque como banda de abertura de muitos acontecimentos no país. Em 2005, foi uma das bandas do lineup do Monsters of Rock. O Lörihen abriu o festival, seguido dos seus compatriotas do Tristemente Célebres e Rata Blanca. Logo depois seguiram o festival com os gigantes do Whitesnake e Judas Priest, encerrando a sexta edição do festival na Argentina naquele ano. Além disso, abriu espetáculos para bandas como Exodus, Stratovarius, Rhapsody e para os brasileiros do Angra e Shaman.

O disco mais marcante deles é o “Bajo la Cruz” com a belíssima canção “Vida Eterna”. Aliás, essa música, eles regravaram numa versão de quarentena, onde reuniu grandes nomes da cena metaleira argentina e cantaram juntos essa canção num clip que eles lançaram em sua conta oficial no YouTube. A letra dessa música faz muito sentido nesses tempos de pandemia, belíssima composição!

Se quiserem saber mais sobre o trabalho dos argentinos do Lörihen, sigam as mídias sociais que seguem logo no final desse post.

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