quinta-feira, 26 de março de 2020

ANTAGON - MENTAL POLLUTION (1993) - RESENHA POR BETO FILHO


Ficha técnica:


• Banda: Antagon 

• País: Colômbia 

• Atividade: 1992-1997, 1999, 2013-presente 
• Álbum: Mental Pollution 
• Gravadora: Independente 
• Gênero: Thrash / Death Metal 
• Membros: Luis Guillermo Ramírez (Baixo), David Guerrero (Bateria), Jose Fernando Muñoz (Guitarra) e Alejandro Restrepo (Guitarra e Vocal)



Diretamente das montanhas de Medellín, Colômbia, a banda Antagon é uma ótima opção para quem aprecia o tradicional thash / death oitentista e é prova que do país caribenho temos, além de bons cafés, boas bandas de metal na cena underground. O nome “Antagon” vem do latim, ANTA - CONTRA e AGON - representa o conceito do antagonismo, simbolizando a sociedade em que vivemos: “O império do antagonismo, hostilidade, a inveja e o egoísmo”. 
A banda está na ativa desde 1992 e possui somente um álbum lançado, o “Mental Pollution”, de 1993. A formação atual está assim: Luis Guillermo Ramírez (Baixo), David Guerrero (Bateria), Jose Fernando Muñoz (Guitarra) e Alejandro Restrepo (Guitarra e Vocal). 
Com letras criticando guerras, racismo, ganância e destruição do planeta, o Antagon é uma das bandas pouco conhecidas na cena latino-americana, mas presente na cena underground colombiana. 
Ouvindo o som dos caras, dá para perceber claramente influências de Slayer, Sepultura, Hellhammer e Death. O vocal de Restrepo dá um toque death nas melodias recheadas de thrash executadas com muita técnica. O disco começa com uma intro de guitarra, lembrando as intros clássicas do thrash, como a de “Beneath the Remains” do Sepultura e até mesmo da intro belíssima de teclados do álbum “R.I.P.” dos suíços do Coroner. 
Na sequência, vem um petardo chamado “Slave”. Com uma letra que trata da escravidão, da ganância e do poder, que atrapalham os indivíduos na busca pela verdadeira liberdade. A faixa é recheada de riffs e um thrash altamente convidativo para um moshpit. 
A faixa título do álbum, “Mental Pollution”, é um pé na porta. Trata de um mundo falecido, da destruição em massa da natureza, da hipocrisia do ser humano passando por cima da fauna e da flora mundial, além do aquecimento global e da ganância por dinheiro (um retrato bem parecido com o Brasil atual, não!?). Para mim, uma das faixas mais incríveis desse álbum. Depois, “Corrupt Fleshes”, a música fala dos empresários e políticos que se dizem “heróis” do povo, mas agem sem escrúpulos para serem donos de grandes fortunas, espalhando a fome, a miséria, a violência e a desigualdade em seus territórios. Destaque nessa música para o solo de guitarra ao final, belíssimo! “Blood Legacy”, que fala de loucura e descontrole do ser humano, é uma das faixas na qual o death metal está bem presente. 
Brutal e direto ao ponto, a música é bem trabalhada com belos solos de guitarra. Um som intenso e sombrio. Ainda recheado de críticas ferrenhas ao poder, a faixa “Shaped by Terror” apresenta mensagens pessimistas de um futuro incerto nas mãos de falsos profetas e que, ao contrário de esperança, espalham o sentimento de ódio e dor à sociedade. Um destaque nesta música é que a banda parece ter fortemente se inspirado no solo de introdução da “South of Heaven” do Slayer.
 Para finalizar, minha preferida, “Act of Contriction”. Com letra que aborda a burrice de ser um racista, a música começa e termina com um dueto de guitarras maravilhoso, com uma sequência brutal de riffs que me deu vontade de quebrar tudo aqui em casa em meio a essa quarentena (risos). 
Em resumo, Antagon é uma banda que me causou boa impressão e me provoca a buscar mais bandas de nossos irmãos latinoamericanos. Um thrash muito bem tocado, técnico, com um vocal muito bom voltado ao death com letras bem fortes. Eu só espero que os colombianos voltem a gravar mais um álbum de inéditas um dia, já que “Mental Pollution” é o único e ótimo trabalho realizado no início dos anos 90.





Fontes de pesquisa:



Página Oficial Antagon:


Youtube:


Metal Enciclopédia:

terça-feira, 24 de março de 2020

ENTREVISTA HELLWAY PATROL






Fala pessoal, primeiramente obrigado por falar com o Microfonia, gostaria que nos contasse como surgiu a Hellway Patrol com essa combinação de músicos vindos de diferentes nichos do underground e como funciona essa parceria na hora de compor?

Ricardo: O prazer é nosso. A Hellway Patrol surgiu da vontade de fazer som pesado, mas sem nenhuma amarra com algum subgênero específico. O método de composição é bem livre; às vezes as músicas surgem em jams, às vezes um de nós já chega com ideias de riffs e bases para arranjarmos e finalizamos uma música quando ela soa bem o suficiente pra gente.

O EP “Desert Ghost” obteve boas críticas na mídia especializada e traz 3 faixas que mostram que o potencial criativo da banda tem muito a nos oferecer, como foi o processo de concepção das faixas que figuram nesse EP e qual a impressão da banda em relação ao alcance que teve esse material?

Ricardo:A três faixas foram compostas na mesma época do nosso primeiro EP, a ideia de um lançamento separado veio por causa das participações. Desde ensaios já imaginávamos “Satan Free Me” e “Fear The War Machine” com os vocais da May Undead e do Silvano respectivamente. Ficamos muito feliz com o resultado final e com a recepção da mídia especializada. Vemos a reação dos fãs as músicas sendo executadas ao vivo e também na venda dos discos, mas ainda nos debatemos um pouco nas plataformas digitais. Estamos tentando achar meios de divulgar melhor e termos mais alcance no youtube, spotify, etc...

Recentemente vocês estiveram em turnê pelos EUA e México, como foram essas datas e de que forma surgiu a oportunidade de realizar a tour?

Ricardo:A oportunidade surgiu de um convite da Restless Booking Agency. Foram 16 shows em 3 semanas. Fizemos shows de segunda, terça, etc… Foi uma experiência incrível, a resposta ao nosso som foi muito positiva. Foi muito interessante conhecer a cultura underground de lá. Por um lado o público realmente apoia as bandas em tour, compram muito merch, deixam gorjetas e assistem o show de perto. Por outro lado, cada banda tem que ter seu próprio backline, a cada show eram trocados amplificadores, bateria, etc… então as trocas de palco demoravam um pouco mais que aqui.



O que vocês tem a dizer das bandas que dividiram o palco com a Hellway Patrol nessa tour, alguém que vocês nos indicariam que devemos conhecer?

Ricardo:Nós tocamos com bandas de vários estilos e nos divertimos bastante. Destaque para Bombscare, Tazumal, Wartroll e Infiltrator, mas uma banda que recomendamos muito é uma que nem dividiu palco com a gente chamada Blind Illusion. O vocalista Mark já vinha mandando mensagens desde que anunciaram nosso show em Oakland e apareceu com uns presentinhos. A banda existe desde 1979 e foi uma das primeiras de Thrash da Bay Area, já teve na formação Les Claypool e Larry Lalonde e os dois primeiros lançamentos foram produzidos por Kirk Hammet. Foi muito divertido passar um tempo com Mark e o baixista Tom.

Em Londrina vocês organizam a Hellway Fest, evento que traz bandas de destaque nacional e internacional pra dividir os palco com nomes locais do underground, como surgiu a ideia do fest, que dificuldades vocês enfrentaram pra organizar esse evento e existem planos para mais edições?

Ricardo:A ideia partiu da cena mesmo. A gente faz contato com bandas de diversos lugares e quando eles estão em tour entram em contato conosco para tentar fazer algo aqui, e a gente tenta fazer. A dificuldade é financeira, porque apesar de Londrina ter uma cena bacana, a situação econômica do país está prejudicando muito o bolso do headbanger. Promover um show custa dinheiro e o fazemos sem nenhum patrocínio, então tentamos fazer do melhor jeito pra banda e público, mas é difícil. Não estamos planejando o próximo ainda, mas pode ser que role um neste ano.

Vocês incluíram alguns sons inéditos em sua última tour, a banda tem previsão de lançar um novo material? Pretendem lançar um full ou o formato de EP é mais interessante? E porque esse formato?

Ricardo:Sim, estamos tocando várias músicas novas, testando versões diferentes de algumas inclusive e pretendemos lançar um full lenght esse ano. Estamos em buscas de selos e parceiros e acho que já chegou a hora da banda lançar um álbum completo.

Foi lançado um clipe para a faixa “Desert Ghost”, primeiro vídeo da banda, como foi esse processo para vocês?

Ricardo:Antes da última tour nosso produtor sugeriu que um vídeo clipe oficial ajudaria na divulgação dos shows, então fizemos o mais rápido e com o menor custo possível. A locação foi uma olaria desativada e tivemos a sorte de achar o talentosíssimo Felipe Pitta que abraçou o projeto e conseguimos matar a filmagem em uma só manhã. O resultado foi melhor do que o esperado.




Voltando um pouco no tempo, em 2019 vocês realizaram uma turnê pelo velho continente, passando por vários países, como foi essa experiência, visto que a Europa é sempre um objetivo da maior parte das bandas, e como foi a recepção ao som de vocês por lá?

Ricardo:Por lá fizemos uma turnê mista, onde além de shows do Hellway Patrol éramos os músicos de apoio pro cantor hillbilly norte americano Willie Heath Neal. Mesmo em shows só de country as pessoas compravam nosso merch e ficavam muito interessadas no fato de ter uma banda de metal apoiando um músico de outro estilo. Fizemos também show na Alemanha onde tivemos que repetir o repertório porque o Hellway tinha apenas 7 músicas e o público pedia mais. Nós planejamos voltar pra lá logo que possível, a cena musical é incrível.

Pra manter nosso tradicional costume de pedir listas aos nossos entrevistados, poderia nos indicar na opinião pessoal da banda quais seriam os 5 melhores álbuns de todos os tempos?

Ricardo:Essa pergunta é bem difícil porque a gente realmente gosta de muita coisa. Listamos 5 álbuns que nos influenciaram individualmente em ordem aleatória e que todos nós curtimos de maneira geral.

Ricardo Pigatto:

Thin Lizzy - Jailbreak

Megadeth - Rust in Peace

The Cure - Disintegration

The Darkness - Permission to Land

Huntress - Spell Eater

Thiago Franzim:

Frank Zappa - Joe's Garage

Slayer - Ranning Blood

AC/DC - High Voltage

Motorhead - Ace Of Spades

Creedence Clearwater Revival - Bayou Country

Netto Pavão:

Helloween - The Time of the Oath

Dream Theater - Scenes From a Memory

Daft Punk - Random Access Memories

Opeth - Ghost Reveries

Green Day - American Idiot


Pra finalizar, gostaria de agradecer novamente por dispensar um tempinho pra falar com o Microfonia, desejar vida longa e sucesso a Hellway Patrol e reservar esse espaço pra que mande seu salve como bem entender.

Ricardo:Muito obrigado Microfonia pela entrevista e por todo trabalho que fazem em prol da música underground. A todos os leitores; continuem apoiando a cena, nos sigam em nossas redes sociais e esperamos ver vocês na estrada em breve. Obrigado



segunda-feira, 9 de março de 2020

REMATTE LANÇA SEU NOVO SINGLE "SOB O LUAR"





A banda cearense Rematte disponibilizou em todas as plataformas de streaming, e também em formato de videoclipe, sua nova música de trabalho: “Sob o Luar”. O lançamento é o primeiro desde seu primeiro EP – auto-intitulado, de 2018 – e marca a nova fase do grupo. Agora com um “t” a mais no nome, os músicos Daniel Gadelha (vocal), Álvaro Abreu (bateria), Jonas Monte (baixo) se juntam a Thiago Barbosa (guitarra) para apresentar um som mais maduro desde sua estreia.

Com uma letra metafórica, “Sob o Luar” questiona a necessidade de estarmos encaixados em padrões pré-estabelecidos, além da importância da superação dos medos e a busca da nossa própria identidade, como conta Daniel, vocalista e compositor da Rematte: “No single, apresentamos a noite como um ambiente propício para o surgimento de questionamentos, impaciências, mas também de busca pela liberdade. É na noite que nos permitimos tirar o peso do cotidiano, do dia repetitivo. É quando podemos transpor nossos medos, abismos, o fato de estarmos sendo conduzidos por uma grande engrenagem e ser somente nós mesmos. É preciso romper com essa normalidade acomodada a qualquer preço, para não cairmos nesse mar sem compasso, sem empatia e desconexão com o outro. É quando as ‘velas’ se libertam em alto mar”.

“A música também traz um verso que pode parecer óbvio, mas que muitas vezes nos esquecemos nessa rotina frenética. Quando falamos que ‘Só o amor desperta, nos liberta disso tudo...’, não falamos só daquele amor entre um casal, mas de tudo que essa palavra engloba: amizade, amor pelos entes queridos, amor próprio, entre outros. É ele que nos dá energia para virarmos essa chave e sair dessas dinâmicas destrutivas que muitas vezes entramos”, completa Álvaro.

O single foi gravado no Comu Studio, em Fortaleza, e produzido pela Rematte, juntamente com produtor Matheus Brasil, que já havia trabalhado com o quarteto no primeiro EP. Já o clipe, tem a assinatura de Vicente Ferreira (Vomor Produções), em parceria com o grupo.


Assista ao clipe no link: https://www.youtube.com/watch?v=c52hcBXI1f0

Ouça o single “Sob o Luar”:

- Spotify: http://bit.ly/Sob-o-Luar

- Deezer: http://bit.ly/3bFlTyG

- Bandcamp: https://remattebanda.bandcamp.com/

Redes sociais:


terça-feira, 3 de março de 2020

TONELADA - IGNORANTE (2019) - REVIEW MICROFONIA



Lembro da sensação depois de ouvir “Grosso”, EP de 2014 dos caras do Tonelada, peso absurdo, agressividade ilimitada, brutal, os caras tinham uma proposta clara ali, som direto, visceral e sem firulas, sonoridade ignorante! No final de 2019 eles retornam com o selo que define a sonoridade da banda, como título de seu album, a proposta permaneceu intacta, em “Ignorante” e em suas 10 faixas e pouco mais de 30 minutos me trouxeram duas constatações, a primeira é a de que estamos diante de uma banda que tem personalidade e demonstrou crescimento e evolução em suas composições sem perder a essência daquilo que querem apresentar em seu som e a segunda é de que precisamos olhar mais para o que acontece fora do eixo sul – sudeste e sacar o que nossos amigos tem a oferecer, o underground BR é muito talentoso e todos os cantos dessa terra maltratada por essa gente escrota que detém o poder tem grandes bandas, discos e eventos a nos oferecer!

Vamos ao disco, nível aqui é alto senhores, execução redondinha e produção na medida pra mostrar todo o peso que essa máquina é capaz de criar, e é muito peso envolvido, riffs brutais, cozinha certeira somados ao vocal insano, fazem a combinação que tornam a audição prazerosa pra quem curte porradaria sonora de qualidade! 




Faixas como “Você nasceu aqui (Fudeu)”, “Inimputáveis” e “Cilada” que tem a participação de Thiago Queiroz do Inherence dão o tom do tamanho da paulada que vocês irão encontrar aqui, sem sombra de dúvidas um dos grandes lançamentos do ano, merece menção honrosa na nossa lista de melhores de 2019 que acabou saindo antes do lançamento do disco aqui citado, mas o Tonelada tem muita lenha pra queimar e com certeza esse trampo ainda vai trazes grandes resultados para a banda, já que demonstra que os meninos do MS estão com a faca nos dentes e prontos pra tomar geral de assalto com toda a brutalidade de “Ignorante”





segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

ENTREVISTA LEANDRO FRANCO (ASTEROIDES TRIO)

Hoje nosso papo é com o Leandro Franco, batera e vocal na Asteroides Trio, cartunista e arquiteto, com traço de estilo próprio, não é difícil localizar algum trabalho do cara por aí, já realizou trampos para Nervochaos, Supla, Ossos Cruzados, Punkzilla, entre outros nomes da cena e aqui nos conta um pouco de sua trajetória entre palcos e estúdio de animação, confiram!!!





Fala Leandro, obrigado por falar com Microfonia, primeiramente gostaria de saber como se iniciou sua trajetória como cartunista?

Trabalhei durante muitos anos no Diário de Guarulhos, desde a década de 90 faço charges. Passando pelo governo, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer e agora Bolsonaro. Fiz charges para a Folha de Cianorte no Paraná também. No começo dos anos 2000 fazia quadrinhos para a revista Buttman. Atualmente estou mais focado em animações.

Você tem um estilo bem particular, quando vejo animações de clipes que você fez por exemplo já dá pra sacar que é você a pessoa por trás do projeto, quais foram suas principais influências no desenho?
Daniel Azulay, Laerte, Angeli, Glauco, Robert Crumb, Matt Groening,Tex Avery, Daniel E.T. entre outros.

A música e os cartoons tem tudo a ver, é sempre bacana ver as bandas lançando clipes em desenho, quais clipes nesse formato que você considera indispensáveis pra quem curte a junção dessas artes?
Acho fantástico :
- Ghost of Stephen Foster - Squirrel Nut Zippers
-About To Crack - Vitamine X

Como foi a participação no Anima Mundi em 2018 e como você recebeu a notícia de que seu trabalho com Stereo Bago Team, “Baseado”, havia sido selecionado para participar do festival?
Fiquei muito contente em ter um dos meus trabalhos escolhidos. Haviam muitas produtoras e animadores renomados no Brasil e internacionalmente. Serviu como estímulo para conquistar outros prêmios.

Poderia nos contar como foi desenvolvimento do trabalho de “Deixe em paz o jumento”, de Eline Bélier e Maga Lee, que foi premiado no festival Green Nation?
Trabalho em parceria com a Eline Bélier já faz um tempo. Devo ter feito uns 5 clipes para ela, todos em prol da causa animal. Geralmente ela me passava um roteiro pré-definido do clipe, mas nesse pedi para ela me deixar mais por minha conta, inclusive a parte estética que foi inspirada em literatura de cordel. No decorrer do processo, ela também participou do roteiro. Ficamos muito felizes com o resultado e com a premiação. Levamos dois prêmios, votação pelo júri oficial e pelo público.

O trabalho mais recente que você desenvolveu de que tive conhecimento foi com a banda Ossos Cruzados, produzindo o clip-e da faixa de “Palhaços Assassinos do espaço sideral”, como foi que rolou essa parceria com o pessoal de Taboão da Serra?
Conheço o vocalista André Honorato já faz alguns anos, inclusive já tocamos juntos em algumas ocasiões. Estou sempre fazendo trabalhos com o Ossos Cruzados, clipes, animações. Fico feliz em fazer parte da história da banda, que vem se destacando cada vez mais.

Seu trabalho com a música vai além dos clipes para os mais diversos artistas, você é baterista e compositor na Asteróides Trio, poderia nos contar um pouco mais sobre a banda? E como surgiu a paixão pelo Rockabilly?
Começamos com o Asteroides em 2006 na cidade de Arujá. Antes disso, já tocávamos em banda de punk rock nos anos 90. Mas tocávamos somente na região do Alto do Tietê, raramente íamos ao centro de SP. Na época que montamos a banda eu frequentava um fórum na internet chamado “Fórum Psychobilly”, onde participavam pessoas do Brasil inteiro ligadas ao psychobilly e rockabilly. Ali conheci coisas como Catalépticos, Ovos Presley, Crazy Legs, Big Trep, etc. Comecei a frequentar as festas e conhecer a galera das antigas, tipo o Ivan, o Éric Von Zipper, aí tomamos gosto pela coisa. Mas nunca abandonamos o punk rock.

E quantas andam os tralhados com a Asteroides Trio neste momento? Existe algum projeto em andamento pra novos sons, um novo disco?
O último trabalho registrado em CD e nas plataformas digitais é o Geração Drosophila Melanogaster, que conta com a participação do Gabriel Thomaz do Autoramas. Temos novidades para 2020, mas ainda estamos no processo de composições de novas músicas.



Gostaria que nos contasse mais sobre a música “Não a intolerância (Larissa)”, parceria com General Sade que trata sobre o drama da trans Larissa Rodrigues, 21 anos, morta a pauladas na Zona Sul de São Paulo. Antes é claro gostaria de parabenizar a banda pela inciativa em combater a intolerância e o preconceito e incentivar a diversidade.
Eu tenho ficado muito triste com os rumos que o Brasil está tomando. O mal sempre existiu, mas agora temos uma pessoas na cadeira de presidente que emana essa energia ruim aos seus seguidores. A música eu fiz após ler a notícia do assassinato. Eu fiquei realmente muito mal e queria colocar aquilo para fora de alguma forma. Então tive a ideia de chamar o General Sade para participar conosco, por ser um artista performático e talentoso.

Quais são as principais inspirações para o Leandro Franco quando o assunto é música?
No começo da banda eu me inspirava muito em histórias em quadrinhos. Hoje em dia, a hora é de falar dos problemas sociais. Atualmente nos inspiramos muito mais no punk. Na parte instrumental, nossas influências vão desde Chuck Berry, Restos de Nada à Hank Willians.

Asteroides Trio vai tocar no Psycho Carnival 2020 em CWB, ao lado de várias bandas fodas de todo o país, como estão as expectativas pra esse rolê?
É sempre um prazer ter a oportunidade de participar desse festival. Já temos um história em comum com essa galera. Tem muita gente legal no Paraná, nem todo mundo lá é Sérgio Moro. Tenho muitos amigos de bandas pro lá. O Vlad Urban, Neri, Bruno do Psycho Daime, entre outros. Muita gente legal, bandas nacionais e internacionais. Recomendo para todos. 



Mudando um pouco de assunto, você é um cara de diversas facetas e também é arquiteto, ainda exerce a profissão? E o que você curte mais entre todos esses trampos? Ou qual a melhor e a pior parte da cada uma dessas atividades?
Atualmente estou vivendo da minha arte, trabalhando em vários projetos de animação, ilustrações e tocando aos finais de semana. Quando a coisa aperta, corro para os escritórios de arquitetura. Tenho muito amigos na área. Atualmente o mercado está uma merda, os motivos não preciso nem comentar. Já trabalhei em diversos escritórios, desenvolvendo projetos residenciais, comerciais, paisagismo. Meu último trabalho temporário foi num hospital fazendo parte de “as built” de hidráulica e elétrica. Enfim, eu topo qualquer coisa para pagar as contas, menos tentar passar a perna nos outros. O que eu gosto mais da arquitetura é sobre a sua história, os estilos arquitetônicos. Mas sou mais um profissional de mercado.

Leandro, gostaria de agradecer pelo cedido pra falar com a gente e reservar este espaço pra mandar o seu salve como bem entender! Valeu!!!
Muito obrigado pela oportunidade! Sigam os Asteroides!


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

ENTREVISTA MOLHO NEGRO

A Molho Negro é uma daquelas bandas que me dão muita satisfação de poder fazer parte de um cenário tão diversificado quanto o do nosso país, considero esses caras uma resposta pra quem acha que o rock morreu ou que não há nada de novo acontecendo, aliás, é apenas um dos ótimos exemplos em meio a enxurrada de bandas novas e já estabelecidas que produzem materiais excelentes, é incrível poder tê-los aqui no Microfonia, espero poder assistir a um show deles em 2020, e vocês podem sacar um pouco do que pretende a banda através do nosso papo com o vocalista e guitarrista João Lemos!!! Recebam!!!




Fala pessoal, primeiramente obrigado por falar com o Microfonia, a primeira que me vem a cabeça aqui é saber, porque Molho Negro? Como surgiu a ideia de dar esse nome a banda e aproveitando que estamos falando do início, como foi o começo da banda?

João Lemos:A história do nome é bem frustrante porque na verdade foi um amigo nosso quem batizou a banda, e pelo que eu acredito até pra ele foi de uma forma meio aleatória, vai ver ele queria pregar uma peça na gente… conseguiu haha

Já que estamos falando sobre o começo de tudo, que bandas e artistas influenciaram a Molho Negro, o que vocês costumam ouvir que serve de referência pra banda?


João Lemos: Olha, acho que quase tudo acaba influenciando um pouco, falando por mim, eu gosto bastante daquele esquema canção + guitarra pra caramba. Mas acho que tudo ao redor influencia a compor, as pessoas com quem convivemos, o país, a conta bancária

“Normal” (2018) trouxe bons resultados para a banda, como vocês avaliam os resultados obtidos após esse período de shows pra divulgar seu terceiro registro?


João Lemos: Tem sido bem legal esse processo com o Normal, porque pelo fato de ter sido lançado pelo Flecha, acabou apresentando a banda pra um público que talvez nós ainda não tivéssemos conseguido atingir, então mesmo sendo o terceiro disco, em muitos momentos e pra muita gente é como se fosse o primeiro, isso é ótimo.

Quais as vantagens em fazer parte de um selo, uma vez que “Normal” foi o primeiro registro da banda a sair em pareceria com um selo, a Flecha Discos?


João Lemos: Acho que a vantagem principal é essa, de criar novos laços, com uma outra bolha 

Como foi o processo de mudança de Belém para SP, isso facilitou a viabilidade da banda pra vocês?


João Lemos: Ajudou bastante, estamos a 3 anos morando em São Paulo e conseguimos facilitar bastante a circulação e tudo mais, conseguimos ir anualmente em lugares que antes era bem mais complicado.

Vocês tocaram na edição de 2019 do Lollapalooza, na abertura do palco Adidas, conte-nos como foi a experiência de tocar num festival do tamanho do Lolla e como foi a recepção do público?


João Lemos: Foi muito legal, mesmo cedo o público que vai pra um festival como o Lollapalooza é muito animado e interessado, isso é ótimo, sem contar que pra quem gosta da banda foi meio que uma reunião, tinha gente de tudo que é canto do Brasil que gosta da gente que meio que se encontrou no dia. 



A banda segue numa pegada legal de lançamentos desde que surgiu, vocês já tem algum material que pretendem lançar em 2020? Em 2019 vocês soltaram o single “Contracheque”, esse som fará parte de um novo disco? Quais são os planos para este novo ano?


João Lemos: Contracheque provavelmente não vai entrar em nenhum disco não, mas é quase certo de que em 2020 tem coisa nova sim, em breve vai ter.

As letras da Molho Negro são um episódio a parte na hora de ouvir o som, vocês conseguem um balanço entre abordar temas sérios mas com uma boa dose de humor o que deixa tudo ainda mais interessante, como funciona o processo criativo da banda na hora de escrever as letras?


João Lemos: Não acho que eu tenha muito bem um “processo” pra criar uma letra, na verdade é tudo reflexo das experiencias e frustrações, acho que essa forma de falar de algo que me deixa com raiva mas que vai fazer você rir provavelmente vem de algum mecanismo de defesa, algum trauma de infância ou coisa assim, enquanto um psicanalista não me explica eu sigo me escondendo nisso ai haha

Como estamos falando de suas letras, gostaria de dizer que “Gente chata” é minha faixa preferida de “Normal”, inclusive fiquei muito a fim daquela peita que vocês fizeram com o trecho da letra, onde podemos encontrar merch da banda para adquirir, Cds, camisetas?


João Lemos): As camisas tem pra vender pelo site da Sabot (https://www.sabot.com.br/flecha-discos ) o resto do merch a gente costuma vender nas tours.

Falando um pouco sobre cena, quando ouço bandas como a Molho Negro tenho vontade de esfregar o material na cara de pessoas que dizem que o rock morreu, que o underground está respirando por aparelhos, vejo que há muita coisa surgindo e creio que durante as turnês vocês se deparem com muitas bandas, o que vocês indicariam de novos sons pra quem quer ter contato com novos sons ou até mesmo para os descrentes que acham que o rock parou nos anos 90?


João Lemos: Quem diz uma coisa dessas merece mesmo ficar refém da monocultura do mainstream… mas acho que pesquisando tem muita gente fazendo música interessante e relevante no país hoje, as próprias bandas do Flecha são boas, destacaria o Demonia de Natal, que pra mim é uma das coisas recentes mais relevantes, se tratando de “rock”.



Ainda no campo dos cenários musicais brasileiros, gostaria que nos contasse como é o underground de Belém, morei por cinco anos no amazonas mas não tive oportunidade de visitar o estado do Pará, o que vocês indicam para nós da cena paraense?

João Lemos: É uma cidade grande, desigual, violenta, e provavelmente por isso é culturalmente muito rica, pra todos os lados, falando de bandas de rock, a gente tem Turbo, Delinquentes, Sokera, O Cinza, pra citar só alguns nomes.

Mantendo nossa tara por listas, quais são os cinco maiores discos da história segundo a Molho Negro?


João Lemos: Nossa, impossível essa hahaha, vou falar por mim e não consigo fazer os da história, mas consigo fazer os que eu mais ouvi nos últimos anos, ok?

Idles - Joy as an act of resistance

Shame - Songs of praise

The Chats - Get this in ya

Courtney Barnett - Tell me how you really feel

Beck - Hyperspace

Gostaria de agradecer por falar conosco, e reservar este espaço pra que deixem seu salve registrado como bem entender! Valeu!

João Lemos: Pô que isso, brigado pelo convite! Se você chegou até aqui nessa entrevista e não conhece a banda, acho que não custa nada ir dar uma procurada na internet pra ouvir e ver o que acha.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O REINO SANGRENTO DO SLAYER – JOEL McIVER (Review Póstumo)



Com a tour final do Slayer chegando ao fim no dia 30/11/2019 com uma incrível apresentação no The Forum em Los Angeles, um ciclo iniciado em 1981 chegou ao fim, e que deixou pela estrada um rastro de agressividade, peso, anti-religiosismo e fidelidade total ao thrash metal, subgênero que ao lado de Metallica, Exodus, Anthax, entre outros, ajudou a moldar e popularizar ao redor do mundo. 




O Slayer sempre será pra mim a maior banda que houve, pois tenho um carinho especial por ter sido meu primeiro contato com metal extremo, não tenho como descrever o impacto que a banda teve pra mim, o primeiro disco que ouvi dos caras foi “Divine Intervention” de 1994, um amigo perguntou se eu queria um CD de uma banda estranha que ele tinha na casa dele, nem imaginava do que se tratava, o cara estava simplesmente me doando uma cópia original do disco a pouco citado, quando abri e de cara vi a foto dos braços de um fã que entalhou na própria pele o nome da banda, pensei, estou diante de algo diferente, e que surpresa foi colocar esse disco pra rodar no cd player e ouvir toda a brutalidade e aura sinistra que emanava logo nos primeiros segundos de “Killing Fields”, dali em diante nem preciso dizer que me tornei um grande fã de tudo o que esses caras produziram dali pra frente e um estudioso de tudo que fora realizado até ali.

Achei necessário escrever algo a respeito desse episódio final presenciado pelo mundo, infelizmente não pude comparecer aos últimos shows dessa lenda no Brasil, em São Paulo e no Rio de Janeiro no Rock in Rio, em outubro passado, mas ao menos pude assistir a um show da banda em maio de 2017 no Maximus Festival em SP, pura catarse, experiência que levarei pela vida e até o túmulo, eu vi o Slayer pelo menos uma vez na minha vida!!! Sem dúvidas se não tivesse vivido isso, não me perdoaria, parafraseando o autor da biografia da banda, Joel Mciver: “...Se você quer conhecer a verdadeira força do Slayer, assista um show da banda. Na verdade, esqueça o que acabei de escrever: se você quer conferir tudo o que a música pesada tem para oferecer, assista um show do Slayer. Se você perder a oportunidade de ter essa experiência hoje, e descobrir amanhã que a banda acabou, você se arrependerá para sempre...” (Pag. 337) 



SHOW NO MAXIMUS FESTIVAL EM MAIO DE 2017

Mas vamos ao que realmente interessa, apesar de tudo o que você puder imaginar sobre o Slayer você possa encontrar em uma Wikipedia da vida, eu ainda sou fã de ter registros físicos da história, isso vale para fotos, discos e obviamente, livros! Portanto quando surgiu o registro biográfico do Slayer eu não poderia deixar passar a oportunidade de incorporá-lo a minha coleção, o título faz jus a lenda e achei perfeito pra ilustrar a história de uma banda que sempre teve uma postura tão agressiva, “O reino Sangrento do Slayer”, minha cópia é uma segunda edição, ampliada e revisada, já que o livro originalmente foi publicado em 2007, a capa da primeira edição é mais legal, porém não cobre a trajetória da banda até onde essa edição vai. 



REGISTRO GRAVADO NA ÚLTIMA APRESENTAÇÃO DO SLAYER 30/11/2019



Aqui temos uma apanhado desde os primórdios de cada integrante, passando pela formação da banda, cobrindo cada um dos discos lançados até “World Painted Blood”, falando sobre a lamentável morte de Jeff Hanneman em 02/05/2013, poucos dias antes do lançamento da primeira edição, num trecho muito interessante onde vários nomes do underground nacional dão depoimentos sobre a importância do cara e do Slayer para eles, e uma incrível cronologia visual da banda com fotos de cartazes primitivos de shows e das sessões de gravação de vários discos da banda, tudo tendo como base as mais de 60 entrevistas realizadas pelo autor e citações e entrevistas em vários outros veículos especializados ao redor do mundo que resultaram nesse maravilhoso registro biográfico! Não poderia deixar de citar o texto de Tor Tauil (Zumbis do Espaço) que dá o ponta pé pra leitura e o prefácio pelos malucos da Municipal Waste, enfim não preciso me aprofundar para quem curte a banda é um item obrigatório e para quem não conhece, o que acho improvável, uma forma de entender toda a mística que envolve o nome Slayer!